Em 16 de Outubro de 2009 escrevi neste blogue estas palavras… «Por tanto, a tarefa do Senhor Eng.º Robalo vai ser dura, ingrata e frustrante, isto se tiver como objectivo salvar o Sabugal do desaparecimento nos próximos 4 anos. Assim não dou os parabéns ao Senhor Eng.º Robalo não porque não tenha consideração pela sua pessoa, que tenho, mas porque detestaria que me dessem os parabéns por assinar a certidão de óbito da minha terra, que é o que lhe vai acontecer.»

Kim Tomé (Tutatux)Hoje, 28 de Janeiro de 2012, vi na televisão a noticia de que o tribunal do Sabugal vai fechar.
A cada passo vejo uma permanente atitude de destruição patrimonial cometida por quem tem o dever e a obrigação de preservar.
Observo o que se passa na Câmara Municipal e apenas vislumbro compadrios, caciquismo, incompetência e ignorância.
Tenho falado com muitos empresários com passado de sucesso do concelho e percebo que, todos os com que falei estão com grandes dificuldades e a maioria em vias de fechar nos próximos meses.
Olho à volta e nos comércios, onde se sente o frio que gela os ossos, não vejo clientes, apenas os donos com cara de infelizes incapazes de ganhar para as despesas.
Todos os dias vejo mais gente a partir em busca de vida para França ou outras paragens.
Ando pelas ruas e vejo um vazio confrangedor enquanto oiço o sino da igreja tocar a finados.

Quando escrevi aquelas palavras ainda tinha uma secreta esperança de que o que escrevia não acontecesse, eram um grito de alerta tentando despertar consciências.
Infelizmente, o meu grito de alerta revelou-se uma certeza inevitável.

Os responsáveis políticos e os seus parceiros podiam ter invertido este processo, mas não o fizeram!
Antes pelo contrário.
E agora é tarde!!!
Chamaram para junto de si, mais incompetentes e incapazes, personagens que estão mais interessados em sugar o sangue deste nosso povo que em ressuscitar o moribundo.
Destruíram e continuam a destruir o nosso melhor património procurando com isso acumular mais riqueza à custa da destruição do que melhor temos.
Desbaratam verbas em atitudes absurdas, dizendo que têm preocupações culturais mas desprezam e destroem as mais valias culturais que no concelho poderiam criar riqueza.

Como César «ELES» tocam arpa enquanto o Sabugal sucumbe no braseiro que «ELES» próprios criaram e alimentam.

Por tudo isto, sei que os sinos, que quase todos os dias se fazem ouvir num toque de finados, se calarão porque não haverá mais ninguém para os tocar.
E, assim se finará a história deste povo, que foi capaz de prosperar nesta terra agreste e fria, onde um dia, alguns, tornaram a vida impossível e obrigaram todos a deixar as suas propriedades, amigos e familiares e ir para outra terra para poderem viver.
Assim está o Sabugal… À BEIRA DO FIM.
«O Bardo», opinião de Kim Tomé

kimtome@gmail.com

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