Primeira. Se fosse no mundo do futebol, diria que o treinador seria demitido.

Fazendo aqui a comparação com as últimas declarações do primeiro-ministro e dos figurões da troika, acerca da necessidade de recorrer a uma nova ajuda a Portugal. Isto porque, no futebol, quando os presidentes dos clubes vêm dizer publicamente o seu apoio ao treinador, regra geral, no dia seguinte são despedidos! E, como parece que vai acontecer, seria importante explicar, para que se perceba, a dimensão da espiral de endividamento de Portugal. Ao mesmo tempo, perceber, se os sacrifícios que estão a ser pedidos são para todos e proporcionais ou vamos chegar a essa conferência de imprensa sem direito a perguntas (é a moda das conferências dos políticos cá no burgo), anunciando a necessidade desse novo pedido e esbarremos com um qualquer buraco provocado por uns boys ou compadres (leia-se estado) do costume. É que, só consigo enxergar cortes nos salários, nos serviços à população (transportes, saúde, educação…) mas nãos vejo o estado e aquela máquina infernal cortar em nada! Entretanto, o país vai sendo abandonado e empobrecendo. Temo que o tratamento leve à morte do paciente!

Segunda. Hesitei em trazer a esta crónica as declarações do sr. Silva, Presidente da República. Classificá-las de lamentáveis é demasiado redutor! Neste tempo em que o vencimento de milhares de portugueses é diminuto, o sr. Silva vem queixar-se de que os seus milhares de euros de reforma não dá para as despesas?! Nem com aqueles milhares que ganhou com as acções do BPN, ajudam? São declarações miseráveis, insensíveis e egoístas. Mas, porque há sempre um mas, o comunicado emitido para justificar foi… pronto, “pior a emenda que o soneto”! Como é possível dizer que as suas declarações procuravam realçar as dificuldades dos pensionistas, reformados e desfavorecidos? Revela falta de vergonha e que exerce o lugar pelo dinheiro. Porque, se tivesse vergonha, demitia-se. E é este o homem que fala dos profissionais da política, ele que leva trinta e cinco anos na política! Que bem prega frei Tomás…

Terceira. Esta semana ouvi o ministro da Segurança Social dizer que iria ser revista a lei ou as leis que regulam os lares da terceira idade, fazendo realce para um serviço mais domiciliário do que, propriamente, o encerramento no lar. As palavras, obviamente, que me levaram para as terras da raia, onde a maioria da população é idosa. O tema é interessante de se debater e é urgente encontrar respostas para um problema que se tende agravar. No concelho do Sabugal há aldeias em que a maior parte da sua população está no lar. E estes não conseguem dar resposta a todas as solicitações. Portanto, das duas uma, ou lhe damos assistência em casa ou os abandonamos.
Trago, também, este assunto aqui como algo de positivo. Existe no concelho uma empresa vocacionada precisamente para a prestação destes serviços idosos. Chama-se ESSENCIAL SÉNIOR, está sediada no centro de negócios transfronteiriços do Soito e é uma criação de dois jovens arraianos. Numa altura em que tanto se fala de empreendorismo, sabe bem constatar que há gente jovem a investir no concelho e em teimar em não o abandonar. Esta empresa presta apoio a idosos, a doentes, apoia nas actividades domésticas… entre outros serviços. Trago aqui o assunto (passe a publicidade), por me parecer inevitável ser uma questão premente e porque me parece importante realçar as coisas boas que acontecem, que se fazem e que se criam no concelho.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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