«Mestre de Marca» é a segunda peça da Trilogia Castelos da Raia. O guião vai ser publicado em duas parte.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaMESTRE DA MARCA
(quatro actos)

Personagens: ROIZ (físico do rei), BARNABÉ (escudeiro), ROBERT (mestre pedreiro), JOSUÉ (aprendiz), JUAN (mestre pedreiro), GILBERT (mestre templário), ISABEL (bastarda do rei), Maria (criada), Raquel (alcoviteira), ESCRIVÃO, GUARDA, OPERÁRIO1, OPERÁRIO2 e CORO.

Vilar Maior; Largo e Castelo; estaleiro montado, andaimes e roldanas na torre. A meio um cruzeiro. À direita uma casa com este letreiro: «Mestre Robert, pedreiro da marca» À esquerda outra casa, com pequeno degrau à entrada, com este letreiro: «Mestre Roiz, físico licenciado em Paris». 1210.

ACTO I
Largo público. Ao fundo, torre de menagem e castelo. Josué, Isabel e povo, etc.

CENA I
Josué

JOSUÉ (sobe o largo, passeia de um lado para o outro, em solilóquio)

Coplas
I
Sou um aprendiz desgraçado,
Sem dinheiro para jantar;
hoje comi gato guisado,
para a fome enganar.
Apesar de bom pedreiro,
vivo com mestre Roberto
que me corta no dinheiro
E me deixa em grande aperto.

Como eu ninguém há
por cá.
Olá!
Como eu ninguém é!
Olé!
Como eu ninguém vi!
Oli!
Ninguém como eu sou!
Olô!

CORO – E ninguém, parvo como tu!

II
Que me importa pedra partir
Do meio-dia à meia-noite;
Viver nesta canseira
e andar como Job a pedir
sem nada (e revira os bolsos) na algibeira?
CORO – Sem nada na algibeira!

CENA II
Josué e Isabel (a meio do Largo)
JOSUÉ E ISABEL (A meio do Largo)
ISABEL (subindo o largo e vendo Josué a resmungar) – Bonito! A difamar o patrão!
CORO – Bonito! A difamar o patrão…
JOSÉ (compõe os bolsos) – A benção, bela infanta?
ISABEL- Adeus. (senta-se no cruzeiro) Já viste passar mestre Roíz, Josué?
JOSÉ – Já sim, senhora.
ISABEL – E há muito?
JOSUÉ – Há coisa de meia hora entrou, senhora! Tenho um recado! (Mostra-lhe um pano com brasão e cantarola) Trá lá rá lá lá…
ISABEL (ergue-se em bicos de pés)- Dá cá!
JOSUÉ (Arremeda-a) – Trá lá rá lá lá… (Esquiva-se ao alcance das mãos da moça, negando-lhe o pano)
ISABEL – Deixa-te de fitas, dá cá! (apanha o pano)
JOSUÉ – Encontro debaixo da ponte; qual a resposta?
ISABEL (cheirando o pano e guardando-o) Nem sim; nem não… (entra na casa de mestre Roíz)
JOSUÉ – (seguindo-a) Ai se mestre Roíz sabe que anda moiro na costa… (e entra na casa de mestre Robert)
CORO – Ai que anda moiro na costa!…

CENA III
ISABEL E BARNABÉ (homem de meia idade, vestido de escudeiro, barrigudo e barbudo sobe o largo dirigindo-se a casa de mestre Roíz)
ISABEL (Vem a sair com cestinha na mão, ao ver Bernardo, volta atrás, querendo fugir) – Ai! Que susto!
BARNABÉ (embargando-lhe a passagem) – Ninguém deve fugir sem ver de quê.
ISABEL – Que quer o senhor aqui?
BARNABÉ – Vim em pessoa saber da resposta: quem quer vai; quem não quer manda…
ISABEL – Então o pano era vosso… Não de cavaleiro fidalgo!
BARNABÉ – O pano e a estopa…
ISABEL (Interrompendo-o) – Olha a impertinência! Um reles escudeiro a pretendente de filha de rei… Não suba o sapateiro além da sola do sapato!
BARNABÉ – Não há recado sem resposta…
ISABEL (levantando a mão) – Para vilão, a palma da mão!
BARNABÉ (Impassível) – Quanto mais me bates, mais gosto de ti. Eh! Eh! Foi por lã, e saiu tosquiada…
ISABEL – Eu grito!
BARNABÉ – E eu corro!
ISABEL – O senhor é gordo e feio… Pode lá correr!…
BARNABÉ – O diabo não é tão feio como se pinta…
ISABEL- Feio que nem um bode!…
BARNABÉ – Quem o feio ama bonito lhe parece.
ISABEL- Convencido!
BARNABÉ – Água mole em pedra dura, tanto dá…
ISABEL – Vá esperando!…
IBARNABÉ – Quem espera sempre alcança.
ISABEL – Desengane-se!
BARNABÉ – O futuro a Deus pertence!
ISABEL – Melhores pertences e pretendentes tenho eu…
BARNABÉ – Dentro da arca, bem os oiço…
ISABEL – Muito mais bonitos…(Suspirando)
BARNABÉ – Quem conta um conto, acrescenta um ponto…
ISABEL – Para que haveria de querer um velho gaiteiro?
BARNABÉ – Quem desdenha quer comprar…
ISABEL – Comprar! Um homem tão mal feito!…
BARNABÉ – Feio por fora, lindo por dentro.
ISABEL Presunção e água benta, cada um toma a que quer…
BARNABÉ (sentando-se no degrau)- Sois a luz dos meus olhos!…
ISABEL – Ah, ele agora senta-se? Temos cão de guarda!
BARNABÉ (impassível) – Cão que ladra, não morde…
ISABEL – Temo-la bonita!
BARNABÉ – Venha sentar-se a meu lado…
ISABEL – Pois sim! Não morde, mas tem pulgas!
BARNABÉ (Chegando-se) – Esfreguei-me com vinagre! Ora cheirai…
ISABEL (Afastando-o, faz-lhe uma cara) – Vai de retro!
BARNABÉ – Como?
ISABEL (Dando meia volta e entrando) – Irra; ainda por cima é surdo!
BARNABÈ (Descendo o largo, solilóquio) – Esperneia, mas há-de cair no anzol!
Quem não arrisca não petisca…

ACTO II
Em casa de Robert. Sala. Mobília velha: mesa, bancos, três colunas a meio. Sobre cada uma destas um castiçal aceso, e na mesa, outro castiçal e uma garrafa de vinho e dois copos. Uma pedra cúbica, que Robert trabalha, e instrumentos de pedreiro sobre ela (esquadro, ponteiro martelo e esquadro). Ao fundo porta que deita para a saída. Interior da habitação. É noite.

CENA I
Josué e Robert

(Josué entra. Ao sinal de Robert, senta-se à mesa com este, conversando)
JOSUÉ – Então, há três anos entrei na irmandade; quando me aumentas o salário?
ROBERT (atirando uma bolsa para a mesa) – Toma lá, pelos teus trabalhos em atraso, e desampara-me a loja!
JOSUÉ (despejando-a na mesa e contando o dinheiro) – Aqui só estão seis dinheiros… (guardando o dinheiro)… Por mais se vendeu judas!
ROBERT – Hoje reúne o conselho; e podes pedir aumento de salário. (dá-lhe uma palmada nas costas) Anda, bebe um copo!
JOSUÉ – (esfregando as mãos) Venha de lá então esse copo…
ROBERT – Já sabes desbastar pedra e utilizas as ferramentas com mestria (enchendo-lhe o copo); podes muito bem receber o sinal…
JOSUÉ – Basta cheio. (estende o copo) Parai … Só ao meu sinal!
ROBERT – Ao sinal!… (em surdina) O sinal… Entendes?
JOSUÉ – Qual sinal?
CORO – Qual sinal?
ROBERT – A palavra do grau, meu tolo!
JOSUÉ – Venha ela!… (esvazia o copo)
CORO – Venha ela!
ROBERT – Mais devagar… Primeiro a instrução!…

CENA II
Robert, Juan e Josué
JUAN (dá três pancadas na porta e vai entrando com sacola a tiracolo, sem reparar em Josué) – Tem aqui uma bela loja, compadre. É sua?
ROBERT – Trinta maravedis pago por ela.
JUAN – E tem câmaras? (senta-se à mesa)
ROBERT – A da ceia e a do meio…
JUAN (em surdina) – E para a função, compadre?
ROBERT – A da vizinha Maria aqui ao lado, e é quanto basta.
JUAN – Função da irmandade; compadre…
ROBERT – Não diga que você também é confrade?!
JUAN – Reconhecido como tal… de patente passada e oficina montada. (exibindo sacola que traz a tiracolo) Não largo o avental nem as ferramentas de ofício!
ROBERT – Mas de onde, não nos dirá?
JUAN – Pergunta bem a quem não lhe pode responder.
ROBERT – Mas a palavra, essa dará…
JUAN – Chegai-vos cá que vo-la direi (segreda ao ouvido de Robert)
ROBERT (À parte) – Nunca ouvi palavra tão certinha!
JUAN (Reparando na sala) – Mas para quê todo este aparato?
ROBERT (À parte) – Hoje temos função! (mostrando Josué) E o felizardo está presente!

CENA III
Robert, Juan, Josué, Gilbert
Entra Gilbert, espada cingida, saco a tiracolo e senta-se à mesa.
GILBERT – Vamo-nos preparando para a função. ( tirando as ferramentas da sacola, no que é secundado por todos) o escrivão não tarda ai também, passei por ele no terreiro. (três pancadas na porta.) Quem é?
ESCRIVÃO (dentro) — Sou eu.
GILBERT — Ah, és tu… Podes entrar.

CENA IV
Robert, Juan e Gilbert. Escrivão entra e senta-se à mesa.
GILBERT — Vamos começar. ( põe a espada sobre a mesa, bate o martelo) Os senhores que estão lá fora no terreiro podem entrar.(Josué vai chamar à porta. Entram vários operários; uns de jaqueta de chita, chapéu de palha, calças de ganga, de tamancos, aventais postos, que se vão sentando. Josué senta-se com eles) Estão abertos os trabalhos. Os requerimentos?

CENA V
Um dos operários entrega um papel e outro papel e cesto. Josué tira da camisa um papel que entrega ao escrivão.
GILBERT — Sr. Escrivão, faça o favor de ler.
ESCRIVÃO, lendo — «Diz Josué, natural desta freguesia e casado com Miquelina, sua mulher à face da Santa Madre Igreja e da lei dos homens, pai teúdo e manteúdo de uma pimpolha bem sadia e coradinha e de mais outro que vem a caminho pelo entrudo, morador em casa emprestada, à rua da galinha, aprendiz do ofício nesta loginha, vai para três anos e muitas luas com mestre Roberto, e magro salário que o vai deixar em grande aperto, pede a Vossa Senhoria mande votar neste conselho subida de grau e salário. Espera receber mercê.»
GILBERT — Baixe à assembleia para votação. E que mais?
ESCRIVÃO, lendo — «O abaixo-assinado vem dar os parabéns a V.Sa. por ter entrado com saúde no novo exercício. Diz ser mestre deste ofício, e senhor de um moínho de duas pedras alvaneiras, à borda do Cesarão, que em ano de boa àgua dá bom alqueire de farinha ao dia, mais os barbos e robalos que se catrapiscam no açude, e como vem de encaixe, pede a V. Sa. o favor de aceitar um cestinho de robalos que mandou apanhar hoje à tarde, para a ceia.»
GILBERT — Tal não carece de requerimento! (aceitando a cesta e passando-a a Robert) Para a ceia… e já vêm amanhados! Adiante!…
ESCRIVÂO lendo — «O abaixo-assinado, mestre da marca há mais de sete anos nesta confraria, e cujo sinete de trabalho é um delta grego, vem reclamar do compadre Fagundes que, usa no ofício a mesma sigma, com muito prejuízo da sua clientela e bom nome. Pede Justiça.»
GILBERT (Ao operário 1) – que dizeis a isto, mestre Fagundes?
OPERÁRIO1 – A primazia da marca é minha.
OPERÁRIO2 (À parte) – Aqui o único Primaz reconhecido, é o de Sevilha…
GILBERT (Ao operário 1) – E consegues prova-lo?
OPERÁRIO1 – É o assento mais antigo no livro…
OPERÁRIO 2 (À parte) – Apela ao livro… Não tarda, às escrituras!
GILBERT – Senhor escrivão, é isto verdade?
ESCRIVÃO (Abrindo um calhamaço, que folheia da frente para trás e de trás para a frente) – Não há como saber… A era está coberta com um borrão de vinho… foi-se a prevalência do registo!…
GILBERT – Integra-se a lacuna pela equidade e glosas de Acúrcio…
OPERÁRIO 1 e 2 (Em uníssimo) – E como é isso?
GILBERT – Repartindo benefício com prejuízo… Ao reclamante, delta grande; ao reclamado, delta cursivo!…
OPERÁRIO 2 (Resmungando)- Com Acúrcio ou Tibúrcio, nada passa pelo crivo…
GILBERT (Ao escrivão) – Qual a restante ordem do dia?
ESCRIVÃO (Arrumando os papéis) – Nada mais há requerido…
GILBERT — Está bom, então sobeja-nos tempo para a instrução. Sr. Escrivão, faça o favor de… (Grita para fora:) Ó da porta! Fecha; e corre o pano!
GUARDA (Ao longe — Sim senhor.
CORO – Eles correm os panos!…
GILBERT (Para a assistência) – É a coberto de profanos…
(Estrondo de porta a fechar. Corre o pano)

ACTO III
Em casa de Roiz. Sala com lareira acesa, janela e porta que dá para interior da casa. Mobília velha: mesa a meio, bancos. Ao fundo porta que deita para a saída. Interior da habitação. É noite.

CENA I
MARIA remendando um pano junto à janela, à luz de candeia; depois ISABEL.
ISABEL (Entra aborrecida e espreita à janela) – Foi-se!
MARIA – Quem?…
ISABEL (Absorta)– Ein?
MARIA – Quem é que se foi ?
ISABEL (Perturbada) – Ah! O peralvilho do Barnabé…
MARIA – Por falar no diabo, menina: se casasse com ele…
ISABEL – Havia de ser muito infeliz…
MARIA – Ao contrário: É homem de cabedal, herdeiro de um bom morgadio por morte de seu tio…
ROIZ (Fora) – Maria… ó Maria!
MARIA – Lá está vosso tutor a chamar-me!…
ROIZ (Fora) – Maria!…
MARIA – Grita para aí, alma do diabo!
ROIZ (No mesmo) – Maria!…
MARIA (Aborrecida)- O que é?
ROIZ – A minha luneta?… Não dou por ela…
MARIA (interrompendo a costura)- Já viu?… Na banqueta!…
ROIZ (Fora) – Achei!…

CENA II
MARIA, ISABEL, RAQUEL (velha, trajando de negro, xaile pela cabeça)
MARIA (Retomando a costura) – Havia de ser muito feliz com esse Barnabé…
ISABEL (Olhando para a rua) Ah! ali vem a vizinha Raquel…
MARIA – Foi Deus que a mandou!… Melhor entendida em coisas de amor não há!… (vai à janela e fala para fora) Ó comadre, posso dar-lhe uma palavrinha?
RAQUEL (Fora) – Duas ou três… Quantas quiser…

CENA III
MARIA à janela e RAQUEL na rua.
RAQUEL (Modos hipócritas) – Como vai a rica comadre?…
MARIA – Assim-assim. E a senhora?…
RAQUEL – Mal das cruzes; mas agora melhorzinha. Vim da Igreja; fui pôr uma velinha à Senhora do Castelo…
MARIA – Para ficar boa?…
RAQUEL – Nem imagina! Desde que o meu Cunha se foi, nunca mais estive boa! (mãos nos quadris) Então este resfriado da noite, mata-me!…
MARIA – Que imprudência, comadre! Não ande na rua com esta orvalhada…
RAQUEL – Teve de ser. Vou ali ao mestre Roberto por uma trouxa de roupa para a barrela!
MARIA – Vai em má hora!… Mestre Roberto está de visitas…
CORO – Com trancas à porta e cortinas fechadas!…
RAQUEL (Desapontada) – Ora; e vim eu por nada!
MARIA – Já que veio, bebe um pucarinho de vinho quente?
RAQUEL (Entrando) – Se é oferecido de boa mente…
CORO – A cavalo dado não se olha o dente…

CENA IV
MARIA, ISABEL, RAQUEL
RAQUEL (Já dentro) – Ó da casa, pode-se entrar?
MARIA (Sentando-se à lareira) – Vá entrando, comadre!…
RAQUEL (Apanhando um banquinho; a Isabel) – Benção, minha infanta!… Que bela estais!… Cada vez mais parecida com El-Rei vosso pai… Abençoado seja!
ISABEL (Interessada, sentando-se à lareira também) – E vós lá conheceste meu pai!?
RAQUEL – Então não conheci?… Belo homem… um dia que por aqui passou; vinha da guerra… Andáveis vós na barriga de vossa mãe; Deus a tenha!
MARIA (Chegando púcaro ao lume, que aviva com umas tenazes) – Linda e casadoira!…
RAQUEL – Também acho!…
ISABEL (Interrompendo) – E como era ele?
RAQUEL – Assim moreno, alto, cabelo negro, despachado, como vós!…
MARIA – (Despejando o vinho num copo que dá a Raquel) – Assim, ou com mel?
RAQUEL – Mel, se tiveres…
ISABEL (Novamente) – E minha mãe?… Conheceste?
RAQUEL (Aquecendo as mãos no copo) – Vossa mãe foi gentil dama da corte… Morreu do vosso parto, quando ficastes aos cuidados de mestre Roiz…
MARIA (Vem com púcaro de mel, que serve a Raquel, e retoma a costura e conversa) – Mas só tem olhos para um jovem cavaleiro…
ISABEL – E há lá melhor partido?
RAQUEL – Então a senhora acha bom casamento?…
ISABEL – E não é?
RAQUEL – Quem?… Aquele moço que não larga a vossa janela?… Se a senhora vai na conversa, está bem aviada… Aquilo é um empata…
ISABEL – Como sabes disso?…
RAQUEL – É um pinga amores…. Ainda outro dia… era dia santo… (Como se lembrando) Que dia santo era, comadre? (recordando-se) Foi pelo Natal… vinha ele à porta da vila e metendo conversa…. Adivinhe a quem?…
MARIA – A quem, comadre?…
RAQUEL – À mulher do Josué… Diz-se que o pai é ele…
MARIA – O que é que diz?…
ISABEL – Mas ele passa aqui todos os dias por minha causa…
RAQUEL – Por sua causa?…
ISABEL – Por minha causa… Todo gentil e garboso na sua farda… Fazendo olhinhos à janela!…
MARIA – O que diz, minha rica menina?… Por isso é que não me sai da janela!…
RAQUEL – Senhora, eu tenho muita prática de homens, sei o que são essas coisas…
ISABEL – Pois olha, há um escudeiro que me quer para casar…
RAQUEL – Jura?…
ISABEL – Sobrinho herdeiro de seu tio…
RAQUEL – E quem é ele, senhora?…
MARIA (Interrompendo) – Um tal Barnabé, um labrego, ainda por cima rico, herdeiro de um bom morgadio…
RAQUEL – Agarre-o com unhas e dentes, senhora. Acredite que isto de maridos, qualquer um serve, contanto que tenha cabedais…

(Cont…)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

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