Quem não tem medo de viver numa sociedade onde ditadores estrangeiros, numa ingerência inqualificável, determinem desde as suas cómodas e bem remuneradas poltronas, que o nosso País ponha acima de tudo e de todos os interesses da Propriedade Capitalista Oligárquica e despreze o Capital Humano? Quem não tem medo de viver num País, como o nosso, onde os seus governantes obedecem cegamente a esses ditadores estrangeiros, estando a contribuir assim para a morte lenta da nossa sociedade? O medo é o chicote dos amos…

António EmidioA história diz-nos que nenhuma época nem civilização estiveram isentas desse fenómeno psíquico que é o medo. É um grande desafio que muitas vezes se apodera do homem. Eu, embora não chegando aos extremos da Kafka que dizia: «o meu ser é medo», vivo com medo. Quem, sendo cidadão comum, cidadão que trabalha, não vive com medo? Atrevo-me a dizer que muito poucos. Também poucos saberão que esse medo é medo a uma ideologia, sim leitor(a), é o Neoliberalismo, uma corrente de pensamento partidária da máxima liberdade de comércio e competitividade, aliadas à destruição moral do homem, uma ideologia inumana.
Vivemos numa sociedade que podemos apelidá-la da sociedade do medo, medo a quê? À perca do posto de trabalho, medo a não conseguir nenhum, medo à diminuição dos salários e das pensões, medo à concorrência desleal e até criminosa, medo ao Estado Neoliberal, cuja tarefa principal presentemente é disciplinar os portugueses, por isso há cada vez mais leis e decretos, mais proibições e ameaças, com isto tudo, menos Liberdade. Medo ao fracasso, não nos pode surpreender este medo já que vivemos debaixo de uma ideologia que determina o valor das pessoas pelo seu êxito externo. Medo aos grandes problemas ecológicos, à mudança climática e até a uma guerra nuclear.
O conhecimento e o saber, procuram eliminar, ou reduzir ao mínimo o medo social, quanto a mim tem um efeito contrário, aumenta-o, porque conhecimento e saber levam-nos a compreender toda a movimentação política e económica que está a transformar a vida da maioria dos cidadãos numa ditadura diária.
Aceitar o medo como fazendo parte do nosso ser é um acto de lucidez.

Vou deixá-lo querido leitor(a) com esta pequena história sofista: «A peste ia a caminho de Bagdade, encontrou pelo caminho alguém que lhe perguntou onde ia. A peste respondeu que ia a Bagdade matar dez mil pessoas. Passado algum tempo a peste voltou a encontrar-se com essa pessoa, que deveras irritada lhe disse: mentiste-me! Disseste que ias a Bagdade matar dez mil pessoas e mataste cem mil! A peste retorquiu: eu não menti, matei dez mil, o resto…morreu de medo».
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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