«A escravatura humana atingiu o seu ponto culminante na nossa época sob a forma do trabalho assalariado»; Bernard Shaw (1856-1950).

O dia 18 de Janeiro de 2012, será recordado como o dia em que as «torres gémeas» da estrutura do trabalho em Portugal foi atingida pelos aviões conduzidos pelo governo, pelos patrões e por uns quantos figurões que, verdadeiramente, não se sabe quem representam. Permitam-me esta analogia. Pois, aquilo que o acordo de concertação social apresenta é um atentado terrorista ao trabalho. Sei que um acordo que seja do agrado de todas as partes é difícil, afinal, «não se pode agradar a gregos e a troianos». Mas, neste acordo, assinado sem a CGTP, mas por uma UGT engasgada, com alegria dos patrões e do governo, desculpem, só pode ser um mau acordo para os trabalhadores! E este acordo é uma novela muito interessante. Vejamos, começou com esse slogan da mais meia hora por dia, mas não paga! Os patrões vieram logo a terreiro que não concordavam. Os sindicatos fizeram o mesmo. O governo apresenta-a como irredutível. E entre mais episódio, menos episódio das reuniões da concertação social (acho um piadão a este nome!), chegou-se a esta maratona de dezassete horas dezassete de reunião da dita concertação social, para que dela saísse um documento venenoso. Menos dois dias de descanso, fim de quatro feriados, as empresas definem as pontes e podem determinar férias forçadas, as horas extraordinárias valem menos dinheiro, passa a ser mais fácil despedir e o valor das indemnizações é mais baixo. O argumento da UGT é de que se não assinassem, o governo e os patrões desmontavam todo o edifício das relações laborais e que tinham conseguido acabar coma tal meia hora… Mas será que esta gente não percebeu que esse era o engodo?! Bom, a mim parece-me que ele ajudou à explosão.
Não acredito que a política dos salários baixos, dos despedimentos fáceis e arbitrários, da perda de segurança no trabalho e de estabilidade no emprego, seja o caminho para a competitividade. O sr. Ministro da economia dizia naquele ar de quem não é de cá que, esta era a fórmula da criação de emprego! A visão ultraliberal levará, infalivelmente à pobreza e à miséria das populações. E isto não é um acaso! Quando pagar-mos para trabalhar, quando perder-mos toda a dignidade de cidadãos e mendigar-mos liberdade, então o projecto estará concluído. A ditadura não precisa de ser política ou militar. Esta é económica e financeira. E é global. Sem rostos e na obscuridade desses olimpos que ninguém sabe onde ficam. A ideia que tenho dessas figuras é a dos engravatados que aparecem na saga «Matrix»…
Para confirmar gesta ideia, foi apresentado um estudo ontem elaborado por uma universidade em que mostra que a maior parte da população portuguesa aceita um regime mais autoritário. E não é por não acreditarem na democracia, mas porque não acreditam nos políticos e nem nas instituições estatais! Dá que pensar…
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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