«Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em cobardes.» – Abraham Lincoln.

Tentei. Juro que tentei escrever esta crónica, sem falar desse assunto tão premente que tem trazido o país em suspenso, como se, a cada revelação, se desvendasse um segredo do qual depende o presente e o futuro do país! Falo, claro está, dessa organização secreta chamada de «pedreiros» (desculpem se traduzo a palavra «maçon»). E não escondo um sorriso que se rasga no rosto, quando penso que conheço tantos maçons=pedreiros! Todos aqueles que, emigrantes, foram trabalhar para a construção civil em França. Todos eram maçons!
A maçonaria surgiu em França e Inglaterra e, num princípio, para combater o regime absoluto (monarquia absoluta) e a igreja Católica conluiada com aquele. E entendo o seu carácter secreto nesse tempo de Santo Ofício! Hoje, em regimes democráticos, tenho dificuldade em entender a existência de organizações secretas. Contudo, o problema não está na descoberta da sua existência. Não. Esta sempre foi conhecida. O problema levanta-se quando quase metade dos deputados são maçónicos e que, pelos vistos, o rol de ministros dos últimos governos o tem sido. Quando as coincidências de favorecimentos parecem tudo menos coincidências, quando parece a execução de um plano para o assalto ao poder, então existe um problema, pelo menos de transparência! Enquanto for do foro particular, e não sair daí, muito bem. Mas quando se procura a vida pública, esta exige maior verdade. «À mulher de César não basta ser séria, é preciso parece-lo»… E todo este espectáculo parece tudo, menos inocente e coincidente.
Tenho lido por aí que o governo pretende mexer na chamada lei do tabaco. Ouvi um secretário de estado qualquer dizer que é preciso aproximarmo-nos dos países avançados! E assustei-me. Já tardavam em falar nos países avançados (o do outro governo era a Finlândia)! Então, pelos vistos, a lei que por aí se sussurra, vai mandar às malvas todo o investimento feito pelos empresários para se adaptarem à actual lei, e vai proibir de se fumar na rua, nas esplanadas, nos terraços… Parece que a Direcção Geral de Saúde ou o Dr. George, encomendou um estudo a uma universidade – estudo esse que nós pagámos – para lhe dizer que é perigoso fumar-se na rua. Polui. Mas, senhores, os seus narizes apuradíssimos distinguem na rua o fumo do cigarro, dos escapes dos automóveis e das motas?! O que para aí se anuncia é o regresso aos ismos. Os fundamentalismos e os estupidismos!
O país está tão bem assim, que os nossos governantes tenham tempo para se entreterem em gastar o seu tempo nestas questões irrelevantes para o sucesso de Portugal? É isto que é importante para pagar à troika o que lhe andámos a pedir com as calças na mão? Se assim é, devolvam-me o dinheiro que me roubaram!
Desconfio que o governo enviou para a China (talvez os serviços secretos, talvez a loja Mozart 49, talvez…) um dossier com os melhores gestores de Portugal. Coincidência, todos do PSD e CDS-PP. Por coincidência os partidos da coligação do governo. E eis que a China faz a nomeação desses brilhantes gestores para administradores da EDP! Como acredito que os chineses nunca ouviram falar desses nomes, desconfio que tenha sido uma nomeação do governo. O tal que nunca faria como os outros, nunca nomearia por filiação partidária, os tais boys… E é verdade! Este não nomeou boys, nomeou veteranos! Para rematar, mais dois, agora para as Águas de Portugal: o vice-presidente da câmara do Porto e o presidente da câmara do Fundão. Este último, parece, tem uma dívida de uns milhares de euros às Águas do Zêzere e Côa, empresa esta pertencente à outra!
Tudo isto, são a política que por cá nos enreda e nos enrola. Entretanto o povo, descobre todos os dias que tudo está mais caro.
Meus senhores, o que se lhes pede é elementar, governem!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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