Tarde quente de Janeiro. Através das novas tecnologias recolhi a informação de que no dia sete se comemoravam os 85 anos da Junta Regional do Corpo Nacional dos Escutas da Guarda. Não era muito precisa nem pormenorizada. Ainda aguardei esclarecimentos da imprensa regional e ligada à Diocese, mas nem uma letra publicada. Porque será este silêncio? De quem é a culpa?

Em 1972 nasceu esta Região Escutista, com forte apoio das gentes da Cidade da Lã. Não é por acaso que a Sede Regional se encontra sediada na cidade covilhanense.
A palavra Escutismo é um símbolo que mexe nas minhas humanidades. É uma palavra mágica, construtora, rica de valores, que me ajudou também a crescer e a formar-me.
Assim, parti com destino à Covilhã, onde decorreram as comemorações do aniversário. Percorro a parte velha da cidade. Passo pela Rua do Castelo e deparo com o Pátio dos Escuteiro em frente à Assembleia Municipal, junto a uma casa brasonada e à sua volta ruínas. Casas desabitadas, pequenos comércios e cafés sem clientes. Sinais dos tempos e da austeridade.
Na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no Largo de S. Francisco, tem lugar a Eucaristia. O Assistente Regional faz referência à Festa da Epifania e aos Reis Magos. Estamos em plena Festa dos Reis. Eles encontraram uma estrela e seguiram-na até ao Presépio de Belém. Também os escuteiros têm se seguir as estrelas nos trilhos, nas veredas, nos caminhos da ecologia, da proximidade, do bem… Estranhei a ausência do Bispo da Diocese, mas estava em Espanha.
A Sessão Solene decorreu numa sala do emblemático Teatro Municipal com a presença de centenas de Escuteiros de treze Agrupamentos, num total de vinte e quatro, com um efectivo de mil e quinhentos jovens escuteiros, espalhados pelo território da Diocese da Guarda. Os efectivos nacionais cifram-se em setenta mil. O poder local primou pela ausência. Talvez por pensar que a aposta na juventude já não tem interesse e é melhor emigrarem já, apelo que fazem constantemente uns altos dignitários do governo.
O Chefe Nacional Carlos Alberto Pereira, num breve improviso afirmou que tal como as sociedades, o escutismo está em mudança e evolução. Tem de incluir novas mentalidades, tem de servir todas as classes e gerações. Tem de ser multicolor, tolerante e atento aos direitos cívicos e humanos. Tem de apontar uma cidadania global. Pertencemos a um movimento de causas. A boa acção está neste sentido. A História da Região da Guarda fez-se e faz-se destas pequenas coisas. Aquilo que cada um de nós faz é História. O Escutismo foi e é útil numa verdadeira escola de formação em cada um de nós.
Fez referências a D. Manuel Vieira de Matos, Bispo da Guarda, mais tarde Arcebispo de Braga e que ali fundou o Escutismo, depois de ter admirado os activos Escuteiros em Roma.
Falou do Padre Adérius desta Diocese que foi seu formador e com uns textos importantes nesta área.
Agradeceu a dedicação, a lealdade, a seriedade, a prática escutista do Chefe Bento, a quem, com toda a justiça, a Junta Central deliberou atribuir-lhe o Colar Nuno Alvares, a máxima condecoração escutista.
O Chefe Regional António Bento Duarte afirmou que esta distinção é de todos os Escuteiros da Região da Guarda, é da sua esposa e filha, os grandes pilares da sua caminhada escutista, do Agrupamento nº 31 da Freguesia do Barco e seus dirigentes onde se iniciou como escuteiro e do saudoso Padre Sanches, um verdadeiro assistente regional, um sacerdote escuteiro.
O Responsável pelo Secretariado do Projecto Educativo apresentou alguns dados da Junta Regional da Guarda, com os nomes dos seus Chefes e Assistentes através dos tempos até aos nossos dias. Apelou para que todos os Agrupamentos guardem, preservem e congreguem o seu próprio património escutista.
Seguiu-se um simples beberete, oportunidade para trocar umas breves impressões com o Chefe Nacional e Regional, com a Chefe Adélia Lopes do Agrupamento do Soito (Sabugal), onde já estiverem incorporados jovens escuteiros da minha terra natal – a Bismula – e com outros elementos dirigentes.
Saí. Caía a noite. Parei no Pelourinho, junto à Estatua de Pêro da Covilhã. Fiz-lhe o azimute e a nascente surgia a Lua Cheia empoleirada no telhado da Igreja da Santa Casa da Misericórdia. E pensei que estavam ali duas excelentes pistas para os olhos luminosos, radiosos, às vezes irrequietos para a juventude escutista.
Parabéns Junta Regional! Parabéns Chefe Regional António Bento Duarte!
António Alves FernandesAldeia de Joanes

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