O Plano Director Municipal (PDM) do Sabugal, em vigor há 18 anos, encontra-se em fase de revisão, tendo em vista actualizá-lo e dotá-lo de instrumentos consentâneos com os desafios que o concelho tem pela frente. No dia 30 de Dezembro reuniu a Comissão de Acompanhamento, que esboçou algumas das linhas mestras para a alteração do plano, tendo em conta as opções estratégicas para o desenvolvimento concelhio.

O PDM ainda em vigor definiu como objectivo central «fixar população, preservando a identidade cultural e a qualidade do ambiente», considerando que, sem um efectivo crescimento populacional, nenhum investimento tem qualquer sentido e que, sem preservar a identidade cultural, se renega o passado e se compromete o futuro.
Desse objectivo central decorriam três linhas estratégicas, a saber: investir na qualidade do ambiente natural e na recuperação do património; promover a qualificação e diversificação da capacidade produtiva local; melhorar a qualidade de vida da população.
O crescimento populacional, tido, como atrás se disse, por objectivo fundamental do PDM, previa a estabilização da evolução populacional, prevendo inclusivamente que no final da década censitária 1991-2001 fosse de 17 mil habitantes, o que significaria afinal um acréscimo populacional, ainda que reduzido.
Bem ao contrário do que o previsto no PDM, no final de 2001 o concelho do Sabugal sofreu um decréscimo populacional significativo, que representou uma perda de mais de 2.000 habitantes.
E o processo de despopulação não se ficou por aqui, pois acentuou-se na década seguinte (2001-2011), continuando a caracterizar-se pela perda significa de habitantes. Os dados dos Censos 2011 indicam que o concelho do Sabugal perdeu na última década 2.327 residentes, sendo a actual população constituída por apenas 12.544 habitantes, contra os 14.871 que detinha no ano de 2001.
Segundo o relatório de avaliação do PDM em vigor, a que o Capeia Arraiana teve acesso, a revisão deste instrumento de gestão assume-se como importante tendo em conta um conjunto de factores negativos que aconteceram ao longo destes anos. Se o concelho melhorou em termos de infra-estruturas, o certo é que não estancou a desertificação humana, o que surge como a marca do insucesso das políticas seguidas. A este factor negativo de despovoamento das localidades, juntou-se o sucessivo abandono da maior parte dos núcleos centrais das aldeias, com o casario a crescer para a periferia, em detrimento da sua parte histórica, que se degrada continuamente.
Outro factor negativo foi o facto de não se ter conseguido atrair investimento significativo para o concelho, nomeadamente nas vertentes em que o município mais apostava, nos termos do PDM ainda em vigor: a indústria e o turismo.
A necessária revisão do PDM, que peca por tardia, será um processo moroso, pois a proposta final será apenas apresentada em 2013, altura em que se ocorrerá a fase da sua discussão pública.
plb

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