Sim, é caso para perguntar que gente é esta que nos governa, que ministros e secretários são estes que mandam emigrar os jovens e os professores? Querem expulsá-los da história, da história deste País. Onde nos leva esta gente? Em primeiro lugar a um descrédito ainda maior da Democracia, depois à repulsa pela política e pelos políticos, e por fim ao desastre total. Por isso são já considerados estes homens e mulheres que nos governam, como «pós-modernos», ultrapassaram a modernidade…

António EmidioAs pensões das pessoas que trabalharam toda uma vida irão ser reduzidas para metade, os salários dos trabalhadores também irão ser reduzidos até limites insuportáveis, os impostos irão aumentar, a pobreza irá aumentar, a diferença entre ricos e pobres tornar-se-á abissal, o desemprego irá grassar, a idade da reforma aumentará, a saúde irá passar a ser um luxo, só a terá quem tiver dinheiro para a pagar. O ensino irá degradar-se, basta olhar para o «convite» que o primeiro-ministro fez aos professores – emigrem! – a corrupção, a fuga aos impostos e a lavagem de dinheiro da droga, das armas e da prostituição será apanágio de muitos «empreendedores». Porquê tudo isto? Muito se tem falado na crise, mas ela não explica tudo. O actual partido governante maioritário, o PSD, rende uma vassalagem servil à liderança da União Europeia, ao Imperialismo Alemão, como se ainda vivêssemos numa sociedade feudal. Portugal é um Estado de Direito, um Estado Democrático, os portugueses têm liberdade de escolha, de pensamento e de opinião, mas começo a recear que todos estes direitos se percam, porque o PSD (com o minoritário CDS) são uma correia de transmissão dos grandes bancos e companhias de seguros portugueses e europeus, dos seus gerentes, governadores e accionistas, do grande poder económico, da Oligarquia poderosa tanto portuguesa como europeia. Oligarquia esta, dona e senhora dos meios de comunicação social de massas, onde não admitem mais nenhuma opinião que não seja a da própria Oligarquia.
A este estado chegou a nossa sociedade querido leitor(a), um estado que não é mais nem menos do que o domínio cada vez mais brutal e draconiano do Grande Capital. Este domínio só nos traz embrutecimento moral, cultural, violência, corrupção, crime e insegurança dos cidadãos, desemprego, pobreza e desigualdade social cada vez mais acentuada. Nem tudo será tão mau, há e haverá listas de espera para comprar Ferraris e, segundo estatísticas, os apartamentos mais vendidos são aqueles que custam entre oitocentos mil e quatro milhões de euros…
Oxalá me engane, mas esta é a crónica negra do ano que agora começou. Penso que também será o ano da indignação e da revolta.
Temos neste momento em Portugal um exemplo flagrante do que é a agonia final da Social Democracia a nível da Europa, porque o PSD já foi um grande partido Social Democrata.

Noutros tempos, uma pessoa que se quisesse deslocar-se do Sabugal para qualquer parte do País, de automóvel, perguntava qual era o melhor percurso, o mais rápido e o mais seguro. Presentemente (ouvi ao balcão do café) pergunta quais os troços onde se pode fugir ao pagamento de portagens, já não se importando que seja o melhor, o mais rápido e o mais seguro. Para que se fizeram estradas modernas? Para alguém ganhar dinheiro com a necessidade de nelas se circular. Dá a impressão de que tudo o que temos, vias de comunicação, saúde, ensino etc. nos foi dado por favor, como se fossemos um povo que nunca tivesse trabalhado nem pago os seus impostos.
O nosso País já não nos pertence a nós, cidadãos, pertence ás grandes fortunas portuguesas e europeias.
A nós já só nos resta a revolta.

«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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