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A Câmara Municipal do Sabugal aprovou um projecto de Regulamento do Arquivo Municipal, o qual está desde hoje em discussão pública.

O arquivo municipal tem como objectivo principal reunir, conservar, preservar, tratar e difundir a documentação acerca do Município do Sabugal e do seu concelho, de modo a servir de suporte à memória colectiva da região.
Entendeu a Câmara ser necessário regulamentar as práticas arquivísticas na organização e manutenção de documentos, tendo em vista contribuir para a valorização e promoção do património documental do Município. Este instrumento é também tido como fundamental para garantir a adesão à rede de arquivos municipais e nacionais.
O novo regulamento define as competências do serviço de arquivo, que, de entre outras, deverá garantir as condições físicas e ambientais para o acondicionamento dos documentos, elaborar planos de gestão documental e classificar os documentos, para além de fomentar o conhecimento dos fundos documentais através da promoção de iniciativas de âmbito cultural.
Haverá uma comissão de avaliação que determinará o valor dos documentos tendo em vista definir se os mesmos devem ser eliminados ou conservados. Definem-se regras para a conservação e também apara a eliminação dos documentos.
O regulamento prevê igualmente a consulta externa aos documentos do arquivo, definindo regras para esse efeito, sendo uma delas a obrigatoriedade da consulta nas próprias instalações do Município.
O arquivo municipal poderá incorporar outros fundos documentais, quer por compra quer por doação, desde que os mesmos se revelem de interesse para o Município.
Pode consultar o projecto de regulamento aqui.
plb

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Levantei-me cedo. Diz o Povo que deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer. Dirijo-me ao Metro do Rato. Há muito que não andava de Metropolitano. É a via mais rápida na Capital. Tive de perguntar os esquemas de deslocação, porque quando não se prática esquecemo-nos.

Em Alvalade tive de mudar de via. Olhei para os lados dos leõezinhos e verifiquem que andam muito domesticados e mansinhos para aquelas bandas. Nas várias estações do Metro destaco e admirei os painéis de azulejos alegóricos e invocativos das histórias de cada uma daquelas paragens. O azulejo é património da cidade de Lisboa. Admiramos a decoração de igrejas, capelas, miradouros, fachadas e interiores de palácios e até farmácias, restaurantes e padarias.
Á porta da ADSE – Associação Desportiva dos Servidores do Estado – já se encontrava uma equipa de futebol com muitos suplentes. Ao trocarmos olhares muitos, todos, nem para uma equipa de reservas nos escolhiam, muitos deles a precisar de cuidados de saúde e de massagista. Fui bem atendido e depressa dispensado.
Faço o retorno pela via azul e mais tarde passar para a amarela. São cores que gosto, mas para mim a cor por excelência é o verde, o verde da esperança. Amarela anda muita gente com a possibilidade de aumentar o número. Volto outra vez ao Rato. Á saída dois ceguinhos; um pede esmola o outro vende o Almanaque Borda de Água. Cá fora cruzo-me com um rabino, a sair da sinagoga escondida da Rua Alexandre Herculano. Figura típica, com ar fundamentalista, fato preto, grandes barbar, duas madeixas a cair da cabeça para os dois lados o rosto e não entendi vir de chapéu branco, estive tentado, mas não lhe perguntei a razão. Ainda estou à espera que nasça o seu Salvador. Na História de Portugal cometeram-se grandes erros. Um deles foi a expulsão dos Judeus. Foi um crime.
Subo a Rua das Amoreiras e ao meu lado a célebre Capela do Rato, muito falada nos finais do Estado Novo. Debaixo de uma arcada de prédios com muitos andares, um abrigo de um sem abrigo. Estava o abrigo com papelões e trapos velhos, mas o sem não o vi.
Subo e na frente um Hotel com janelas envidraçadas e muitas bandeiras. A encabeçar os cosmopolitas andares um grande letreiro com a palavra DOM PEDRO – LISBOA. Que Pedro será? Talvez o justiceiro que amava Inês de Castro na Quinta das Lágrimas em Coimbra? Será o Pedro, o Infante das Sete Partidas, erudito, diplomata do Reinado dos Avis, que morre às portas de Lisboa, em Alfarrobeira? Será o Pedro IV, aquele que deu a independência do Brasil e veio para Portugal e andou à guerra com seu irmão Miguel, delapidando a Coroa Portuguesa? Será o D. Pedro V, o Rei das Obras Públicas, da inauguração do Telégrafo e do Caminho de Ferro de Lisboa-Carregado? Afinal ninguém sabe. À sua frente uma das maiores catedrais do consumismo lisboeta com muitos trabalhadores a receber quinhentinhos mensais.
Na Fontes Pereira de Melo mais de uma centena de automóveis tem as boas festas no pára-brisas. Um rectângulo branco que vai ajudar a por em movimento muitas viaturas das forças de segurança a precisar de oficina para caçar os malfeitores, os pilha galinhas.
Também uma praga os incentivos publicitários, rectângulos amarelos a imitar a cor do metal precioso para as compras de oiro velho, gasto, a cobrir todas as ofertas. E eu a pensar que o cobrir era outra acção… ou acções.
No Parque Eduardo VII, junto a um luxuoso hotel muitos motoristas e carros de luxo. Dizem-me que são altas figuras da nação e eu a pensar que as altas figuras foram os nossos navegantes.
Visita a S. Vicente de Fora. Vem-me à memória a Irmandade de S. Vicente de Aldeia de Joanes, com mais de sete séculos de existência. Também este Santo Mártir de Saragoça, martirizado no início do século IV, pelo Imperador Romano Diocleciano, a última desencadeada aos cristãos é Padroeiro do Patriarcado de Lisboa. Passo por Santa Clara e percorro o espaço da Feira da Ladra. Mais acima o extinto e famigerado Tribunal Militar e ao lado o DSFOM- Direcção dos Serviços de Fortificações e Obras Militares, que nós lhe dávamos outros nomes…E mais abaixo as Oficinas Gerais de Fardamento, que talvez não tenham nem oficinas nem fardas.
Numa parede «estas ruas pertencem-nos. Fora com o emel.» Esta palavra deve ser sinistra e deve saber a fel. Já não há democracia?
Passo pelo Panteão Nacional. Só a Amália Rodrigues tem pessoas junto ao seu túmulo e muitas flores. Está ali a Fadista do Povo, aquela que cantava: «Povo que lavas no rio; que talhas com o teu machado; as tábuas de meu caixão;». Há anos uns pseudo- revolucionários diziam que esta Pátria só tinha fado, futebol e Fátima. Nos dias de hoje, só futebol para nos anestesiar das crises e austeridades. Esquecia-me de referir que o Fado foi considerado Património da Humanidade.
Entro no Patriarcado e sou encaminhado para uma sala de passagem, aguardando a entrevista de pessoa amiga. Passam uma quase centena de pessoas e só cinco dão as boas tardes. Achei estranho este comportamento numa casa daquelas. Será que derem saudações a uma visita pagam imposto religioso ou qualquer outra coima? Lembrei-me da Parábola do Bom Samaritano, das minhas aulas de civilidade que administravam em Gouveia, ir comprar um manual prático de boas maneiras comportamentais ou a necessidade de um curso de formação nesta matéria. Com estes comportamentos, admiram-se que apareçam todos os dias pessoas idosas abandonadas e muitas falecidas há muito tempo. Vivemos de costas voltadas uns para os outros. O Cardeal na Voz da Verdade na reportagem «que Igreja para Lisboa, apela para uma Igreja em comunhão centrada na caridade». Não passará essa Igreja por estes simples gestos? Quando não se fazem estes, fazem os outros? Eu não acredito.
Desço para a Igreja de Santo Estêvão e encontro um samaritano com quase oitenta anos. Nasceu e vive em Alfama. Fala-me com orgulho das suas gentes que um dia saíram para as Caravelas, para o mar salgado de que nos fala Fernando Pessoa. E canta-me: «No alto mar fomos nós / Sempre os primeiros / Com Alfama a palpitar / Em farda de marinheiros / Porque afinal, foi desta pobre vida / Que saiu Portugal / Que embarcou nas Caravelas».
Falou-me da Capela de Nossa Senhora dos Remédios, do Divino Espírito Santo e dos Navegadores e do milagre que ali aconteceu no poço interior, saindo de lá Nossa Senhora. Falou-me de um Bairro habitado com gente idosa e muita gente sozinha, casas em estado de degradação. No Verão as ruas e largos estão repletos de gente jovem, mas todos de passagem. Obrigado Senhor Manuel Esteves guardião de Alfama e colaborador e cristão activo em actividades religiosas.
Dirijo-me ao Museu do Fado, dando cumprimento a um velho desejo. Abrem-se histórias do Fado, os locais de origem na Lisboa oitocentista, a sua divulgação através de discos, teatro, cinema, rádio, os seus intérpretes e instrumentistas. Com três pisos, com novas tecnologias de multimédia interactiva dispomos de informação em qualidade e quantidade.
Os meus olhos fixaram-se na tela O FADO de José Malhoa e do MARINHEIRO do autor Constantino Fernandes. Também admirei a guitarra portuguesa. Com um sistema de audioguias permite ouvir umas dezenas de fados. Ao sair registei que o Fado é um poema que
se ouve e vê.
Percorro a pé toda a baixa pombalina, vejo agora uns novos aquecedores nas esplanadas a vomitarem chamas na vertical, encontro um companheiro da Guerra de África, que olha para o nosso passado militar e interroga-se como foi possível tudo o que a seguir aconteceu… Aquelas conversações em Lisboa com a Frelimo, que Mário Soares contou ontem na TV, é de rir, como foi possível.
Como é encantadora a luminosidade de Lisboa e como é lindo o pôr do sol…
António Alves FernandesAldeia de Joanes

Esta sociedade competitiva conduz-nos cada vez mais a um endurecimento nas relações sociais, ao egoísmo desenfreado, ao materialismo soez, à luta de todos contra todos e à sobrevivência dos mais aptos.

António EmidioQuem são os mais aptos? Os mais sérios, os mais honrados, os de uma postura ética vertical? Não! Infelizmente. Um homem que passou por Auschwitz, Primo Levy, judeu e escritor italiano, observou e analisou os comportamentos humanos nesse Inferno e, num livro que escreveu mostra-nos os que sobreviveram e os que perderam a vida. Diz ele que a maioria dos que sobreviveram não foram os melhores, os bons de coração e os que tinham valores e ideais, antes pelo contrário, sobreviveram os piores, os violentos, os egoístas, os colaboradores com as autoridades nazis do campo de concentração e os espiões. Ou seja, sobreviveram os mais aptos, ficamos então a saber que os mais aptos eram os piores.
E hoje? Nesta modernidade política, económica e social, que muitas vezes se assemelha a um campo de concentração, quem são os mais aptos? Dizia um multimilionário americano que a natureza recompensa os mais aptos e castiga os inúteis. Depois de ler isto, é caso para perguntar se é a natureza que decide os que hão-de morrer e sobreviver debaixo de um ataque, bombardeamento, dos USA e seus aliados, é a natureza que decide que mulheres, crianças e civis indefesos morram? Não! São os aptos. É a natureza que decide que na Coreia do Norte o povo tenha que viver debaixo de uma cruel ditadura hereditária? Não! São os aptos lá do sitio. É a natureza que decide quais os que ganharão milhões com as medidas de austeridade lançadas sobre alguns povos europeus, entre eles o povo português? Não! São os aptos. É a natureza que ordena que as grandes empresas devorem as pequenas levando-as à falência? Não! São os aptos. É a natureza que decide que as multinacionais, ADM, Cargil,e Bruge, que manejam o comércio agrícola mundial, potenciem a tragédia da fome, decidindo os que devem morrer e os que devem viver? Não! São os aptos, os directores e accionistas dessas empresas. É a natureza que decide que se destruam milhares de hectares de floresta, para com isso lucrarem as grandes empresas madeireiras? Não! São os aptos.
Querido leitor(a), os outros, os que não fazem parte dos aptos, são considerados os inúteis.

Termino com uma história de um apto, de alguém com uma aptidão impressionante: um senhor chamado David Harnet, secretário geral da fiscalidade britânica (fisco), reformou-se (debaixo de pressão), com um fundo de aposentação de 1.7 milhões de libras, com um salário anual exorbitante, e com um bónus no primeiro ano de reforma de 160.000 mil euros. Sabe porquê? Porque conseguiu que a Goldman Sachs e a Vodafone não pagassem milhões de libras de impostos que estavam obrigadas a pagar ao governo britânico. Calcula-se em 25.000 milhões de libras o perdão dos impostos. Sabe quem teve de pagar depois tudo isto? Os «inúteis», ou seja, os que trabalham dia a dia com grandes dificuldades e vêem os seus salários e reformas diminuírem, porque na Inglaterra também há austeridade, e de que maneira! Que afecta principalmente os que menos têm.
em>«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

O executivo municipal do Sabugal aprovou um projecto de Regulamento de Cedência e Utilização do Autocarro do Município, o qual estabelece normas que permitem uma gestão racional e justa no apoio às actividades sociais, culturais e recreativas.

O projecto, que foi aprovado na reunião de vereadores do passado dia 4 de Janeiro, prevê que o autocarro possa ser usado pelas associações do concelho legalmente constituídas, os estabelecimentos de ensino, os órgãos autárquicos, e as IPSS, embora a Câmara, por razões justificadas, o possa também autorizar fora desse contexto.
A prioridade será para as juntas de freguesia, a que se seguem as escolas, as associações e as IPSS.
A Câmara responderá a pedidos formais de cedência, que explicitem os motivos da solicitação, as datas e os percursos a seguir, bem como outra informação relevante, decidindo autorizar o uso do autocarro apenas quando se verificar haver um efectivo interesse para o concelho nessa cedência.
A novidade é que a cedência do autocarro implicará o pagamento de uma taxa de 40 cêntimos por quilómetro, a que acresce o pagamento de eventuais horas extraordinárias efectuadas pelo motorista. A título de exemplo, isso significa que o uso do autocarro por uma associação a fim de se deslocar a Lisboa para divulgar a cultura raiana, implicará um pagamento de cerca de 280 euros, a que acrescerão as horas extra que o motorista porventura faça.
O regulamento prevê algumas isenções, nomeadamente às juntas de freguesia, às utilizações protocoladas com o Município e às escolas (estas dentro de alguns limites).
O projecto terá agora que passar pela discussão pública, após o que será aprovado o texto definitivo, entrando apenas em vigor após a sua publicação no Diário da República.
plb

A GNR comunicou ter apreendido estupefacientes e detido traficantes em Vilar Formoso e em Celorico da Beira, tendo igualmente detido quatro jovens espanhóis que faziam grafitis em comboios na estação do Pocinho.

Preso algemadoNo decurso de uma operação conjunta entre a GNR e a Guardia Civil de Espanha, realizada no dia 27 de Janeiro na zona da fronteira, foi detido um indivíduo de 23 anos de idade, residente em Barcelos, por crime de tráfico de estupefacientes. O suspeito tinha na sua posse 194,7 gramas de cannabis (liamba), adquirida, ao que tudo indica, em Espanha. Presente ao Tribunal Judicial de Almeida, foi-lhe aplicada a medida de coação de Termo de Identidade e Residência.
Na noite de 24 de Janeiro, militares do Núcleo de Investigação Criminal da Guarda, detiveram uma mulher de 22 anos de idade, residente em Celorico da Beira, por crime de tráfico de estupefacientes. A suspeita tinha na sua posse 6,4 gramas de haxixe, quantidade que excedia o limite máximo quantitativo, permitido para consumo. Presente ao Tribunal Judicial de Celorico da Beira, foi-lhe aplicada a medida de coação de Termo de Identidade e Residência, ficando a aguardar o resultado do Inquérito.
Na madrugada de 27 de Janeiro, militares do Posto Territorial de Foz Côa, detiveram quatro indivíduos, de 19 e 21 anos de idade, de nacionalidade espanhola, ambos estudantes e residentes em Madrid (Espanha), pelo crime de dano em comboio, na Linha do Douro. Os suspeitos foram surpreendidos quando efectuavam grafitis nas composições de um comboio que se encontrava na Estação da CP do Pocinho – Foz Côa, tendo-lhes sido apreendidas 20 latas de spray. Presentes ao Tribunal Judicial de Foz Côa, foi-lhes aplicada a medida de coação de Termo de Identidade e Residência e uma caução de 200 euros.
plb

Em Fevereiro, o Projéc~ (estrutura de produção teatral do Teatro Municipal da Guarda) e a encenadora e actriz Antónia Terrinha apresentam na caixa de palco do Pequeno Auditório o espectáculo «A dama pé de cabra». A peça ficará em cena entre 8 e 10 de Fevereiro com sessões às 21h30 e terá também apresentações para escolas nos dias 8 e 9 (às 14h30).

Trata-se de uma história do património cultural português, um dos mais maravilhosos contos da tradição oral portuguesa, aqui encenada e interpretada por Antónia Terrinha. A peça está baseada no conto homónimo escrito por Alexandre Herculano e publicado no livro «Lendas e Narrativas».
Mantendo a mesma linguagem, do texto original de Herculano, o público viaja no imaginário e língua de tempos idos, revivendo as nossas memórias colectivas enquanto povo e habitante desta Península; são as nossas mais ancestrais raízes que voltam à tona.
É uma belíssima história do nosso património cultural, onde a tradição e a lenda se misturam numa simbiose perfeita entre o onírico e o maravilhoso», refere no texto de apresentação a encenadora.
Antónia Terrinha começou o seu percurso no Teatro O Bando, tendo passado por outras companhias como A Comuna e a Cornucópia. Esteve ligada a projectos de teatro infantil, como actriz e como encenadora. Dirigiu com Cândido Ferreira a Companhia do Teatro Chaby Pinheiro da Nazaré e fundou a companhia «Teatro em Curso». Participou também em filmes para cinema e televisão. Actualmente é uma das figuras da série «Pai à força».
Esta é a 14ª produção do Projéc~ que até à data apresentou também «E outros diálogos» de João Camilo; «A Cozinha Canibal», de Roland Topor, «Na Colónia Penal», ópera de Philip Glass segundo conto de Kafka; «O Barão», de Luís de Sttau Monteiro; «Eu queria encontrar aqui ainda a terra», de António Godinho e Manuel A. Domingos; «Os Sobreviventes», de Manuel Poppe, «Querido Monstro», de Javier Tomeo, «São Francisco de Assis» e «Mundus Imaginalis num quadro de Van Gogh», de Vicente Sanches, «Simplesmente Complicado», de Thomas Bernhard, a peça radiofónica «Senhor Henri», de Gonçalo M. Tavares, «The Dumb Waiter», de Harold Pinter, «A Acácia Vermelha», de Manuel Poppe e «D’ abalada» de Jorge Palinhos.

Música no Pequeno Auditório
Os Paus são provavelmente uma das bandas portuguesas mais elogiadas pela crítica no ano que passou. O grupo actuará no Pequeno Auditório do TMG no sábado, dia 4 de Fevereiro, às 21h30. Apresentam o seu segundo disco, o primeiro de longa-duração, e definem-se como «Uma bateria siamesa, um baixo maior que a tua mãe e teclados que te fazem sentir coisas».
Depois da edição deste álbum de estreia, em Outubro de 2011, ter chegado ao 3º lugar do top de vendas, a banda foi recentemente confirmada para o Palco de Radiohead no Festival Optimus Alive.
Todos os músicos desta formação vêm de outros projectos de música moderna portuguesa de inspiração Indie como Linda Martini, Vicious Five ou If Lucy Fell.
Os Paus são Makoto Yagyu (baixo, teclados e voz), Joaquim Albergaria (meia bateria siamesa e voz), João Pereira (teclados e voz) e Hélio Morais (meia bateria siamesa e voz).

Música no Café Concerto
O Filho da Mãe a.k.a. Rui Carvalho (ex If Lucy Fell) actua na sexta-feira, dia 3 de Fevereiro, no Café Concerto do TMG.
«Conheci-o noutras aventuras sónicas com os fabulosos If Lucy Fell, já o tinha topado, mas desta vez brinda-nos com um grande disco de guitarra clássica: “Palácio” – Um disco inquietante, de uma técnica e velocidade desconcertantes, frases lindíssimas desconstruídas como luz refractária em espelhos se tratasse. Genial e original de um grande poder de abstracção e obsessão de linhas de guitarra em movimento continuo em contextos e ambientes diferentes, ouve-se a rua, as gentes que passam, ouve-se Lisboa, o mar, o silêncio e todo um imaginário que por vezes nos deixa sem fôlego!». As palavras são de Tó Trips um dos Dead Combo que considera a estreia musical de Filho da mãe «uma nova pérola da musica Portuguesa».
O concerto tem entrada livre e início marcado para as 22h00.

Cinema no Pequeno Auditório
O Cineclube da Guarda apresenta na próxima Quinta-feira, dia 2 de Fevereiro, com o apoio do TMG, o filme «Histórias de Shangai – Quem me dera saber».
Trata-se de um documentário do realizador chinês Jia Zhang-ke, o mesmo que realizou «Plataforma», «O Mundo», «Still Life – Natureza Morta« e «24 City«. Com este filme, Jia Zhang-ke volta a debruçar-se sobre o passado recente do seu país e na influência do comunismo nos dias de hoje.
A sessão está marcada para as 21h30.
plb (com TMG)

Maria da Graça. Ela foi a carteira que distribuiu o correio aos meus pais e a todos os habitantes do Casteleiro durante dezenas de anos. Num tempo em que as mulheres não tinham profissão, excepto as professoras primárias, é um caso digno de registo e de estudo.

O trabalho no campo era muito pesado. Na sua maioria, as pessoas do Casteleiro ainda viviam do que cultivavam.
Na aldeia, naqueles dias calmos e rurais de 1955-60, as manhãs andavam lentamente, as tardes também e as noites morriam à nascença.
No meio do geral silêncio daquele final de manhã, um grito de alarme troou na Praça, junto do chafariz:
Ó menina Emília!
Poderia parecer a quem não soubesse do que se tratava que era um grito lancinante, de aflição. Mas não. Todos sabiam do que se tratava. Ninguém se assustou. Ninguém se preocupou. Nem a própria destinatária do trovão oral.
Não houve logo resposta e a cena repetiu-se, a voz mais aguda ainda:
Ó menina Emília!
Uma carta. Apenas isso. E chamava lá de longe por medo da cadela que guardava a casa da destinatária daquela carta.
Apenas uma carta. Mas isso (uma carta) era uma prenda dos Correios para cada família – uma prenda muito importante. Estou a falar de um tempo sem telemóvel, sem (quase sem) telefone na aldeia, sem outros meios de comunicação com a família que não fosse o postal ou a carta.
Portanto, um essencial meio de comunicação. Tão indispensável, que até os gritos da carteira eram bem-vindos.

A t’ Mari’ da Graça
E volto à autora dos gritos.
Chamava-se Maria da Graça. Devia ter já na época em que começo a ter a noção das coisas aí uns longos e mal tratados 60 e tal anos. (Não falo de maus tratos que alguém lhe infligisse: falo dos maus tratos da vida dura e sem protecções nem alívios que é a característica do tempo).
Maria da Graça. A ti’ Maria da Graça.
Distribuiu milhares de cartas.
Calcorreou cada viela, cada rua, cada caminho da aldeia em cada dia de cada ano durante muitos e muitos anos.
Era uma pessoa não muito apreciada de modo geral, até talvez um pouco menosprezada. Os miúdos e não só atreviam-se a esconder-se atrás de uma parede e chamar por ela de modo acintoso. Cobardias de criança contra uma idosa quase cega. Recebiam dela a resposta adequada em vernáculo forte.
Mas a sua função, a de trazer a toda a aldeia as cartas dos filhos, dos amigos, dos sobrinhos… isso era indispensável.
Não me perguntem se ela ganhava ou se ganhava muito ou pouco.
Não faço ideia. Talvez ninguém nunca lho tenha perguntado.
Os gritos dela eram famosos. Cá de longe, nalguns casos para não se aproximar do cão, noutros apenas para anunciar o correio, como se fosse uma festa… ela gritava para depois ter o prazer de ver as pessoas aproximar-se dela a receber as cartas e as novas de que ela era a portadora.
Estava a merecer esta homenagem recordatória a velha «t’ Mari’ da Graça».
Porque acho que ela foi uma rara precursora das carteiras dos dias de hoje (não serão muitas, mas penso que já haverá alguns milhares no País).

Nota:
Com as fotos que vê, procurei apenas repor a entrega do correio no ambiente rural desses anos longínquos…
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Na já longa série de «histórias» aqui contadas, houve algumas que resultaram de impressões de viagens. Aliás, tal como já anteriormente tive oportunidade de dizer, as viagens são um excelente tema para crónicas e reflexões. Mergulhemos, portanto e mais uma vez, na mesma fonte.

Um dos salões do harém do sultão turco. Palácio Topkapi, Istambul (século XIX)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaA Turquia é um país fascinante, verdadeira fronteira entre o Ocidente e o Oriente, entre o mundo europeu e o mundo asiático. Local de encontro de povos e de culturas, por ali encontramos alguns dos mais antigos vestígios da história da Humanidade: foi na Península da Anatólia (depois chamada Ásia Menor) que surgiram algumas das primeiras cidades (como Çatal-Hüyuk) e se estabeleceu uma das mais brilhantes civilizações antigas (a dos Hititas). Mais tarde, no início do 1º. milénio a. C., vagas de povos provenientes da Grécia, como os Jónios e os Eólios, fundaram várias cidades na costa asiática banhada pelo mar Egeu. Algumas destas cidades (Mileto, Éfeso, Pérgamo, Halicarnasso e outras) foram o berço de uma autêntica revolução no conhecimento: aqui surgiu a filosofia, aqui se desenvolveu a matemática, a geografia, a história, etc. O cientista Carl Sagan escreveu que o progresso científico da Jónia foi tão extraordinário que, se não tivesse sido interrompido, hoje estaríamos 600 anos adiantados. Por outras palavras: teria havido aviões no tempo do nosso rei D. Dinis e naves espaciais no tempo de D. João II. E, claro, hoje estaríamos a fazer aquilo que os nossos descendentes farão dentro de seis séculos.
No começo do século V a.C., as cidades gregas da Ásia Menor foram conquistadas pelos Persas e, mais tarde, reconquistadas por Alexandre Magno. E, no século II a.C., seria a vez de os Romanos integrarem toda a Anatólia no seu vasto Império. Uma das cidades fundadas pelos Gregos, na estreita passagem do Egeu para o mar Negro (Bizâncio), seria transformada numa espécie de segunda capital do Império no tempo de Constantino (Constantinopla). E, quando o Mundo Romano se dividiu em dois, Bizâncio-Constantinopla tornar-se-á a esplendorosa capital do Império Romano do Oriente.
No século XV, todavia, o velho Império Bizantino foi progressivamente ocupado pelos Turcos, um povo islamizado originário do Médio Oriente. No ano de 1453, Constantinopla foi conquistada pelos Turcos Otomanos, que lhe alteraram o nome para Istambul. A ambição turca, todavia, não se contentou com esta riquíssima cidade. Acabariam por ocupar toda a Península Balcânica, incluindo a Grécia e os territórios que depois seriam a Roménia, a Bulgária, a Hungria, a Jugoslávia, etc. (a existência de muçulmanos na Bósnia deve-se à ocupação turca, que se prolongou até ao século XIX). A fulgurante expansão turca originou um dos maiores impérios de todos os tempos, sobretudo no reinado do sultão Solimão o Magnífico (século XVI). No seu apogeu, este Império incluía, para além do actual território turco e dos Balcãs, o Norte de África (desde a Tunísia ao Egipto), a Palestina, a Síria, a Arábia e o Iraque. A partir do século XIX, todavia, iniciar-se-ia o declínio: a Grécia, a Sérvia, a Roménia e a Bulgária alcançam a independência. Outros territórios balcânicos são anexados pela Rússia ou pelo Império Austro-Húngaro. E, com a derrota do Império Turco Otomano na 1.ª Guerra Mundial, perdem-se todos os territórios do Norte de África e do Médio Oriente, a favor dos vencedores, sobretudo a França e a Inglaterra, que os transformam em protectorados.
Esta longa (e talvez maçadora) dissertação histórica pareceu-me necessária para compreendermos o esplendor e a riqueza monumental da Turquia dos nossos dias. Quem visita Istambul fica deslumbrado com o Hipódromo, a Basílica de Santa Sofia ou a Cisterna de Justiniano, dos tempos romano-bizantinos; ou com a maravilhosa Mesquita Azul e a não menos impressionante Mesquita de Solimão o Magnífico; ou com o Topkapi, a antiga residência dos sultões, verdadeiro palácio das mil e uma noites.
A famosa Adaga do Topkapi com três enormes esmeraldas no caboE é exactamente sobre o Topkapi que eu gostaria de dizer mais alguma coisa aos leitores. O palácio fica situado no local mais belo de Istambul, num ponto elevado, com uma vista deslumbrante sobre o Bósforo (o estreito que separa a Europa da Ásia) e sobre o Corno de Ouro (uma reentrância do Bósforo que, ao pôr-do-Sol, apresenta reflexos dourados). Os salões do Topkapi mostram-nos hoje o que foi a riqueza e o poderio do Império Turco: armas, porcelanas, tapeçarias, mobiliário, jóias lindíssimas, tudo nos deixa boquiabertos. O famoso diamante do Topkapi, com 86 carates; o trono Bayran, de ouro puro e pedraria; ou o trono turco-indiano, de um luxo verdadeiramente «asiático»; a lindíssima adaga Topkapi, de ouro e diamantes, com três enormes esmeraldas do tamanho de ovos de pomba no cabo; candelabros de ouro maciço, pesando 50 quilos cada um; dezenas de esmeraldas, rubis, turquesas e todo o género de preciosidades que possamos imaginar, verdadeiro tesouro de Ali-Babá, tudo nos deixa estarrecidos. Isso e a arquitectura do palácio, os jardins, as cozinhas, a biblioteca, etc. etc. E, «last but not least», o harém.
Como se sabe, o Alcorão, o livro sagrado do Islamismo (a religião praticada por 99% dos turcos), autoriza a poligamia. Actualmente, a prática da poligamia não é permitida na Turquia. A revolução nacional dos anos 20, encabeçada por Mustafá Kemal Ataturk, aboliu o sultanato e instaurou uma República laica, ocidentalizada. No entanto, antes disso, a poligamia era tão frequente na Turquia como nos restantes países muçulmanos. A tradição poligâmica remonta ao próprio Profeta Maomé, que tinha quatro esposas quando morreu. O crente islâmico podia, portanto, ter tantas esposas quantas pudesse sustentar. Trata-se, obviamente, de uma prática populacionista. Em tempos de grande mortalidade, convinha incentivar o populacionismo como forma de os países serem fartos em mão-de-obra, exércitos, etc.
Pouco a pouco, porém, o número de esposas tornou-se um sinal de prestígio e de poder. Se um mercador rico tinha 20, um ministro devia ter 50 e o rei muitas mais. Há o caso conhecido de um xá da Pérsia, no século XVI, que tinha um harém com 60 esposas legítimas e 3000 concubinas (três mil, leu bem). Aqueles leitores que estiverem a pensar que elas se destinavam a satisfazer os apetites carnais do xá, fiquem sabendo que não era para isso que as concubinas serviam (ao ritmo de uma por dia, ele demoraria cerca de 10 anos a dar a volta!). Aliás, o xá raramente entrava no harém. Chegavam-lhe as esposas legítimas (das quais teve 180 filhos). O harém, ferozmente guardado pelos eunucos, era uma instituição de afirmação do poderio real. As jovens concubinas, recrutadas por todo o País por funcionários especiais, permaneciam alguns anos no harém e regressavam depois às suas terras, com um bom dote, sem que alguém lhes tivesse tocado.
O harém do Topkapi não tinha tanta gente. Habitualmente, o número de mulheres do sultão turco (as odaliscas) andava pelas 300. Chegavam ao palácio muito jovens, com 5 ou 6 anos, recebendo depois uma esmerada educação, preparando-se para agradar ao rei. Vinham de todos os pontos do imenso Império: eram árabes, egípcias, núbias, etc. As mais apreciadas eram as caucasianas, pela sua beleza, a sua pele branca e, em alguns casos, os olhos azuis. Começavam por ser noviças, depois tornavam-se concubinas (aí pelos 15 anos) e, finalmente, esposas. Todas disputavam os favores do sultão porque, se caíssem nas suas graças, podiam obter enormes riquezas e privilégios, ser mães dos príncipes ou mesmo do herdeiro.
As dependências do harém real, no Topkapi, são de um luxo requintado, com as paredes revestidas de lindíssimos azulejos e reposteiros, e o chão coberto de riquíssimas tapeçarias. E, por todo o lado, cochins e almofadões, rendas e brocados. E, pairando no ar, parece-nos escutar ainda melodiosos sons de flauta e de alaúde, vozes chilreantes de jovens e belas mulheres, risos, suspiros. E o mais que deixo à imaginação dos leitores. Porque, como dizia Camões, nestas coisas, «melhor é experimentá-lo que julgá-lo, mas que o julgue quem não puder experimentá-lo».
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

A gastronomia vai estar em destaque entre 17 e 21 de Fevereiro nas terras raianas do Sabugal. Entre as várias iniciativas destaque para o III Capítulo da Confraria do Bucho Raiano. Edição da jornalista Sara Castro com imagem de Paula Pinto da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

As obras de ampliação são de há uns tempos uma realidade, como se vê, já se trabalha no interior. A Direção da Associação pede a todos os que quiserem colaborar, por pequeno que seja o donativo será sempre grande e ficará registado na memória e no livro de agradecimentos.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Um único tribunal por distrito, com secções a funcionar em diversos pontos daquela área geográfica, é a base do novo modelo de organização judiciária proposto pelo Ministério da Justiça. O documento, a que a agência Lusa teve acesso, defende o encerramento de 47 tribunais/juízos com menos de 250 processos anuais e inclui no distrito da Guarda o Sabugal, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres e Meda.

TVI - TVI24 - Tribunal Sabugal
(Clique para ver a notícia.)

A proposta de encerramento de 47 tribunais e a redução de 231 para 20 comarcas, elaborada pela Direcção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ) prevê o fecho de serviços onde o volume processual anual expectável após a reorganização (inferior a 250 processos entrados), a distância entre o tribunal a encerrar e o que vai receber o processo (passível de percorrer em cerca de uma hora) e a qualidade das instalações, bem como a circunstância de serem propriedade do Ministério da Justiça ou arrendadas.
No continente, o documento de trabalho entregue à «troika» sugere o encerramento de quatro tribunais na Guarda (Sabugal, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres e Mêda), dois em Castelo Branco (Oleiros e Penamacor), quatro em Bragança (Alfandega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Vimioso e Vinhais) e seis em Coimbra (Mira, Pampilhosa da Serra, Penacova, Penela, Soure e Tábua).
No restantes distritos estão previstos o encerramento de dois tribunais/juízos em Aveiro (Castelo de Paiva e Sever do Vouga), um em Beja (Almodôvar) e outro em Braga (Cabeceiras de Basto), dois em Évora (Arraiolos e Portel), um em Faro (Monchique), três em Leiria (Alvaiázere, Ansião e Bombarral), um em Lisboa (Cadaval), dois em Portalegre (Avis e Castelo de Vide) e três em Santarém (Alcanena, Ferreira do Zêzere e Mação).
A proposta inclui ainda a extinção de um tribunal em Setúbal (Sines), dois em Viana do Castelo (Melgaço e Paredes de Coura), quatro em Vila Real (Boticas, Mesão Frio, Murça e Sabrosa) e seis em Viseu (Armamar, Castro Daire, Nelas, Oliveira de Frades, Resende e Tabuaço).
A proposta prevê, também, a criação de «20 comarcas em substituição das actuais 231, com correspondência aos distritos administrativos e Regiões Autónomas» e surge «como uma simplificação da organização judiciária, mais identificada com a restante organização territorial dos serviços públicos».
jcl (com agência Lusa)

Em 16 de Outubro de 2009 escrevi neste blogue estas palavras… «Por tanto, a tarefa do Senhor Eng.º Robalo vai ser dura, ingrata e frustrante, isto se tiver como objectivo salvar o Sabugal do desaparecimento nos próximos 4 anos. Assim não dou os parabéns ao Senhor Eng.º Robalo não porque não tenha consideração pela sua pessoa, que tenho, mas porque detestaria que me dessem os parabéns por assinar a certidão de óbito da minha terra, que é o que lhe vai acontecer.»

Kim Tomé (Tutatux)Hoje, 28 de Janeiro de 2012, vi na televisão a noticia de que o tribunal do Sabugal vai fechar.
A cada passo vejo uma permanente atitude de destruição patrimonial cometida por quem tem o dever e a obrigação de preservar.
Observo o que se passa na Câmara Municipal e apenas vislumbro compadrios, caciquismo, incompetência e ignorância.
Tenho falado com muitos empresários com passado de sucesso do concelho e percebo que, todos os com que falei estão com grandes dificuldades e a maioria em vias de fechar nos próximos meses.
Olho à volta e nos comércios, onde se sente o frio que gela os ossos, não vejo clientes, apenas os donos com cara de infelizes incapazes de ganhar para as despesas.
Todos os dias vejo mais gente a partir em busca de vida para França ou outras paragens.
Ando pelas ruas e vejo um vazio confrangedor enquanto oiço o sino da igreja tocar a finados.

Quando escrevi aquelas palavras ainda tinha uma secreta esperança de que o que escrevia não acontecesse, eram um grito de alerta tentando despertar consciências.
Infelizmente, o meu grito de alerta revelou-se uma certeza inevitável.

Os responsáveis políticos e os seus parceiros podiam ter invertido este processo, mas não o fizeram!
Antes pelo contrário.
E agora é tarde!!!
Chamaram para junto de si, mais incompetentes e incapazes, personagens que estão mais interessados em sugar o sangue deste nosso povo que em ressuscitar o moribundo.
Destruíram e continuam a destruir o nosso melhor património procurando com isso acumular mais riqueza à custa da destruição do que melhor temos.
Desbaratam verbas em atitudes absurdas, dizendo que têm preocupações culturais mas desprezam e destroem as mais valias culturais que no concelho poderiam criar riqueza.

Como César «ELES» tocam arpa enquanto o Sabugal sucumbe no braseiro que «ELES» próprios criaram e alimentam.

Por tudo isto, sei que os sinos, que quase todos os dias se fazem ouvir num toque de finados, se calarão porque não haverá mais ninguém para os tocar.
E, assim se finará a história deste povo, que foi capaz de prosperar nesta terra agreste e fria, onde um dia, alguns, tornaram a vida impossível e obrigaram todos a deixar as suas propriedades, amigos e familiares e ir para outra terra para poderem viver.
Assim está o Sabugal… À BEIRA DO FIM.
«O Bardo», opinião de Kim Tomé

kimtome@gmail.com

O afazer que mais me ocupava era andar escarrapachado na albarda do macho, percorrendo os caminhos do Senhor, na venda de mercancias. Só que à lida de contrabandista e de azemel juntava a do cuido das leiras que me couberam em herdo, como já no atrás lhes contei.

As terras nunca ficaram ao desmazelo, que a vida do pobre não se prestava a tamanhas vaidades.
Do renovo que semeava e tratava nas baixas o que mais produzia e dava ganho eram as batatas. Semeadas em terra estrumada e abarbeitada, era um regalo vê-las ganhar rama, enquanto se sachavam e regavam. Em Agosto metia-se-lhe a enxada ou o arado. Apanhadas e escolhidas, a parte destinada ao sustento da casa amontoava-se na tulha da palheira, e a que estava em demasia era ensacada e acarrejada para a estação da Cerdeira, donde embarcava em vagões para terras distantes.
Pois num dos anos, quando a rama das batateiras já despontara, aconteceu-me uma desgraça, que também não deixou impunes as restantes gentes da Bismula e povos em redondo.
Nos fins de Maio assomei-me às leiras do chão do Açude e notei que em algumas batateiras havia uns pontos amarelos que me intrigaram. Aparentavam ser ovos de borboleta, mas estranhei serem tantos, coisa por mim nunca vista. Ainda assim volvi a casa sem me preocupar com o assunto.
Dias depois deu-se brado no povo de que os batatais apareciam de rama comida da noite para o dia. Chamei o meu rapaz mais velho e démos uma saltada às veigas, a dar fé do que ocorria. Na verdade as folhas da mor parte das batateiras estavam mordiscadas, como se por ali tivesse andado coelho bravo, mas pareceu-me desajustada a conclusão, pois é sabido que o coelho prefere a hortaliça, e esta abundava numa leira ao redor. Examinando as plantas descobri alguns bichos, sobre os quais nunca houvera posto a vista. Eram vermelhos, de forma arredondada e da grandeza de uma joaninha, só que encarrapatos, de cabecinha preta e minúsculas patas da mesma cor. Filei um e esborrachei-o nos dedos, botando um líquido alaranjado, pegajoso e de mau cheiro.
– Caracho! Mas que bicho é este? – perguntei, surpreendido.
– Eu cá disso nunca vi, Senhor! Amóde que parece um carrapato – disse o meu rapaz.
– Por lá nasceram de uns ovitos que aqui enxerguei há dias.
Conclui que era o bichinho quem se alambazava com a rama do batatal.
– Estamos perdidos, filho! Este bicho é a nossa desgraça. Tão pequeno e não enche a barriga!
Esborralhou-se o pavor por toda a redondeza. O ano era de praga e adivinhava-se fome no Inverno.
Alguns apregoaram que os bichos haviam sido botados de avionetas, mas de tal dito pássaro voador eu não dera fé. E gente mais letrada culpou os «amaricanos» por tal acometimento, sabe-se lá porquê!
Entrementes, e sem me interessar pelo que se alanzoava, apus-me à tarefa de dar termo à praga. Fiz alinhar a mulher e a canalha e metemo-nos pelas leiras, de rota batida, à cata do bicho malfeitor. Por uma manhã lhe demos caça, correndo o batatal até juntarmos uma vasilha de bichos. Reguei-os com petróleo e apichei-lhes um palito. Foi um ar que lhes deu!
Mas quê? Em poucas semanas germinava nova bicheza que, aos poucos, me ia rapando o batatal. Vi que os bichos encarrapatos ganhavam asas e ficaram adornados com esbelta casaca listrada. No meu pensar seriam estes a reproduzir, dando por interminável a praga.
Organizaram-se novas caçadas, repetindo-se a operação. De resto, era assim que se procedia por todo o lado, mas de nada valendo. Os bichos apareciam às carradas e, num ai, dizimavam os batatais. Houve gente que salpicou o renovo com água benta, mas nem o sagrado líquido lhes valeu.
Anos depois, de nada valendo mezinhas, ungentos e respingadelas, deu brado que se vendia no Grémio da Lavoura, no Sabugal, um remédio de muito mau cheiro, que se misturava com água e se borrifava nas batateiras. Aí sim, a bicheza caía em grande mortandade, deste modo se salvando a lavoura de uma peste que parecia não tem fim.
Mas há por aí quem diga, e eu sou um desses, que foram os tais americanos que trouxeram o bicho para depois nos venderem o remédio.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

Bandarra, o poeta de sibilino estro, ou, se o acento mudar o profeta de lírica inspiração, anteviu nas suas congeminações, a traição ao espírito europeu perpetrada no seio até da instituicão que mais forte e impressivamente modelara, ou seja a madre que nos Céus está em essência.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaMuito forte bate o vento
Nas paredes da Igreja
Alguém caída a desja
No levantar vai o tento.

Premonitoriamente, apenas, já que Trancoso, a Raia da Guarda e mesmo todo o Portugal, incluindo Lisboa, se situaavam muito para além das fronteiras onde Calvino, João Huss ou Erasmo haviam lançado as suas teorias, Gonçalo Enes dera-se conta de que o Ocidente Cristão entrara em cissiparidade.
A quadra que acima se transcreve repercute, em linguagem mais chã o grito de Camões:
Ó Míseros cristãos, pela ventura
Sois os dentes de Cdamo desparzidos
Que uns aos outros se dão a morte escura
Sendo todos de um só ventre produzidos.

A invectiva camoneana que tão veementemente abre o Canto VII de Os Lusiadas ficou depois a servir de tema para os poetas de todas as gerações subsequentes:
Terrível, bem terrível bate o vento,
Já tremem as paredes da Igreja
De a derrubar fizeram juramento
Contra Ela e contra a Europa se peleja…

É que o combate contra o espirito europeu, desencadeado adentro da propria Igreja e atiçado até por alguns dos seus hierarcas, altos dignitários, mesmo, não mais parou.
Os inimigos da Igreja e da Europa obviamente que se lhes aliam.
Todos os pretextos servem: a autoridade pontifícia, o celibato ecelesiástico, a falta de democracia nas cúrias diocesanas, a selecção dos prelados, a detenção de bens materiais por comissões fabriqueiras, sés episcopais ou o papado, ligações ao poder político.
Mas não a todo, que o inimigo se situa apenas nas trincheiras do Orbs.
Os poetas, sempre prescrutadores da realidade, frisaram-no:
A César; o de César, disse Cristo,
Agora, os fariseus, dolo previsto,
Repetem de má fé o episódio
Cesareos só serão, eles o entendem
Aqueles que a lei de Deus defendem,
Tamanhos desatinos gera o ódio…

João Paulo VII, exactamente porque veio do Leste, o que lhe permitiu um mais perfeito conhecimento do que têm sido para a Igreja e a Europa, certos católicos e os que se lhes juntaram em movimentos pretensamente ecuménicos ou 1hes servem apenas de compagnons de route, não se deixa impressionar.
A Igreja não é nem pode ser uma sociedade democrática, mas sim uma sociedade estruturada. Nas primeiras, regem as maiorias; nas segundas, há outros criterios de direcção.
As arremetidas dos que pretendem esfarrapada a inconcussa túnica do Cristo vêm de longe.
Das que ocorreram para além da Europa ou no seu limite não vale a pena falar, pois transcendem as naturais contingencias deste artigo. O mesmo se diga quanto à Reforrna Protestante.
Na Europa propriamente dita, que se manteve fiel ao Catolicismo Romano, a primeira questão grave surgiu em França, por volta de 1831, com o caso L’Avenir e que terrninou corn a condenação de Lamennais. Nos fins do século passado foi o problema Sillon e em 1914 o movimento modernista, um e outro terminados igualmente pela condenação papal.
Por volta de 1960, foram os casos do jornal Témoignage Chrétien e da Jeunesse Étudiante Chretienne.
Prendia-se então impor ao Episcopado Francês, que condenara o jornal e o movimento, a tese de que, mesmo no seio da Igreja, são as maiorias que comandam, pelo que a Acção Católica se deveria determinar, não pelas recomendações da hierarquia, ou as directivas papais, mas sim pelo voto da maioria dos militantes de base.
Sociedade estruturada, isso não significa contudo, que deve furtar-se ao diálogo.
De resto, até pelo Evangelho, que considera irmãos todos os homens, o cristão tem o dever de se encontrar aberto ao intercâmbio permanente de ideias.
Mais, a única intransigência que lhe é imposta versa sobre a matéria da Fé.
Aqui é que não pode admitir-se o império das maioriaa ou aquilo que os progressistas chamam de ventos da História.
Aliás, a divisa ÓDIO AO PECADO, MAS PERDÃO AO PECADOR, parece ser a melho fórmula para a resolução de diferenças.
Mas não se pode ceder ao erro. O Papa como guardião da Fé foi instituído pelo próprio Cristo e a sua decisão tem de prevalecer sobre a vontade de quaisquer grupos, ainda que fortemente maioritários, de cristãos.
E, se o alarido vem de sectores clara e abertamente hostis à Igreja que surgem desarvoradamente em defesa da democracia para ela, o que os cristãos têm de fazer é pôr-se de remissa a indagar das razões por que os inimigos da Fé se dizem preocupados com uma matéria que lhes não respeita.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Primeira. Se fosse no mundo do futebol, diria que o treinador seria demitido.

Fazendo aqui a comparação com as últimas declarações do primeiro-ministro e dos figurões da troika, acerca da necessidade de recorrer a uma nova ajuda a Portugal. Isto porque, no futebol, quando os presidentes dos clubes vêm dizer publicamente o seu apoio ao treinador, regra geral, no dia seguinte são despedidos! E, como parece que vai acontecer, seria importante explicar, para que se perceba, a dimensão da espiral de endividamento de Portugal. Ao mesmo tempo, perceber, se os sacrifícios que estão a ser pedidos são para todos e proporcionais ou vamos chegar a essa conferência de imprensa sem direito a perguntas (é a moda das conferências dos políticos cá no burgo), anunciando a necessidade desse novo pedido e esbarremos com um qualquer buraco provocado por uns boys ou compadres (leia-se estado) do costume. É que, só consigo enxergar cortes nos salários, nos serviços à população (transportes, saúde, educação…) mas nãos vejo o estado e aquela máquina infernal cortar em nada! Entretanto, o país vai sendo abandonado e empobrecendo. Temo que o tratamento leve à morte do paciente!

Segunda. Hesitei em trazer a esta crónica as declarações do sr. Silva, Presidente da República. Classificá-las de lamentáveis é demasiado redutor! Neste tempo em que o vencimento de milhares de portugueses é diminuto, o sr. Silva vem queixar-se de que os seus milhares de euros de reforma não dá para as despesas?! Nem com aqueles milhares que ganhou com as acções do BPN, ajudam? São declarações miseráveis, insensíveis e egoístas. Mas, porque há sempre um mas, o comunicado emitido para justificar foi… pronto, “pior a emenda que o soneto”! Como é possível dizer que as suas declarações procuravam realçar as dificuldades dos pensionistas, reformados e desfavorecidos? Revela falta de vergonha e que exerce o lugar pelo dinheiro. Porque, se tivesse vergonha, demitia-se. E é este o homem que fala dos profissionais da política, ele que leva trinta e cinco anos na política! Que bem prega frei Tomás…

Terceira. Esta semana ouvi o ministro da Segurança Social dizer que iria ser revista a lei ou as leis que regulam os lares da terceira idade, fazendo realce para um serviço mais domiciliário do que, propriamente, o encerramento no lar. As palavras, obviamente, que me levaram para as terras da raia, onde a maioria da população é idosa. O tema é interessante de se debater e é urgente encontrar respostas para um problema que se tende agravar. No concelho do Sabugal há aldeias em que a maior parte da sua população está no lar. E estes não conseguem dar resposta a todas as solicitações. Portanto, das duas uma, ou lhe damos assistência em casa ou os abandonamos.
Trago, também, este assunto aqui como algo de positivo. Existe no concelho uma empresa vocacionada precisamente para a prestação destes serviços idosos. Chama-se ESSENCIAL SÉNIOR, está sediada no centro de negócios transfronteiriços do Soito e é uma criação de dois jovens arraianos. Numa altura em que tanto se fala de empreendorismo, sabe bem constatar que há gente jovem a investir no concelho e em teimar em não o abandonar. Esta empresa presta apoio a idosos, a doentes, apoia nas actividades domésticas… entre outros serviços. Trago aqui o assunto (passe a publicidade), por me parecer inevitável ser uma questão premente e porque me parece importante realçar as coisas boas que acontecem, que se fazem e que se criam no concelho.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Jorge Barreto Xavier, ex Director-Geral das Artes, foi o convidado especial de um grupo de naturais e amigos do Sabugal que reuniu ontem, dia 26 de Janeiro, na Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa para jantar e trocar ideias acerca do futuro da região.

«A cultura é o que nos liga», disse Barreto Xavier, que porém considerou que a economia passou a dominar as nossas vidas, em detrimento do tempo livre, do lazer e da cultura, que foram atirados para um canto da nossa existência. Esse facto leva-o a considerar que em Portugal se tem investido muito pouco na cultura enquanto aspecto estruturante do nosso quotidiano.
O ex Director-Geral das Artes, que passou uma boa parte da sua infância no Sabugal, onde estudou e deixou bom amigos, referiu-se ao problema da desertificação do Interior, como sendo fruto da atracção fatal que hoje as pessoas sentem pelas grandes cidades, que oferecem tudo o que necessitam e desejam. O poder central tem culpas no cartório, ao não criar condições para que as populações possam fixar-se no interior de Portugal.
A solução terá de passar por uma «visão integrada», construída a partir de uma reflexão que procure um consenso básico entre as várias forças políticas dominantes. «Tem de haver uma lógica de complementaridade», disse Barreto Xavier, dando como exemplo as termas do Cró, que considerou uma bela infra-estrutura para a qual falta uma aposta diversificada em áreas complementares à do simples termalismo. Só essa aposta poderá garantir o aproveitamento da oportunidade que o Cró proporciona ao concelho do Sabugal e à região.
Outra necessidade é a definição de um modelo de desenvolvimento para o concelho, criando graus de competitividade. «Mais do que um chefe ou um líder, é necessário um projecto elaborado a partir de um consenso para o longo prazo», concluiu.
Após a intervenção do convidado seguiu-se uma viva troca de argumentos acerca do rumo que o concelho deve tomar no futuro, onde sobressaiu a ideia de que o Sabugal precisa de se dinamizar a partir de uma mudança de mentalidades, pondo de lado rivalidades e conflitos estéreis e apostando na junção de esforços entre os que estão no concelho e os que partiram e mantém vivo o desejo de ajudar e de um dia regressar.
Jorge Barreto Xavier é professor do ISCTE, onde também prepara a tese de doutoramento em Políticas Públicas. Para além de Director-Geral das Artes, cargo que exerceu de 2008 a 2010, foi vereador da Câmara de Oeiras com o pelouro da Cultura, membro do conselho de administração do Instituto Português da Juventude, fundador do Clube Português de Artes e Ideias, entre outras actividades de relevo. É autor e co-autor de diversas publicações, com especial incidência nas áreas das artes e das políticas culturais.
plb

As árvores que ornamentavam a Praça da República, junto ao velho chafariz, foram derrubadas por ordem da Câmara Municipal do Sabugal, o que provocou a indignação de alguns sabugalenses.

Segundo o Capeia Arraiana apurou, alguém se queixou à Câmara Municipal de que as árvores antigas da Praça da República, junto à fonte, estavam caducas, em risco de queda iminente e que sujavam os automóveis quando se estacionavam naquele local. Vai daí, face à alegada queixa, decidiram cortar as árvores, ainda que fossem muito antigas.
Na manhã de hoje, 26 de Janeiro, alguns funcionários, munidos de motosserra, cumpriram as ordens superiores e cortaram rentes os troncos das árvores.
Naquele canto da emblemática Praça da República, o largo onde está sedeada a Câmara Municipal do Sabugal e que constitui o centro administrativo da cidade, está um antigo chafariz, que é o mesmo que o prémio Camões de 2011, o poeta sabugalense Manuel António Pina, diz estar entre as suas memórias de infância mais antigas. No local, à sombra das árvores, esteve durante anos instalada a praça municipal, onde todos os dias se vendiam frutas e legumes, antes de ser transferida para o largo fronteiro ao Tribunal.

Este tipo de árvores, que fazem parte dos núcleos históricos das nossas aldeias, vilas e cidades, deveriam ser rigorosamente protegidas e o seu eventual derrube teria de obedecer a critérios de rigor, que, preferencialmente, passassem por uma discussão pública acerca dessa necessidade e dessa oportunidade.
plb

Em comentário a uma das últimas crónicas minhas o meu amigo Quim Tomé escreve: «No Sabugal também há quem não esteja parado! No Sabugal também há quem muito faça às suas próprias custas pela terra!».

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Não podia estar mais de acordo, e seria, da minha parte, uma grande injustiça não reconhecer todos aqueles que, contra ventos e marés, continuam a lutar por um Concelho do Sabugal melhor.
Quero antes de mais salientar os mais de 13.000 cidadãos que neste Concelho continuam a viver e a trabalhar, numa prova diária de que, embora difícil, existe um caminho a percorrer.
Mas de entre todos os que não deixam a esperança morrer, deixem-me salientar alguns exemplos, pedindo desde já desculpa aos que não vou referir, não por esquecimento, mas porque os que vou citar são apenas exemplos.
E começo, por alguns agentes económicos que, do espaço sabugalense souberam afirmar-se a nível nacional e, mesmo, internacional: a OLIPAL, a PALEGESSOS, a ENAT, a «Fausto Baltazar & Filhos», a LACTIBAR…
Também no setor da restauração e hotelaria, saliento os nomes dos restaurantes «Robalo», inserido em praticamente todos os roteiros gastronómicos nacionais e da «Casa da Esquila» que vem fazendo o seu caminho para o merecido reconhecimento como um dos melhores restaurantes beirões.
Natural destaque merece a «Casa do Castelo» pelo trabalho ímpar que vem desenvolvendo em prol da afirmação do Concelho e na defesa intransigente do património cultural do Concelho.
E não esqueço também o papel das IPSS que tornam o Concelho num exemplo a nível nacional.
Como não esqueço o trabalho de tantos e tantos sabugalenses que, melhor ou pior, continuam a defender nas suas associações culturais, desportivas e recreativas as suas aldeias e os seus conterrâneos.
Caro Quim Tomé: Percebo como poucos as razões que te assistem pela forma vergonhosa, para não dizer outra palavra mais forte, como alguns te trataram e ainda hoje te tratam.
Mas tenho a certeza que o pelotão dos sabugalenses que diariamente dão mais um contributo para o Concelho do Sabugal que todos queríamos fosse a nossa terra é grande e fortalece-se dia após dia!

PS 1: A morte de um sabugalense que tanto deu pela sua terra é um momento muito triste para todos, e em especial para mim, pois não tenho dúvidas que o Ti Fausto Baltazar me tinha como amigo.
Curiosamente a minha primeira lembrança do Ti Fausto vem sempre acompanhada de um saxofone, pois foi no «Jazz Transcudano», conjunto musical que houve no Sabugal na década de 50 do século passado, que me lembro de o ver tocar aquele instrumento, ao lado, entre outros, do meu pai que tocava trompete e cantava.
À família e aos meus grandes amigos Tó e Quim um abraço sentido de solidariedade nesta hora má.

PS 2: E lá fui a Évora em mais uma jornada gastronómica gloriosa, feita por um homem que em terras alentejanas ostenta de forma orgulhosa a sua qualidade de beirão e sabugalense.
Está de parabéns a Confraria do Bucho Rraiano e o meu amigo Zé Dias.
E muito folgámos em saber que a Confraria já é tão importante que até merece chamada de atenção em jornais diários (no caso o «i»), comparando-nos à Maçonaria! Como diria a Ivone Silva «está tudo grosso!…».

PS 3: Não posso deixar de me congratular com o facto de na última reunião de Câmara os vereadores do Partido Socialista terem apresentado a proposta para a elaboração do «Plano Estratégico do Concelho», proposta que foi aprovada por unanimidade.
Venho defendendo esta proposta há mais de 20 anos e é bom que, finalmente, a Câmara dê início à sua elaboração.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Foi criado na Internet um movimento cívico que defende a modernização e reabertura do troço da linha ferroviária da Beira Baixa entre a Guarda e a Covilhã.

O movimento foi criado e colocado on-line por um eleito da Assembleia Municipal da Guarda, Júlio Seabra, do PS, que informou defender que «a Linha da Beira Baixa é vital para as populações e para as economias a si adjacentes».
A reivindicação foi colocada no portal do Governo (www.portugal.gov.pt) aproveitando a possibilidade que é dada aos portugueses para ali defenderem as suas causas.
Face ao facto do troço da linha da Beira Baixa entre a Guarda e a Covilhã estar encerrado há quase três anos, Júlio Seabra considera que é importante revitalizar este troço, «modernizando-o e abrindo-o novamente, com as devidas condições para as populações que dele queiram usufruir», justificou.
Aquela via ferroviária é uma alternativa à auto-estrada A23 (Guarda/Torres Novas), numa altura em que foram introduzidas portagens nesta via. As empresas da região poderão passar a escoar os seus produtos «de forma mais prática, económica e rápida», considera o fundador do movimento.
No texto da proposta, Júlio Seabra sustenta que a modernização e reabertura do troço da Linha da Beira Baixa entre a Guarda e a Covilhã, possibilitará «a circulação de composições de passageiros e mercadorias, num circuito Guarda/Pampilhosa/Entroncamento/Guarda» e na ligação à Europa.
Júlio Seabra defende ainda que «a Linha da Beira Baixa tornar-se-á num eixo importantíssimo no mapa ferroviário português, permitindo a diminuição de trânsito na Linha do Norte, sendo também uma alternativa a esta em situações de graves acidentes».
Para apoiar o movimento pode ir aqui.
plb

«Mestre de Marca» é a segunda peça da Trilogia Castelos da Raia. O guião vai ser publicado em duas parte.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaMESTRE DA MARCA
(quatro actos)

Personagens: ROIZ (físico do rei), BARNABÉ (escudeiro), ROBERT (mestre pedreiro), JOSUÉ (aprendiz), JUAN (mestre pedreiro), GILBERT (mestre templário), ISABEL (bastarda do rei), Maria (criada), Raquel (alcoviteira), ESCRIVÃO, GUARDA, OPERÁRIO1, OPERÁRIO2 e CORO.

Vilar Maior; Largo e Castelo; estaleiro montado, andaimes e roldanas na torre. A meio um cruzeiro. À direita uma casa com este letreiro: «Mestre Robert, pedreiro da marca» À esquerda outra casa, com pequeno degrau à entrada, com este letreiro: «Mestre Roiz, físico licenciado em Paris». 1210.

ACTO I
Largo público. Ao fundo, torre de menagem e castelo. Josué, Isabel e povo, etc.

CENA I
Josué

JOSUÉ (sobe o largo, passeia de um lado para o outro, em solilóquio)

Coplas
I
Sou um aprendiz desgraçado,
Sem dinheiro para jantar;
hoje comi gato guisado,
para a fome enganar.
Apesar de bom pedreiro,
vivo com mestre Roberto
que me corta no dinheiro
E me deixa em grande aperto.

Como eu ninguém há
por cá.
Olá!
Como eu ninguém é!
Olé!
Como eu ninguém vi!
Oli!
Ninguém como eu sou!
Olô!

CORO – E ninguém, parvo como tu!

II
Que me importa pedra partir
Do meio-dia à meia-noite;
Viver nesta canseira
e andar como Job a pedir
sem nada (e revira os bolsos) na algibeira?
CORO – Sem nada na algibeira!

CENA II
Josué e Isabel (a meio do Largo)
JOSUÉ E ISABEL (A meio do Largo)
ISABEL (subindo o largo e vendo Josué a resmungar) – Bonito! A difamar o patrão!
CORO – Bonito! A difamar o patrão…
JOSÉ (compõe os bolsos) – A benção, bela infanta?
ISABEL- Adeus. (senta-se no cruzeiro) Já viste passar mestre Roíz, Josué?
JOSÉ – Já sim, senhora.
ISABEL – E há muito?
JOSUÉ – Há coisa de meia hora entrou, senhora! Tenho um recado! (Mostra-lhe um pano com brasão e cantarola) Trá lá rá lá lá…
ISABEL (ergue-se em bicos de pés)- Dá cá!
JOSUÉ (Arremeda-a) – Trá lá rá lá lá… (Esquiva-se ao alcance das mãos da moça, negando-lhe o pano)
ISABEL – Deixa-te de fitas, dá cá! (apanha o pano)
JOSUÉ – Encontro debaixo da ponte; qual a resposta?
ISABEL (cheirando o pano e guardando-o) Nem sim; nem não… (entra na casa de mestre Roíz)
JOSUÉ – (seguindo-a) Ai se mestre Roíz sabe que anda moiro na costa… (e entra na casa de mestre Robert)
CORO – Ai que anda moiro na costa!…

CENA III
ISABEL E BARNABÉ (homem de meia idade, vestido de escudeiro, barrigudo e barbudo sobe o largo dirigindo-se a casa de mestre Roíz)
ISABEL (Vem a sair com cestinha na mão, ao ver Bernardo, volta atrás, querendo fugir) – Ai! Que susto!
BARNABÉ (embargando-lhe a passagem) – Ninguém deve fugir sem ver de quê.
ISABEL – Que quer o senhor aqui?
BARNABÉ – Vim em pessoa saber da resposta: quem quer vai; quem não quer manda…
ISABEL – Então o pano era vosso… Não de cavaleiro fidalgo!
BARNABÉ – O pano e a estopa…
ISABEL (Interrompendo-o) – Olha a impertinência! Um reles escudeiro a pretendente de filha de rei… Não suba o sapateiro além da sola do sapato!
BARNABÉ – Não há recado sem resposta…
ISABEL (levantando a mão) – Para vilão, a palma da mão!
BARNABÉ (Impassível) – Quanto mais me bates, mais gosto de ti. Eh! Eh! Foi por lã, e saiu tosquiada…
ISABEL – Eu grito!
BARNABÉ – E eu corro!
ISABEL – O senhor é gordo e feio… Pode lá correr!…
BARNABÉ – O diabo não é tão feio como se pinta…
ISABEL- Feio que nem um bode!…
BARNABÉ – Quem o feio ama bonito lhe parece.
ISABEL- Convencido!
BARNABÉ – Água mole em pedra dura, tanto dá…
ISABEL – Vá esperando!…
IBARNABÉ – Quem espera sempre alcança.
ISABEL – Desengane-se!
BARNABÉ – O futuro a Deus pertence!
ISABEL – Melhores pertences e pretendentes tenho eu…
BARNABÉ – Dentro da arca, bem os oiço…
ISABEL – Muito mais bonitos…(Suspirando)
BARNABÉ – Quem conta um conto, acrescenta um ponto…
ISABEL – Para que haveria de querer um velho gaiteiro?
BARNABÉ – Quem desdenha quer comprar…
ISABEL – Comprar! Um homem tão mal feito!…
BARNABÉ – Feio por fora, lindo por dentro.
ISABEL Presunção e água benta, cada um toma a que quer…
BARNABÉ (sentando-se no degrau)- Sois a luz dos meus olhos!…
ISABEL – Ah, ele agora senta-se? Temos cão de guarda!
BARNABÉ (impassível) – Cão que ladra, não morde…
ISABEL – Temo-la bonita!
BARNABÉ – Venha sentar-se a meu lado…
ISABEL – Pois sim! Não morde, mas tem pulgas!
BARNABÉ (Chegando-se) – Esfreguei-me com vinagre! Ora cheirai…
ISABEL (Afastando-o, faz-lhe uma cara) – Vai de retro!
BARNABÉ – Como?
ISABEL (Dando meia volta e entrando) – Irra; ainda por cima é surdo!
BARNABÈ (Descendo o largo, solilóquio) – Esperneia, mas há-de cair no anzol!
Quem não arrisca não petisca…

ACTO II
Em casa de Robert. Sala. Mobília velha: mesa, bancos, três colunas a meio. Sobre cada uma destas um castiçal aceso, e na mesa, outro castiçal e uma garrafa de vinho e dois copos. Uma pedra cúbica, que Robert trabalha, e instrumentos de pedreiro sobre ela (esquadro, ponteiro martelo e esquadro). Ao fundo porta que deita para a saída. Interior da habitação. É noite.

CENA I
Josué e Robert

(Josué entra. Ao sinal de Robert, senta-se à mesa com este, conversando)
JOSUÉ – Então, há três anos entrei na irmandade; quando me aumentas o salário?
ROBERT (atirando uma bolsa para a mesa) – Toma lá, pelos teus trabalhos em atraso, e desampara-me a loja!
JOSUÉ (despejando-a na mesa e contando o dinheiro) – Aqui só estão seis dinheiros… (guardando o dinheiro)… Por mais se vendeu judas!
ROBERT – Hoje reúne o conselho; e podes pedir aumento de salário. (dá-lhe uma palmada nas costas) Anda, bebe um copo!
JOSUÉ – (esfregando as mãos) Venha de lá então esse copo…
ROBERT – Já sabes desbastar pedra e utilizas as ferramentas com mestria (enchendo-lhe o copo); podes muito bem receber o sinal…
JOSUÉ – Basta cheio. (estende o copo) Parai … Só ao meu sinal!
ROBERT – Ao sinal!… (em surdina) O sinal… Entendes?
JOSUÉ – Qual sinal?
CORO – Qual sinal?
ROBERT – A palavra do grau, meu tolo!
JOSUÉ – Venha ela!… (esvazia o copo)
CORO – Venha ela!
ROBERT – Mais devagar… Primeiro a instrução!…

CENA II
Robert, Juan e Josué
JUAN (dá três pancadas na porta e vai entrando com sacola a tiracolo, sem reparar em Josué) – Tem aqui uma bela loja, compadre. É sua?
ROBERT – Trinta maravedis pago por ela.
JUAN – E tem câmaras? (senta-se à mesa)
ROBERT – A da ceia e a do meio…
JUAN (em surdina) – E para a função, compadre?
ROBERT – A da vizinha Maria aqui ao lado, e é quanto basta.
JUAN – Função da irmandade; compadre…
ROBERT – Não diga que você também é confrade?!
JUAN – Reconhecido como tal… de patente passada e oficina montada. (exibindo sacola que traz a tiracolo) Não largo o avental nem as ferramentas de ofício!
ROBERT – Mas de onde, não nos dirá?
JUAN – Pergunta bem a quem não lhe pode responder.
ROBERT – Mas a palavra, essa dará…
JUAN – Chegai-vos cá que vo-la direi (segreda ao ouvido de Robert)
ROBERT (À parte) – Nunca ouvi palavra tão certinha!
JUAN (Reparando na sala) – Mas para quê todo este aparato?
ROBERT (À parte) – Hoje temos função! (mostrando Josué) E o felizardo está presente!

CENA III
Robert, Juan, Josué, Gilbert
Entra Gilbert, espada cingida, saco a tiracolo e senta-se à mesa.
GILBERT – Vamo-nos preparando para a função. ( tirando as ferramentas da sacola, no que é secundado por todos) o escrivão não tarda ai também, passei por ele no terreiro. (três pancadas na porta.) Quem é?
ESCRIVÃO (dentro) — Sou eu.
GILBERT — Ah, és tu… Podes entrar.

CENA IV
Robert, Juan e Gilbert. Escrivão entra e senta-se à mesa.
GILBERT — Vamos começar. ( põe a espada sobre a mesa, bate o martelo) Os senhores que estão lá fora no terreiro podem entrar.(Josué vai chamar à porta. Entram vários operários; uns de jaqueta de chita, chapéu de palha, calças de ganga, de tamancos, aventais postos, que se vão sentando. Josué senta-se com eles) Estão abertos os trabalhos. Os requerimentos?

CENA V
Um dos operários entrega um papel e outro papel e cesto. Josué tira da camisa um papel que entrega ao escrivão.
GILBERT — Sr. Escrivão, faça o favor de ler.
ESCRIVÃO, lendo — «Diz Josué, natural desta freguesia e casado com Miquelina, sua mulher à face da Santa Madre Igreja e da lei dos homens, pai teúdo e manteúdo de uma pimpolha bem sadia e coradinha e de mais outro que vem a caminho pelo entrudo, morador em casa emprestada, à rua da galinha, aprendiz do ofício nesta loginha, vai para três anos e muitas luas com mestre Roberto, e magro salário que o vai deixar em grande aperto, pede a Vossa Senhoria mande votar neste conselho subida de grau e salário. Espera receber mercê.»
GILBERT — Baixe à assembleia para votação. E que mais?
ESCRIVÃO, lendo — «O abaixo-assinado vem dar os parabéns a V.Sa. por ter entrado com saúde no novo exercício. Diz ser mestre deste ofício, e senhor de um moínho de duas pedras alvaneiras, à borda do Cesarão, que em ano de boa àgua dá bom alqueire de farinha ao dia, mais os barbos e robalos que se catrapiscam no açude, e como vem de encaixe, pede a V. Sa. o favor de aceitar um cestinho de robalos que mandou apanhar hoje à tarde, para a ceia.»
GILBERT — Tal não carece de requerimento! (aceitando a cesta e passando-a a Robert) Para a ceia… e já vêm amanhados! Adiante!…
ESCRIVÂO lendo — «O abaixo-assinado, mestre da marca há mais de sete anos nesta confraria, e cujo sinete de trabalho é um delta grego, vem reclamar do compadre Fagundes que, usa no ofício a mesma sigma, com muito prejuízo da sua clientela e bom nome. Pede Justiça.»
GILBERT (Ao operário 1) – que dizeis a isto, mestre Fagundes?
OPERÁRIO1 – A primazia da marca é minha.
OPERÁRIO2 (À parte) – Aqui o único Primaz reconhecido, é o de Sevilha…
GILBERT (Ao operário 1) – E consegues prova-lo?
OPERÁRIO1 – É o assento mais antigo no livro…
OPERÁRIO 2 (À parte) – Apela ao livro… Não tarda, às escrituras!
GILBERT – Senhor escrivão, é isto verdade?
ESCRIVÃO (Abrindo um calhamaço, que folheia da frente para trás e de trás para a frente) – Não há como saber… A era está coberta com um borrão de vinho… foi-se a prevalência do registo!…
GILBERT – Integra-se a lacuna pela equidade e glosas de Acúrcio…
OPERÁRIO 1 e 2 (Em uníssimo) – E como é isso?
GILBERT – Repartindo benefício com prejuízo… Ao reclamante, delta grande; ao reclamado, delta cursivo!…
OPERÁRIO 2 (Resmungando)- Com Acúrcio ou Tibúrcio, nada passa pelo crivo…
GILBERT (Ao escrivão) – Qual a restante ordem do dia?
ESCRIVÃO (Arrumando os papéis) – Nada mais há requerido…
GILBERT — Está bom, então sobeja-nos tempo para a instrução. Sr. Escrivão, faça o favor de… (Grita para fora:) Ó da porta! Fecha; e corre o pano!
GUARDA (Ao longe — Sim senhor.
CORO – Eles correm os panos!…
GILBERT (Para a assistência) – É a coberto de profanos…
(Estrondo de porta a fechar. Corre o pano)

ACTO III
Em casa de Roiz. Sala com lareira acesa, janela e porta que dá para interior da casa. Mobília velha: mesa a meio, bancos. Ao fundo porta que deita para a saída. Interior da habitação. É noite.

CENA I
MARIA remendando um pano junto à janela, à luz de candeia; depois ISABEL.
ISABEL (Entra aborrecida e espreita à janela) – Foi-se!
MARIA – Quem?…
ISABEL (Absorta)– Ein?
MARIA – Quem é que se foi ?
ISABEL (Perturbada) – Ah! O peralvilho do Barnabé…
MARIA – Por falar no diabo, menina: se casasse com ele…
ISABEL – Havia de ser muito infeliz…
MARIA – Ao contrário: É homem de cabedal, herdeiro de um bom morgadio por morte de seu tio…
ROIZ (Fora) – Maria… ó Maria!
MARIA – Lá está vosso tutor a chamar-me!…
ROIZ (Fora) – Maria!…
MARIA – Grita para aí, alma do diabo!
ROIZ (No mesmo) – Maria!…
MARIA (Aborrecida)- O que é?
ROIZ – A minha luneta?… Não dou por ela…
MARIA (interrompendo a costura)- Já viu?… Na banqueta!…
ROIZ (Fora) – Achei!…

CENA II
MARIA, ISABEL, RAQUEL (velha, trajando de negro, xaile pela cabeça)
MARIA (Retomando a costura) – Havia de ser muito feliz com esse Barnabé…
ISABEL (Olhando para a rua) Ah! ali vem a vizinha Raquel…
MARIA – Foi Deus que a mandou!… Melhor entendida em coisas de amor não há!… (vai à janela e fala para fora) Ó comadre, posso dar-lhe uma palavrinha?
RAQUEL (Fora) – Duas ou três… Quantas quiser…

CENA III
MARIA à janela e RAQUEL na rua.
RAQUEL (Modos hipócritas) – Como vai a rica comadre?…
MARIA – Assim-assim. E a senhora?…
RAQUEL – Mal das cruzes; mas agora melhorzinha. Vim da Igreja; fui pôr uma velinha à Senhora do Castelo…
MARIA – Para ficar boa?…
RAQUEL – Nem imagina! Desde que o meu Cunha se foi, nunca mais estive boa! (mãos nos quadris) Então este resfriado da noite, mata-me!…
MARIA – Que imprudência, comadre! Não ande na rua com esta orvalhada…
RAQUEL – Teve de ser. Vou ali ao mestre Roberto por uma trouxa de roupa para a barrela!
MARIA – Vai em má hora!… Mestre Roberto está de visitas…
CORO – Com trancas à porta e cortinas fechadas!…
RAQUEL (Desapontada) – Ora; e vim eu por nada!
MARIA – Já que veio, bebe um pucarinho de vinho quente?
RAQUEL (Entrando) – Se é oferecido de boa mente…
CORO – A cavalo dado não se olha o dente…

CENA IV
MARIA, ISABEL, RAQUEL
RAQUEL (Já dentro) – Ó da casa, pode-se entrar?
MARIA (Sentando-se à lareira) – Vá entrando, comadre!…
RAQUEL (Apanhando um banquinho; a Isabel) – Benção, minha infanta!… Que bela estais!… Cada vez mais parecida com El-Rei vosso pai… Abençoado seja!
ISABEL (Interessada, sentando-se à lareira também) – E vós lá conheceste meu pai!?
RAQUEL – Então não conheci?… Belo homem… um dia que por aqui passou; vinha da guerra… Andáveis vós na barriga de vossa mãe; Deus a tenha!
MARIA (Chegando púcaro ao lume, que aviva com umas tenazes) – Linda e casadoira!…
RAQUEL – Também acho!…
ISABEL (Interrompendo) – E como era ele?
RAQUEL – Assim moreno, alto, cabelo negro, despachado, como vós!…
MARIA – (Despejando o vinho num copo que dá a Raquel) – Assim, ou com mel?
RAQUEL – Mel, se tiveres…
ISABEL (Novamente) – E minha mãe?… Conheceste?
RAQUEL (Aquecendo as mãos no copo) – Vossa mãe foi gentil dama da corte… Morreu do vosso parto, quando ficastes aos cuidados de mestre Roiz…
MARIA (Vem com púcaro de mel, que serve a Raquel, e retoma a costura e conversa) – Mas só tem olhos para um jovem cavaleiro…
ISABEL – E há lá melhor partido?
RAQUEL – Então a senhora acha bom casamento?…
ISABEL – E não é?
RAQUEL – Quem?… Aquele moço que não larga a vossa janela?… Se a senhora vai na conversa, está bem aviada… Aquilo é um empata…
ISABEL – Como sabes disso?…
RAQUEL – É um pinga amores…. Ainda outro dia… era dia santo… (Como se lembrando) Que dia santo era, comadre? (recordando-se) Foi pelo Natal… vinha ele à porta da vila e metendo conversa…. Adivinhe a quem?…
MARIA – A quem, comadre?…
RAQUEL – À mulher do Josué… Diz-se que o pai é ele…
MARIA – O que é que diz?…
ISABEL – Mas ele passa aqui todos os dias por minha causa…
RAQUEL – Por sua causa?…
ISABEL – Por minha causa… Todo gentil e garboso na sua farda… Fazendo olhinhos à janela!…
MARIA – O que diz, minha rica menina?… Por isso é que não me sai da janela!…
RAQUEL – Senhora, eu tenho muita prática de homens, sei o que são essas coisas…
ISABEL – Pois olha, há um escudeiro que me quer para casar…
RAQUEL – Jura?…
ISABEL – Sobrinho herdeiro de seu tio…
RAQUEL – E quem é ele, senhora?…
MARIA (Interrompendo) – Um tal Barnabé, um labrego, ainda por cima rico, herdeiro de um bom morgadio…
RAQUEL – Agarre-o com unhas e dentes, senhora. Acredite que isto de maridos, qualquer um serve, contanto que tenha cabedais…

(Cont…)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Há muito que não visitava a Capital do Império. É uma cidade que me fascina, que me encanta. Ali trabalhei, ali nasceu o primeiro filho. Porém, desta vez fiquei surpreendido e preocupado.

Os preços a subirem em flecha, mais altos que as Torres da Basílica da Estrela. Os táxis a aguardar clientes que não aparecem. Fui a uma grande superfície comercial perto do Parque Eduardo VII. Entrei na catedral do consumo para comprar um cobertor. Entrei num labirinto e dizem-me que tenho de subir ao sétimo andar. Um cobertor com descontos custa mais de sessenta euros. Tudo em saldos, mas sem grande procura, com excepção nas marcas da moda. Á saída um slogan «por cada rico um pobre». Não concordo, há mais que um pobre, por cada rico. Há muitos pobres… Um grupo de jovens bem constituídos falam de assaltos, são sinais dos tempos que vivemos. Calcorreio as ruas e em frente à Penitenciária de Lisboa, visitas esperam ordem para entrar, com um aviso que devem chegar meia hora mais cedo. Passo por diversas lojas que compram ouro. Uma loja tem o descaramento de publicitar que compra ouro estragado, velho, usado e partido. Partido por quem e com quem? Entrei e a gentil menina disse-me que tem de usar esta linguagem comercial. «E esta hei?», como dizia o Fernando Pessa. Estão a surgir por todos os lados como já surgiram as lojas dos chineses. Se estes enveredam nestes negócios com o apoio do governo chinês, os nossos comerciantes dos metais preciosos dão uma queda maior que o paquete Costa Concórdia. Há uma procura desusada na procura dos metais, que o digam os ladrões e os receptores dos mesmos. Roubam-se os sinos, os cabos telefónicos, ouro, prata e tudo o que rende dinheiro. Este é um negócio que está a dar e sem fiscalização, sem ASAE, é um verdadeiro negócio da China. É comprar e fundir. Não custa nada e é só lucro. Enfim, parece-me que todos querem comprar ou roubar a ilusão do ouro para esquecer a idade do latão.
Nas paredes da Mãe de Água uma frase: «greve geral – 24 de Nov». Apreciei a caligrafia num vermelho vivo, numa escrita a lembrar os meus tempos de Escola Primária, quando usávamos as canetas de aparos molhados em tinteiros, inseridos nas carteiras de madeira.
Á entrada de um grande terminal de transportes, tropeço nesta frase: «o aumento dos transportes públicos é um roubo aos utentes». Desembolso fatalmente todos os meus trocos e entro no autocarro. À minha frente surge um cartaz «goze a viagem, vá de transportes públicos». Com o aumento dos preços somos mesmo gozados.
Também num mural uma frase: «corruptos, manquem-se». Cuidado, porque depois não há ortopedistas e serviços de saúde que cheguem para tratar tantos mancos.
Percorro uma avenida com endereços de escritórios de advogados e das suas sociedades. Encontro um velho amigo, que me despede em grande velocidade, porque tem de ir estudar e preparar o recurso de uma sentença judicial, porque este também é um negócio que dá chorudos lucros.
Vejo o pequeno comércio quase vazio, cafés, casas de produtos da alimentação, vestuário e outros.
Vejo na Avenida Miguel Torga, e nem queria acreditar: um amolador e afiador de facas e tesouras e afins, apoiado a uma velha bicicleta, despertado a sua atenção e presença com um sinal sonoro próprio. Ele bem olha para os prédios de diversos andares, mas nem um sinal de vida. Ninguém de avental aparece e de saias muito menos. Andam por outras bandas, talvez pelo Bairro Alto e outros locais limítrofes.
Numa companhia de saúde quase ninguém corresponde aos bons-dias. Será que estas e outras saudações já pagam imposto? Não é só aí. É em quase comportamento comum todos os lugares.
Um jovem parecido com um repórter de imagem entrega-me gratuitamente um jornal onde leio-o diversas notícias. Em letras muito minúsculas como convém a esta sociedade relativista, o Papa afirma que «os emigrantes não são números, mas sim os protagonistas do anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo». Em 2010 um quarto dos condutores que faleceram de acidente tem álcool no sangue, 1,2 gramas e 7,1% tem substâncias psicotrópicas. As cadeias estão cheias e não estão lá muitos que andam por aí a passear. Um político diz-nos que «somos um país de novelas». Concordo, mas não só.
Termino com as palavras que li de Guerra Junqueiro, poeta transmontano, anticlerical, que fez a transição do século XIX para o XX e da Monarquia para a República, sobre o Povo Português há mais de cem anos: «um povo imbecilizado, resignado, humilde, macambúzio, fatalista e sonâmbulo…um povo enfim que eu adoro porque sofre e é bom e guarda ainda na noite a sua inconsciência como um lampejo misteriosos da alma nacional». Continua actualizada a opinião de um dos maiores poetas portugueses.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Faleceu ontem, dia 24 de Janeiro, o empresário Fausto Baltazar, proprietário da empresa Móveis Baltazar e Filhos, uma das mais antigas do Sabugal.

José Manuel Carvalho PereiraFausto Baltazar tinha 90 anos de idade e dedicou a sua vida à actividade empresarial. Proprietário de uma serração, conseguiu, com a ajuda dos filhos, fazer crescer o negócio, transformando a empresa numa reconhecida e prestigiada fábrica de móveis que vende para todo o país e exporta para alguns países da Europa, sobretudo para França.
Fausto Baltazar foi também um homem dedicado à comunidade sabugalense, tendo ocupado o lugar de presidente da comissão que geriu a Câmara Municipal do Sabugal durante o período que se seguiu à Revolução de 25 de Abril de 1974, até à realização das primeiras eleições autárquicas na era democrática.
O funeral de Fausto Baltazar realiza-se hoje, às 16 horas, no Sabugal.
plb

No passado fim-de-semana o Comando Territorial da Guarda da GNR realizou uma operação especial de prevenção criminal nos concelhos do Sabugal, Pinhel e Guarda, de que resultou a detenção de quatro indivíduos.

Guarda Nacional RepublicanaA operação incidiu particularmente na fiscalização a estabelecimentos de diversão nocturna, incluindo o patrulhamento de pontos considerados sensíveis.
No Sabugal detiveram-se dois homens, 19 e 29 anos de idade, por exercerem ilegalmente a actividade de segurança privada num estabelecimento de diversão nocturna. Sendo presentes ao Tribunal Judicial do Sabugal, ficaram com a medida de coação de Termo de Identidade e Residência a aguardar o resultado do Inquérito.
Em Pínzio, concelho de Pinhel, foram detidos na mesma operação, em flagrante delito, outros dois homens, com 57 e 74 anos de idade, residentes na Guarda, quando furtavam metais não preciosos num armazém. Os suspeitos, um deles com antecedentes criminais e a cumprir pena suspensa, foram presentes ao Tribunal Judicial de Pinhel.
Através do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), a GNR realizou também em todo o distrito da Guarda uma operação de fiscalização aos lagares de azeite, de onde resultaram oito autos de contra-ordenação. A operação decorreu entre os dias 5 e 18 de Janeiro, período em que foram fiscalizados 13 lagares.
Na noite de 20 de Janeiro, militares do Posto Territorial de Seia, detiveram três indivíduos de 21, 26 e 39 anos de idade, dois deles residentes na Amadora e outro em Arganil, por crime de tráfico de estupefacientes. Os detidos estavam na posse de 22,64 gramas de haxixe, quantidade suficiente para 115 doses individuais. Presentes ao Tribunal Judicial de Seia, foi-lhes aplicada a medida de coação de Termo de Identidade e Residência, ficando a aguardar o resultado do Inquérito.
Na noite de 21 de Janeiro, militares do Posto Territorial de Seia, detiveram em flagrante delito, um indivíduo de 39 anos de idade, residente em Seia, por crime de violência doméstica. A detenção ocorreu após ter sido dado o alerta para aquele Posto, a comunicarem a existência de agressões mútuas. Uma vez no local a patrulha entrou na residência, quando o agora detido, agredia fisicamente a vítima que se encontrava prostrada em cima da cama e imobilizada, no quarto do casal.
A Equipa de Investigação e Inquérito do Posto de Gouveia identificou, nos dias 19 e 20 de Janeiro, dois indivíduos de 16 e 19 anos de idade, residentes em São Paio, por suspeita da prática de vários crimes de furto a residências. Os mesmos já estavam a ser investigados há algum tempo no âmbito de Inquéritos criminais, tendo sido realizadas buscas domiciliárias às suas residências, onde lhes foram apreendidos diversos objectos furtados, designadamente, artigos de vestuário, de beleza e uma Play Station, tendo confessado serem os autores de pelo menos três furtos a residências. Os mesmos, que agiram em co-autoria, foram constituídos arguidos, tendo os factos sido participados ao Tribunal Judicial de Gouveia.
plb

Quem não tem medo de viver numa sociedade onde ditadores estrangeiros, numa ingerência inqualificável, determinem desde as suas cómodas e bem remuneradas poltronas, que o nosso País ponha acima de tudo e de todos os interesses da Propriedade Capitalista Oligárquica e despreze o Capital Humano? Quem não tem medo de viver num País, como o nosso, onde os seus governantes obedecem cegamente a esses ditadores estrangeiros, estando a contribuir assim para a morte lenta da nossa sociedade? O medo é o chicote dos amos…

António EmidioA história diz-nos que nenhuma época nem civilização estiveram isentas desse fenómeno psíquico que é o medo. É um grande desafio que muitas vezes se apodera do homem. Eu, embora não chegando aos extremos da Kafka que dizia: «o meu ser é medo», vivo com medo. Quem, sendo cidadão comum, cidadão que trabalha, não vive com medo? Atrevo-me a dizer que muito poucos. Também poucos saberão que esse medo é medo a uma ideologia, sim leitor(a), é o Neoliberalismo, uma corrente de pensamento partidária da máxima liberdade de comércio e competitividade, aliadas à destruição moral do homem, uma ideologia inumana.
Vivemos numa sociedade que podemos apelidá-la da sociedade do medo, medo a quê? À perca do posto de trabalho, medo a não conseguir nenhum, medo à diminuição dos salários e das pensões, medo à concorrência desleal e até criminosa, medo ao Estado Neoliberal, cuja tarefa principal presentemente é disciplinar os portugueses, por isso há cada vez mais leis e decretos, mais proibições e ameaças, com isto tudo, menos Liberdade. Medo ao fracasso, não nos pode surpreender este medo já que vivemos debaixo de uma ideologia que determina o valor das pessoas pelo seu êxito externo. Medo aos grandes problemas ecológicos, à mudança climática e até a uma guerra nuclear.
O conhecimento e o saber, procuram eliminar, ou reduzir ao mínimo o medo social, quanto a mim tem um efeito contrário, aumenta-o, porque conhecimento e saber levam-nos a compreender toda a movimentação política e económica que está a transformar a vida da maioria dos cidadãos numa ditadura diária.
Aceitar o medo como fazendo parte do nosso ser é um acto de lucidez.

Vou deixá-lo querido leitor(a) com esta pequena história sofista: «A peste ia a caminho de Bagdade, encontrou pelo caminho alguém que lhe perguntou onde ia. A peste respondeu que ia a Bagdade matar dez mil pessoas. Passado algum tempo a peste voltou a encontrar-se com essa pessoa, que deveras irritada lhe disse: mentiste-me! Disseste que ias a Bagdade matar dez mil pessoas e mataste cem mil! A peste retorquiu: eu não menti, matei dez mil, o resto…morreu de medo».
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Cantar as janeiras, hoje, só por reposição cultural. E isso é o que felizmente vem acontecendo. Mas em tempos a coisa era feita à séria. Recordo aqui essa saga.

No mês de Janeiro, era sagrado: tinha de haver sempre um grupo que se lançava na encenação de, por brincadeira, mas a sério porque em nome da tradição arreigada, ir de porta em porta cantar uns versos aos moradores de cada casa.
Não estou a imaginar hoje um grupo de adultos juntar-se e percorrer a aldeia a cantar as janeiras. Se isso se fizer por iniciativa lúdico-cultural do Centro de Animação Cultural, do Lar ou da Junta de Freguesia, já é um ganho. Mas instalar novamente a tradição seria um milagre.
Como eram as janeiras – o cantar as janeiras?
As pessoas juntavam-se, á noite, e iam de casa em casa. Rapazes e raparigas, sobretudo. Melhor: sobretudo as raparigas. Em frente das portas, ao fundo das escadas, um começava e os outros iam atrás:

Levante-se lá, senhora,
Desse banquinho de prata.
Venha nos dar as janeiras,
Que está um frio que mata.

Refrão:
Naquela relvinha
Que o vento geou,
A Mãe de Jesus
Tão pura ficou.

Havia mais estrofes. Como esta, por exemplo, agora com a grafia regional:

Levante-se lá, senhora,
Desse banco de cortiça.
Venha nos dar as janêras:
Ò morcela ò chòriça.

E repetiam o refrão.
Cantavam durante quatro ou cinco minutos.
Acabada a cantoria, lá vinha um copo, umas castanhas, às vezes uma morcela, uma chouriça.
Isso, tudo junto ao fim-de-semana, dava para um convívio da «troupe» de cantadores de janeiras.
Mas claro que não é só na nossa zona que se canta(va)m as janeiras. Por exemplo, a foto que fui buscar é de um grupo do Arez, em Nisa – uma terra que repôs a tradição e por isso registo aqui o meu apreço. Mas também nestas nossas terras da «antiquérrima» Lancia Oppidana encontro o mesmo apreço pelas janeiras de antigamente, como aqui, num sítio dedicado a Malcata, por exemplo.
Quanto ao Casteleiro, se tiver interesse, pode aceder a outros pormenores aqui, no Viver Casteleiro (ver também mais estrofes nos comentários a um desses «posts»).
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Inspectores da Polícia Judiciária estiveram na sexta-feira, dia 19 de Janeiro, nas instalações da Câmara Municipal do Sabugal, onde cumpriram mandados de busca.

Munidos de mandados judiciais os inspectores entraram em vários gabinetes de trabalho dos edifícios da Câmara e da empresa municipal Sabugal+, fizeram buscas e analisaram os discos rígidos de alguns computadores, cujo conteúdo terão copiado.
Segundo uma notícia de sábado, dia 21 de janeiro, publicada no jornal Correio da Manhã, tratou-se de uma operação efectuada ao mesmo tempo em cinco Câmaras Municipais (Oeiras, Sabugal, Alcobaça, Trancoso e Gouveia), as quais estão sob a mira de uma investigação criminal que incluiu a realização de mais de 20 buscas.
Além das autarquias os inspectores da PJ visitaram várias empresas, dentre as quais a construtora MRG – Engenharia e Construção, que poderá estar no centro da investigação. Segundo o Correio da Manhã, estarão em causa parcerias público-privadas – obras que nunca foram realizadas ou casos onde foi detectada sobrefacturação ou mesmo facturas falsas.
A empresa MRG, de Manuel Rodrigues Gouveia, assinou em julho de 2009 uma parceria público-privada com a Câmara Municipal do Sabugal, através da criação da empresa CôaCamping SA, participada em 48 por cento pela Sabugal+, e no capital restante pela MRG e outras empresas suas participadas, tendo como objectivo a construção de um parque de campismo e caravanismo junto ao rio Côa, umas centenas de metros a juzante da barragem do Sabugal. Adquiriram-se os terrenos e chegou a elaborar-se um projecto, mas a MRG acabaria por notificar a Câmara do Sabugal de que desistia do processo, manifestando a vontade de vender todas as suas acções à empresa municipal Sabugal+.
Ainda segundo o Correio da Manhã, «as situações já verificadas são várias: há obras fantasmas na habitação social, casos graves que envolvem a construção ou remodelação de escolas, piscinas e parques de estacionamento. Há ainda situações que dizem respeito a centros geriátricos. Os valores das alegadas burlas ao Estado podem atingir vários milhões. Em Odivelas, também há contratos sob suspeita, mas a PJ não fez buscas à autarquia».
plb

Pelo segundo ano consecutivo, Emanuel Brito, judoca do Sporting Clube do Sabugal, sagrou-se campeão regional de Cadetes, este ano em -66kg.

O Sporting Clube do sabugal, congratula-se com o título conseguido, esperando poder continuar a dar aos seus atletas a possibilidade de representarem as suas cores com a dedicação que sempre têm demonstrado.
O primeiro campeonato Regional de Judo de 2012.Realizou-se no passado dia 21 de Janeiro no Pavilhão Municipal de Caminha,
Esta primeira competição que iria decidir os sete representantes da Zona Norte, que inclui os distritos de Guarda, Viseu, Aveiro, Porto Viana do Castelo e Braga, em cada categoria de peso, estava destinada ao escalão de cadetes (15 e 16 anos).
O jovem judoca perdeu apenas o primeiro combate do seu grupo de apuramento para as meias-finais, com o atleta que depois viria a defrontar na final, tendo desta vez o judoca do SCS ficado em vantagem. Este resultado irá permitir aos sete primeiros classificados de cada categoria de peso, representarem tanto a Região Norte como as suas Associações distritais e clubes no Campeonato Nacional que se irá realizar no próximo dia 11 de Fevereiro em Odivelas.
Ficando desde já os parabéns e um voto de sucesso para o Campeonato Nacional aos judocas apurados.
djmc

O mundo em que vivemos está ameaçado. Pelas guerras, pela globalização selvagem, pelo aquecimento planetário e pela degradação ambiental, pelo esgotamento dos recursos. Mas existem também muitas razões para termos esperança no futuro. Carl Sagan, um dos mais notáveis divulgadores da Ciência, dizia que «os tempos mais gloriosos da Humanidade ainda estão para vir». Oxalá tenha razão.

Cartoon sobre a clonagem de ovelhas

Adérito Tavares - Na Raia da Memória«No Admirável Mundo Novo da minha fantasia, o eugenismo e o seu contrário eram sistematicamente praticados. Numa série de frascos, óvulos biologicamente superiores, fertilizados por esperma biologicamente superior, recebiam o melhor tratamento pré-natal possível e eram finalmente decantados como Betas, Alfas e até Alfas+. Noutra série de frascos, muito mais numerosa, óvulos biologicamente inferiores, fertilizados por esperma biologicamente inferior, eram sujeitos ao Processo Bokanowsky (noventa e seis gémeos retirados de um só ovo) e tratados, prenatalmente, com álcool e outros venenos proteínicos. As criaturas finalmente decantadas eram quase sub-humanas; mas eram capazes de realizar trabalhos que não requeressem perícia e, quando convenientemente condicionados, relaxados por livres e frequentes relações com o sexo oposto, constantemente distraídos pelo divertimento gratuito, e incitados a cumprirem os padrões do seu bom comportamento por doses diárias de soma, podiam considerar-se como incapazes de causarem qualquer preocupação aos seus superiores.»
Aldous Huxley escreveu estas palavras em 1958, num livro intitulado Regresso ao Admirável Mundo Novo. Huxley tinha publicado, em 1931, um dos mais famosos livros de ficção científica de todos os tempos, justamente intitulado Admirável Mundo Novo (Brave New World) e, agora, neste estudo, escrito 27 anos mais tarde, procurava mostrar que algumas coisas que, no seu romance, eram ficção, se aproximavam da realidade. Aldous Huxley, infelizmente, morreu em 1963. Se fosse vivo, provavelmente escreveria um novo ensaio para se congratular com o rigor das suas «profecias». É que, cada vez mais, a ficção se vai tornando realidade. E muito mais depressa do que o próprio Huxley previa: a fábula huxleyniana situava-se aí pelo século VI d. F. (depois de Ford), ou seja, lá para dois mil quinhentos e tal. Ora a verdade é que, antes ainda do final do século I d. F., já se tornaram possíveis práticas como a fertilização in vitro, a manipulação genética e, recentemente, a clonagem de mamíferos. Não estamos muito longe da produção artificial de seres humanos em série, tal como acima a descreve o grande escritor inglês.
No Admirável Mundo Novo, o problema da superpopulação desaparece. Os seres humanos deixam de nascer de «mães». Todos são «produzidos» em grandes laboratórios do Estado, em placentas artificiais. Produziam-se tantos quantos eram necessários, homens ou mulheres. Alguns eram «fabricados» excepcionalmente inteligentes (poucos, os Alfas), outros bastante inteligentes (os Betas); os Gamas e os Deltas constituíam a camada medianamente inteligente, capaz de executar mas não de decidir; e, finalmente, todos os restantes (os futuros trabalhadores indiferenciados e submissos), eram programados para atingirem um quociente intelectual abaixo da média. Para isso, durante a «produção», na placenta artificial, aos futuros líderes e quadros superiores ministravam-se alimentos e medicamentos meticulosamente seleccionados e, ao comum dos mortais, substâncias que lhes atrofiassem o cérebro e os impedissem de alcançar um desenvolvimento normal. Depois do nascimento (ou melhor, da «decantação»), seguia-se um cuidadoso processo educativo, baseado no condicionamento psicológico e na hipnopedia. Deste modo, não só existiam exactamente os indivíduos necessários como apenas os suficientes. Chegados a adultos, iam ocupar o lugar que lhes cabia no aparelho produtivo e na sociedade, mantidos em sossego graças às distracções, às relações sexuais inteiramente livres e sem quaisquer riscos e à abundância de soma (uma droga distribuída gratuitamente pelo Estado Mundial, sem consequências para o organismo mas de efeitos eufóricos e relaxantes extraordinários, uma espécie de super-prozac). Todos aceitavam pacificamente o destino que lhes cabia. A Humanidade alcançava a grande utopia: fim da superpopulação, da pobreza, da instabilidade social, dos protestos, das greves, das guerras.
Noutra excepcional obra de ficção, 1984, escrita em 1948, outro escritor inglês igualmente céptico quanto ao futuro da Humanidade, George Orwell, descreve-nos uma sociedade ultra-totalitária, uma espécie de nazi-estalinismo, com um super-ditador que por todos velava e a todos vigiava: o Big Brother. Aqui, o controlo dos indivíduos é alcançado pelo terror. Na sociedade imaginada por Huxley, as pessoas deixam-se dominar pacifica e alegremente. E ainda agradecem. De qualquer desses dois terríficos «mundos novos» está ausente a liberdade individual de agir e de pensar. Trata-se de parábolas, é verdade, mas inspiradas na experiência pessoal dos seus autores e numa visão crítica da história recente. São visões pessimistas e obviamente desiludidas, mas que não deixam de conter premonições alarmantes. E as notícias sobre a clonagem de animais aí estão para o confirmar.
Há alguns anos, a revista Nature trazia um artigo relatando uma experiência bem sucedida de «produção artificial» de uma ovelha, a que chamaram Dolly, exclusivamente a partir de células extraídas da glândula mamária de outra ovelha, sem intervenção de espermatozóides. Deste modo, Dolly é geneticamente igualzinha à sua mãe, ou seja, é um duplicado dela. A este processo chama-se clonagem: teoricamente, a partir de quaisquer células de qualquer ser vivo (ou morto, se elas forem conservadas), podem fazer-se vários duplicados desse ser. Absolutamente idênticos, em termos genéticos, uma vez que não resultam de qualquer cruzamento. Assim, poderíamos ter 11 gémeos perfeitos do Cristiano Ronaldo, ou 20 Shakiras, ou mil Kim Jong – qualquer coisa.
Só teoricamente. Pelo menos para já. É que os novos seres não surgem adultos, são crianças idênticas, em termos físicos, ao indivíduo de que derivam, mas nunca o serão em termos psíquicos. Para obtermos um Kim Jong-il exactamente igual àquele que governou a Coreia do Norte até há pouco, seria necessário que o seu pequeno duplicado recebesse a mesmíssima educação, passasse por experiências iguais, tivesse as mesmas alegrias e as mesmas tristezas, etc.
Procurando exorcizar os temores que se começaram a instalar após a divulgação da notícia da clonagem da Dolly, escrevia José Vítor Malheiros, num excelente artigo do «Público»: «O património genético constitui apenas um dos factores da individualidade. A clonagem não é uma transplantação do cérebro. Um clone será necessariamente uma outra pessoa, porque a sua idade será diferente, a sua gestação, nascimento, educação, serão diferentes. A sua consciência será diferente porque a sua circunstância, a sua história, será diferente. Para mais, tudo o que hoje se sabe sobre o cérebro leva a pensar que é a experiência que molda a pessoa e cria os padrões a que chamamos pensamento, memória e escolha – e não os genes.»
Por outras palavras: a partir de algumas células de Hitler nunca conseguiríamos fazer uma réplica de Hitler. Concordo plenamente com o jornalista. A questão da hipotética clonagem de seres humanos deverá ser olhada com cuidado, analisada de forma calma e sensata do ponto de vista bioético e jurídico, mas sem sensacionalismos exacerbados nem temores excessivos. A experiência da ovelha Dolly constitui, de facto, um marco de inegável valor científico. No futuro, há-de ser lembrado como um dos grandes momentos da investigação científica do nosso tempo. Mas, tal como aconteceu com muitas outras assinaláveis conquistas da Ciência, da clonagem poderão resultar grandes benefícios ou grandes malefícios para a Humanidade. Depende do próprio Homem.
Quando, há alguns anos, nasceu o primeiro «bebé-proveta» na Inglaterra, levantou-se no mundo um coro de protestos semelhante ao que se levantou a propósito da Dolly. E os habituais profetas da desgraça previram consequências que não se concretizaram. Deixemos assentar a poeira. Como diz o povo, «Deus escreve direito por linhas tortas». Apetece-me contar aos leitores, a este propósito, a história do sacristão de Winchester, contada pelo escritor Somerset Maugham: um dia, o sacristão da catedral de Winchester foi despedido por ser analfabeto. Triste e amargurado, caminhava por uma longa avenida, à procura de um maço de cigarros. Não tendo encontrado nenhuma tabacaria, lembrou-se de abrir ele próprio uma. O negócio correu-lhe bem e em breve tinha várias tabacarias e até fábricas de tabaco. Tornou-se milionário, um verdadeiro «Rei do Tabaco». Numa ocasião em que estava a tratar do fornecimento de matéria-prima com um produtor americano, este passou-lhe o contrato para assinar, tendo o nosso homem respondido: «Não sei assinar. Sou analfabeto.» O americano exclamou, assombrado: «Se o senhor chegou a milionário sem saber ler nem escrever, onde estaria hoje se soubesse!» E o «Rei do Tabaco» respondeu, fleumaticamente: «Eu sei o que teria acontecido: seria sacristão na catedral de Winchester.»
Nem sempre os factos aparentemente negativos desencadeiam desgraças. Se é verdade que a dinamite inventada por Alfred Nobel pode decepar o braço do pedreiro, também é verdade que sem ela não se teriam construído os túneis dos caminhos-de-ferro de todo o mundo. E, com os lucros obtidos, Nobel ainda hoje continua a estimular o progresso científico, os estudos económicos, a literatura e a paz.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

A Taberna Típica Quarta-Feira, restaurante do sabugalense José Dias, recebeu a Confraria do Bucho Raiano para mais um almoço na capital alentejana.

Trinta convivas, entre confrades, amigos e familiares, foram até Évora no dia 21 de Janeiro, sábado, onde encheram a sala do restaurante do amigo José Dias, que prima pelo bem receber e melhor servir.
A mesa apresentava-se farta, com cogumelos recheados, bucho fatiado, presunto, torresmos, queijo assado com orégãos e azeitonas. Degustadas as saborosíssimas entradas, veio à mesa uma esplêndida sopa de grão, a que se seguiram costelas de porco grelhadas e cachaço de vitela, acompanhados por um espectacular esparregado de couve-flor e batatas assadas no forno.
O vinho foi o do conhecidíssimo enólogo Paulo Laureano, da Vidigueira, um velho amigo da casa, que por dificuldades de agenda não pode estar presente. Porém o José Dias informou que fora o enólogo a oferecer o vinho que os convivas do bucho ali degustavam. E que vinho: um reserva Paulo Laureano especial.
Para finalizar a refeição vieram as sobremesas, dentre doces tradicionais alentejanos, cerejas, morangos e frutos secos.
A hora do café foi o momento das palavras que a ocasião impunha. O Chanceler da Confraria agradeceu ao José Dias a amabilidade de receber os sabugalenses com entusiasmo e extrema atenção, proporcionando a degustação de excelentes petiscos confeccionados na sua aprimorada cozinha.
Pela mão do Grão Mestre, Joaquim Leal, a Confraria concedeu ao restaurante Taberna Típica Quarta-Feira o Diploma de Honra, atendendo ao contributo para a divulgação da gastronomia raiana e pela digna representação do Sabugal no Alentejo.
Entre os presentes esteve o juiz conselheiro jubilado Manuel Cipriano Nabais, um quadrazenho que acompanha com regularidade as iniciativas da Confraria e que ali proferiu algumas palavras para afirmar a seu apego ao torrão natal, ainda que a vida o tenha feito andar por longe.
A finalizar o José Vaz, de Vale de Espinho, brindou os presentes com dois fados cantados à capela, para gáudio dos confrades e amigos do bucho.

Reportagem fotográfica do confrade Daniel Salgueira no Facebook. Aqui.
plb

A Taberna Típica Quarta-Feira, restaurante do sabugalense José Dias, recebeu a Confraria do Bucho Raiano para mais um almoço na capital alentejana.

GALERIA DE IMAGENS  – CONFRARIA BUCHO RAIANO  –  21-1-2012
Fotos Confraria Bucho Raiano  –   Clique nas imagens para ampliar

jcl

A Finota era a jumenta velha que tinha na corte para as lidas caseiras. Fora possante e ligeira no andar, sem rival no povo, capaz de alombar com cinco feixes de ferrém e ainda com o catraio mais novo escarrapachado no coruto da carga, mas o tempo passou-lhe no pêlo e a velhice tornou-a de fraco préstimo.

Para as andanças do contrabando e do negócio lá tinha o macho, que era um vergalhudo, mas nas fainas da lavoura era a burrinha que pontuava. Só que o trabucar constante nas precisões deixaram-lhe mossa, e um dia, firmando-me no animal, notei que andava arrastando as patas, de focinho descaído, olhando o chão. O pêlo tornara-se ruçote e tomei fé de que se lhe avarangavam as patas.
– Tão afinada que era a burranca e agora está pr’áqui uma zonza de meter dó – disse-me a Belmira.
– Oh, mulher, põe-se com dono e merca-se outra!
– Tenho-lhe estima, home!.. e custa-me largar de mão a jumenta. É o mimo da canalha.
Como não era homem de demasias, uma madrugada aparelhei a burra e meti-me a caminho do mercado de Alfaiates. Cem mérreis foi o que pedi pelo animal. Mas quem queria uma burra velha, sem genica e com ares de já nem poder com a albarda? E aquela feição tristonha, as patas trôpegas, o focinho belfo, as orelhas murchas, o andar topinho…
Um negociante rogou que a desaparelhasse, para melhor exame, e pus-lhe a nu o lombo esquelético.
– É quase tão velha com’ó castelo! Atire-a pra uma barroca, que ainda serve de sustento aos lobos – disse-me.
Esmorecido, desci a parada a ver se alguém pegava ao negócio, mas não houve interessados.
E já ia de abalada quando se acercaram dois gitanos, que cobiçaram a burranca. Preado para me livrar do animal, fechei negócio por uma nota de vinte.
Algo amonado, que isto do vivo cria-nos estima, volvi a casa pensando em como acarear dinheiro para apreçar outro jerico mais forte e sadio.
Dias depois despachei dois carros de batatas para a estação da Cerdeira e, com o ganho, decidi satisfazer os rogos da mulher e dos catraios indo ao mercado de Vila do Touro, de coisa feita em trazer outra montada.
Embrenhado na feira do gado mirei o que havia. A parada estava alta para as burras mais maduras e não me agradava a ideia de levar um burranco novo e bravio. Antes queria animal amansado e afeito às fainas, de preferência uma burra, que já apanhara escaldão com burros, que só capados refreiam os maus repentes.
Após muito fairar, volvi a dar de chofre com ciganos. Um deles puxou-me pela aba do sartum para me empontar uma jumenta de pêlo luzidio e bem aparelhada, mas muito irrequieta. Fiquei de pé atrás, que nas tramas do negócio há que ter cautelas com o paleio daqueles adregas.
– Oh, compadre, não é brava a bicha! Está é pouco avezada a esta blandina, que é burra de trabalho. Puxa à carroça e até lavra junguida com uma vaca. Olhe que a merquei a um lavrador da Nave, home de muita lida!
Ora vai, ora deixa, acabei por cerrar o trato em duas notas de cem mérreis e, feliz da vida, conduzi o animal a casa, carregado com duas sacas de centeio que apreçara.
Ufano, mostrei à minha gente a nova jumenta. Acharam-na lustrosa, bonita de cabeça e azadinha para o carrego. Só o dianho da mulher lhe notou achaque.
– Ou puxas-te muito por ela na caminhada ou é chancana de têmpera. Tem tremores e quase bota fora os bofes de tanto arfar.
– Que diacho! Então não vês que marchou duas léguas ajoujada com dez arrobas?
Enfiei-a na corte, junto do outro vivo, e enchi-lhe a manjedoura de feno.
No outro dia, logo pela alba, soltei as vacas e a burra para as conduzir ao lameiro. Para meu espanto a jumenta tomou a dianteira e seguiu calmamente, tomando o destino certo. Lá chegada passou o portal e foi-se espojar na sombra de um freixo. «O raio da burra já parece conhecer o caminho e o lameiro», matutei. Chegando-me ao animal, examinei-o.
Atazanei-me e até o rosto se me afogueou. Fora aldrabado! Esta burra não era mais do que a minha Finota! Conhecia-lhe bem as mataduras das patas traseiras… Os ciganos lavaram-na, deram-lhe lustro e bachicaram-lhe o traseiro com aguarrás para ficar activa.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

A cultura helénica transmitiu-se a Roma que, vencedora no plano militar e mais adiantada na técnica da administração, se viu, no entanto, civilizacionalmente subjugada.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaEra o triunfo da máxima Graecia capta ferum victorem coepit.
Miscegenados, os padrões dos vencidos e vencedores corporizavam uma nova ideia que se expandiu por onde se estabeleceram as legiões.
Leão, na Ibéria, e Lião na Gália, serviram de núcleos propulsores a Ocidente; para o Norte, ocupou-se a Britânia, ao tempo ainda na caligem das grandes trevas; a Leste abateu-se Vercingegegorix, símbolo da primeira leva de bárbaros, impenetrável a toda a ideia de civilização; a Sul consumou-se ao delenda est Cartago e a derrota de Antioco a execução de Cleopatra e o oitavo saque de Jerusalém.
Começava, assim, a tomar corpo a ideia expressa no poema:
Venho já
Desde Maratona e Salamina
E nem a morte.
Nas Termópilas
Me cortou a rota trinfante
Os elefantes de Aníbal
Não me feriram mais
Do que o punhal
De Décio Junio Bruto.
Inimigos, conheci-os
Chamaram-se Alcibíades e Marco António…

Povos hoje de alto nivel civilizacional, apenas saíram da barbárie devido a Roma.
Transcreve-se do Bellum Gallicum, também chamado de Bello Gallico:
Horum omnium fortissimi sunt belges, propterea quod a cultuaque humanitade. Privinciae longissime absunt, minimeque ad eos mercatores, saepe commeant, atque ea, quae animos effeminant important…
Os supercivilizados belgas dos nossos dias provém de avós que, ao tempo de César, se revelavam como o mais hostil dos povos a qualquer ideia de cultura ou progresso.
Fortíssimos de corpo, viviam para a guerra contra os vizinhos: proximique sunt germanis, qui trans Rhenum incolunt, quibuscum continenter bellum gerant…
Vítimas dos seus instintos guerreiros, eram os germanos que tinham a infelicidade de lhes ficarem próximos…
Mais pacíficos não se revelavam ao tempo os suiços, a darmos créto ao mesmo César: Helvetti, reliquos gallos virtude praecedunt, quod fere quotidianis bellum.
Os britânicos, a quem é dedicado o Livro V não colhem rnelhores referências, como, de resto, sucedia também aos habitantes da Gália até agora não referidos: e com cuja enumeração se abre o livro.
Toda a Gália se divide em três partes: uma habitada pelos belgas de que já nos ocupamos; outra pelos aquitanos; a terceira por aqueles que na sua língua se designam por celtas e na nossa por galos.
Foi César quem lhe deu nome e a tirou da barbárie:
Gália ali se verá que nomeada
Com os cesáreos trinfos foi no mundo,
Que da Sequana e Ródano é regada
E do Garona frio e reno fundo.

Guerreiros, como os que se bateram ao lado de Caio Júlio César ou foram destacados para guarnecer as fronteiras do Império e partiam porque se julgavam portadores de uma doutrina e mensageiros de uma civi1ização foram os principais cabouqueiros desta segunda fase da Europa.
«Partimos em defesa dos direitos sagrados que nos são conferidos por tantos cidadãos instalados lá longe, tantos anos de presença do nosso auxílio e da nossa civilização», assim começava a carta de Marcus Flavinius, centurião da Segunda Corte da Legião Augusto a seu primo Tertullus que havia ficado em Roma…
A concessão do direito de cidadania a todos aqueles povos que se encontravam dentro dos 1imites, aliás vastissímos, do império; e a instituição do município, que ficou como a pedra angular da administração romana completaram, depois, a obra dos conquistadores.
A Europa conservou essa sábia criação do génio romano que ainda hoje constitui para a generalidade dos países que a integram a base ou mesrno a única forma aceitavél de regionalização.
Depois, veio o latim. Sofrendo, embora, o influxo das línguas locais, veio a revolucioná-las tão profundamente que algumas, sobretudo as do Ocidente, se tornaram irreconhecíveis e foram mesmo totalmente substituidas pelo latim, adaptado embora às circunstâncias da região.
Alias, mesmo o latim erudito, talqualmente o usavam Vergílio, Horácio e Vário, na poesia; César, Tito Livio, ou Cornélio Nepos, na narração histórica; ou Fedro, no fabulário, impôs-se de tal forma que ainda há pouco se podia considerar autenticamente a língua dos europeus.
Por todo o Continente, a língua latina era falada e entendida. Entre nós, André de Resende lastimava que Gil Vicenle não tivesse escrito, usando-a, os seus deliciosos autos. Como em Itália os altos espíritos se insurgiam contra o facto de Dante não ter preferido para a Divina Comedia o mesmo latim. E também o povo iletrado…
A tal ponto que não havia pessoa culta que encontrasse justificação para que o Altíssimo Poeta usasse o italiano.
Este culto tera chegado mesmo ao ridículo. Em Portugal, até os gatos miavam em latim:
Mas o gato que bem sabe
O gatesco e o latino
Lhe diz meus, mea, meum
Em vez de miau, miai, mio…

Ridicularizado, embora, ou mesmo censurado:
Da mula que faz him, him,
Da mulher que sabe latim,
E do cabra que faz mé mé,
Libera nos Domine…

Foi ele o meio de comunicação entre as camadas cultas da Europa e a língua usada nas universidades e nas sebentas…
Pela edificação de cidades, a construção de pontes, a abertura de estradas (omnes viae ad Romam tendunt), a instituição do município, as línguas novi-latinas, Roma assumia-se como a segunda grande construtora da Europa.
A primeira havia sido a Hélada; a terceira veremos que foi a Igreja…
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

As obras do balneário do Cró, da nova estrada para o Soito e sua variante foram financiadas através de empréstimos bancários e de fundos comunitários de valor superior ao seu custo total, facto que tem gerado discórdia nas reuniões do executivo camarário quanto ao uso a dar ao dinheiro excedentário.

A Câmara recebeu, por via de empréstimos bancários e dos fundos comunitários, mais 840 mil euros do que o necessário para o pagamento integral das obras. O presidente António Robalo pretende usar esse excedente para o financiamento das actividades correntes do Município, mas a oposição defende que esse remanescente deve servir apenas para amortizar a elevada dívida que a Câmara acumula.
Na reunião de Câmara do dia 18 de Janeiro, Sandra Fortuna, vereadora do Partido Socialista, formulou uma recomendação em que defende que «as verbas comunitárias recebidas como comparticipação em obras, entretanto, custeadas com recurso a endividamento externo, sejam afectas ao ressarcir da dívida contraída». A vereadora do Casteleiro estribou-se num parecer que a Câmara solicitou à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro o qual aponta para que o financiamento comunitário seja usado no ressarcimento do esforço financeiro usado.
A construção do balneário do Cró custou 5 milhões e 266 mil euros. Para financiar a obra a Câmara contraiu junto da banca um empréstimo de 3 milhões de euros e recebeu de comparticipação comunitária, através do programa «Mais Centro», uma verba de 2 milhões e 966 mil euros, o que significou ter obtido uma receita de 700 mil euros a mais do que o valor a pagar pela obra.
No caso da nova estrada do Soito e respectiva variante, a obra custou 4 milhões e 344 mil euros, para cujo financiamento a Câmara contraiu um empréstimo de 1 milhão e 732 mil, recebendo depois 2 milhões e 753 mil de comparticipação comunitária. Neste caso a dupla receita consignada foi de 141 mil euros, valor que veio a mais em relação ao necessário para o pagamento integral da obra.
No total dos dois casos o Município obteve 840 mil euros a mais do que aquilo que necessitava para pagar as obras em questão.
plb

«A escravatura humana atingiu o seu ponto culminante na nossa época sob a forma do trabalho assalariado»; Bernard Shaw (1856-1950).

O dia 18 de Janeiro de 2012, será recordado como o dia em que as «torres gémeas» da estrutura do trabalho em Portugal foi atingida pelos aviões conduzidos pelo governo, pelos patrões e por uns quantos figurões que, verdadeiramente, não se sabe quem representam. Permitam-me esta analogia. Pois, aquilo que o acordo de concertação social apresenta é um atentado terrorista ao trabalho. Sei que um acordo que seja do agrado de todas as partes é difícil, afinal, «não se pode agradar a gregos e a troianos». Mas, neste acordo, assinado sem a CGTP, mas por uma UGT engasgada, com alegria dos patrões e do governo, desculpem, só pode ser um mau acordo para os trabalhadores! E este acordo é uma novela muito interessante. Vejamos, começou com esse slogan da mais meia hora por dia, mas não paga! Os patrões vieram logo a terreiro que não concordavam. Os sindicatos fizeram o mesmo. O governo apresenta-a como irredutível. E entre mais episódio, menos episódio das reuniões da concertação social (acho um piadão a este nome!), chegou-se a esta maratona de dezassete horas dezassete de reunião da dita concertação social, para que dela saísse um documento venenoso. Menos dois dias de descanso, fim de quatro feriados, as empresas definem as pontes e podem determinar férias forçadas, as horas extraordinárias valem menos dinheiro, passa a ser mais fácil despedir e o valor das indemnizações é mais baixo. O argumento da UGT é de que se não assinassem, o governo e os patrões desmontavam todo o edifício das relações laborais e que tinham conseguido acabar coma tal meia hora… Mas será que esta gente não percebeu que esse era o engodo?! Bom, a mim parece-me que ele ajudou à explosão.
Não acredito que a política dos salários baixos, dos despedimentos fáceis e arbitrários, da perda de segurança no trabalho e de estabilidade no emprego, seja o caminho para a competitividade. O sr. Ministro da economia dizia naquele ar de quem não é de cá que, esta era a fórmula da criação de emprego! A visão ultraliberal levará, infalivelmente à pobreza e à miséria das populações. E isto não é um acaso! Quando pagar-mos para trabalhar, quando perder-mos toda a dignidade de cidadãos e mendigar-mos liberdade, então o projecto estará concluído. A ditadura não precisa de ser política ou militar. Esta é económica e financeira. E é global. Sem rostos e na obscuridade desses olimpos que ninguém sabe onde ficam. A ideia que tenho dessas figuras é a dos engravatados que aparecem na saga «Matrix»…
Para confirmar gesta ideia, foi apresentado um estudo ontem elaborado por uma universidade em que mostra que a maior parte da população portuguesa aceita um regime mais autoritário. E não é por não acreditarem na democracia, mas porque não acreditam nos políticos e nem nas instituições estatais! Dá que pensar…
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

No concelho do Sabugal há empreendimentos turísticos de elevada qualidade. Nesta crónica vou dar a conhecer o «Meia Choina» em Quadrazais que tem a particularidade de ter dado a uma das habitações o nome «Maria Mim» imortalizado pelo escritor raiano Nuno de Montemor no épico romance que retrata a vida «terrível» dos quadrazenhos do século passado.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Quando vi neste blogue a notícia de que «a Câmara Municipal do Sabugal decidiu fomentar o alojamento local nas terras do concelho, em alternativa às unidades hoteleiras tradicionais, como forma de potenciar o Turismo Rural», fiquei contente e veio-me à memória um empreendimento turístico rural do nosso concelho. Estou a falar de um empreendimento – o «Meia Choina» em Quadrazais (terra de contrabandistas e uma das 40 freguesias do nosso extenso concelho) – que, aquando da minha recente visita me deixou impressionadíssima.
Em conversa com a sua promotora, Colette Borrega Correia, esta informou-me de que este empreendimento oferece quatro casa de turismo em espaço rural – casas de campo e uma casa de prova e venda de produtos regionais –, Casa do Manego, Casa da Maria Mim, Casa da Meia Choina, Casa da Forja Frágua e Casa do Cusco.
A casa já recuperada, concluída e classificada é a Casa do Manego, tendo tido como primeiro nome «Casa da Fábrica», por outrora ter sido uma pequena fábrica de sabão pertencente José Manuel Pires Correia, avô paterno da empresária. Tal nome não pode ser registado por já existirem três idênticos em Portugal.
A tradição do contrabando deixou marcas inegáveis que perduram ainda na localidade. O dialecto quadrazenho ou gíria utilizada pelos contrabandistas é uma fenómeno linguístico único na região, daí o ter utilizado vocábulos oriundos da gíria para batizar o espaço e as ditas casas.
A casa do Manego tem uma área coberta de 180 m2 e capacidade para 8 pessoas. Possui 4 quartos, dois deles com casa de banho privativa, dois duplo, duas casas de banho sociais, uma área de convívio e cozinha. O espaço exterior tem como cenário a Serra da Malcata, a privacidade e a grande área exterior permite ao visitante uns dias de repouso e total descontração, a região oferece também algum potencial nomeadamente o Rio Côa, para a pesca desportiva e e algumas praias fluviais.
Isilda Silva

JOAQUIM SAPINHO

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