Ao balcão de um bar, enquanto refrescava o palato com um moscatel, o homem do bar tinha um desabafo, «ao ano que aí vem, não lhe anunciam nenhuma coisa boa. O melhor será prolongar este!». Apresentou, de seguida, um rol de argumentos que sustentavam a sua afirmação. Resolvi, nesse momento, que escreveria o texto deste final de ano com esse pensamento.

Voltemos o olhar para trás e, procuremos visualizar este ano que agora chega ao fim. Primeiro um olhar para Portugal. Começámos o ano com um governo e, praticamente com a certeza, que não o terminaríamos com o mesmo. Como facto do ano, marco o fim do socratismo e o início do passísmo. Também neste ano, o Sr. Silva (Presidente da República) sucedia ao Sr. Silva. Outro facto. E, referir, as mentiras que foram vendidas por um voto nas campanhas eleitorais. Entretanto a Troika aparecia por cá. E, a seu mando (ou talvez não), cortava-se em tudo e em todos (eu diria, nos que trabalham) e aumentavam-se os impostos. Mais um facto. Politicamente, este ano, marca a passagem do governo de Portugal para uns funcionários do FMI. Não relato aqui os muitos acontecimentos económicos e financeiros. Seria esgotante e monótono! Contudo, constatar, o aprisionamento da Democracia pelo dinheiro. Facto.
Neste final de ano, retiro, ainda, o vazio dos discursos políticos. Ninguém aponta, estruturalmente, uma ideia para o país. Nenhum profere uma única palavra de esperança e de confiança.
Portugal divide-se, aceleradamente, entre o litoral e o interior. Aquele, sobrelotado. Este, abandonado. O país perde tradições, saberes e sabores. Perde memória. E um país sem memória é um país sem futuro.
Quanto a nós, arraianos, pelo concelho do Sabugal, o ano decorreu envolto nas inumeráveis indecisões da formação de um executivo camarário. Nunca se sabe quem é quem! Quanto a políticas, parecem permanecer nas quezílias da «Sabugal+» e da sua administração, nos concursos e promoções… O facto é, a sensação de estagnação. Como se o concelho estivesse numa estação de caminhos de ferro, à espera de um comboio, mas por onde já não passam comboios!
Contudo, uma excelente notícia! A classificação da capeia arraiana como património cultural imaterial nacional. Foi a melhor marrada do ano!!!
No mundo, realço dois acontecimentos que marcaram este ano. O primeiro, a chamada «Primavera árabe». Marca uma página na História da Humanidade. Todavia, uma questão: para onde caminha essa primavera? Em direcção à liberdade que os fez sair à rua?
O segundo, o fracasso do ideal da União Europeia. Em consequência, o ressuscitar de velhos fantasmas, colocam a Europa perante um futuro incerto e obscuro.
Voltando ao bar, não sei se valerá a pena prolongar este ano. Prefiro acreditar que o próximo terá que ser melhor.

A todos os arraianos, a todos os portugueses, a todos os homens de boa vontade, um BOM ANO NOVO.

P.S. Declaro que sou contra o novo Acordo Ortográfico. Porque o considero um acto de terrorismo e de traição à língua portuguesa e, literalmente, um baixar de calças aos interesses brasileiros.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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