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O ministro Miguel Relvas foi hoje recebido com vaias no congresso da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), que decorreu em Portimão, sendo ainda interrompido quando discursava por assobios e palavras de ordem. A contestação à reforma autárquica anunciada pelo governo começara na manhã de hoje com uma forte vaia a João Prata, presidente da Junta de Freguesia de São Miguel (Guarda), que tomara a palavra para defender a reforma.

O ministro da Presidência afirmou que a reforma proposta pelo governo no Documento Verde «será feita com os autarcas e não contra os autarcas» e que a redução de freguesias não significará o fim da tradição municipalista.
«Vamos ser claros. Esta reforma da Administração Local é uma exigência geracional e o Governo está determinado na sua concretização», disse.
Assegurou ainda que o Governo prosseguirá a reforma, reduzindo o número de freguesias, o que lhe valeu uma forte contestação por parte dos delegados ao XIII Congresso Nacional das Freguesias, que terminou em Portimão.
Reagindo à forma como foi recebido, Miguel Relvas afirmou aos jornalistas que o clima de contestação foi gerado e estimulado, mas escusou-se a apontar culpados. «Todos estes climas são gerados e são estimulados e este clima foi estimulado. Estavam aqui vários autarcas», disse o ministro. Miguel Relvas escusou-se ainda a concretizar os mentores da contestação: «Não me compete a mim, não sou comentador político».
Durante o decurso dos trabalho do congresso, a maior vaia fora recebida por João Prata, presidente da Junta de Freguesia de São Miguel da Guarda, eleito pelo PSD, quando defendia a aglomeração de freguesias, preconizada no Documento Verde.
João Prata, de 47 anos, foi especialmente vaiado quando disse que não gostou «do tom do congresso» e recordou que nos últimos 15 anos «sempre se discutiu a reorganização do território» pretendida pelos vários governos.
«Essa reorganização é importante, tal como é fundamental a coesão social e demográfica e se isso significar que as freguesias devam ser juntas e os concelhos reorganizados, devemos encarar isso com a máxima abertura e não ficarmos enquistados e bloqueados, explicou o autarca à agência Lusa no final da intervenção.
Assumindo que apenas votará favoravelmente uma das 17 moções apresentadas, subscrita por jovens autarcas, o presidente da freguesia urbana do concelho e distrito da Guarda afirmou que as freguesias devem-se «unir e reivindicar mais competências e diferenciação».
Sobre a sua região, afirmou que se devem manter as freguesias rurais e aglutinar as urbanas, mas salientou que não o move qualquer ambição pessoal nas posições que toma, uma vez que, como autarca eleito desde 2001 cumpre o último ano de mandato.
João Prata sublinhou ainda não ter ficado ofendido com os apupos de que foi alvo e afirmou que as vaias entre congressistas são normais, mas pediu para não vaiarem o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, que encerraria o congresso ao princípio da tarde.
Pelos vistos o apelo de João Prata não foi seguido por uma boa parte dos autarcas presentes no congresso, que receberam o ministro com apupos. Alguns abandonaram a sala quando o ministro tomou a palavra e outros interromperam-no e vaiaram-no durante a sua intervenção, mau grado os apelos da mesa para a tolerância democrática dos congressistas.
plb

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Nunca fui como a cepa e o carvalho, que se pegam à terra, pois sentia o gosto façanhudo de correr o mundo à cata de aventura. Ao invés de cavar leiras ou guardar pastorias, como os mais pacatos, preferia lançar-me de fardo no costado a caminho de Espanha ou sair com o macho carregado de fazenda à cata de negócio por feiras e romarias.

Por vezes armavam-se desacatos. Um que puxa outro que deixa, e logo alguém sacava da naifa, zunia o cajado ou apelazava um calhau. Quanto a mim, meus amigos, se me soasse zoeira ou me fairasse pancadaria era certo estar lá batido, disposto a tudo. Chalaças não eram comigo, e ai daquele que me lançasse desafio.
As gentes sabiam-me justo, honrado, pacato e até simplório, mas o dianho era se houvesse escarcéu onde a minha honra, ou a de algum justo, fosse atirada à lama. Por mor de tal feitio fiz amigos e inimigos mas, há que dizê-lo, os primeiros foram mais em barda.
Até dentro de portas me metia em alhadas e aqui nem sempre as coisas corriam pelo melhor, que santos da casa, como soi dizer-se, nunca fizeram milagres.
Uma noite, em final de Verão, dormia a sono solto, estirado na enxerga e arredado da mulher, por mor do calor, quando acordei assarapantado com alta vozearia.
– Que soa, home? – perguntou-me a Belmira, também ela atordoada.
– Alguém corre as ruas do povo a armar escarcéu – disse-lhe.
Gritos, assobios, bater de tamancos, acompanhavam o roncar desatinado de um armónio. Parecia o tropear de um pelotão de desordeiros, desafiando as pobres almas da aldeia.
Pelo zoar percebi que eram os rapazes da Nave, em regresso de Vilar Maior, da festa do Senhor dos Aflitos, já bem tomados do briol.
«Esperai que já as tomais, gabirus!», pensei, ao mesmo tempo que me ergui de um impo.
– Vê lá ao que vais, cabo dos trabalhos… – disse-me a mulher, que me conhecia o génio.
Desci ao curral, onde lancei mão a um tanganho, e segui colado às paredes, tocadas pela sombra do luar.
A rapaziada assentara arraiais no adro, onde continuava cantando e bailando com estardalhaço. Na rua não topei vivalma. Seria de crer que a gente da terra se acobardava com a presença daquela súcia de pelintras? Entrei, pé ante pé, no curral do Zé Marra, à procurar reforço. Havia que incitar o povo a reagir à afronta, cair-lhes em riba e corrê-los a toque de caixa. Subi a escaleira do balcão e bati de leve na porta de castanho. De dentro tudo permaneceu mudo e quedo. Insisti:
– Ó Marra! Sou eu, o Tosca. Temos de correr com a canzoada que nos tomou o povo!
Soaram passadas. Dentro da casa soltaram a tranca e o Marra assomou-se pela fresta da porta entreaberta:
– Isto são horas de vir a casa de um cristão tirá-lo de seus cuidados?
– Ora essa, estapor! Mais cagaceira fazem os da Nave, que romperam pelas ruas a fazer escárnio da gente. Temos que os enxotar!
– Ora, deixa-os palrar. Vêm do Senhor dos Aflitos já toldados do vinho. Não os descuides que depressa seguem. Têm mais de uma légua a palmilhar.
– Conho! – exclamei, irado com a calma do meu patrício – É por estas e outras que ninguém nos guarda respeito. Home! Eles que toquem a gaita na Nave, que aqui ainda há quem mande.
Mas o desaconsuado cerrou-me a porta!
A honra obrigava-me a não desistir de espantar a corja e maluquei um plano para ensandecer a aldeia contra os atrevidos. Encostado novamente às paredes, e com cautelas redobradas, aproximei-me do adro. Tombei-me junto a uma quina, e mirei a malta que continuava a divertir-se cantando e cambaleando pelo largo ao ritmo do armónio. Só tinha de alcançar a igreja e trepar ao campanário para tocar o sino a rebate, de modo a que todo o povoado se pusesse de alevanto. O raio era chegar lá, que o maldito do tocador se sentara ao fundo da escaleira. Mas não tardou que botassem as trouxas às costas e arremetessem para mais uma ronda. Ergui-me, atravessei o largo numa carreira, e trepei a toda a brida ao alto da torre sineira. Lá chegado mandei o gadanho à corda do sino e puxei com força, disposto a bater fortes sinadas. Mas, para minha surpresa, não soaram mais que baques surdos!
Cheguei-me ao sino… Filhos da mãe! Tinham substituído o badalo por um nabo. Fiquei preado, quase disposto a romper eu só, de cajado ao alto, contra os malditos.
Do alto mirei as silhuetas da rapaziada dando a volta ao povo e depois tomando o caminho da Nave. Ainda mal refeito, regressei a casa e à enxerga, carregando a vergonha de ter sido herói de espavento.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

Quem ouvir perorar um prócere da chamada democracia representativa, de que são Eminencias os nossos actuais políticos não pode deixar de ficar impressionado com o número de vezes que é invocada a pureza do ideal, número só igualado no labéu execrado sobre os rivais, cultores da demagogia, ou pelo neófito populismo, a caracterizar tudo o que eles não querem dar ao povo…

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaDe modo que pela sucessão de repetições, o primeiro conceito se esvazia, esvaziando também os outros dois.
Mais, a democracia assim pregada acaba por confundir-se com a demagogia.
E os projectos de realizações em que se empenham acabam por redundar em culto ao populismo.
Acentua-se, por essa via, o caracter céptico da democracia representativa, que tem já o pecado original de ter nascido num tempo céptico, que fazia gala da sua falta de fé e que tudo relativizava.
Tal democracia ignora a verdade cuja procura confia a uma lei do número, que nem o é.
Por, logo à partida se cercearem as possibilidades de escolha – vício de que padecem todas as versões de democracia, ultimamente propiciadas.
Que na democracia popular é cerceada por um dogmatismo, que se não pode questionar e se traduz na deificação do chefe e que nas democracias capitalistas se consubstancia no confisco do poder pelo Capitalismo vagabundo e anónimo, que não consente mais do que um simulacro de escolha.
E sem o rei com o seu conselho e o povo sem os seus estados, dificil será enfrentar esta nova feudalidade que tira todo o sentido à verdadeira democracia.
Com efeito, esta que agora se vive em Portugal resume-se à possibilidade de votar nuns tantos caixeiriotes do Capital ou nuns sobreviventes da teoria marxista.
Esta democracia é igual à que os governos afro-asiáticos, logo a seguir à troca forçada de colonizadores, concederam aos seus povos.
Que os líbios irão ter agora, cheios de saudades de Kadafi.
Que os iraquianos vêm sofrendo depois de libertados de Sadam.
Conceder direito de voto – condicionado às escolhas não se sabe de quem – é fácil.
Estabelecer uma DEMOCRACIA PLENA é muito mais complicado, e não está nos planos dos nossos próceres, por mais que tentem convencer-nos da pureza de suas intenções. É que invocam uma legitimade que perderam no momento em que renegaram os programas com base nos quais foram eleitos.
A eleição é um contrato sintagmático. Se uma das partes falha, o contrato cessou.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

JOAQUIM SAPINHO

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