«A consciência da nossa identidade como povo obriga ao conhecimento da nossa – Cultura Rústica – não apenas das suas manifestações vivas, mas também das suas formas periclitantes ou que vivem tão-somente na memória dos mais velhos»; Michel Giacometti.

Nasceu em Janeiro de 1929 em Ajaccio – Córsega. Criado por um tio a desempenhar funções coloniais, partilha o seu universo infantil com crianças de origem espanhola e árabe.
Nos anos de 1947-1952 realiza em Paris estudos de música e arte dramática. Fundou e dirigiu revistas culturais e de poesia. Cria uma Companhia de Teatro e participa em vários estágios de arte dramática.
Viajou pelo Norte da Europa e participou em cursos de etnografia. Em todas as Ilhas da Zona Mediterrânica investiga as tradições populares.
Em boa data de 1959 veio para Portugal onde iniciou um trabalho impar e militante de investigação cultural e popular dos portugueses. Faz uma recolha musical e etnográfica e não dispõem de apoios. Mune-se de microfone e gravador com uma velha carrinha percorre este País agrícola e com muitos tradicionalismos na recolha de valores musicais populares.
Inicia a primeira campanha em 1970 no Baixo Alentejo e Algarve, percorrendo diversas aldeias.
No mesmo ano faz uma digressão pelo Alto Alentejo e visita Malpica do Tejo na Beira Baixa.
Em 1971 inicia a terceira digressão à Idanha-a-Nova – Beira Baixa. Os contactos com Fernando Paulouro, jornalista, actual Director do Jornal do Fundão e seus apoios, passam a dedicar aqui uma maior atenção. Capta a imagem e a voz de Catarina a «Chita» de Alcongosta. Regista os sons e o despique dos Bombos de Lavacolhos com os do Souto da Casa.
Em Aldeia de Joanes faz um documentário das ceifas e das sachas do milho, além de Cânticos da Quaresma nas traseiras da Casa do Cruz. Participam nestas gravações as gentes de Aldeia de Joanes cujos nomes vou registar para ficarem para memória futura. Cantaram e participaram nos trabalhos rurais: Esperança Veríssimo, Filomena Ramos, João Mendes, António Manuel Ramos, Maria da Conceição Lambelho, Francisco Marques da Cruz, Jerónimo Bernardo Lambelho, Maria do Carmo Lambelho, Ana Gonçalves de Oliveira, Etelvina Monteiro, Esperança Lambelho, José Oliveira Marques, Albino Simão Ramos, Ana Almeida e Glória Roxo Campos.
A quarta digressão é passada em Trás-os- Montes, Minho e Douro Litoral. Fez uma profunda investigação em mais de sessenta campanhas, percorreu mais de seiscentas e cinquenta povoações e recolheu mais de duas mil espécimes musicais.
A sua passagem por Aldeia de Joanes ainda está bem viva e ainda há tempos foi recordado com a exibição do documentário gravado e filmado com as suas gentes.
A Assembleia de Freguesia de Aldeia de Joanes, por unanimidade, atribui-lhe o nome de uma rua em homenagem e prova de reconhecimento por ter dado a conhecer ao mundo as canções musicais através do programa da RTP, «O POVO QUE CANTA».
Giacometti foi um génio da etnografia e da musicologia do Povo de Portugal. «O POVO QUE CANTA», nunca o esquecerá e está vivo na sua memória.
Ainda não está tudo descoberto da sua obra. Foi um romântico, um pesquisador que palmilhou os caminhos do nosso universo sonoro, à procura de tesouros, com um calendário agrícola e cristão.
No dia 24 de Novembro de 1990 faleceu em Faro. Por sua vontade está a descansar em Paz na Freguesia de Peroguarda no Alentejo.
Bem hajas caro Michel Giacometti.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

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