Não me cansarei de falar do que interessa ao meu Concelho…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»1. A reforma da organização autárquica.
Como disse há mais de um mês, se o já célebre documento verde fosse aplicado, 50% das Freguesias do Concelho desapareceriam, tal como hoje as conhecemos. Não emiti na altura qualquer opinião própria, não porque não a tenha, pois desde o primeiro momento defini de forma clara que, enquanto cidadão, enquanto sabugalense, e enquanto Presidente da Assembleia Municipal, não estaria disposto a aceitar fosse que reestruturação fosse que não passasse pela decisão dos órgãos autárquicos democraticamente eleitos, nomeadamente as Assembleias Municipal e de Freguesia.
Mas desde o primeiro momento me pareceu que aquilo era apenas fogo de vista.
E aí estão as últimas notícias para me dar razão. Ou me engano muito, ou no fim do processo, o Concelho do Sabugal terá 40 freguesias como tem hoje!
O Governo prepara legislação em que, segundo o Diário de Notícias de 29 de novembro, «Freguesias rurais (serão) aliviadas. Aperto maior nas urbanas». Para bom entendedor, meia palavra basta…
Mas se for assim, para que é que levantaram uma lebre para a qual não tinham nem cão, nem espingarda?
2. As portagens na A23 e na A25.
Mais dia menos dia, tinha de acontecer, pois as decisões estavam tomadas desde o Governo anterior.
Para o Concelho é uma má notícia e torna as coisas mais difíceis.
Mas não posso deixar de reafirmar aquilo que venho a dizer há muitos anos. As grandes vias de comunicação são importantes, mas, por si só, nada fazem pelo desenvolvimento de uma Região. Dizendo de forma mais clara. O que é mudou no nosso Concelho com a A23 e a A25 sem portagens?
Faltou uma política de desenvolvimento do interior rural português, mas faltou, sobretudo, a capacidade de no Sabugal se definirem as estratégias que permitiriam tirar o máximo proveito das novas acessibilidades.
E não vale a pena continuar a bater no tema da ligação à A23. Tivessem sido tomadas as opções corretas, e, talvez hoje já tivéssemos ligações de maior qualidade à A23 e à A25.
Mas para mim, as situações adversas não são motivo de desânimo.
Prefiro pensar na introdução das portagens como uma oportunidade de, uma vez por todas, definir um rumo para o Concelho.
Deixemo-nos de lamúrias, passemos à ação!

Ps: Não posso deixar de dizer isto. Estou farto de ser governado por “queixinhas”. Este ano fomos a eleições e a maioria dos eleitores deu o seu voto ao PSD e ao CDS para estes governarem o País. E deu-lhe o voto, quanto a mim, por duas razões principais: Porque não queria continuar a ser governados pelo PS e por José Sócrates e porque acreditavam que o PSD e Passos Coelho conseguiriam governar melhor.
Todos sabiam das dificuldades financeiras do País e todos ouvimos Passos Coelho dizer e repetir mil vezes que com ele tudo seria diferente.
Não aceito assim que se continue a desculpar com a “herança”. O PSD e o seu líder sempre disseram que a situação era muito difícil, mas que tinham soluções para, no imediato, deixarem de nos ir ao bolso e reduzir de forma significativa a despesa pública.
Seis meses depois, o “ir ao bolso” passou a ser descarado e ignóbil, e a redução da despesa faz-se sobretudo pela via de deixar de pagar metade do subsídio de Natal à maior parte dos trabalhadores por conta de outrem e dos reformados e pensionistas e para o ano os subsídios de férias e de Natal a mais de 90% dos funcionários públicos e a uma parte significativa dos reformados e pensionistas.
Quanto ao aumento da eficiência da máquina do Estado, essa sim, geradora de menor despesa, alguém a viu?

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

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