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Aventurei-me uma noite na travessia das terras raianas entre Aldeia do Bispo e Fóios, tendo por coisa feita fazer chegar a Navesfrias quatro sacas de café e dali tirar uma carga de pana e de riscado para um meu freguês de Trancoso.

Segui pelo breu nocturno, escarrapachado no lombo do macho, entre as sacas pejadas de café. Contornei Alfaiates, e o mesmo fiz em Aldeia Velha e Aldeia do Bispo, para evitar o ladrar dos cães, que podiam levantar suspeitas. Não é que tivesse receio dos guardas fiscais, que na altura fechavam os olhos ao tráfico de café, mas a verdade é que preferia que não me aparecessem ao caminho, porque só o luzir dos botões daquelas fardas de cotim, me deixava desacorsuado.
Quando atravessei a raia redobrei os cuidados, ali já não poderia contar com a tolerância das autoridades. Acrescia que os carabineiros não tinham a mansidão dos nossos fuscos. Aquilo era gente desalmada, sem coração nem fígado, sempre prontos a aliviar o negociante do seu carrego e a chapear fogo, se para isso houvesse ocasião. Para mais, naquela altura, os guardilhas espanhóis andavam preados para apanharem à mão tente um português, de modo a vingarem as bofetadas que o Manuel da Cruz, de Aldeia da Ponte, aí no atrás, espetara a um deles que o queria aprisionar.
A ida correu-me de feição e entreguei a mercadoria na aldeia espanhola, substituída pelos fardos de fazenda. Carreguei a montada e decidi retornar de imediato, sem sequer dar descanso ao animal.
Tiene atencion, que los carabineros son en la frontera – avisou-me o espanhol com quem fiz o trato – fue un gran riesco venires con el mulo, que la mayoría de los contrabandistas portugueses antes llevan la mercancía a la espalda.
Gracias, Alonso, também eu costumo andar a penates, mas o macho dá-me melhores garantias de safar a carga em caso de mau encontro.
O espanhol encolheu os ombros, e eu, que não estava para delongas, fiz-me ao caminho.
No trajecto, ainda em Espanha, meti a corta-mato, sempre com o macho de rédea, tomando uma vereda que seguia por entre giestas e pinheiros.
O céu encoberto impedia a lua de alumiar o caminho. Isso parecia dar-me segurança, mas, a dado passo, num local aberto, onde menos o previa, saíram-me ao caminho dois carabineiros:
Detiene-te, cretino!
Palavras não era ditas e já um apelazava o macho pelo cabresto e o outro me tentava lançar os gadanhos. Consegui saltar para o lado, livrando-me de ser filado à primeira. Ainda mal refeito da surpresa e beneficiando do breu nocturno, ergui a vara e mandei uma tremenda arrochada no traseiro do animal, que deu dois pulos e se pôs ao fresco, de nada valendo o esforço do carabineiro para o manter dominado. O macho arrancou para um lado e eu mandei-me para o outro, correndo a toda a brida para me escapulir. Os guardas ainda empunharam os fuzis e foguearam em minha direcção, mas a noite fechada não os ajudou na pontaria. Saindo ileso da compita retomei o caminho da raia.
Já recuperado da surpresa, vieram-me á cachimónia as palavras do Alonso que se admirava de eu contrabandear com recurso ao macho. O animal fora afinal a minha salvaguarda. Ele sabia, como eu, os caminhos que conduziam a casa, assim salvando a mercancia das garras de rapinantes que se queriam apoderar do que não era seu.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

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Repetidamente se tem afirmado que a Europa é, acima de tudo, uma unidade civilizacional.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaGeograficamente, os limites têm alguma coisa de impreciso e oscilante, não se identificando a verdadeira Europa com a dos compêndios ou a dos literados.
Detenhamo-nos na de Camões:

Entre a zona que o Cancro senhoreia
Meta setentrional do sol luzente
E aquela que, por fria se arreceia
Tanto como a do meio por ardente
Jaz a soberba Europa a quem rodeia
Pela parte do Arturo e do Ocidente
Com suas salsas ondas o Oceano
E pelo sul o mar Mediterrano.

Pela parte donde o dia vem nascendo
Com a ÁSIA se avizinha, mas o rio
Que dos montes Rifeioa vem correndo
Na Alagoa Meotis curvo e frio
As divide e o mar que fero e horrendo,
Viu dos gregos o irado senhorio
Onde agora da Tróia Triunfante
Não vê mais que a memória o navegante.

Como na tradição geográfica, o limes fixa-se a norte no Oceano, a sul no Mare Nostrum, a ocidente outra vez no mar Atlântico e a levante no rio Ural e mares de Tróia.
Mas será esta a verdadeira Europa do espírito e da solidariedade social?
Mitologicamente a bela Europa nasceu fenícia: filha de Agenor e Telefasa; irmã de Fenix, Cilix e Cadmo, o dos dentes esparzidos.
E da Ásia Menor rodou mesmo para o Norte de Africa: Urbe antiqua fuit/Tyrii tenuere coloni/Cartago…
À dimensão mítica, seguiu-se a do Império Romano. Vieram depois as de Carlos Magno e de todos os Otões. Durante séculos, os cartógrafos omitiram as terras para além do Danúbio. E para alguns pensadores, os mapas estariam certos: «Essas paragens ou nunca tiveram cunho europeu, ou cedo vieram a perdê-lo; desapareceram do devir histórico por largas centúrias; ficaram desertas, abandonadas: bosques frios, noites de lobo…
A verdadeira Europa será, de qualquer modo, a que se confundiu com o Orbs Cristianus da Meia-Idade. Do milénio que transcorreu entre as quedas das duas cidades imperiais (Roma e Constantinopla), os séculos construtores vão de 1050 a 1350, tempo de consolidação da República Christiana, a única União Europeia verdadeira até hoje conseguida. A Cristandade, que não a Igreja, e é bom não confundir as duas realidades, tentação de muitos (até bem intencionados), visava uma preocupação essencial: unificar.
Como acentua Daniel Rops, in «A Igreja das Catedrais e das Cruzadas», impôs-se então aos baptizados o sentido de uma profunda unidade.
Virgil Gehorgiu, na obra «A Juventude de Lutero», exprimia-se assim: «A palavra de ordem era REDUCERE AD UNUM: Urn só chefe: o sucessor de Pedro; uma só língua: o latim; uma só lei: a da Igreja».
Ou numa outra passagem de outro autor: «L’ideal etait de faire dependre toutes les formes de vie, avec toutes leurs valeurs et toutes leurs, vertues non pas liés, mais vassalisées, de La Cretientée…»
Todos são um corpo em Jesus Cristo, enleando-se as duas criações de Santo Agostinho: a Civitas Dei e a Civitas Hominum, quando mesmo esta resvalava para a Civitas Diaboli
Maritain apelidou esta visão de utopia teocrática, até porque guiada por santos e místicos.
Mas do que não pode haver dúvidas é que foi esta a verdadeira génese da Europa.
É certo que as actuais concepções se revelam quase antiéticas. Tanto como as da mitologia às da Igreja…
Na sociedade medieva, as relações entre os homens não eram impostas por simples exigências humanas, mas, acima de tudo, por factores religiosos. 0 Homem, em si mesmo transitório, era, porque integrado na Cristandade, parte de um tempo eterno, como que divinizado pela sua absorção no Corpo Místico. Os caminhos de Deus, mesmo quando se trilhavam as veredas do Diabo, eram a meta. A consciência do carácter efémero da vida, a convicção de que tudo na terra desaparecerá como tenda de uma só noite, a ideia de que do nascimento à morte apenas se preparavam os quatro novíssimos, dominavam a vida do homem medievo, autenticamente europeu: pertencesse ele à ordem dos bellatores (guerreiros e políticos), laboratores (os de todas as demais profissões), ou oratores (que faziam o trânsito terreal, rezando, meditando e contemplando).
São estas, queira-se ou não, as raízes espirituais da Europa, bebidas no Orbs Cristianus.
Vieram, depois, outras ideias, que hoje são também património espiritual de nós todos e cuja conciliação se torna, por vezes, bem difícil.
Desfeita aquela unidade, que só utopicamente existiu, a Europa vive nostálgica dessa idade, para si de ouro.
Pela hegemonia política ou económica, por vezes mesmo pela conquista militar, nunca mais se perdeu a ânsia de a refazer.
Fenómeno espiritual é ao espírito que cabe a sua reconstituição. Não, obviamente, à maneira medieva, que o mundo não pode viver duas vezes o mesmo momento.
Mas o espírito sopra onde e quando quer. E parece ter chegado a hora, para repetirmos com Victor Hugo: «Saudemos a aurora abençoada dos Estados Unidos da Europa».
Mas não faz mal recordarmos as raízes, até para prevenir que, como na mitologia, gere monstros.
O Minotauro nasceu, efectivamente, do adultério entre a Europa e o Touro que disfarçava Zeus.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaDepois de algum tempo de repouso na Serra da Estrela, num lugar que me é muito querido, por vir dos tempos da minha infância e por me fazer sentir mais leve e fresca, volto rumo à Ruta de los Castilhos, para levar a cabo aquilo que comecei. Neste meu deambular pelas Aldeias, Vilas ou Cidades Históricas, é o Castelo que começo por homenagear, mas não posso deixar de o relacionar e enquadrar nas povoações que a ele estão ligadas. Recordo também que, para as pesquisas necessárias, me sirvo de folhetos, livros e registos, que vou adquirindo e que já fazem parte da minha biblioteca pessoal, ou faço consultas online. Idanha é o Senhor que se segue e, para ele, espero ser digno este meu trabalho.

Idanha-a-Velha

IDANHA-A-VELHA

Se o teu Castelo, ó Idanha
Também é Torre dos Templários,
Se mostras as defesas da Vila (1)
A torre e cerca da povoação,
Pois anima-te ó Idania
Por seres tão importante
Nesse teu sangue beirão.

Se entre Guarda e Mérida
Estiveste na Via da Prata
E como cidade do Alto Império
Mostras, de então, teu valor
As riquezas encontradas
E as construções visigóticas
Consolidaram teu fulgor.

Pois então se vens de Augusto
Com seis torres e duas portas
Se foste Egitânia
Ou com os Muçulmanos Eydaiá
Está visto que vens de longe
Fortemente marcaste,
Com teu longo caminhar.

Em tempo de Afonso Henriques
Foste doado a Gualdim Pais (2)
D. Sancho te confirmou
Com merecida homenagem
Ao Mestre Lopo Fernandes
Desse tempo recolhemos teu nome
Como Torre de Menagem.

Se D. Dinis tua cerca reforçou
E depois D. Manuel
Novo Foral te concedeu
Por que em XVI adormeceste?
Pareceras esquecido
Só em XX voltaste erguido
Com Félix e Júnior renasceste.#

E quero ainda lembrar
Que cunhaste moedas de ouro
E no século XVIII
Como vila foste marcando
E se no séc XIX,
Ainda foste Concelho
Quem tão deserta te deixou ficando?

Considerada aldeia museu
Como Monumento Nacional
Como Riqueza arqueológica
Arquitectónica, prosperaste
Pitoresca, airosa
Com Fernando de Almeida
E Veiga Ferreira continuaste. (3)

Vives na história como marco
Um Monumento Nacional
Que do passado nos orgulha
Altiva mas singela
Para quem lá vive
Ou curioso te visita
És sempre grandiosa e bela.

(1) Vila Medieval.
(2) Mestre dos Templários em Portugal.
(3) Félix Alves Proença e Francisco Tavares Proença Júnior.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Ao balcão de um bar, enquanto refrescava o palato com um moscatel, o homem do bar tinha um desabafo, «ao ano que aí vem, não lhe anunciam nenhuma coisa boa. O melhor será prolongar este!». Apresentou, de seguida, um rol de argumentos que sustentavam a sua afirmação. Resolvi, nesse momento, que escreveria o texto deste final de ano com esse pensamento.

Voltemos o olhar para trás e, procuremos visualizar este ano que agora chega ao fim. Primeiro um olhar para Portugal. Começámos o ano com um governo e, praticamente com a certeza, que não o terminaríamos com o mesmo. Como facto do ano, marco o fim do socratismo e o início do passísmo. Também neste ano, o Sr. Silva (Presidente da República) sucedia ao Sr. Silva. Outro facto. E, referir, as mentiras que foram vendidas por um voto nas campanhas eleitorais. Entretanto a Troika aparecia por cá. E, a seu mando (ou talvez não), cortava-se em tudo e em todos (eu diria, nos que trabalham) e aumentavam-se os impostos. Mais um facto. Politicamente, este ano, marca a passagem do governo de Portugal para uns funcionários do FMI. Não relato aqui os muitos acontecimentos económicos e financeiros. Seria esgotante e monótono! Contudo, constatar, o aprisionamento da Democracia pelo dinheiro. Facto.
Neste final de ano, retiro, ainda, o vazio dos discursos políticos. Ninguém aponta, estruturalmente, uma ideia para o país. Nenhum profere uma única palavra de esperança e de confiança.
Portugal divide-se, aceleradamente, entre o litoral e o interior. Aquele, sobrelotado. Este, abandonado. O país perde tradições, saberes e sabores. Perde memória. E um país sem memória é um país sem futuro.
Quanto a nós, arraianos, pelo concelho do Sabugal, o ano decorreu envolto nas inumeráveis indecisões da formação de um executivo camarário. Nunca se sabe quem é quem! Quanto a políticas, parecem permanecer nas quezílias da «Sabugal+» e da sua administração, nos concursos e promoções… O facto é, a sensação de estagnação. Como se o concelho estivesse numa estação de caminhos de ferro, à espera de um comboio, mas por onde já não passam comboios!
Contudo, uma excelente notícia! A classificação da capeia arraiana como património cultural imaterial nacional. Foi a melhor marrada do ano!!!
No mundo, realço dois acontecimentos que marcaram este ano. O primeiro, a chamada «Primavera árabe». Marca uma página na História da Humanidade. Todavia, uma questão: para onde caminha essa primavera? Em direcção à liberdade que os fez sair à rua?
O segundo, o fracasso do ideal da União Europeia. Em consequência, o ressuscitar de velhos fantasmas, colocam a Europa perante um futuro incerto e obscuro.
Voltando ao bar, não sei se valerá a pena prolongar este ano. Prefiro acreditar que o próximo terá que ser melhor.

A todos os arraianos, a todos os portugueses, a todos os homens de boa vontade, um BOM ANO NOVO.

P.S. Declaro que sou contra o novo Acordo Ortográfico. Porque o considero um acto de terrorismo e de traição à língua portuguesa e, literalmente, um baixar de calças aos interesses brasileiros.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Tinha elaborado um texto sobre a PAZ para lembrar a todos os meus Leitores, que no primeiro dia de cada ano civil, celebramos o «DIA MUNDIAL DA PAZ», que deve estar na preocupação de cada ser humano. Porém, entendi substituí-lo por um texto maravilhoso e actual, um hino à PAZ, que o Bismulense – José Maria Fernandes Monteiro, meu saudoso Pai, que agora faria 107 anos – escreveu na década de setenta do século passado, muito bem inserido no Livro Pater Famílias, da autoria do meu irmão Ezequiel Alves Fernandes, que poderá brevemente fazer uma terceira edição. Com humildade e respeito, vou transcrevê-lo:

O que é a Paz
A Paz é a ausência de guerra.
A Paz é não sermos racistas.
A Paz é a confiança entre todos.
A Paz é a amizade entre as nações.
A Paz é a família a conversar.
A Paz é todos sermos felizes.
A Paz é igualdade, liberdade e fraternidade.
A Paz é quando os filhos beijam os pais quando chegam do trabalho.
A Paz é a Noite de Natal.
A Paz é Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Paz é o riso das crianças
A Paz é uma rosa a desabrochar.
A Paz é uma criança a dormir.
A Paz é a luz do sol que nos ilumina.
A Paz é fazermos bem a quem nos faz mal.
A Paz é cuidar dos pobres.
A Paz é o casamento entre homem e mulher.
A Paz é consolar os que sofrem.
A Paz é dar de comer aos famintos.
A Paz é vestir os nus.
A Paz é quando não destruímos a vida.
A Paz é quando vivemos na graça de Deus.
A Paz é a melhor coisa deste mundo.

Acabamos de festejar o nascimento do Mensageiro da Paz, e, conforme nos indicava o Profeta Isaías «todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo, e tornar-se-ão pasto de chamas, porque um Menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. É O PRINCÍPE DA PAZ.»
Muitas famílias neste País acenderam e acendem uma vela, como um gesto de PAZ e de solidariedade para com a Cáritas, numa Campanha da «Distribuição da Luz da Paz». É um símbolo da verdadeira luz e representa a vontade de construir um novo mundo de justiça e PAZ.
«Bem-aventurados os construtores da PAZ.»
Desejo a todos os meus amigos e leitores um Novo Ano com muita saúde e as maiores felicidades pessoais. Que todos nós no dia-a-dia façamos um grande esforço para a construção desse bem que é a PAZ. BOM ANO 2012.
António Alves FernandesAldeia de Joanes

Os vereadores do executivo municipal do Sabugal eleitos do PS e pelo MPT uniram os votos para chumbar a proposta do presidente da Câmara que pretendia aumentar o quadro de pessoal do Município no próximo ano, criando lugares para mais 15 funcionários.

Conjuntamente com a proposta de orçamento para 2012, que foi aprovada, o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, levou para a reunião do executivo do dia 7 de Dezembro um novo mapa de pessoal para o ano que vem, tendo porém o mesmo sido reprovado pela oposição, que considerou não se justificar o aumento dos gastos em pessoal numa altura de forte contenção orçamental.
Seriam mais 15 os postos de trabalho a ocupar na Câmara, nas áreas de Relações Públicas (1), Geografia (1), Economia e Gestão (1), Gestão de Recursos Humanos (1), Assessoria Jurídica (1), Sociologia (1), Secretariado e Comunicação (1), Assistente Técnico Administrativo (3), Encarregado Geral (1), Assistente Operacional (3) e Coordenador Técnico de Informática (1).
Os vereadores Sandra Fortuna, Francisco Vaz e Luis Sanches (eleitos pelo PS) e Joaquim Ricardo (eleito pelo MPT) criticaram fortemente a proposta apresentada, que equivaleria a um agravamento nas despesas com pessoal muito significativo, assim se explicando a razão pela qual o orçamento continha uma rubrica designada «recrutamento de pessoal para novos postos de trabalho» a qual tem previstos gastos que rondam os 90 mil euros. A oposição aventou ainda tratar-se possivelmente de garantir lugares seguros a pessoal que já trabalha na câmara em cargos de nomeação politica e outros seriam para «pagar» promessas de emprego a apoiantes políticos, pois só assim se pode explicar querer aumentar os quadro do pessoal da autarquia numa altura de forte contenção orçamental e quando a Câmara Municipal vive uma situação dificílima do ponto de vista financeiro.
Os quatro vereadores da oposição (os três do PS e Joaquim Ricardo) votaram contra a proposta, tendo votado favoravelmente os três eleitos pelo PSD.
plb

Porque um novo ano se anuncia, é altura de expressar os meus desejos.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»1. A nível nacional
– Que uma fada boa entre na cabeça dos nossos governantes e lhes faça ver que «há mais vida para lá da crise…»;
– Que os empresários portugueses percebam que “há mais vida para lá do desemprego e do lucro fácil…
– Que os cidadãos portugueses saibam lutar pelos seus direitos e participem cada vez mais na definição do futuro deste País, logo do nosso futuro comum.

2. A nível concelhio
– Que o Executivo Municipal perceba que se torna urgente definir uma estratégia de desenvolvimento do Concelho do Sabugal;
– Que o mapa administrativo final do Concelho reflicta a vontade das populações residentes;
– Que os autarcas eleitos e os serviços públicos em geral saibam encontrar as formas de melhor servir os cidadãos, numa política de proximidade e melhor acessibilidade;
– Que não se agravem as situações de exclusão social dos sabugalenses mais vulneráveis num ano em que as condições de vida vão piorar.

3. A nível pessoal
– Que não se agrave a saúde da minha mulher e se afastem as dúvidas que ainda pendem sobre a minha;
– Que a minha mãe continue viva e presente;
– Que mantenha os amigos e recupere alguns que a vida afastou.

Ps: Chegado ao Sabugal para passar o Natal, chamam-me a atenção para um presépio de grandes dimensões que os jovens escuteiros construíram no Largo da Fonte. Ali me desloco e deparo com uma das peças partida por uma garrafa de cerveja que ali ainda permanece.
Sinal dos tempos…, diremos, mas uma questão só: as autoridades policiais não se preocuparam em recolher a garrafa e retirar impressões digitais porquê?

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

A escolha da personalidade do ano 2011 foi muito fácil e evidente. A silhueta de um nome destaca-se na paisagem raiana pelo mérito e reconhecimento que recebeu durante o ano que agora termina. Estamos a falar do poeta, escritor, jornalista e cronista Manuel António Pina. Quis o destino que este ilustre português, nascido em terras raianas do Sabugal, fosse galardoado, em 2011, com o Prémio Camões, a mais importante distinção para autores de língua portuguesa. «A vida é um rio que corre para a nascente», destacou Manuel António Pina, no Sabugal, na apresentação do seu mais recente livro «Como se desenha uma casa».

Manuel António Pina - Sabugal

Os homens temem as longas viagens,
os ladrões da estrada, as hospedarias,
e temem morrer em frios leitos
e ter sepultura em terra estranha.

Por isso os seus passos os levam
de regresso a casa
às veredas da infância,
ao velho portão em ruínas; à poeira
das primeiras, das únicas lágrimas…

Manuel António Pina é a escolha (natural) do Capeia Arraiana para «Personalidade do Ano».
O jornalista, cronista, escritor e poeta nasceu a 18 de Novembro de 1943 na vila do Sabugal, terra de origem da família materna enquanto o pai é oriundo de Aldeia Viçosa, no concelho da Guarda. Por força da profissão do pai, que tinha de mudar de serviço e de localidade cada seis anos, Manuel António Pina saiu do Sabugal ainda menino, precisamente aos seis anos de idade, passando a andar de terra em terra e de escola em escola. Do Sabugal foi para Castelo Branco, depois para a Sertã, Cernache de Bonjardim, Santarém, de novo Cernache do Bonjardim, Oliveira do Bairro, Aveiro e Porto, onde acabou por se fixar aos 17 anos. Entretanto licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e dedicou-se à escrita e ao jornalismo. 
Em 1971 ingressou no Jornal de Notícias onde foi editor e chefe de redacção. Actualmente publica diariamente na última página do diário portuense uma coluna de opinião com profundo sentido crítico sobre os grandes temas da actualidade nacional e internacional.
A sua obra, traduzida em várias línguas, divide-se entre a poesia, a literatura infanto-juvenil, o teatro, a crónica e a ficção. Autor de livros para a infância e juventude e de textos poéticos com um estilo único onde «brinca» com as palavras e os conceitos num permanente trocadilho aliado ao «jogo da imaginação».
O Prémio Camões, criado em 1989 por Portugal e pelo Brasil para distinguir um escritor cuja obra tenha contribuído para a projeção e reconhecimento da língua portuguesa, foi-lhe atribuído por unanimidade do júri hoje reunido no Rio de Janeiro.
«A decisão foi consensual e unânime, numa reunião que durou menos de meia hora», diz o comunicado do júri que atribuiu a Manuel António Pina o Prémio Camões, o maior galardão literário de língua portuguesa.
«É a coisa mais inesperada que poderia esperar. Nem sabia que estava hoje a ser discutida a atribuição do prémio», disse Manuel António Pina quando tomou conhecimento da atribuição do Prémio Camões.
O presidente da República, Cavaco Silva, felicitou o escritor Manuel António Pina pela atribuição do Prémio Camões 2011, principal distinção no meio literário lusófono. «A atribuição deste Prémio é o reconhecimento da relevância nacional e internacional que a sua obra representa na literatura em língua portuguesa e é, sem dúvida, um motivo de grande orgulho para todos os que apreciam a sua escrita», refere a mensagem de Cavaco Silva, também divulgada no site da Presidência da República. O chefe de Estado sublinhou que esta distinção «honra a literatura Portuguesa».
Em entrevista ao Capeia Arraiana, em Março de 2009, confessa que «a recordação mais antiga que tenho de mim mesmo é uma criança de dois ou três anos, de chapéu de palha na cabeça, ao pé de uma fonte, acho que uma fonte de mergulho, circular, num largo talvez em frente de minha casa. Outra criança tira-me o chapéu da cabeça e atira-o à água. Eu – acho que sou eu essa criança – exijo-lhe que o vá buscar e mo devolva. O outro miúdo não o faz, e afasta-se rindo. Então, cheio de orgulho ferido, eu regresso a casa». Um pouco mais à frente acrescenta que todas as outras memórias que tem do Sabugal «são imagens confusas do passado, misturadas com sentimentos presentes de que falo em outros poemas: «Lugar» (de «O caminho de casa») «[Lugares da infância]» (de «Um sítio onde pousar a cabeça»), e ainda «O quarto cor-de-rosa» (sobre a casa onde nasci, que é hoje da mãe da Natália), «Branco», «Forma, só forma» e «Um casaquinho preto» (sobre o casaco, na verdade uma pequenina casaca de cerimónia, feita pela minha «ti Céu», que ainda tenho e que vesti aos dois ou três anos numa festa de Carnaval no Sabugal)».
«Nesta casa nasceu o escritor e jornalista Manuel António Pina» testemunha a placa colocada ao lado da porta da casa onde nasceu o ilustre sabugalense. A homenagem promovida pela Junta de Freguesia do Sabugal teve lugar no dia 4 de Abril de 2009. Os actos da homenagem a Manuel António Pina centraram-se no Auditório Municipal do Sabugal, onde teve lugar uma palestra de Arnaldo Saraiva e a peça de teatro do grupo portuense «Pé-de-Vento». O programa incluiu, ainda, o descerrar de uma placa e visita à casa onde nasceu, troca de lembranças e oferta de livros do escritor à biblioteca municipal no salão nobre da Câmara do Sabugal, e a finalizar um porto de honra com uma mesa de luxo repleta de iguarias na Casa do Castelo.
Em 2010 a Câmara Municipal da Guarda, criou, em homenagem a Manuel António Pina, um prémio literário com o seu nome, que distinguirá anualmente, e de forma alternada, obras de poesia e de literatura. Ainda em homenagem ao escritor sabugalense realiza-se na Guarda um ciclo cultural repleto de actividades.
Galardões: 1978, Prémio de Poesia da Casa da Imprensa («Aquele que quer morrer»); 1987, Prémio Gulbenkian 1986/1987 («O Inventão»); 1988, Menção do Júri do Prémio Europeu Pier Paolo Vergerio da Universidade de Pádua, Itália («O Inventão»); 1988, Prémio do Centro Português para o Teatro para a Infância e Juventude (CPTIJ) (conjunto da obra infanto-juvenil); 1993, Prémio Nacional de Crónica Press Club/ Clube de Jornalistas; 2002, Prémio da Crítica, da Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários («Atropelamento e fuga»); 2004, Prémio de Crónica 2004 da Casa da Imprensa (crónicas publicadas na imprensa em 2004); 2004, Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2003 (Os livros); 2005, Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores/CTT (Os Livros); 2011, Prémio Camões.
jcl

«As comemorações dos 200 anos das Invasões Francesas e a importância da região raiana nas movimentações militares» foram eleitas pelo Capeia Arraiana como o Acontecimento do Ano.

Batalha do Gravato - Sabugal

As cerimónias oficiais da evocação da Batalha do Sabugal no sítio do Gravato tiveram início no dia 2 de Abril de 2011 no Auditório Municipal do Sabugal.
O professor Adérito Tavares abriu «as hostilidades» explicando (como só ele é capaz) o «expansionismo napoleónico na Península Ibérica: o princípio e o fim». Já no dia anterior, sexta-feira, no mesmo local, uma plateia repleta de alunos das Escolas do Sabugal tiveram oportunidade de aprender com o ilustre historiador natural de Aldeia do Bispo. Seguiu-se o lançamento dos livros «A Batalha do Gravato – Narrativas do famigerado combate do Sabugal» da autoria de Manuel Morgado e Marcos Osório e de «Sabugal e as Invasões Francesas» de Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, Joaquim Tenreira Martins e Paulo Leitão Batista. O prefácio e a apresentação do livro escrito a «três mãos» esteve a cargo do filósofo e pensador sabugalense mestre Jesué Pinharanda Gomes.
No sábado, dia 2 de Abril, pelas 14 horas, teve lugar a inauguração da exposição, designada «A defesa da Fronteira da Beira», no Museu Municipal do Sabugal. No Auditório Municipal, decorreu o lançamento de dois livros dedicados às invasões. O primeiro, intitulado «A Batalha do Gravato – Narrativas do Famigerado Combate do Sabugal», da autoria de Manuel Morgado e Marcos Osório e o segundo, intitulado «Sabugal e as Invasões Francesas», sendo seus autores Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, Joaquim Tenreira Martins e Paulo Leitão Batista, e foi apresentado pelo escritor e pensador sabugalense Jesué Pinharanda Gomes. No prefácio da obra o ilustre filósofo diz-nos: «A aventura ou gesta relativa às invasões, focalizando o caso específico do Sabugal, encontra-se reconstruída e descrita neste livro, cujo epílogo põe a nossos olhos o fim, sem remissão, do General Massena, incapaz de satisfazer o projecto do Imperador, e dessa atroz figura do «Maneta», o famigerado Loison. Tudo com o fim na Batalha do Sabugal, junto ao Coa, em 3 de Abril de 1811. Fim militar, ou politico-militar, porque a outra «invasão», a ideológica, a da recepção dos ideários da Revolução Francesa (frutificante entre nós a partir de uns dez anos mais tarde, 1820), achou na presença militar franco-inglesa, oportuna sementeira.»
O livro, editado pela Orfeu, tem três autores, o que proporciona perspectivas diferentes do que foi o Sabugal no contexto das invasões napoleónicas.
Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão descreve em pormenor a Batalha do Sabugal, acontecida em 3 de Abril de 1811. Explica as movimentações de retirada do exército de Massena, descreve o local onde se deu a batalha e as forças em presença, decifra os planos de Wellington para o confronto e a forma como realmente a batalha ocorreu. Os textos são complementados por croquis muito elucidativos, onde se observam os movimentos planeados e as manobras que foram de facto executadas.
Joaquim Tenreira Martins escreve sobre o Sabugal no tempo de Napoleão. Explicita o contexto histórico em que aconteceram as invasões francesas, com destaque para a terceira, que foi a que mais afectou a região do Sabugal. Desenvolve uma sugestiva e interessante tese acerca das duas «tentações» de Massena em diferentes momentos do movimento de retirada. Descreve o contexto em que aconteceu a Batalha do Sabugal e pormenoriza os planos e os movimentos das tropas que se digladiaram depois em Fuentes de Oñoro.
Paulo Leitão Batista traça alguns retratos do que foram as movimentações militares, os combates e os actos colaterais, tendo por cenário Riba-Côa e em especial as terras raianas do Sabugal. Descreve episódios pouco conhecidos e traça o perfil de alguns dos famosos generais que por aqui passaram em campanha.
Ainda no auditório teve lugar um Encontro Temático dedicado às invasões com as comunicações a cargo de Adérito Tavares: «O expansionismo napoleónico na Península Ibérica: o princípio do fim»; Joaquim Tenreira Martins: «Sabugal e as tentações de Massena na terceira Invasão Francesa»; José Alexandre Sousa: «Condicionalismos humanos e naturais numa acção militar – o combate do Sabugal a 3 de Abril de 1811»; Paulo Leitão Batista: «O Sabugal e a quarta Invasão Francesa»; e José Paulo Ribeiro Berger: «A importância da ponte sobre o rio Côa no Sabugal para o êxito do exército aliado na perseguição a Massena».
Às 21 horas um concerto pelo Ensemble da Orquestra Sinfónica do Exército encerrou as cerimónias desse dia.
No domingo, dia 3, os sinos das igrejas do Sabugal repicaram às 9:30 horas, seguido da inauguração de um memorial no sítio do Gravato, com presença militar.
Às 11 horas foi inaugurado um monumento evocativo da Batalha na rotunda de entrada no Sabugal, da autoria do escultor Augusto Tomás, seguida de cerimónia de homenagem aos mortos e evocação histórica pelo Tenente-Coronel Urze Pires.
Às 12 horas foi celebrada missa pelos mortos em combate. À tarde decorreu no castelo uma recriação das comemorações da vitória.

Assim é com todo o mérito que destacamos as comemorações do bicentenário da batalha do Gravato como o Acontecimento do Ano.
jcl

O ano que agora finda foi rico em acontecimentos no concelho do Sabugal, na região e no país, que sucessivamente reportámos no Capeia Arraiana. Ao longo do ano, e até ao momento, foram editados 1.142 posts, com notícias, artigos de opinião, imagens fotográficas e em vídeo, que deram azo a uma profusão de comentários, que por sua vez proporcionaram um debate salutar. Apresentamos seguidamente uma retrospectiva do que foi o ano de 2011 no Capeia Arraiana.

JANEIRO
O início do ano 2011 ficou marcado pelas eleições presidenciais, que se realizaram em 23 de Janeiro e em que Cavaco Silva foi reeleito, derrotando à primeira volta os restantes candidatos: Manuel Alegre, Fernando Nobre, Francisco Lopes, José Manuel Coelho e Defensor de Moura. No concelho do Sabugal Cavaco Silva alcançou 3.622 votos, que corresponderam a 63 por cento.
António Dionísio foi eleito provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal, o que aconteceu após um período de indefinição e de ausência de listas concorrentes. O candidato do PS à presidência da câmara nas eleições de 2009, regressou assim à vida pública, após ter superado um problema de saúde e de ter renunciado ao lugar de vereador.
Também a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal teve eleições para os órgãos sociais, igualmente após um período em que não apareceram Listas concorrentes. Luís Carlos Carriço viu-se «obrigado» a manter o «fardo» que já carrega há 25 anos. Ramiro Matos manteve-se como presidente da Assembleia Geral. A novidade foi António Robalo, presidente da Câmara Municipal, que passou a ocupar o lugar de presidente do Conselho Fiscal.
Nos dias 14 e 16 de Janeiro o Sabugal recebeu a segunda edição da Taça Hugo dos Santos em Basquetebol, que se realizou no Pavilhão Municipal, contando com a participação das equipas do Porto, Benfica, Académica e Vitória de Guimarães.
O governo anunciou que as auto-estradas SCUT passariam a ter portagens a partir de 15 de Abril. Porém as vicissitudes do processo fariam com que as portagens apenas fossem introduzidas no final no ano.

Joaquim RicardoFEVEREIRO
O vereador Joaquim Ricardo bateu com a porta, abandonando as funções de vereador em permanência, rompendo assim o acordo que acertara com o presidente António Robalo, e com base no qual garantira uma maioria política estável na Câmara do Sabugal. «Sem estratégia, sem condições, sem equipa… enfim, sem rumo, não me restava outra alternativa senão apresentar a minha demissão», disse Joaquim Ricardo num comunicado contundente e muito duro para com António Robalo, ao qual este nunca viria a responder publicamente.
Soube-se em Fevereiro que o concurso para a concessão da exploração comercial e turística do balneário termal do Cró, lançado no final de 2010, ficou deserto. A falta de investidores interessados em explorar o Cró levaria à sua exploração pela própria autarquia, através da empresa municipal Sabugal+.
Com as obras de construção da ligação à A23 paradas desde o final do ano anterior, o presidente da Câmara do Sabugal prestou declarações à agência Lusa, onde defendeu que deveria ser o governo a assumir a continuação das obras, cujo custo anteviu entre 10 a 15 milhões de euros. Segundo o presidente, a Câmara gastou na obra um milhão e 200 mil euros, valor contestado pelos vereadores da oposição que consideram que esse valor apenas respeita aos protocolos assinados com o exército, faltando contabilizar os trabalhos de «administração directa».
Os municípios que integram o sistema intercamarário de fornecimento de água anunciaram pretender denunciar o contrato com a empresa Águas do Zêzere e Côa. Essa foi a reacção, face a um novo aumento nos preços do fornecimento de água, que os municípios consideraram gerador da sua asfixia financeira.

MARÇO
No dia 5 de Março realizou-se o II Capítulo da Confraria do Bucho Raiano, cuja primeira parte teve lugar no Sabugal, com a cerimónia de entronização, e a segunda parte no Soito, com recepção na Junta de Freguesia e almoço no Restaurante «O Martins».
Foi criada a Rede de Judiarias de Portugal, da qual o Sabugal não fez parte, mau grado o património histórico de origem judaica que o concelho dispõe. Na escritura estiveram os municípios de Belmonte, Castelo de Vide, Freixo de Espada à Cinta, Guarda, Lamego, Penamacor e Trancoso, bem como as Entidades Regionais de Turismo de Douro da Serra da Estrela, Lisboa e Vale do Tejo, Oeste, Alentejo e Algarve, assim como a Comunidade Judaica de Belmonte. A Câmara do Sabugal viria a aderir só no final do ano.
O Bucho Raiano foi candidatado ao Concurso das 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa, num processo organizado pela Câmara Municipal do Sabugal com o apoio da Confraria do Bucho Raiano. O bucho não seria seleccionado pelo júri para a segunda fase do concurso, contudo foi marcada uma posição, colocando-se esse prato típico ao lado das outras ementas tradicionais da gastronomia nacional.

ABRIL
O mês de Abril ficou marcado pelas cerimónias oficiais da evocação do bicentenário da Batalha do Sabugal. No Auditório Municipal o professor Adérito Tavares explicou o «expansionismo napoleónico na Península Ibérica» perante uma plateia repleta de alunos. Fez-se o lançamento do livro «Sabugal e as Invasões Francesas», de Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, Joaquim Tenreira Martins e Paulo Leitão Batista. O prefácio e a apresentação do livro estiveram a cargo do filósofo e pensador Pinharanda Gomes, a que se seguiu um colóquio dedicado às invasões e à batalha do Sabugal.
No dia 6 de Abril o Secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, veio ao Sabugal, onde defendeu que o Interior do país «nunca esteve tão bem em termos de atenção e de investimentos concretos, como está agora».
Depois do chumbo a um projecto de plantação de eucaliptos em Santo Estêvão, a Câmara do Sabugal decidiu dar luz verde a um projecto similar na Quinta de Valverdinho, na freguesia do Casteleiro, o que gerou polémica.
A queda do governo de José Sócrates e a consequente marcação de eleições legislativas antecipadas para o dia 5 de Junho, levou à definição das listas de candidatos a deputados. O PSD indicou para cabeça de lista pelo círculo da Guarda o politólogo Manuel Meirinho, natural da freguesia do Soito, concelho do Sabugal. Já o PS incluiu na lista pelo mesmo círculo a vereadora do PS na Câmara do Sabugal, Sandra Fortuna, natural do Casteleiro.
O director do Teatro Municipal da Guarda, Américo Rodrigues, recebeu no dia 25 de Abril a Medalha de Mérito Cultural atribuída pela Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, que disse tratar-se de uma homenagem «sentida, profunda e sincera», que enaltece o trabalho cultural realizado pelo agraciado nos últimos 30 anos.

MAIO
O mês de Maio ficou marcado pelo anúncio de que o escritor Manuel António Pina foi o vencedor do Prémio Camões 2011, o mais importante galardão da língua portuguesa. Nascido na vila do Sabugal no dia 18 de Novembro de 1943, sucedeu na atribuição do prémio, entre outros, a Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Jorge Amado, José Saramago, Eduardo Lourenço, Pepetela, Sophia de Mello Breyner, Agustina Bessa-Luís e António Lobo Antunes.
Na Câmara Municipal do Sabugal soaram as campainhas de alarme com a informação de que a autarquia ultrapassou o valor limite de endividamento fixado na lei do Orçamento do Estado para 2011. Nos termos da Lei o Município do Sabugal não pode apresentar um endividamento líquido superior a 7.243.561 euros, porém o valor da dívida líquida ultrapassa esse valor, atingindo já os 7.628.169 euros.

JUNHO
As eleições de 5 de Junho determinaram uma viragem política, com a queda de Sócrates e a ascensão de Passos Coelho. No distrito da Guarda o PSD alcançou três deputados, o que constituiu um resultado histórico, alterando o tradicional equilíbrio (2 e 2) com o PS. O PSD venceu em todos os concelhos do distrito e no concelho do Sabugal obteve 3472 votos (48,20%) contra 2004 (27,82%) do PS.
No dia 12 de Junho, foi apresentado o livro «Forcão – Capeia Arraiana», da autoria de António Cabanas e Joaquim Tomé, o que aconteceu no Auditório Municipal do Sabugal.
O primeiro-ministro, Passos Coelho, anunciou no seu discurso de tomada de posse, no dia 22 de Junho, que não iria nomear novos governadores civis, pondo termo a um lugar político que há muito se anunciava como sendo a extinguir.
Na Assembleia da República a deputada social-democrata Assunção Esteves foi eleita à primeira volta para presidir ao hemiciclo, após a tentativa gorada da eleição da primeira escolha de Passos Coelho, o médico Fernando Nobre. A antiga juíza do Tribunal Constitucional é a primeira mulher a ser eleita presidente da Assembleia da República.
A Assembleia Municipal do Sabugal decidiu, por unanimidade, atribuir ao escritor sabugalense Manuel António Pina a medalha de mérito cultural do Município, aprovando assim uma proposta apresentada pelo presidente da Câmara.

JULHO
Os dados dos Censos 2011 indicam que o concelho do Sabugal perdeu 2327 residentes em dez anos. A actual população residente é constituída por 12.544 habitantes, contra 14.871 em 2001. A população portuguesa regista 10.555.853 indivíduos e cresceu 1,9 por cento em dez anos.
A 4 de Junho o Capeia Arraiana noticiou que a Inspecção-Geral da Administração Local (IGAL) estava na câmara Municipal do Sabugal, no âmbito da realização de uma inspecção ordinária aos serviços da autarquia, apontando-se ainda as áreas a auditar.
Poucos dias após o início da verificação da IGAL, o inspector informou o presidente da Câmara que os dois vogais da empresa municipal Sabugal+ estavam em incompatibilidade de funções, devendo ser reposta a legalidade, o que obrigou a uma quarta mudança no Conselho de Administração da empresa em menos de dois anos. Vítor Proença e Fernanda Cruz abandonaram os lugares que ocupavam no Conselho de Administração, que passou a ser presidido pela vice-presidente da Câmara, Maria Delfina Leal, e tendo por vogais o vereador do PSD Ernesto Cunha e o professor Amândio Simão Pires.
No dia 23 de Julho a foz do rio Côa subiu à nascente. Uma delegação de autarcas de Vila Nova de Foz Côa vieram até ao Sabugal e aos Fóios, onde visitaram o local onde nasce o rio e estreitaram contactos com os autarcas sabugalenses.

Capeia Arraiana - SabugalAGOSTO
No início de Agosto soube-se que o investidor privado da parceira público-privada Côa Camping SA, que tem por objectivo a construção e exploração de um parque de campismo e caravanismo no Sabugal, desistiu do investimento, o que inviabiliza o projecto acordado com a Câmara Municipal do Sabugal.
A meio do mês chegou a notícia de que o Ministério da Educação iria encerrar mais escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, três das quais no concelho do Sabugal: as escolas básicas de Aldeia da Ponte, Rapoula do Côa e Vila Boa.
O dia 12 de Agosto de 2011 foi memorável para o Sabugal. Pela primeira vez a cidade raiana foi palco de um início de etapa da Volta a Portugal em Bicicleta, a que se juntou a transmissão em directo de um programa televisivo a partir do Largo da Fonte.
Agosto foi, como é da tradição, o mês das capeias arraianas, que se realizaram nas diversas aldeias, culminando no também já indispensável festival «Ó Forcão Rapazes», que se realizou em Aldeia da Ponte, onde os capeadores de nove povoações do concelho do Sabugal mostram como se lida o toiro com o forcão.

SETEMBRO
Setembro começou com uma notícia triste para os sabugalenses: a morte, no dia 9, de José Gonçalves Sapinho, de 73 anos, nascido no Sabugal, ex-presidente da Câmara Municipal de Alcobaça e deputado à Assembleia da República.
Soube-se que os funcionários da Câmara Municipal do Sabugal teriam de repor parte dos vencimentos recebidos, em consequência de uma indevida aplicação do Sistema de Avaliação dos Funcionários da administração Pública (SIADAP) e da alteração à posição remuneratória.
Nos dias 24 e 25 de Setembro, a aldeia histórica de Sortelha, antiga vila e sede de condado, reviveu os tempos áureos, o que foi testemunhado por um mar de gente que ali foi para visitar a feira medieval.

OUTUBRO
Em Outubro falou-se no Documento Verde da Reforma da Administração Local, apresentado pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que estabelece critérios para a redução de juntas de freguesias que, aplicadas ao distrito da Guarda, fazem desaparecer 212 freguesias, num total de 336. No concelho do Sabugal desaparecerão 20 freguesias, o que corresponde a metade das que o concelho tem actualmente.
A Confraria do Cão da Serra da Estrela realizou a cerimónia de entronização da confraria e dos seus confrades no dia 23 de Outubro, na aldeia histórica de Sortelha, local onde a agremiação tem a respectiva sede.
O Tribunal de Contas decidiu que o presidente da Câmara Municipal do Sabugal e os demais vereadores vão ter que pagar multa por terem autorizado trabalhos a mais na empreitada do Balneário das Termal do Cró, em vez de lançarem novos concursos de adjudicação. A multa a que cada vereador está sujeito vai de 1.530 a 15.300 euros.
A apresentação do relatório de gestão financeira da Câmara Municipal do Sabugal por parte do Revisor Oficial de Contas na reunião de Câmara de 27 de Outubro, levou os vereadores do Partido Socialista, e o vereador eleito pelo MPT, Joaquim ricardo, a tomarem posições formais com fortes críticas à situação financeira do Município

Santo Condestável - Pinharanda GomesNOVEMBRO
O início do mês ficou marcado pelo anúncio de que o Sabugal tem o melhor queijo de cabra do país. Trata-se do queijo «Quinta da Cabreira», produzido pela Lactibar, em Rendo, que foi distinguindo como o «Melhor Queijo 2011» na categoria «Queijo de Cabra (cura prolongada)» no concurso da Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL).
Os oito séculos de História Autárquica do concelho do Sabugal foram assinalados no dia 10 de Novembro, agora chamado «Dia do Concelho». Em sessão solene foi entregue a medalha de mérito cultural do município ao escritor Manuel António Pina.
O tradicional almoço de bucho que a Confraria do Bucho Raiano organiza anualmente em Lisboa realizou-se no sábado, dia 12 de Novembro, juntando cerca de 70 confrades e amigos das terras raianas.
A Câmara Municipal do Sabugal anunciou que vai arrancar com a requalificação das margens do rio Côa, no percurso defronte da cidade, entre a Ponte do Açude e a Praia Fluvial, numa obra cujo orçamento ultrapassa os 500 mil euros.
A capeia arraiana, tourada popular exclusiva das terras raianas do concelho do Sabugal, foi registada como Património Cultural Imaterial no Inventário Nacional do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), tendo em conta o seu valor enquanto manifestação popular e etnográfica.
O filósofo e pensador, Jesué Pinharanda Gomes, natural de Quadrazais foi homenageado pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) no dia 19 de Novembro, recebendo a Medalha de Mérito Cultural. No mesmo dia foi anunciado que cerca de 40 personalidades da cultura de Portugal, Espanha e Brasil propuseram ao reitor da Universidade de Lisboa a atribuição do doutoramento Honoris Causa a Pinharanda Gomes.

Porticos A23DEZEMBRO
No dia 8 de Dezembro começaram a ser cobradas portagens nas SCUT. Na Auto-estrada da Beira Interior (A23) as portagens custam 9 cêntimos por quilómetro, tornando-se numa das auto-estradas mais caras do país.
O Movimento Sim – pela criatividade em Portugal, anunciou que «O Maior Madeiro do País», de Penamacor, foi eleita a tradição de Natal mais criativa de Portugal, após uma votação através da Internet.
Os ladrões de cobre deixaram a Bismula e Ruivós sem telefones. Munidos de motosserras cortaram os 20 postes que suportavam os 2.100 metros de linha telefónica entre as duas aldeias do concelho do Sabugal, deixando as populações sem comunicações.
A 14 de Dezembro, a Assembleia Geral da Rede de Judiarias de Portugal aprovou, por unanimidade, em Trancoso, a adesão dos Municípios de Sabugal e de Alenquer.
plb

Realizou-se no dia 26 de Dezembro, na Casa do Castelo, uma tertúlia que teve por objectivo pensar o desenvolvimento do Sabugal com base no turismo cultural.

Com a recente adesão do Sabugal à Rede de Judiarias, uma nova oportunidade se abriu em termos de turismo cultural – este foi o mote para a tertúlia que juntou empresários do concelho cuja actividade se insere neste sector económico.
Depois de expostas as razões que motivaram esta iniciativa, iniciou-se uma discussão aberta onde surgiram várias ideias, entre as quais a de lançamento de um movimento de iniciativa empresarial local. Os presentes concluíram, que esta é uma oportunidade para lançar o concelho do Sabugal no mercado internacional, tendo por base a promoção do imenso património histórico e arquitectonico judaico existente no concelho.
Foram várias as ideias que surgiram, sendo de realçar a forte convicção de que se queremos enfrentar a crise em que vivemos e criar novas oportunidades de negócio. Sendo necessário um espírito de cooperação, felizmente os presentes reconheceram que nas presentes circunstâncias não existe concorrência entre eles mas sim complementariedade, sendo reconhecido pelos presentes que o trabalho em grupo pode trazer vantagens para todos.
O grupo de empresários presente, pode garantir estadia a mais de 200 pessoas em simultâneo, lugares em restaurantes superior a este número, guias turísticos com conhecimento do património e história, rotas de carácter cultural que podem ocupar turistas durante mais de cinco dias e qualidade de prestação de serviços que se pode equiparar ao que de melhor se faz no mundo.
Esperamos em breve contar com a aderência a este grupo de algumas empresas que virão, sem dúvida, colmatar algumas lacunas em termos de prestação completa de serviços aos turistas que nos visitem.
No final foi reconhecido unanimemente que temos um bom ponto de partida para estabelecer parcerias e colaborações entre os presentes, que em breve serão formalizadas e estrategicamente efectuadas.
Assim se deu início a uma dinâmica que se deseja que no futuro venha estimular o desenvolvimento do nosso concelho.
Kim Tomé

Há poucos dias fui contactado por dois jovens dos Foios, Ernesto e Guilherme, para me perguntarem se autorizava que dois guitarristas, amigos, pudessem dar um concerto, entre o Natal e o Ano Novo, no auditório do centro cívico.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaConfesso que fiquei algo surpreendido mas a minha resposta, depois da devida autorização, transformou-se num elogio porque, sinceramente, não esperava que tivessem tanta sensibilidade e tanto interesse pela música.
Pedi ao Ernesto que elaborasse um cartaz, para a respectiva divulgação, o que, de facto, aconteceu. Na impressora da Junta de Freguesia tirámos alguns exemplares que eles se encarregaram de afixar nos lugares do costume.
Chegou o dia (26/12/2011) e a hora do concerto e verifiquei que os jovens andavam preocupados e empenhados para que tudo corresse bem.
Os jovens músicos chegaram cedo e jantaram com os amigos dos Foios.
Por volta das 21,30 horas as pessoas começaram a chegar, ao centro cívico, na expectativa de poderem ver alguma coisa que justificasse a saída de casa, numa noite pouco convidativa, visto que a temperatura rondaria os zero graus.
Mas os dois aquecedores, que haviam sido ligados uma hora antes, criaram um ambiente agradável já que o auditório também está devidamente construído e a contar com as intempéries.
Os dois jovens músicos apresentaram reportórios algo diferentes mas os dois entusiasmaram as cerca de oitenta pessoas que se dignaram comparecer e que, certamente, não deram o tempo por mal empregue. Notou-se nos aplausos.
De referir que da Bendada também se deslocou um razoável número de pessoas. Ou não fosse a Bendada uma terra de músicos.
Cabe, aqui e agora, referir o nome do Luis Andrade que muito tem contribuído para que a Bendada – e o concelho – tivesse levado o nome aos mais diversos pontos do País e do estrangeiro. A banda é uma embaixada que merece o carinho de todos nós.

Por certo um dos executantes foi precisamente o Diogo, filho do Luis, que provou que filho de peixe sabe nadar.
Por alguma coisa o Diogo Andrade é professor na Academia de Música e Dança do Sabugal e membro da Sociedade Filarmónica Bendadense.
O outro jovem, de Celorico da Beira, de nome António Alexandre Loio Monteiro tem também formação superior e tocou e cantou alguns números da sua própria autoria.
Foi, sem dúvida, algo de diferente aquilo que nos ofereceram, nesta quadra natalícia, e fazemos votos para que serões como este se voltem a repetir.
Um especial agradecimento aos jovens dos Foios, Ernesto, Guilherme e Armando que trabalharam e organizaram para que tudo tivesse corrido com correu.
É de todo conveniente que os jovens vão tendo ideias e coragem para as concretizar. Convém que não sejam sempre os mesmos. Os tais mesmos cá estarão sempre dispostos a colaborar e a estimular os mais novos.
Ficou combinado que, lá mais p’ra frente, provavelmente na Primavera, voltaríamos a encontrar-nos e desta vez também com músicos de Malcata visto ser uma freguesia com a qual também mantemos excelentes relações.
Obrigado a todos e um Feliz Ano de 2012.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Muito provavelmente para o Caos. Quando falamos de civilização, ou seja, quando o discurso político e científico fala dela, usa-a como sinónimo de progresso e evolução, mas será o que está a acontecer presentemente?

António EmidioEu creio que esta nossa civilização, este mediático estádio avançado de sociedade, de cultura e tecnologia nos está a conduzir a uma barbárie. O primeiro sintoma nota-se na desumanização e nas condições de vida da maior parte da humanidade, se isto sucede é porque a nossa civilização não está ao serviço do bem e da felicidade do homem, está ao serviço do egoísmo, do espírito de lucro e da luta de todos contra todos, por isso lhe chamam a civilização dos negócios, onde a liberdade de expressão comercial e empresarial já entrou em conflito com a liberdade de expressão como Direito Humano. Está mascarada de Democracia e de Estado de Direito, máscaras essas que enganam muita gente e são o ardil usado pela classe política (alguma), classe empresarial e comunicação social.
A nossa civilização trouxe-nos um elemento que só por si demonstra o seu carácter destrutivo e a sua falência, falo do medo do futuro, esse medo já se apoderou da mente do homem actual, do homem do principio do século XXI.
Neste processo niilista a nossa civilização continua a usar termos que noutros tempos ainda não muito distantes (até aos anos 80 do século passado) tinham um significado inequívoco, como Democracia, Liberdade e Direitos Humanos, o que é que isso significa hoje? Simplesmente palavras para os corifeus da comunicação social e, manipulações para os senhores do poder e do dinheiro.
O que significa a Democracia no actual momento histórico? O governo dos detentores do poder económico, que em instituições que o homem comum não sabe o que são, nem para que servem, os detentores desse mesmo poder fazem leis à revelia de qualquer parlamento, leis essas que se transformam em factos consumados e irrevogáveis! A Democracia já se converteu numa Oligarquia. Isto querido leitor(a) aconteceu na antiga Roma, também se passou da Democracia à Oligarquia, com essa mudança depressa chegou ao fim. Quero sublinhar que presentemente o imperialismo alemão já nos vai dizendo e, mostrando, que nesta Europa só tem direito à Democracia quem tiver dinheiro. E o que nos acontecerá quando o poder económico e a sua comunicação social fizerem uma aliança com o poder militar?
Outra catástrofe se avizinha, o Aquecimento Global, segundo a Agência Internacional de Energia Atómica, o Mundo encontra-se no limite de segurança devido à quantidade de emissões de dióxido de carbono enviadas para a atmosfera, mas nada faz parar o homem… Novas guerras e novos holocaustos se avizinham, Estados Unidos e Israel preparam-se para atacar o Irão, este tem o apoio da Rússia e da China. Se isso vier a acontecer, oxalá que não, veremos pela televisão muita inteligência, muita tecnologia para matar mais, a maior distância, de forma mais rápida e cruel!
Querido leitor(a), americanos e europeus convenceram-se que foram eleitos por Deus para governarem a Humanidade, esta visão, a principio vem de um conceito puramente religioso de Cristandade (católicos e protestantes) que depois se acentuou mais com o avançar da ciência e da tecnologia.
O Ocidente ainda é poderoso, mas o seu domínio está a decair.
Não sei, ninguém sabe como será o Mundo que se avizinha, mas possivelmente os poderosos do Ocidente, os poderosos, politica, económica e militarmente ainda estão convencidos de que eles e os seus sucessores governarão o Mundo pelos séculos sem fim. Convencem-se de que a marcha da História através do tempo e do espaço se pode parar como quem para um relógio…

Não peço para um futuro longínquo, peço simplesmente que vós administradores deste Blog, juntamente com os seus colaboradores(as) e leitores(a), tenhais um bom ano de 2012.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Apenas com os votos favoráveis do PSD, as propostas de orçamento e de Grandes Opções do Plano (GOP) para 2012 da Câmara Municipal do Sabugal foram aprovadas, dada a abstenção do vereador eleito pelo MPT, Joaquim Ricardo, tendo os eleitos do PS optado pelo voto contra. Tanto Joaquim Ricardo como os vereadores do PS apresentaram documentos elencando as razões que justificaram as opções de voto tomadas na reunião o executivo municipal realizada no dia 26 de Dezembro.

Joaquim Ricardo, embora optando pela abstenção, teceu fortes críticas ao documento e apresentou algumas propostas de alteração que foram aprovadas por unanimidade por todos os elementos do executivo. O contributo foi apresentado em nome do «Movimento Independente que tenho a honra de liderar», disse o vereador, que teceu fortes críticas às opções contidas nas propostas de orçamento apresentado.
Para Joaquim Ricardo o desequilibro nas tendências entre receitas e despesas previstas levam-no a concluir que «caminhamos a passos largos para uma situação de bancarrota se não forem tomadas medidas do lado da despesa de molde a diminui-la e ao mesmo tempo implementar outras do lado da receita, de molde a aumentá-la». As receitas próprias enfermam de problemas de subfacturação, nomeadamente no serviço de abastecimento de água ao domicílio, devido aos desperdícios verificados e que tardam em ser resolvidos. Por outro lado há receitas irreais, como as provenientes do parque eólico, a que corresponde uma receita prevista de 958 mil euros, quando em 2011 essa mesma receita foi de apenas 217 mil. Quanto às despesas correntes o vereador critica a sua estrutura, notando o facto de ser cada vez maior o peso relativo das despesas com o pessoal e das aquisições de serviços como a compra de água, tratamento de afluentes e consumo de electricidade para iluminação pública.
Joaquim Ricardo criticou especialmente as GOP para 2012, que, em sua opinião, ficam muito aquém das reais necessidades do concelho. «Precisamos urgentemente é de pessoas e estas só se fixarão se houver empregos que sustentem as suas famílias», afirmou na sua declaração, considerando que a falta de população é o «maior flagelo» que o concelho enfrenta. «Olhando para as GOP´s de 2012 no valor de cerca de 12 milhões de euros, não detectamos uma única iniciativa potenciadora da criação de empregos», declarou o vereador na sua apreciação.
Com vista a melhorar as opções estratégicas que sustentam o orçamento, apresentou um conjunto de propostas, nomeadamente o «Sabugal 2020 – Plano Prospectivo e Estratégico para o Concelho», instrumento de apoio essencial para a tomada de decisões para um «rumo seguro». Outra proposta foi a da execução do «Plano para o Uso Eficiente da Água», elaborado por uma equipa por si liderada enquanto esteve na Câmara com funções executivas, e já aprovado pelo executivo, mas que ainda não foi implementado. O vereador independente propôs ainda a elaboração e execução de um plano de «poupança energética» para o concelho com vista a reduzir substancialmente a despesa corrente, a opção por um novo traçado em perfil de via rápida para as ligações Sabugal–Guarda (A25) e Sabugal–Covilhã (A23), a requalificação da avenida de S. Cristóvão no Soito, a construção de um pavilhão multiusos, o avanço da segunda fase da requalificação das margens do Côa e a requalificação da entrada sul da cidade do Sabugal.
Os socialistas, pela voz da veradora Sandra Fortuna, criticaram igualmente o documento, usando como mote a frase «este nunca seria o nosso orçamento». Consideraram que se verifica um corte insuficiente nas despesas correntes, de apenas de 4% face ao orçamento de 2011, o que é incompreensível quando se sabe que a Câmara não vai pagar os subsídios de férias e de natal aos funcionários por imposição do Orçamento do Estado, o que por si só geraria uma redução mais significativa. Por outro lado as despesas correntes são quase metade das despesas do Município (47,64%), seguindo uma tendência de aumento do peso relativo deste tipo de despesa em detrimento das despesas de capital, «numa espiral que só demonstra o desnorte a que chegou esta Administração PSD», dizem os socialistas no documento que apresentaram para justificarem o seu voto contrário à proposta do presidente.
Os socialistas enumeram um conjunto de opções vertidas no orçamento para 2012 que nunca tomariam se tivessem a responsabilidade da gestão da Câmara, como o aumento em 14,4% das despesas com o funcionamento da Assembleia Municipal, sem qualquer justificação plausível, e a redução das despesas de pessoal em apenas 5,2%. Outra opção que os socialistas afirmaram que não tomariam é a do aumento em 32,5% nas despesas de consumo em energia eléctrica, assim como o aumento em 40,4% nas despesas com «juros e outros encargos». Outro erro apontado é o do decréscimo em 16% nas despesas de capital, o que demonstra a incapacidade para a aplicação criativa dos recursos disponíveis, o mesmo se passando com a previsão de 2,5 milhões de euros de despesa na rúbrica «outros», o que revela «uma atitude reiterada de falta de transparência democrática». Alertam ainda para a falta de preocupação social e a muito fraca aposta na promoção do concelho, acção tida por estratégica no discurso do presidente, mas que não se traduz na preposta de orçamento que apresentou. Em resumo, os socialistas falam em «orçamento fictício», que é «fruto da imaginação de quem, não tendo nada para apresentar, constrói castelos na areia», sendo ao mesmo tempo um «Orçamento de quem já desistiu de construir um Concelho do Sabugal melhor». Os socialistas concluem a sua declaração de voto lamentando a «forma secreta e tardia como elaboraram este Orçamento».
O Orçamento do Município e as GOP, que foram aprovados na reunião do executivo, serão agora apreciados e votados na reunião da Assembleia Municipal, que se realizará no dia 30 de Dezembro.

Declaração de voto dos vereadores socialistas. Aqui.
Declaração de voto do vereador Joaquim Ricardo. Aqui.
plb

Atendendo ao sucesso e à grande afluência que tem tido o evento «Botânia», os gerentes da CriarteCôa decidiram prolongar o prazo até fins de Janeiro de 2012.

(clique nas imagens para ampliar.)

O evento «Botânia» conforme foi noticiado na altura teve o seu início no dia 19 de Novembro com uma inauguração que contou com a presença de mais de 100 admiradores e admiradoras que muito elogiaram a beleza das plantas exibidas. A partir daí muitos têm sido os visitantes com uma afluência diária considerável para o meio populacional no qual está integrado.
A posterior aquisição de árvores, plantas e flores por parte dos clientes, levou a que a CriarteCôa tivesse, por várias vezes, de renovar o seu stock, para manter um número considerável de plantas em exposição, contando agora com uma maior gama de peças expostas, pois poderão ser apreciadas palmeiras, coqueiros, tangerineiras, limoeiros, figueiras, oliveiras, plantas exóticas, bonsais e outro tipo de plantas de pequeno e grande porte.
Como complemento expositivo estiveram disponíveis, também, arranjos de Natal, centros de mesa, vasos e outras decorações.
Neste período de Festas Natalícias e de final de ano, não perca a oportunidade de visitar e talvez adquirir uma planta ou centro de mesa, decorar a sua casa ou para oferecer como sinal de amor e gratidão, àquela pessoa especial.
Isilda Silva

Será que as três moiras ainda lá continuam encantadas dentro daquele barroco da Serra d’ Opa? Será que ainda saem de lá todas as noites, à meia-noite em ponto? Será que o príncipe árabe que ficou de vir libertá-las já apareceu e as levou?

Tudo isso se passava na Serra d’Opa. Já conto, mas, primeiro, quero pôr os pontos nos «is» acerca do nome da serra.
Cada terra pronuncia a seu modo. Muitos de vocês chamam a este monte a Serra da Opa. Da. Outros chamam-lhe, na melhor das circunstâncias, Serra de Opa. De.
Muito de vocês impuseram isso na blogosfera. Pior: já levaram a coisa para documentação oficial. Sei, por exemplo, que há em Penamacor uma Associação de Produtores Florestais da Serra da Opa. Da. Estão a ver? É assim que as coisas se deterioram.
Pois bem: estou farto de ler e calar. Chegou a minha vez de pôr os pontos nos is.
Em toda a vida, o Povo do Casteleiro – que, a par dos Povos do Vale de Lobo (Vale da Senhora da Póvoa), do Terreiro (das Bruxas) e da Moita (Jardim) são as pessoas que mais de perto lidam com a mesma serra e sabem o seu nome e lhe chamam, tanto quanto sei, Serra d’Opa. Nada de «de» e muito menos de «da»: «d’Opa», lido como «Dopa». Ponto. Não cedo mais. Passo a falar (escrever) da Serra d’Opa e nada mais.
Acho que se no Casteleiro alguém disser «da Opa» é logo olhado de esguelha.

A lenda
Agora, a lenda. Cai bem, em época natalícia, trazer aqui um mito que nos encantava a meninice. Muita gente «sabe» que ali há moiros. Mas a história que se conta não é a mesma em todas as aldeias dos arredores. Cada terra tem a sua lenda. Neste caso, sei, por exemplo, que na Moita se fala de um moiro encantado Não tem tanta graça, temos de concordar. Pode ler isso aqui, de onde retirei a foto.

A lenda que me contavam era outra, com muita piada, mas, sobretudo, com muito «suspense» à mistura. Era contada em voz baixa aos miúdos de cinco, seis anos, com os olhos muito arregalados, todos a imaginar as cenas lá longe (era tão longe), bem lá no cimo da Serra d’Opa (aí uns 600 metros de altitude, imaginem…).
Então a história era assim:
– Há muitos anos, quando ainda havia moiros, antes de eles fugirem, ficaram lá em cima três moiras. Jovens e muito bonitas. As moiras vestiam sempre vestidos brancos. Eram três e não havia lá mais ninguém. E sabes onde é que elas estavam? Dentro de um barroco muito grande que lá há.
(Paragem minha, hoje: sempre quis ir lá ao barroco. Mas acreditam que nunca subi a esta serra? Fui à do barroco riscado «ver» a rocha onde estava gravada a frase «Bem haja quem me virou que já há tantos anos deste lado estou»; fui ao Cabeço Pelado; fui à Serra da Presa; fui várias vezes à Serra da Vila – de Sortelha. Mas nunca subi à das três moiras encantadas. Retomo a narrativa:)
– As três moiras nunca podiam sair de dia. Nem podiam ver a luz do Sol. Só podiam sair do barroco encantado de noite e só quando havia luar. E todas as noites à meia-noite elas saíam, vestidas de branco e vinham cá fora pôr a roupa a corar à luz da Lua. E a dançar. Elas todas as noites dançavam as danças dos moiros lá em cima, ao pé do barroco. E quem as queria ver tinha de ir de dia lá para cima e ficar lá escondido e depois, à meia-noite, espreitar. Mas nunca lá foi ninguém, porque as moiras eram encantadas e se alguém as visse desfaziam-se logo no ar. E ainda hoje estão à espera do moiro que fugiu da guerra que cá havia e que ficou de cá voltar para as vir buscar.

…Imaginam a pequenada a ouvir tal história de encantar?
Eu nunca me fartava de que ma repetissem noite após noite.
E bem me lembro das tantas vezes em que antes da meia-noite vinha à janela espreitar lá para cima a ver se via as moiras encantadas e a dançar ao luar.

Nota:
Quando, há cerca de um ano, fui desafiado a escrever neste sítio, o Casteleiro tinha aqui apenas 50 referências em quatro anos. Hoje tem 100. Um crescimento de 100% num ano. Valeu a pena, pelo menos em termos de estatística: a ideia era pôr o Casteleiro neste mapa. Dos conteúdos, cada um falará. Note que no mesmo período as referências às seguintes terras cresceram como indico: Sabugal – 10%; Soito – 18%; Sortelha – 14%; Aldeia da Ponte – 10%; Aldeia do Bispo – 3%. Isto, para referir apenas as que registei na altura neste mesmo sítio.
Boas Festas para todos.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Pela meada de Dezembro, botou-me a mulher à luz outro catraio. Com este já eram cinco os que faziam algazarra e a largueza do casebre era pouca para dar poiso a tanta gente.

Numa noite o crianço berrava e galreava desenfreado, sendo de todo impossível pregar olho. Não tive remédio senão pegar na samarra e ir direito à corte, deixando a mulher entregue àquela praga. Peguei numa facha de palha trigueira, espalhei-a pelo chão, e ali me espojei junto do macho, a matutar se valeria a pena trazer mais vidas ao mundo.
Sendo o frio de rachar, apertei a samarra e cheguei-me para a roda do macho, meu velho companheiro de muitas aventuras. E não é vergonha contá-lo, que já Nosso Senhor, quando veio encarrapato ao mundo, não teria sobrevivido não fora o bafo de uma vaquita e dum burreco que o aqueceram naquela fria manjedoura de Belém.
Noite alta, fui acordado por estranho arruído. Fitei a orelha e quedei-me atento. Pareceu-me que alguém tentava abrir o cancelo do curral. Levantei-me de manso e botei as mãos ao cajado, não fosse gabiru que viesse a roubar os ovos da capoeira. Apercebi-me depois que alguém entrava no curral. Esperei e, quando senti passos próximos da corte, abri num repente a porta e saltei para fora de arrocho em riste.
– Eh, ladrão! Ficas quedo ou já te vindimo!
O vulto começou a dar ao satrás e, tropeçando num cepo, emborcou na gamela dos porcos.
– Ai, ai, ó ti Zé! Não me derranque que sou eu!
– Mas, és tu quem, estafermo? Vinhas aos ovos das pitas? Eu já te canto o fado.
– Não me dê, ti Tosca, não me dê! Sou o Manel Lapinhas!
Fiquei embasbacado. Então que fazia o filho do meu grande amigo Tomé Lapinhas ali no meu curral?
– Tu, rapaz? Que buscas aqui a esta hora da noite?
– Vinha a ver se por aqui tinha umas leias ao descuido para segurarmos uma carrada de paus pró madeiro – disse-me o galfarro, a modos que medroso, pois nem a todos agrada a lide dos moços da aldeia que, nas noites que antecedem a do Sagrado Nascimento, pilham lenha para a amontoarem no adro e lhe apicharem lume à hora da missa do galo.
– Ora essa, e não dizias água vai? Eu te arranjo o que procuras.
Voltei-lhe as costas e enfie-me na corte, a fim de encontrar as cordas de encarrar.
Demorei-me um gorcho, que um homem raro encontra à primeira aquilo de que tem precisão, e quando volvi com as leias nos braços reparei que o moço já não estava no curral. Soaram baques e falas curtas, vindos do exterior, pelo que me apressei a abri o cancelo, reparando que meia dúzia de rapazes rodeavam um carro de vacas pejado de lenha que seguia ladeira abaixo.
Estive para correr a trás dos tratantes, para recuperar a lenha que certamente me surripiaram da moreia enquanto fui ver das cordas, mas lembrei-me da tradição de Natal e do tempo em que também eu fora moço solteiro e tivera por igual missão acarear a lenha para aquecer o Menino.
Volvi a entrar no curral e lancei o reparar na moreia da lenha, tomando fé de que me haviam surripiado uma boa dúzia de trepolas de castanho.
Conformado e sentindo que a frealdade da noite se me entranhava no corpo, voltei a tombar-me ao redor do macho, e ali adormeci enlevado na recordação dos meus tempos de cachopo.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

Poetas e prosadores, ensaístas e filólogos, não se têm dado sossego na análise e aprofundamento do conceito de mito.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaPara Fernando Pessoa o mito é o nada que é tudo, para Almeida Garrett, trata-se de palavra grega que em tudo se mete e com a qual se procura explicar o que não tem explicação; os dicionários consideram-no feito fabuloso atribuído a divindades ou personagens que são divindades desfiguradas, para ensaístas, trata-se de narração de factos ou tempos que a história não esclarece e contendo ora um facto real convertido em noção religiosa, ora a invenção de um facto com o auxílio de uma ideia.
Mais aprofundadamente, há quem o defina como preciência, ou seja como um estádio que acabará por desembocar no conhecimento racional, depois de visionado profética e simbolicamente.
Quanto à Europa, numerosos mitos constam da Epos: o do nascimento (filha de Agenor e Telefasa, reis para lá do Ponto Euxino); o das suas relações de parentesco (irmã, pelo menos, de Fénix e de Cadmo); o de objecto de rapto, atribuído a Júpiter disfarçado de touro; o do encontro das tábuas do destino; o da rememoração de êxtase genesíaco e o invento da vaca amoldável; o do nascimento do Minotauro; a cornucópia da amalteia…
Esta última, por símbolo de todas as abundâncias, parece ter ficado para sempre ligada à ideia de Europa.
Assim, pelo menos, a têm encarado os filhos dos demais continentes, em corolário a ela recorrentes nas épocas de crise.
Aliás, a imagem vem de longe e nem sequer Camões, mau grado a sua precária existência, lhe sofreou reflexos.
A de portadora, não das tábuas da lei, que talvez mais legitimamente se podia arrogar, mas de detentora das chaves do destino mundial é prerrogativa que se julga real, até quando os planos de domínio se gizam extramuros, como aconteceu depois da Segunda Guerra Mundial com os eixos do poder desfocados para a América ou a Rússia, mais asiática que europeia.
Aqui, regressa-se a outro mito: o das origens. Filha de Fenícios, irmã da própria Fénix, a Europa sempre guarda alguma coisa de asiático, mesmo que seja por simples reacção.
Cadmo também deixou marcas. Mais uma vez nos socorremos de Camões:

Ó míseros cristãos, pela ventura,
Sois os dentes de Cadmo desparzidos
Que uns aos outros vão dando a morte escura
Sendo todos de um só ventre produzidos.

As guerras entre europeus, os mestres as apelidavam de guerras civis. Por vezes, a identidade de objectivos assume a natureza de falácia.
Eu e o meu Primo Francisco I, dizia Carlos V, temos uma ideia que nos une: ambos queremos Milão… Só que esta união gerava o fratricídio.
Simultaneamente, fastos e nefastos se revelavam também os mitos ligados ao touro joviano e suas repercussões.
A Europa corre o mundo sobre o rapto de Júpiter; ou nostálgica de genesíaca sensação… suas redomas.
As atitudes diametralmente opostas nasceram da mesma ideia.
A vaca amoldável em que a Europa se refugiava para novamente atrair o touro divino assemalha-se às couraças materiais com que pretende acobertar-se; ou a desvirtuamento espiritual que algumas vezes torna a regra.
União monstruosa gerou para a lenda do Minotauro, para a História tem já sido a origem de inenarráveis tragédias.
Os conflitos internacionais (e bastará citar as chamadas guerras dos cem, trinta e dos sete anos, as campanhas napoleónicas, a primeira e segunda grandes guerras), as questões religiosas e ideológicas que repetidamente têm ensanguentado a túnica que se pretenderia branca e inconcussa desta velha Alma Mater de civilizações, não passam de monstruosas criações geradas por cópulas igualmente monstruosas.
Para as evitar, urge purificar os mitos e, passando-os da fase presciente à do pleno conhecimento substituí-los pelas grandes ideias que estão na base do europeísmo: a cultura greco-latina, as sublimidades do cristianismo, o primado do espírito.
Não para combater a técnica e a revolução material. Mas para as colocar no seu papel de servidores do homem.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaLa Ruta de los Castilhos, parou um pouco, para descansarem também as pedras e olharmos todos a Luz que vem do Céu. Sim, urge que a terra, o mar, todo o universo e todos os homens olhem essa luz, que urge voltar a brilhar em todos os corações, numa época em que já não vemos as pedras, nem nos deliciamos com o cheiro da natureza, por falta de tempo. Parece que chegou o tempo em que cada um de nós deve olhar à sua volta. Ao Capeia, a todos os colaboradores, leitores, sabugalenses ou não, deixo os meus votos de um Natal cheio de bênçãos do Menino, que não podemos esquecer, e que cada um olhe também o seu interior e pare para pensar como pode ajudar a salvar o planeta.

À ESPERA DO NATAL

As virgens descuidaram-se
Faltou o azeite nas candeias
E a noite voltou
Tremenda e fria…
O jovem rico
Procurou o Mestre
Porém a riqueza levou-o
De regresso aos seus bens.
… … … … … …

Mas estes não são só os de ontem…
É o egoísmo hodierno
O consumismo atual
O individualismo
Os (des) valores instalados
Que oprimem o homem
O ofuscam
E tiram o brilho às estrelas.

A sociedade
Cada vez mais maltrata
Esquece
Pisa
E multiplica
Os desfavorecidos…
É preciso que o choro lindo
Naquela pequena gruta
Ecoe, rompendo a noite gélida
Como se a última estrela
Deixasse surgir
A luminosidade da Aurora
O céu brilhasse
Pleno de luz
E a esperança voltasse
Ao coração dos gentios,
Dos esquecidos,
Dos abandonados.

Em cada Natal
Se dão as mãos
E os presentes, símbolo de partilha,
Enchem o Céu de Luz,
Mas urge neles imprimir
O espírito de Amor
Do pequenino Jesus.

(De acordo ou não com o acordo começamos a escrever com o acordo, para nos irmos habituando ao acordo.)
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis

netitas19@gmail.com

TERRA DO FOGO – O Madeiro de Penamacor, já reconhecido como o maior Madeiro do país, foi votado pelos portugueses como a tradição de Natal mais Criativa no Movimento SIM Natal, patrocinado pela Samsung. A sinopse do filme diz-nos que Miguel faz uma viagem até Penamacor para passar as férias junto do primo João e dos seus tios. O que ele não sabe é que o Natal em Penamacor vai ser muito diferente do que ele conhece. O fogo alimenta histórias de mistério e Penamacor é a Terra do Fogo.

jcl

Ei-los que partem… Ou como nos mandam embora!
Ou ainda, como nos estamos a marimbar!

Aproxima-se uma quadra que, ainda que religiosa, vai muito mais além do que a religião. O Natal. É nesta altura que todos se recordam um pouco dos outros e conseguimos enxergar que, afinal, o outro, a quem nataliciamente estendemos a mão, está ali sempre. Diria que conseguimos ser menos egoístas e indiferentes por esta altura e isso, de certa forma, deixa-nos bem connosco.
A ideia da crónica desta semana estava focada nesta quadra, e o que ela representa enquanto significado religioso e como ela se transformou num negócio. Todavia, o governo deste país, resolveu não ter tento na língua e, muito menos «careio» (como se diz na minha terra), na violência com que trata os seus cidadãos! Daí que me tenha lembrado de um poema do poeta Bertolt Brecht. Diz mais ou menos assim, primeiro vieram buscar o judeu e eu não me importei, pois eu não era judeu. Depois vieram buscar o negro e eu não me importei, pois eu não era negro… até que um dia me vieram buscar a mim! E, a causa de tais versos me saltarem à memória, foram, primeiro as palavras do secretário de estado da juventude, dizendo aos jovens para emigrarem. Procurei entender qual seria o ponto de vista de tal iluminado… confesso que não entendi! Então, um secretário de estado da juventude, em vez de levar esperança e crença no futuro, manda a malta ir embora?!! Bom, pensei, é uma voz isolada, por ventura um pouco toldada por qualquer motivo… Mas não! Era o pronúncio, assim uma espécie de profecia, para o grande momento! O primeiro ministro apontava, finalmente, um rumo para o país! Os jovens já foram convidados, agora convidam-se os professores para ir embora! E imagino quanta gentinha terá dito “muito bem”! Corra-se com esse bando que ganham muito e não trabalham nada! Mas, amanhã, serão os médicos, depois, os militares, depois os idosos (é uma chatice! só dão despesa), depois os juízes, depois estes e aqueles, depois… Até que fica somente o governo a falar com a troika. Porque a sociedade está como os versos desse poema. Não nos importamos, porque não é connosco, até que batem à nossa porta!
A prova-lo, aí está mais um ataque a quem trabalha, através da nova proposta da lei laboral. Para efeitos de reforma, contava trinta dias por ano de trabalho, a troika apontava para vinte, o governo avança com oito a dez dias. Os três dias de bónus aos trabalhadores de férias por comportamento no que diz respeito á assiduidade, desaparecem. Se somarmos a meia hora e o fim de feriados, chegamos depressa à conclusão em que, para se trabalhar é preciso, para além do trabalho, pagar! Desconfio que regressamos rapidamente à segunda metade do séc. XIX! À exploração nua e crua do trabalhador pelo patrão, seja este qual for. A nova escravatura está aí! Mas não nos importamos, não é connosco…
Se o outro se estava a marimbar para a dívida, neste país, toda a gente, infelizmente, se está a marimbar!…

Desejo a todos um Natal cheio de paz e felicidade!

P.S. 1 Saúdo aqui Eduardo Lourenço pelo Prémio Pessoa. Parabéns!
Dizia ele aquando da nomeação, que era como receber um pouco do próprio poeta Pessoa! Para nós beirões arraianos, o prémio de Eduardo Lourenço, é como se fosse um pouco nosso também!
P.S. 2 Também aqui, deixo o meu lamento e as condolências pela morte de Cesária Évora. Grande embaixadora da lusofonia.
P.S. 3 Uma nota para a memória de Vaclav Havel. Para além de um intelectual, desparece um democrata e um europeísta.
P.S. 4 Já agora, como Leitura neste Natal, leia ou releia Bertolt Brecht!

«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

TERRA DO FOGO – O Madeiro de Penamacor, já reconhecido como o maior Madeiro do país, foi votado pelos portugueses como a tradição de Natal mais Criativa no Movimento SIM Natal, patrocinado pela Samsung. A sinopse do filme diz-nos que Miguel faz uma viagem até Penamacor para passar as férias junto do primo João e dos seus tios. O que ele não sabe é que o Natal em Penamacor vai ser muito diferente do que ele conhece. O fogo alimenta histórias de mistério, e Penamacor é a Terra do Fogo.

jcl

A inscrição da nossa Capeia Arraiana no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial foi um dos grandes acontecimentos concelhios de 2011.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Fortemente enraizada na cultura popular, em especial da parte raiana do Concelho, este é um fenómeno cultural que une a esmagadora maioria dos sabugalenses espalhados pelos quatro cantos do mundo.
Estiveram bem todos aqueles que, desde o primeiro momento, defenderam o seu reconhecimento nacional, mais um passo para afirmar a nossa identidade e diferenciação quer a nível sub-regional, quer a nível nacional.
Mas se este é um momento de alegria e de sentimento do dever cumprido, este é também um passo que desafia a nossa capacidade em afirmar este acontecimento único, sabendo responder à previsível maior atenção que todos lhe vão dar.
Quero com isto dizer que, não deturpando a «capeia», temos de encontrar novas formas de conjugar a pureza e a tradição, com formas inovadoras de captação de novos entusiastas.
É um desafio que toca todos, desde as Comissões Organizadoras de cada terra, às Juntas de Freguesia, à Câmara Municipal e à Casa do Concelho do Sabugal.
Não quero, até porque para isso não tenho competência, apontar caminhos, limito-me a alertar para esta nova realidade.
A Capeia Arraiana, não deixando de ser um dos mais importantes símbolos da «identidade sabugalense», passou a ser reconhecida por todos como Património Cultural Imaterial de Portugal.
Estou convencido que saberemos honrar esta distinção!

Ps: Sai esta crónica em vésperas de mais um Natal. Desejo a todos os que regularmente acedem a este Blogue umas ótimas festas na companhia dos seus.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

TERRA DO FOGO – O Madeiro de Penamacor, já reconhecido como o maior Madeiro do país, foi votado pelos portugueses como a tradição de Natal mais Criativa no Movimento SIM Natal, patrocinado pela Samsung. A sinopse do filme diz-nos que Miguel faz uma viagem até Penamacor para passar as férias junto do primo João e dos seus tios. O que ele não sabe é que o Natal em Penamacor vai ser muito diferente do que ele conhece. O fogo alimenta histórias de mistério e Penamacor é a Terra do Fogo.

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«Um lugar vazio à mesa», é o título da memória de Natal que o escritor sabugalense Manuel António Pina enviou à Rádio Renascença no âmbito da iniciativa «Era uma vez… no Natal», que aquela emissora de rádio tomou e em que participam outras cinco figuras conhecidas: a fadista Carminho, o poeta Tolentino Mendonça, o ex-presidente Jorge Sampaio, o treinador de futebol Fernando Santos e o padre Hermínio Rico. O texto de Manuel António Pina consta no portal da Rádio Renascença e pode ser lido ouvindo ao mesmo tempo o segundo andamento do concerto nº 2 para piano e orquestra de Brahms.

Homenagem a Manuel António Pina (Foto by Kim Tomé - www.tutatux.com)A memória de Natal que me é pedido que partilhe é, não de um, mas de 11 dolorosos natais, os de 1963 a 1974.
Em 1963, meu irmão mais novo, em desacordo com a Guerra Colonial, recusou-se a comparecer à inspecção militar e fugiu clandestinamente para França. Meus pais e eu pensámos que nunca mais o veríamos. O regime de Salazar parecia eterno e as guerras nas colónias africanas constituíam o centro, praticamente exclusivo, da política do país. Daí que a deserção (a situação de meu irmão não era rigorosamente de deserção, pois não chegara a ser incorporado mas, em termos militares, era afim) fosse o mais grave dos crimes, punível mesmo, se em teatro de operações, com a pena de morte.
Além disso, a deserção lançava uma sombra de permanente suspeita política sobre a própria família do desertor, pelo que meus pais receavam nunca vir a ser autorizados a sair de Portugal para visitar meu irmão. Eu próprio, quando, em 1972 ou 1973, depois de cumpridos quase quatro anos de serviço militar e já jornalista, fui encarregado de um trabalho de reportagem na Alemanha, encontrei dificuldades quase insuperáveis para obter passaporte, o que só acabou por ser possível após responsabilização pessoal do director do “JN”, Pacheco de Miranda, pelo meu regresso.
Esse primeiro Natal sem o meu irmão (de quem não tivemos, durante meses, notícias senão uma vez, através de um emigrante de Braga seu conhecido que, tendo vindo de férias, nos procurara para nos dizer que ele encontrara trabalho como “voyeur de nuit” e pedia que lhe enviássemos comida e algum dinheiro) foi, por isso, triste e sem palavras. Minha mãe levantava-se de vez em quando da mesa e ia chorar longamente para a cozinha; meu pai esperava um pouco e, depois, levantava-se também e ia buscá-la, regressando ambos em silêncio.
Minha mãe pôs o prato e os talheres de meu irmão e, quando trouxe o bacalhau e as batatas, serviu-lhos. Tudo aquilo se me afigurava patético e doentio, mas também eu chorava por dentro. A certa altura, como a cadeira vazia de meu irmão se encontrava um pouco afastada, minha mãe levantou-se para aproximá-la da mesa e, nesse momento, fingi que precisei de ir à casa de banho e deixei correr livremente as lágrimas.
Nos 10 anos seguintes, na nossa ceia de Natal houve sempre um prato e talheres na mesa para uma ausência presente. Até 1974.
«Um lugar vazio à Mesa», de Manuel António Pina

O Natal lembra-nos o especial dever de compreensão e ajuda.

Não é o tempo de egoísmos e vaidades, ditados pelo desprezo das condições de cada um.
Sabemos que os tempos têm de ser de coragem e determinação, para as famílias portuguesas; e de fortalecimento dos laços de Solidariedade entre os grupos de todas as gerações, mas também sabemos que terão de se abandonar egoísmos e orgulhos inúteis, e substitui-los por atitudes de humildade, carinho e compreensão, em nome da paz e do bem comum.
Natal é tempo de alegria, amor e olhos virados para o futuro, com a confiança de que é possível deixarmos aos nossos filhos, tudo aquilo que justamente ambicionamos.
Nesta onda de solidariedade a Junta de Freguesia da Bendada vem desejar a todos os Bendadenses, um Santo e Feliz Natal, e um Ano de 2012 cheio de paz, saúde e recheado de muitos sucessos a nível pessoal e profissional.
Que o espírito natalício esteja presente em todos os lares da freguesia durante todo o próximo ano.
Esta mensagem é extensível a todos os filhos da terra que vivem e trabalham pelos quatro cantos do mundo, mas que nesta época especial recordam com carinho e ternura a terra que os viu nascer.
É Natal! é tempo de alegria!, é tempo de conviver!
Venha participar no concerto de Natal!
Freguesia da Bendada
Jorge Manuel Dias

Os troços com pórticos na auto-estrada da Beira Interior (A23) perderam quase metade do tráfego automóvel nos primeiros 11 dias de portagens, em comparação com o mesmo período de 2010. No Sabugal também é notório o aumento de tráfego, sobretudo de camiões que fogem ao pagamento de portagens.

A informação foi divulgada pela Agência Lusa, que teve acesso a dados estatísticos referentes às passagens, entre 8 e 18 de Dezembro, nos lanços com pórtico entre Abrantes Oeste e o nó de Pinhel (concessão da Scutvias). Os números apontam para uma perda de 46% do tráfego em relação a 2010, enquanto no resto dos troços a queda foi menos acentuada: 34%.
Os números evidenciam uma fuga aos troços com pórticos como forma de evitar o pagamento de portagem, sendo a queda mais acentuada no troço entre Alcaria e Covilhã Sul, com uma diminuição de tráfego de 57%. Seguem-se os troços entre Alcains e Lardosa, com uma queda de 51%, e entre a Guarda e Benespera, com menos 50%.
Mesmo nos troços com pórtico onde as reduções de tráfego foram suaves, os cortes são sempre superiores a um terço do registado nos mesmos dias de 2010.
Nos troços gratuitos, a maior queda aconteceu entre Lardosa e Soalheira, com menos 44% do tráfego.
Os mesmos dados mostram que há menos veículos a circular na auto-estrada independentemente da introdução de portagens, tendo em conta a queda de 27% de tráfego no Túnel da Gardunha – gratuito e praticamente incontornável, dado que a alternativa é uma longa estrada de montanha.
Cerca de 60% dos veículos que circularam na A23 nos primeiros 11 dias de portagens já tinham identificador electrónico para pagamento de portagem, registando-se uma tendência para os carros sem dispositivo diminuírem.
No Sabugal é notório o aumento de tráfego de e para Vilar Formoso, nomeadamente de carros de mercadorias, que fogem ao pagamento de portagens.
plb

Era domingo e a tarde, apressada, esgotava-se deixando-me (curto) tempo para um velho hábito, o de observar.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Ora, é sabido que, para vendavais, não há fins de semana e, apesar do domingo, levantava-se um vento espanhol, forte e tempestuoso fazendo viajar no seu sopro, escassas gotas de chuva que voavam velozes e azuis no ar cinzento magoando os rostos muito mais do que molhavam.
Eu insistia, resistia, no meu posto, no cume da escarpa verificando o Côa bem ao fundo. Virado ao rio vigiava, pelo canto do olho, em ângulo difícil, aferindo distâncias. A pequena aldeia de Mido, de tons amarelados, brancos e vermelhos, trepava a meia encosta denunciando ânsias de subir mais alto. Apesar disso, Mido, não consegue enxergar o rio que, qual cobra cinzenta/brilhante nesta tarde sem sol, furava o frio empurrada por bafos fortes de vento gelado e sob uma ameaça seríssima de chuva.
Se, nesse momento, eu tivesse uma flor, teria descido e, tê-la-ia colocado sobre as águas, para amenizar o ar da tempestade, para criar uma imagem mágica que lhe pudesse resistir. Pedir-lhe-ia, ao rio, que protegesse a flor, que a fizesse sobreviver ao vento, à chuva e à corrente, que a levasse e que a transformasse num símbolo andante posterior ao mau tempo provando que a bonança regressará sempre.
Mas não, não era época de campos com flores e era tarde de vendaval que acabou por envolver os montes, entortando árvores, arrancando folhas, levando-as, varrendo-as.
O som das folhas caídas e arrastadas parecia criar uma canção livre, liberta das grades do tempo e, assim, me lembrei das cantigas de infância que, no Inverno, eram cantadas ao calor da lareira. Eram diferentes dessas outras cantigas de infância, as da Primavera, cantadas no exterior já quente, quando as flores pintavam os prados, sobre ou entre as ervas. Nessa altura estaria o rio tão próximo do meu coração quanto ainda está hoje!
Mas voltaria, agora, a provar o vendaval! Voltei a ver os pastos altos, os cabelos de erva que, diante dos meus olhos, voltaram a provocar-me espanto. Entendi as pancadas fortes do vento como pancadas de Molière.
Estava perante a paisagem austera do Côa, sob temporal, com árvores a vergarem-se e pastos a ondular. Era uma paisagem dinâmica por entre rochas inertes… Senti-me, de novo, espectador de um palco, de um teatro que já vi milhentas vezes. Não vi flores nem ouvi palmas mas revi retalhos da minha vivência, numa paisagem digna de televisão ou de cinema.
Por outro lado, era como entregar ao vento preocupações ou sofrimentos. Era como descarregá-los na visão de um filme, e depois de os largar, voltar a sorrir distraindo-me com tudo o que estava em meu redor. Porque ela, a paisagem austera do Côa, apesar da tempestade tinha essa arte, a de me fazer festas tranquilizadoras.
E o vendaval apenas ensaiava o seu papel, fazendo mergulhar tudo num tremendo temporal animado pelos sons e abanos do vento e pelas ameaças da chuva mas, tudo, resistiria como se resistisse a um cerco.
E a Primavera haverá de chegar como quem põe flores sobre a mesa!
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

TERRA DO FOGO – O Madeiro de Penamacor, já reconhecido como o maior Madeiro do país, foi votado pelos portugueses como a tradição de Natal mais Criativa no Movimento SIM Natal, patrocinado pela Samsung. A sinopse do filme diz-nos que Miguel faz uma viagem até Penamacor para passar as férias junto do primo João e dos seus tios. O que ele não sabe é que o Natal em Penamacor vai ser muito diferente do que ele conhece. O fogo alimenta histórias de mistério e Penamacor é a Terra do Fogo.

jcl

O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, prometeu em campanha a concretização de um «sonho»: a construção de «um parque temático com atractidade internacional». Só que o devaneio andava a ser burilado por António Reis – aquele que, mancomunado com o tunisino Hamdi Benchaabane, também sonha abarcar o negócio da compra e venda de terrenos bordejantes à barragem, no termo de Malcata.

António Reis visitou um dia o parque de Guédelon, em França, onde se constrói um castelo medieval segundo as técnicas usadas no século X. O encanto com o parque francês levou-o a expor ao edil sabugalense um projecto similar: recriar na orla do Côa uma aldeia medieval em construção, com figurantes trajados à moda antiga, casas em obras, incluindo a edificação de uma muralha defensiva e uma judiaria, a que acresce um acampamento mouro a assediar a fortaleza cristã.
Extasiado, o autarca sabugalense percorreu, de mão dada com António Reis, o concelho em demanda de um local aprazível, onde houvesse fartura de água, pedra, madeira e barro, condicionantes essenciais para a instalação do empreendimento. E os terrenos eleitos foram os envolventes à Quinta dos Moinhos, na curva do Côa, confluentes com os termos das freguesias do Baraçal e de Rendo, em lugar encantador, um nada a montante de Roque Amador.
O empreendedor António Reis deu-lhe o mote para um projecto avassalador, garantindo-lhe que não faltarão apoios. Israel ajudará na implantação de uma judiaria e Marrocos apoiará a instalação do acampamento mouro, numa parceria internacional, que, bem trabalhada, até poderá proporcionar a assinatura de um novo tratado de paz Israelo-árabe.
Segundo um projecto, já entregue na Câmara, o sublime parque terá cerca de 150 hectares, onde será implantada a aldeia medieval em construção, com casas populares e senhoriais, hospedaria, igreja, alcaidaria, mercado, anfiteatro, arena de combates, campo de jogos, e até uma ponte antiga ligando as duas margens do rio. Ao deslado estarão a pedreira, a serração e a exploração de barro, para recolha da matéria-prima a usar nos trabalhos de construção.
Será um parque deslumbrante, onde os visitantes (estão previstos 500 lugares para estacionamento de veículos) se impregnarão do espírito da Idade Média, que ali se reviverá. Trajados com as indumentárias da época avançarão com alma para a construção das casas e da muralha, tratarão as couves e as beterrabas das hortas, participarão nos jogos e nos combates simulados. Só terão de escolher entre ser cristãos, mouros ou judeus, que ali há lugar para todos.
A Câmara, inebriada com o projecto, propôs-se custear o estudo de impacto ambiental ao amigo Reis, no valor de 30 mil euros, o que apenas não avançou porque a oposição política, achando que havia ali encantamento a mais, reprovou essa pretensão do presidente numa recente reunião do executivo autárquico.
O responsável acto de rejeição da proposta de ser a autarquia a arcar com a despesa do estudo obrigatório, significa que há vereadores atentos ao que os rodeia e que não se deixam embevecer com encantamentos, pois, está bom de ver, o projecto do parque temático de António Reis não passa de um clamoroso engodo ao apetecível negócio dos terrenos de Malcata.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Na União Europeia, há aproximadamente oitenta milhões de pobres e vinte e cinco milhões de desempregados. Os planos de resgate para se sair da crise aumentam ainda mais os níveis de pobreza e de desemprego. E a banca cada vez pressiona mais para se privatizar o Estado de bem-estar, ou seja, a solução para se acabar com a pobreza e com o desemprego.

António EmidioExiste um círculo vicioso na Europa (UE) que é este: a crise económica origina pobreza e exclusão social, os recortes sociais derivados dessa mesma crise vão aumentar ainda mais a pobreza e a exclusão social. Podemos deduzir então que os novos pobres estão ligados ao desaparecimento da protecção social para grandes sectores da população. Outras das causas do surgimento de novos pobres, da nova pobreza, são, como não podia deixar de ser, o desemprego, a precariedade laboral e a flexibilização, a tão elogiada flexissegurança, como sendo a solução para o desemprego. Mas não explicam o que é isso da flexissegurança, que não é mais nem menos do que um trabalhador andar a saltar de emprego para emprego permanentemente, estando condenado a uma interinidade, não pode estabelecer um futuro, só pode viver o dia a dia, vive segundo as flutuações da procura, sem protecção social e com ordenado miserável. O desemprego, a precariedade laboral e a flexibilização são os três principais factores de pobreza entre os jovens. Há casais jovens, em que homem e mulher estão desempregados, os filhos já são pobres, são estes os que vão para a escola mal alimentados e com fome. Os cortes nas pensões originam pobreza entre os idosos. Jovens, crianças e idosos são os que mais sofrem com toda esta crise originada por banqueiros sem escrúpulos.
Tudo isto e, muito mais, tem a ver com a impotência do poder político para controlar o poder económico, tem de haver equilíbrio entre os dois. A Europa e também os Estados Unidos estão a sofrer os efeitos desastrosos deste desequilíbrio, porque os abusos e os excessos do actual Capitalismo Selvagem – Neoliberalismo – desregulado conduzem a humanidade para o abismo. Já disse várias vezes, vou repetir: Neoliberalismo e Estalinismo são as duas faces de uma mesma moeda. O Estalinismo de Leste, caiu porque arquitectou uma economia sem mercado e contra a iniciativa privada, que controlada é geradora de riqueza. Ao Capitalismo Selvagem desregulado poderá acontecer-lhe o mesmo, porque não admite outro princípio, outra norma, senão o mercado trabalhar a seu belo prazer. Os extremos tocam-se, faltou referir que ambos detestam a Democracia representativa ou directa.
Todos estes excessos desregrados já converteram a Democracia numa Oligarquia, porque esta, a Oligarquia, já dita a lei e a lei dela é a lei do mais forte economicamente. Essa lei, a do mais forte, é um vírus também já entranhado em algumas Autarquias em Portugal.
O Estado e a Autarquia têm de ser o árbitro entre os direitos do poder económico e os direitos daqueles que os não têm, que são a maioria.
Foi este equilíbrio que depois da II Guerra Mundial tornou possível o Estado Social, a Sociedade de Bem-Estar.

Diz-se: que na Suíça, nestes últimos meses, já entraram 1.500 toneladas de ouro, de quem? Não sei.
Diz-se: que também na Suíça, mas isto devem ser as péssimas línguas a dizê-lo,! Já começaram a ser cunhados marcos alemães, à espera que a Alemanha saia do Euro…
Disse o Vice Primeiro Ministro Chinês: «Espera-nos uma nova Idade Média financeira e social». Ou seja, um novo Feudalismo, digo eu.

«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

TERRA DO FOGO – O Madeiro de Penamacor, já reconhecido como o maior Madeiro do país, foi votado pelos portugueses como a tradição de Natal mais Criativa no Movimento SIM Natal, patrocinado pela Samsung. A sinopse do filme diz-nos que Miguel faz uma viagem até Penamacor para passar as férias junto do primo João e dos seus tios. O que ele não sabe é que o Natal em Penamacor vai ser muito diferente do que ele conhece. O fogo alimenta histórias de mistério e Penamacor é a Terra do Fogo.

jcl

TERRA DO FOGO – O Madeiro de Penamacor, já reconhecido como o maior Madeiro do país, foi votado pelos portugueses como a tradição de Natal mais Criativa no Movimento SIM Natal, patrocinado pela Samsung. A sinopse do filme diz-nos que Miguel faz uma viagem até Penamacor para passar as férias junto do primo João e dos seus tios. O que ele não sabe é que o Natal em Penamacor vai ser muito diferente do que ele conhece. O fogo alimenta histórias de mistério, e Penamacor é a Terra do Fogo.

Madeiro de Natal em Penamacor

jcl

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

E porque as imagens podem valor por mil palavras aqui deixamos o nosso reconhecimento amigo: Parabéns LocalVisãoTv da Guarda. Muitos Anos de Vida! Edição comemorativa do terceiro aniversário da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
Vodpod videos no longer available.

Para todos os profissionais desse projecto em que acreditamos desde a primeira hora o nosso bem-haja e o nosso orgulho pelas entrevistas e reportagens conjuntas. Bem-hajam pelo enorme esforço na defesa das «nossas coisas» da Beira Alta Raiana e muitos parabéns!
jcl

JOAQUIM SAPINHO

DESTE LADO DA RESSURREIÇÃO
Em exibição nos cinemas UCI

Deste Lado da Ressurreição - Joaquim Sapinho - 2012 Clique para ampliar

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