Presentemente, os Estados estão limitados no exercício da sua mais natural autoridade, ao mesmo tempo, as grandes corporações, multinacionais e instituições globais têm cada vez mais poder de decisão sobre questões fundamentais que afectam os cidadãos. Há uma chantagem permanente por parte dos mercados (eufemismo utilizado para nos referirmos aos banqueiros internacionais) e dos lobbies privados em relação aos Estados e aos cidadãos.

António EmidioNas últimas eleições em Portugal, o FMI e a Alemanha (BCE e UE) obrigaram os possíveis partidos vencedores PS, PSD e CDS, a assinar um acordo mediante o qual se comprometiam a tomar uma série de medidas que levariam Portugal para a recessão económica, para o aumento do desemprego, e que já o colocaram no último lugar da Europa em todos os índices de crescimento.
Na Grécia, substituíram Papandreu por um expoente da Oligarquia Financeira, antigo dirigente do BCE (Banco Central Europeu) este senhor pertence ao Clube Bilderberg, chama-se Papademos.
Na Itália, sai Berlusconi para entrar Mário Monti, antigo comissário europeu, também pertence ao Clube Bilderberg.
Na Espanha, o antigo primeiro ministro Zapatero, socialista, viu-se obrigado por pressões da Alemanha e da França a convocar eleições antecipadas, abrindo caminho ao Partido Popular, um partido extremista de direita. Uma coisa é certa, quem irá governar Espanha será a senhora Merkel. Digo isto, porque o novo primeiro ministro Mariano Rajoy, falou com Merkel, aconselhando-se como deverá governar a nível económico, o mesmo quer dizer a nível político e social, já que está tudo interligado.
Na França, nada me admirará se Sarkozy for substituído, mais tarde ou mais cedo, pelo senhor Jean Claude Trichet, este encontra-se disponível e é mais um tecnocrata, já que um outro tecnocrata, Dominique Strauss Kahn, está impedido de governar devido aos escândalos sexuais.
Para presidente do BCE foi Mário Draghi, o BCE diz-se um banco «independente», sem dúvida que é independente de qualquer órgão saído da vontade popular dos Povos da Europa. Mário Draghi foi um homem da Goldman Sachs, a sociedade que falsificou as contas da Grécia para que esta pudesse entrar na Zona Euro, e que agora especula com a dívida grega!
A Democracia, sempre foi e continua a ser uma ameaça para e elite económica, esta, tem oportunidade presentemente, devido à crise que ela própria originou, de acabar com a Democracia.
A chamada «economia da dívida» está a servir para entrarmos num Estado de Excepção permanente, onde os povos terão pouco ou nada a dizer. O capitalismo que durante algum tempo andou a par com a Democracia, quer abandoná-la, quer regressar às origens liberais, que não é mais nem menos do que o poder da Oligarquia.
Em Portugal, Espanha, Grécia, e até Itália, a Liberdade e a Democracia estão assentes numa base muito frágil…A própria Ângela Merkel afirmou: «Ninguém pode dar por certo outro meio século de paz e prosperidade na Europa» ela lá sabe porquê…Mas não deixa de ter alguma razão, a paz na Europa é uma anomalia, vejamos a história deste Continente.
Querido leitor(a), a história continua aberta, para que nós, o povo, a possamos escrever, vamos então escrevê-la!

Há uma ilusão de «Democracia Política» quem a alimenta é uma classe política já desnorteada, apoiada pelos Corifeus da comunicação social, os povos já se aperceberam que o poder a as decisões estão noutro lado, na parte não eleita. Esta situação não pode durar muito tempo, porque tudo isto é um convite à revolta.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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