Se for preciso lançar no desemprego milhares de trabalhadores, lançam-se e mais nada! As novas formas de contratos laborais estão precedidas por um debilitamento dos direitos laborais e da redução das prestações sociais.

António EmidioUsa-se agora uma nova expressão: seja você mesmo o seu próprio empregado. Muitos caíram e outros continuam a cair nesse «conto de fadas». Endividaram-se, pagando créditos muitas vezes abusivos, ou então gastaram todas as poupanças de uma vida no seu negócio. Presentemente, o que se está a ver é que muitas dessas micro e pequenas empresas, também o pequeno comércio, estão a ir à falência. Não sei se alguém já se apercebeu, mas quem tem de pagar esta crise, é o trabalhador, o funcionário público e o pequeno comerciante, são estes que devem pagar para solucionar o problema dos banqueiros!
Além da crise provocada pelos grandes bancos internacionais, outra das razões para todas estas falências tem a ver com a concorrência. Sempre existiu! Dirá o leitor(a), é verdade digo eu, mas para mim é insuportável ver os lanifícios, o calçado e os têxteis portugueses serem substituídos por roupa e calçado sintético vindos da China e, não só. Isto só trouxe pobreza e desemprego a Portugal. O mesmo aconteceu com os produtos agrícolas, pagaram-nos para que destruíssemos a nossa agricultura, obrigando-nos a importar depois esses mesmos produtos comprados às grandes herdades agrícolas europeias e mundiais, cujos donos (especuladores) e accionistas nada fazem senão arrecadar lucros. A concorrência foi longe demais, o nosso Concelho é um exemplo, a sua agricultura foi destruída, é necessário e urgente voltar a produzir bens básicos através de uma economia local. O nosso problema é o minifúndio? Pode-se reformar isso através de uma acção política concertada com os proprietários dos terrenos. Porque não a pecuária? Temos clima e terrenos para boas pastagens, a partir daí apostaríamos nos lacticínios, a manteiga, o queijo, os yogurtes, as natas, produtos que podiam ser exportados. Opinião discutível? Claro! Mas é minha.
O que fizeram ao sector das pescas? A mesma coisa!
Querido leitor(a), não existe a tão falada Comunidade Internacional, existem sim organismos regidos pelos interesses particulares das nações mais ricas e poderosas, tanto no campo económico como militar. Os interesses e as necessidades comuns, os interesses e as necessidades dos países mais débeis económica e politicamente não interessam para nada. Assim é a União Europeia e todas as outras organizações a nível mundial. A tal Globalização Neoliberal de que tanto se fala, em vez de trazer solidariedade e aproximar os povos uns dos outros, não! Cada vez os divide mais porque está assente numa coisa destrutiva e agressiva que é a concorrência.
O sistema só fala no lucro, mas convém dizer que esse lucro tão desejado não é o da micro empresa e até da pequena, também o não é o do pequeno comércio, a isso chama ele nichos de mercado, nichos de negócio, ele quer o lucro para a Macro Empresa, para a Multinacional e para a cadeia de Super Mercados, que embolsam milhões de euros de lucro, ao mesmo tempo que os seus trabalhadores vão perdendo a sua capacidade adquisitiva, ou seja, os seus salários vão diminuindo. Essas corporações têm legal e ilegalmente ajudas governamentais, privilégios fiscais e legislativos inadmissíveis (pagam campanhas eleitorais), usam todos os subterfúgios para colocar dinheiro em paraísos fiscais.
O pequeno empresário e o pequeno comerciante limitam-se a ir à falência, destroçados por um Estado Neoliberal que os afoga em impostos. Agora têm de prescindir dos seus poucos trabalhadores, a maior parte do pequeno comércio até do único que tinham, porque também a concorrência desleal e até criminosa os destroçou.

Vamos ficar com um pensamento e umas palavras do economista Maynard Keynes, tão falado ao longo desta crise económica: «As ideias, o conhecimento, a arte, a hospitalidade e as viagens, são coisas que deveriam ser pela sua natureza internacionais. Mas deixemos que os produtos sejam de origem nacional quando isto seja razoável e convenientemente possível, e além de tudo, deixemos que as finanças sejam primordialmente nacionais.»
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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