Porque é que o Parlamento alemão é quase sempre excluído das decisões inerentes ao fundo de resgate do Euro? Porque a oligarquia económica alemã (os seus maiores empresários e banqueiros) juntamente com Merkel e outros máximos dirigentes não estão seguros de convencer os deputados, ou seja, os políticos alemães também esquecem os seus cidadãos.

António EmidioNão é de admirar, na Alemanha existe uma Democracia restritiva, na Alemanha existe uma polícia ideológica. Hoje gostava de escrever sobre as questões sociais e económicas alemãs, e a política dela para introduzir essas mesmas políticas na União Europeia, na qual ela manda. A mentalidade alemã é esta: «Nascidos para Mandar». Mandam mesmo!
Na Alemanha, nos últimos 20 anos aumentaram com grande intensidade os índices de pobreza, aumentou a desigualdade na distribuição da riqueza, foram-se destruindo gradualmente as prestações sociais e há um endurecimento das condições de vida. Parece absurdo, mas no meio de tanta riqueza, que se presume possua o Estado alemão (ou estará mas é tudo nas mãos dos grandes empresários?) suceda isto. Um relatório da ONU afirma que uma em cada quatro crianças vai para o colégio sem ter tomado o pequeno almoço, pede portanto ao governo alemão que ajude as famílias pobres para que os seus filhos tenham comida adequada. O que originou isto foram as tais reformas que a Alemanha agora pede aos países mais débeis política e economicamente da União Europeia, que comecem a incrementar: a precariedade laboral, o desaparecimento gradual das prestações sociais e a liberalização dos salários lixo, salários baixíssimos.
A Alemanha já foi um modelo de Estado Social e até de nivelamento social, mas presentemente existe uma degradação total. O primeiro governante alemão a deteriorar as condições de vida dos trabalhadores alemães, foi o Social Democrata Gehard Schroder, conhecido então pelo «Camarada dos Chefes» e pelo «Empregado da Patronal». Agora Merkel, não tem ideologia, com o mesmo «amor» abraça o Neoliberalismo, como abraçou o Estalinismo, é uma pragmática; ambos, Estalinismo e Neoliberalismo, são as duas faces de uma mesma moeda. No Estalinismo, o partido domina o Estado, no Neoliberalismo, a grande empresa domina o Estado. Estes dois sistemas são anti-democráticos, mas compartem o mesmo denominador comum, a economia como solução dos problemas mundiais, esse é o valor supremo, ou seja, o homem subordinado aos interesses económicos, nada mais existe senão economia.
O que quer a Alemanha dos países do Sul da Europa? O que quer a Alemanha das suas «colónias», como chamava Hitler aos países de Leste? Além de lhes extorquir as riquezas, quer os seus trabalhadores. A economia alemã está projectada para a exportação, sendo assim, tem que ter capacidade competitiva nos mercados internacionais, para isso, uma das prioridades é a diminuição de salários no próprio território, mas já com uma «grande visão política», os seus fazedores de leis, dizem que para uma União Monetária ser óptima, devem dar-se uma série de condições e, a mais importante é a flexibilidade no mercado de trabalho, juntando a esta a diminuição salarial e a mobilidade absoluta da população activa em território da União Europeia, para quê? Para ter trabalhadores, penso que temporários, já que os empregos agora não são para sempre, das nações mais débeis economicamente, pagos com salários baixíssimos, obrigando os trabalhadores autóctones a competir com os estrangeiros em matéria salarial.
A Alemanha quer escravos…E dão-lhos!

Numa das visitas que faço a diário ao nosso Presidente da Junta, o Manuel Rasteiro, na última mostrou-me uma notícia num jornal on-line, que dizia o seguinte: «Governo apela aos jovens para emigrarem». Depois, um senhor que dizem ser Secretário de Estado da Juventude, sentenciava: «O jovem português desempregado em vez de ficar na “zona de conforto” (?) – a interrogação é minha – deve emigrar». Que governante é este que manda a força laboral do seu país emigrar? Terá este homem consciência da ofensa que fez aos jovens portugueses e a todos nós?
Como vê querido leitor (a), está a fazer a apologia da mobilidade absoluta dentro da União Europeia, aceitando o que a Alemanha quer. Está a entregar portugueses. Para este governante, os jovens portugueses são meros peões, as suas vidas, os seus amigos, a sua família, os seus sentimentos e as suas raízes, são coisas que lhe são indiferentes.
Pergunto: isto é modernidade política, económica e social? Não! Isto é injustiça, isto é decadência, isto é regressão.

«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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