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Recentemente vi, em registo audiovisual, a intervenção do deputado da Assembleia da República eleito pela circulo eleitoral da Guarda, Luís Manuel Meirinho Martins, intrepelando o secretário de Estado da Cultura, José Viegas, acerca do património judaico e para a necessidade de distinguir o «verdadeiro» património do «falso», para que se não «confunda gato por lebre».

Bairro Medieval do Sabugal

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaEsta intervenção de Manuel Meirinho estaria correcta, se não tivesse subjacente, como parece, a sua conviccão da inexistência desses vestígios judaicos no Sabugal. Penso que foi este, não outro, o verdadeiro motivo da sua intervenção, porque já tinha ouvido alguns rumores, de alguns defensores da tese da inexistência ou irrelevância dos vestígios judaicos, acerca desta iniciativa.
As referência históricas à comunidade judaica do Sabugal são antigas, qualquer curioso de história sabe, remontam a D. Dinis, ao século XIV e XV, aos censos de D. Manuel e aos processos da inquisição nos seculos XVI, XVII e XVIII. Contra facta non rimenda!Não há vestígio de qualquer sinagoga no Sabugal, como de resto não há noutras povoações em que há a certeza de terem existido famosas judiarias. Mas daí inferir-se, como muitos pretendem, que no Sabugal não houve judiaria, ou sequer judeus e vestígios judaicos, é estúpido. O mesmo raciocínio levaria à conclusão absurda de que só houve judiarias em Castelo de Vide e Tomar…
Mas se alguma dúvida subsistisse acerca da presença judaica no Sabugal, ela está perfeitamente comprovada nas características arquitectónicas e marcas do casario do seu bairro seiscentista.
A este propósito, seguiremos resumidamente um excelente estudo de Emílio Fonseca Moretón, que pode ser consultado no Anuario Brigantino 2004, nº 27 , com o título «Viviendas de Judíos Y Conversos En Galicia Y El Norte de Portugal», pág. 431 e seguintes.
Diz o autor que a tipologia e morfologia das casas habitadas por judeus e cristãos na idade média era semelhante, porque a vida de um judeu e de um cristão eram semelhantes, salvo nas precrições alimentícias, usos religiosos, festas e descanso semanal.
Fig. 1 - Casa de AlbuquerqueO que caracterizava as casas judias era o mezuzá: uma pequena caixa que guardava o rolo de pergaminho com os versículos do Deuteronomio, que era colocada aproximadamente a altura do hombro de uma pessoa adulta, no plano interior da porta, con preferencia do lado direito, da porta de entrada da casa. (fig.1 – Casa de Albuquerque.)
Quando isto acontece, estamos sem dúvida em presença de uma casa judia. Nos casos em que não exista esta cavidade para a mezuzá, nada nos indica que tenha sido casa de um judeu ou de um cristão.
No entanto existem uma série de características, que podem ser indicios claros de uma casa que foi habitada por judeus:
Na idade média, a casa mais comuns ns burgos e pequenas cidades era de jum ou dois pisos, quase sempre de madeira ou adobe e raramente em pedra, salvo nos locais em que esta abundava.
Desde meados do século XV generaliza-se um tipo de casa, que embora não eclusiva dos judeus, é características destes pelas profissões liberais e ofícios artesanais que estes exerciam.
É uma casa de dois andares: a baixa destinada a oficina, comercio aberto ao público, enquanto no piso superior vivia a família.
O piso térreo tem normalmente duas portas, uma que cortuma ser mis larga qjue dá acesso à oficina ou comércio; e a outra, mais estreita, de acesso a uma escadaria que conduz ao piso superior, onde se abrem na fachada uma ou duas pequenas janelas, quase sempre na verical das portas. Nalgumas os moradores costumavam usar um pequeno banco exterior adosssado numa lateral da fachada que servia para expôr as mercadorias ou banca de trabalho. (fig. 2 – conjunto de casas de Penamacor, séc. XIV-XV.)
Fig. 2 – conjunto de casas de Penamacor, séc. XIV-XVMuitas destas casas ainda se conservam nos dias de hoje, graças ao facto de se situarem em locais que não registaram muito desenvolvmento urbanístico posterior ou porque se enontram em centros históricos protegidos que evitaram a sua demolição.
Apesar destas casas serem normalmente simples e funcionais, muitas costumam ter algum elemeto estilístico, que varia segundo o grau de pretensão dos moradores.
É frequente que tenham as arestas exteriores dos ombrais das portas e janelas biselados. Outras vezes vezes acresecentou-se-lhes um grau maior de estilo e se decoraram os lintéis das portas e janelas com um falso arco conopial (manuelino) que perdurou muito para além da época manuelina.
Outra das características de uma casa de judeus convertidos é, segundo opinião hoje aceite, as cruzes gravadas na fachada. Frequentemente encontram-se junto à porta de entrada, muitas vezes gravadas no local exacto em que devia estar a mezuzá.
Quando nos encontramos ante uma casa dos séculos XIV, XV, XVI e incluso posteriores com estas características, muito provavelmente estamos em presença de uma casa de conversos ou famílias de cristãos novos.
Os conversos ou seus descendentes uma vez baptizados, podiam ser julgados pela inquisição por suspeita de judaizar (heresia). Ante a perseguição posterior ao seu baptismo, o lógico é quepara protegerem-se proclamassem externamente perante os vizinhos, que conheciam a sua ascendência judaica, e os familiares do santo ofício a sua nova fé, gravando na fachada das casas no lugar antes ocupado pela mezuzá, uma cruz: «a cruz do converso» e que muitas vezes era suprimida e substituída por um pequeno desgaste no lugar do mezuzá e que resultam do afiar ritual e propiciatório dos instrumentos de trabalho.
Guarda casa com algumas cruzesEsta cruz que proclama externamente a fé crista não teria nenhum sentido na fachada da casa de um cristão velho, cuja fé é manifesta e fora de dúvida para os seus vizinhos. Ela só faz sentido em casa de conversos ou seus descendentes.
Porque durante as perseguições da inquisição os cristãos novos eram suspeitos de judaizar ocultamente (marranos), estas cruzes gravadas nas imediações da porta, além de protecção, eram um comprovativo da sua falta de limpeza de sangue. Por tal motivo, estas cruzes só aprecem onde houve judeus, estando por isso documentadas no norte de Portugal: na Guarda, Sabugal, Castelo Rodrigo, Almendra, Pinhel, Caminha, Valença, Monção, Vila Nova da Cerveira, Chaves, Ponte do Lima, Montalegre. Na Galiza: en Allariz, Videferre, A Mezquita, Tui, Santiago.
A cruz algumas vezes consistia em dois traços cruzados, mas em muitas apresentava-se esquematicamente assente sobre um suporte assente sobre um suporte que unas vezes é um triângulo, semelhante à cruz do santo ofício, e outras sobre um traço curvo, estilizando um candelabro invertido, chamadas «cruzes de converso» ou «cruzes de sobremesa».
Para um judeu o símbolo religioso fundamental é o candelabro de sete braços, a menorá, e é representado de forma esquemática como uma linha vertical assente sobre um triângulo ou sobre um traço curvo e cruzada por três linhas curvas apontadas para cima. Ao fazer-se cristão, substitui automática este símbolo apagando quatro braços endireitando os restantes transversais, transformando-a em cruz que assenta sobre uma base como a menorá. Uma espécie de candelabro de três braços.
(Continua.)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

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Ninguém nos retirará, neste Interior raiano, os montes, e os vales, a beleza austera dos rochedos, a verdura dos campos, o porte frondoso dos carvalhos, a altura esguia dos pinheiros, os amarelos das maias primaveris, os tons torrados dos tojos e dos prados no verão nem a alvura da geada e da neve no inverno. Ninguém nos roubará os lugares onde as flores nunca perderão o sentido nem nunca recusarão o seu perfume.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Ninguém mutilará, a este Interior, o seu carisma fronteiriço.
Ninguém suspenderá ás suas gentes o seu carácter. Sempre a sua vontade será tão sólida quanto a dureza granítica. A gente do Interior será sempre de feitio volátil e de macieza no tratamento.
Persistirá, portanto, o Interior, como objecto de recordações e inspirador de novos sonhos. Ninguém lhe mudará a alma!
Ainda assim hão-de concretizar-lhe a desertificação!!!
Duvido que o tempo ou o assunto se prestem a metáforas ou trocadilhos e desconheço quais as ponderosas razões que nos têm empurrado, para um profundo esquecimento. Quiçá as mesmas razões que nos mergulharão nas amarguras do (já) certíssimo esvaziamento.
O que na realidade consta é que, sem explicação que verdadeiramente eu entenda, a lei ditará que as freguesias com menos de quinhentos habitantes sejam varridas do mapa. Sobre elas atem-se, portanto, a cor vermelha do lápis que as quer abater com uma cruz desertificadora, ao abrigo de duvidosas razões de poupança.
Apesar disso nunca findaram (nem se sabe se findarão) amáveis tiradas em dialécticas proferidas por políticos que, ao invés de outros tempos e de outras vontades (dos reis povoadores, por exemplo) pactuam com a implementação deste pavoroso despovoamento.
Sobressai, portanto, o rigor dos números e a pretensa exactidão das réguas e dos esquadros. Nada que impeça o desequilíbrio baseado em critérios que conduzirão a um novíssimo rosário marcado pelo crescer da desertificação.
Por outro lado, presume-se que, num futuro próximo, quarenta por cento da população portuguesa se fixe na região da Grande Lisboa. Restará, depois, um país desequilibrado, desigual, vergado a razões economicistas (justificadas?) Surgirão áreas nacionais desertificadas, sem deserto. Mas apesar da ausência triste das pessoas nunca o nosso Interior será deserto!
Por aqui, persistirá beleza, embora ríspida e muito própria. Ficarão potencialidades por explorar por falta de imaginação de quem prometeu tê-la, por facilitismo, por omissão, por resignação. Mas não… não haverá lápis que consiga banir o Interior. Apenas se lhe escurecerá a alma, apenas se lhe subtrairá gente, apenas se lhe aumentará o abandono!
Resta-nos a esperança de que um dia mude o punho e mude o lápis. Esperemos, então, que surjam outras vontades, outros desenhos, outros desenhadores e lápis de outras cores. Entretanto o Interior por cá ficará eternamente.
E, juro, nunca faltará quem acredite no impossível!!
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

JOAQUIM SAPINHO

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