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A judoca do Sporting Clube do Sabugal (SCS), Ana Sofia Figueiredo, foi a vencedora na categoria de -57 Kg, no Open de Judo do Porto «Memorial Manuel Reis», escalão Júnior, competição do calendário nacional realizada no sábado, dia 5 de Novembro.

O objectivo da atleta sabugalense era alcançar alguns pontos para o ranking, conseguindo no entanto ganhar a categoria de -57 kg, em resultado da calma com que controlou os confrontos, demonstrando melhorias no aspecto técnico-táctico.
A excelente prestação de Ana Sofia Figueiredo da Secção de Judo do SCS, aconteceu no pavilhão da Faculdade de Desporto da Cidade do Porto, onde o clube participou com dois atletas, com o objectivo de lhes dar a oportunidade de começarem a angariar pontos para o Ranking Nacional de acesso ao Campeonato de 2012.
Para além de Ana Sofia Figueiredo, o SCS esteve representado nos masculinos por Gabriel Almeida em -81kg, que viria a lesionar-se no combate de abertura daquela categoria de peso. Embora não sendo uma lesão grave, a mesma não lhe permitiu continuar em prova.
A maioria dos competidores presentes no Open do Porto era da zona norte, vindo no entanto cinco clubes de Lisboa para que os seus judocas pudessem acabar 2011 com um pé no nacional de 2012. Até ao final do ano há ainda a possibilidade de pontuarem no Open de Coimbra, que se realizará em Dezembro.
O técnico do Sporting Clube do Sabugal mostrou-se satisfeito pela prestação da sua pupila, que certamente reforçará o empenho dos judocas tanto nos treinos como nas suas participações competitivas.
djmc

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A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

As obras a cargo da Empresa António José Saraiva, com escritórios no Soito, no Centro de Negócios e Transfronteiriço, arrancaram em grande força com as terraplanagens e maquinaria de grande porte. Quem pretender ajudar esta obra com um donativo pode fazê-lo transferindo a verba para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

O título da crónica com que hoje retomo o convívio dos leitores pedi-o emprestado a um admirável filme de Elia Kazan, que nos mostra a odisseia dos emigrantes europeus a caminho dos Estados Unidos, a nova «Terra Prometida», onde «corria o leite e o mel». Essa América da abundância e das grandes oportunidades, que, entre 1800 e 1990 acolheu mais de 80 milhões de imigrantes vindos de todo o mundo, incluindo muitos dos nossos antepassados raianos. Toda esta gente, somada aos que já lá se encontravam (os índios, quando os deixaram sobreviver) e aos que para lá foram levados à força (os escravos africanos), fizeram dos Estados Unidos da América o «melting pot» de que falam alguns sociólogos. Ou seja, um país onde convivem (nem sempre pacificamente) muitas e desvairadas gentes, de todas as etnias, de todos os credos e de todas as proveniências.

Vista aérea da Baía de San Francisco. Em primeiro plano, a Golden Gate Bridge; ao longe, os arranha-céus de Downtown; à esquerda, a famosa ilha de Alcatraz, assim chamada pelos espanhóis por nela haver muitos alcatraces (pelicanos)
As famosas casas vitorianas de São Francisco Vista aérea e nocturna de Las Vegas Vista do Grand Canyon, num meandro do rio Colorado

(Passe o cursor nas imagens para ver a legenda e clique para ampliar.)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaFoi este país cheio de contrastes e de contradições que eu visitei aqui há tempos. No artigo de hoje e no próximo tentarei transmitir aos leitores algumas das minhas impressões desta viagem.
Estive na Califórnia (San Diego, Los Angeles, incluindo Hollywood, San Francisco, etc.); e também em Las Vegas e em Nova Iorque. Deixemos a «Big Apple» para a próxima crónica. Merece-a bem. Falemos hoje dessa terra de sol e de progresso que é a Califórnia, e também de Las Vegas, cidade protótipo da megalomania kitsch americana.
O primeiro europeu a explorar a costa da Califórnia foi o navegador português João Rodrigues Cabrilho, ao serviço da Espanha. Cabrilho era natural de uma perdida aldeia dos confins transmontanos, cujo nome hoje nos está nos ouvidos devido à construção de uma barragem que recebeu o seu nome: Cabril. As voltas e reviravoltas da História acabaram por levar Cabrilho bem longe! E a casa onde se diz ter nascido recebe anualmente muitos visitantes californianos.
Em Setembro de 1542, João Rodrigues Cabrilho explorou a baía de San Diego, cidade que o homenageou com uma boa estátua da autoria de Álvaro de Bré. Cabrilho prosseguiu a sua viagem para Norte, em busca do mítico El Dorado, terra de ouro e de pedraria, autêntico paraíso terrestre. Já no começo do século XVII, outro português, Sebastião Biscainho, percorreu também a costa californiana, tendo descoberto a baía de Monterey, onde, mais tarde, viria a nascer a cidade que foi a primeira capital da Califórnia mexicana. No entanto, a colonização espanhola da região apenas seria efectuada de modo sistemático durante o século XVIII, com a fundação de inúmeras missões e povoados. Pouco a pouco vão surgindo cidades cujos nomes actuais não deixam dúvidas quanto à fundação hispânica: San Diego, Los Angeles, Sacramento (hoje capital do Estado), San Francisco, San Fernando, etc.
Mas como é que toda esta riquíssima região foi integrada nos Estados Unidos? Vejamos um pouco de História.
Quando os Estados Unidos da América se tornaram independentes eram constituídos por apenas 13 Estados (as Treze Colónias inglesas que se sublevaram e proclamaram a Declaração da Independência, no 3.º Congresso de Filadélfia, em 4 de Julho de 1776). A bandeira adoptada tinha 13 riscas alternadamente brancas e vermelhas (que ainda conserva) e treze estrelas. As estrelas, todavia, aumentaram muito à medida que o País dilatava a sua fronteira para Oeste (hoje são 50). Toda a extensa região situada entre os montes Apalaches e o rio Mississipi foi cedida em 1783 pela Inglaterra, na ocasião da assinatura do Tratado de Versalhes, que pôs fim à Guerra da Independência. Em 1803, seria a vez da anexação de outro vastíssimo território, a Louisiana, na margem direita do Mississipi, comprado à França. A Florida foi também comprada à Espanha, em 1819, e, três anos depois, o Alasca seria adquirido à Rússia (por dez mil dólares!). A jovem nação americana, como vemos, mostrou-se desde cedo expedita a fazer verdadeiros negócios da China.
Em 1846, pela celebração de acordos com a Grã-Bretanha, é fixada a fronteira com o Canadá, de que resultou a anexação do Oregon. Quanto à fronteira com o México (independente desde 1821), a questão foi mais complicada. Um vasto espaço que compreendia todo o Texas («o Gigante») e parte do Novo México e do Colorado foi anexado pelos Estados Unidos em 1845, o que desencadeou uma guerra entre os dois países. Os Mexicanos foram vencidos (apesar de vitórias esporádicas, como a do Forte Álamo) e a derrota custou-lhes uma fatia impressionante do seu próprio país: em 1848, os EUA forçaram o México a «vender-lhes» o imenso e riquíssimo território que hoje é formado pelos Estados do Arizona, do Utah, do Nevada e da Califórnia! Assim se fez a nação mais rica da Terra e assim se fez uma das mais pobres. Em História não há «ses», há factos. Mas pensemos no que seria hoje o México, «se» tivesse conservado todos esses vastíssimos territórios! Não os conservou e tornou-se o vizinho pobre, fornecedor de mão-de-obra barata para os trabalhos mais humildes, gente a quem os americanos pejorativamente chamam «chicanos».
Deixemos, porém, o passado. Das grandes cidades californianas que visitei, aquela de que mais gostei foi San Francisco. Com a sua lindíssima baía, as suas ruas ondulando pelas colinas percorridas por carros eléctricos (os «cable cars») e a sua famosa Golden Gate Bridge (muito parecida com a nossa Ponte 25 de Abril), San Francisco faz-nos lembrar Lisboa. É, além disso, uma cidade cosmopolita, onde existe uma convivência interétnica mais fácil do que noutras metrópoles americanas. Basta lembrarmo-nos do movimento hippy que, no final da década de 60, para aí fez confluir dezenas de milhares de jovens adeptos do «flower power».
No meio da recortada baía destaca-se a mítica ilha de Alcatraz («The Rock»), onde funcionou, entre 1934 e 1963, uma prisão federal de alta segurança. Ali estiveram “hospedados” criminosos célebres como Al Capone e o «Birdman of Alcatraz». Em toda a sua história, apenas se registou uma única fuga com sucesso, justamente um ano antes do seu encerramento. Hoje, Alcatraz é apenas um lugar de turismo, onde eu próprio me fiz fotografar «atrás das grades».
Mas de tudo quanto existe nesta belíssima cidade, o que mais me cativou foram as preciosas casas vitorianas de San Francisco. Trata-se de pequenas moradias da segunda metade do século XIX, feitas de madeira, hoje recuperadas, requintadamente pintadas e luxuosamente mobiladas. São caríssimas: não se encontra uma por menos de 2 ou 3 milhões de dólares! Mas são uma beleza! Um livro ilustrado que comprei, exclusivamente dedicado a estas casas, chama-lhes «the painted ladies».
Em contrapartida, Los Angeles e Hollywood constituíram uma desilusão. A Cidade dos Anjos é uma diabólica megalópole: ruas tão compridas como a distância de Lisboa a Santarém; bairros mais perigosos que os piores de Nova Iorque; poluição mais mortífera que a de Atenas (sobretudo quando há «smog», uma fatal mistura de nevoeiro e fumo); auto-estradas que são autênticos formigueiros, com 5 ou 6 faixas em cada sentido (onde, apesar de tudo, se conduz mais civilizadamente que na nossa A1, devo confessar); gente mais indiferente que outra qualquer. Claro que Beverly Hills é deslumbrante pelo luxuoso requinte das mansões das «estrelas», ou pelas caríssimas lojas de Rodeo Drive, a rua onde se podem encontrar mais Rolls Royces ou Ferraris por metro quadrado. Mas já Hollywood Boulevard, com os seus famosos «passeios das estrelas», ou o chão em frente do Chinese Theater coberto de assinaturas e marcas das mãos e dos pés dos grandes mitos do cinema me deixou indiferente, com um certo sabor a “pirosas americanices”.
E por falar em “americanices”: Las Vegas é o supra-sumo de tudo isso. Uma cidade construída no deserto, num local onde os fundadores espanhóis encontraram umas escassas «veigas», uns lameiros primaveris irrigados por ténues fios de água (que é o que significa “vegas”). Uma cidade que cresceu, a partir da 2.ª Guerra Mundial, sobretudo graças ao jogo e à energia produzida pela grande barragem Hoover, no rio Colorado. Energia indispensável para alimentar a prodigiosa festa de néon que explode ao anoitecer. As luzes de néon, ao longo da grande avenida central de Las Vegas (The Strip), onde se situam os principais hotéis-casinos, constituíram para mim um dos mais delirantes espectáculos a que assisti. Depois, o resto foi a comédia humana: gente obcecada pelo jogo, nos luxuosos halls tilintantes dos casinos, gente quase sempre gorda, imensamente gorda, mastodonticamente gorda, comendo toneladas de pizzas e de hambúrgueres nos discricionários buffets, assistindo a espectáculos de strip-tease de silicone, percorrendo os intermináveis labirintos dos mega-hotéis de cinco estrelas com cinco mil quartos. Quase todos os hotéis de Las Vegas são temáticos: o Luxor é uma pirâmide egípcia onde não podia faltar, no interior, uma esfinge em tamanho natural e a reconstituição do túmulo de Tutankhamon; o Excalibur parece um castelo de fadas; o New York New York pretende reproduzir Manhattan, com arranha-céus e estátua da Liberdade; o Ceasar’s Palace é isso mesmo, um palácio dos césares romanos, prodigiosamente grande e absurdamente luxuoso; o Treasure Island é a hollywoodesca ilha dos piratas, uma espécie de disneylândia à beira do passeio, com combates e navios a afundarem-se; o Mirage, com as suas palmeiras e as suas cascatas monumentais, é uma verdadeira miragem paradisíaca; o Circus Circus tem lá dentro uma gigantesca montanha russa e uma verdadeira cúpula de circo, onde nem faltam trapezistas em acção; etc., etc. «The american dream» ao vivo. A mim, Las Vegas lembra-me a «welwitschia mirabilis», a planta carnívora do deserto de Moçâmedes: com o seu odor atrai os incautos, que acabam por ser devorados em vida. É que nos casinos só há um vencedor: o Casino.
No entanto, foi a partir de Las Vegas que fiz uma excursão que me lavou a alma: nada mais nada menos que a visita ao Grand Canyon, o fabuloso vale rochoso cavado pelo rio Colorado, um dos mais deslumbrantes e esmagadores panoramas naturais existentes à face da Terra. Ali sim, perante aquele incrível rendilhado geológico, com centenas de milhões de anos de existência, apetece-nos dizer: que mesquinha e pretensiosa é esta nossa breve existência de 80 ou 90 anos!
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

Contraluz, s.m. Luz que dá num quadro, em sentido oposto àquele segundo o qual foi pintado. (Grande Dicionário da Língua Portuguesa).

(Clique nas imagens para ampliar.)

«Paixão pelo Côa – fotografia», crónica de Carlos Marques
carlos3arabia@yahoo.com

O objectivo deste texto é lembrar às gerações bismulenses mais novas que tiveram e têm pessoas da sua terra, que em missões humanitárias, sem recompensas monetárias, prestaram serviços importantes, numa entrega total a Deus e aos homens.

Sabemos por experiência própria como alguns responsáveis por instituições públicas e políticas são alérgicas, insensíveis e deixam cair no esquecimento os seus filhos e até afirmam que já ninguém os conhece na sua terra natal. No entanto, muitos tiveram participação social activa no seu meio e estenderam-no pelo mundo em trabalho notável e valioso. Nesta linha está alguém que gastou uma longa vida a curar e a suavizar as dores físicas e psicológicas de muitos doentes.
Há muito que era minha intenção escrever sobre a minha conterrânea, a Irmã Religiosa Célia, com quem falei uma ou duas vezes, nas suas raras visitas à Bismula. Avivei a memória e com alguns apontamentos recolhidos vou debruçar-me um pouco com a sua história.
Nasceu a 4 de Agosto de 1907 na Bismula, nos finais da Monarquia agonizante. Eram seus Pais Luísa Martins e Joaquim Valente. Pertencia à geração do meu Pai – José Maria Fernandes, que me falava muitas vezes desses tempos. Foi registada civilmente com o nome de Maria Rosa Martins. Tinha duas irmãs, Francisca Martins, casada com o meu tio António Fernandes, cedo faleceu de parto, deixando quatros filhos menores órfãos. O recém-nascido Francisco ficou aos cuidados da sua irmã Rita Martins, mas passados alguns meses também morreu. Esta irmã teve uma numerosa família, nove filhos e foi a mãe do Padre Manuel Joaquim Martins.
Aqui tenho de citar Mário Tiago Bernardo Fernandes, no preâmbulo do Livro Pater Famílias de Ezequiel Alves Fernandes, «era o tempo em que as crianças ficavam às escuras na Bismula, olhando as luzes das cidades que emergiam no horizonte, catapultando sonhos impossíveis, o tempo das rixas nas tabernas; as crianças mortas embrulhadas num lençol; o tempo dos gritos da injustiça das mães que viam partir os seus rebentos por falta de assistência médica.» E as mães também partiam… Partiam todos sem cuidados médicos, porque não existiam.
A Maria Rosa Martins frequentou a Escola Primária da Bismula. Nas horas vagas apascenta um pequeno rebanho com a ajuda da sua amiga Leonilde Polónia, no sítio dos Arroios.
Naqueles tempos havia na Bismula alguns casais onde se praticava a violência doméstica, maridos que maltratavam as suas esposas e filhos. A Maria Rosa apesar de adolescente já tinha uma certa consciência destas agressões familiares, assim como a sua companheira. Decidem nunca casar para não passar por aqueles vexames, que passavam as mulheres da sua terra, e decidiram um dia abraçar a vida religiosa. Estava muito viva e presente nas gentes bismulenses a mensagem deixada pelos responsáveis da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, com sede em Idanha – Belas – Lisboa, a primeira Casa Religiosa fundada em Portugal em 1894.
A Congregação é fundada por S. Bento Menni em Maio de 1881, em Ciempozuelos nos arredores de Madrid, com o objectivo da criação de asilos, hospitais gerais e hospitais psiquiátricos, na promoção, tratamento e reabilitação das pessoas, no âmbito da saúde mental, orientada em critérios da centralidade da pessoa doente, na continuidade apostólica dos Irmãos de S. João de Deus, agora com uma componente feminina.
Aos treze anos aquela menina já sabia quais os caminhos a percorrer. Já tinha mentalidade adulta e decide voluntariamente ingressar naquela Congregação desloca-se com os seus Pais, à Freguesia da Parada, do Concelho de Almeida, onde uma Irmã Religiosa a recebe, e seguem para Lisboa, via-férrea, tomando o comboio na Cerdeira do Côa. Mais tarde a sua amiga Leonilde Polónia vai juntar-se a ela.
Ali faz votos de apostolando e é lhe atribuído o nome de Célia. Parte para Espanha e faz o noviciado na Casa Mãe em Ciempozuelos, junto de Madrid. Aí vive intensamente a Guerra Civil Espanhola e por milagre não é fuzilada, como aconteceu a tantos outros religiosos e religiosas. A grande dedicação e serviço aos pobres, mendigos e doentes, são a senha para serem poupadas ao martírio. Segue para Paris e aí desenvolve imenso trabalho hospitalar. Com a ocupação nazi da cidade surge-lhe mais uma tormenta. Diversas vezes têm as instalações ameaçadas por armas pesadas dos nazis, apontadas para disparar. São forçadas a dar assistência médica e alimentação às forças invasoras. É de tal forma o stress que algumas Religiosas pagaram com a morte estas afrontas militares dos nazis. A Irmã Célia com estas vivências de guerra, num território ocupado pelas forças nazis, ficou de tal forma afectada na sua saúde, uma espécie de virose traumática, que nunca conseguiu debelar.
Regressa a Portugal e em trabalho de missão e de angariação de fundos, faz diversos peditórios pelo Concelho do Sabugal, recebendo fundamentalmente produtos agrícolas que o seu cunhado Manuel Salgueira, conduz para a estação de caminho de ferro da Cerdeira do Côa, a fim de seguirem para Idanha.
Através daquela sua acção, jovens bismulenses e de muitas Freguesias do Concelho do Sabugal, como por exemplo da Nave, Ozendo, Vale de Espinho, Aldeia da Dona, Pousafoles do Bispo, Aldeia da Ponte, entraram naquela Congregação. Estão neste número Maria da Piedade Alves Lavajo, Irmã Hortense, Maria da Nazaré, Irmã América, Maria de Jesus Martinho, Isabel Dias, Adelaide Serrote e tantas outras.
A Irmã Célia faleceu no dia 23/2/2006, em Idanha – Belas, e ali está sepultada, onde tinha entrada em 1920. Trabalhou em Portugal, Espanha e França na área da saúde mental, durante oitenta e seis anos, repito oitenta e seis anos. Os números aqui falam melhor que as palavras.
Ontem como hoje os caminhos vocacionais e do testemunho da Fé tem de ser percorridos, com os métodos que os tempos modernos exigem.
Vem aí uma semana dos Seminários, cujo tema é «FORMAR PASTORES CONSAGRADOS TOTALMENTE A DEUS» e a Igreja vai proclamar um ano consagrado ao estudo e aprofundamento da Fé com inicio a 11 de Outubro de 2012 e o encerramento a 24 de Novembro de 2013, na solenidade da Festa de Cristo Rei.
Na questão vocacional hoje levantam-se muitas questões, que não vou abordar. Sabemos e dizem-nos que a Igreja e o mundo precisa de vocações sacerdotais, seduzidos pelo de Jesus Cristo. Para as despertar precisam-se de famílias e comunidades que sejam campo fértil onde possam germinar. Apela-se aos catequistas e educadores para que se empenhem nas vocações sacerdotais, mas sabemos que em algumas paróquias os seus responsáveis esquecem e ignoram os jovens.
Nesta Nova Evangelização à semelhança desta Irmã Religiosa, devemos concretizar as palavras de Jesus Cristo: «Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo. Brilhem as vossas obras diante dos homens para que eles vendo-as glorifiquem o Pai que está nos Céus.»
Bem-haja Irmã Célia – Maria Célia Martins, minha conterrânea, Religiosa das humanidades, que deu testemunho de Jesus Cristo na sua simplicidade, no seu silêncio, na sua longa missão.
Deus já a recompensou, porque cumpriu a Parábola do Samaritano e as Bem-aventuranças.
São estes membros da Igreja Viva que tem de ser nossas referências cristãs.
António Alves FernandesAldeia de Joanes

JOAQUIM SAPINHO

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