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O movimento Empresários pela Subsistência do Interior (ESI) vai avançar com acções para levar o Estado e membros do Governo a tribunal, exigindo indemnizações pelos prejuízos causados com a introdução de portagens nas auto-estradas.

ScutsSegundo informou a agência Lusa, a intenção do ESI foi anunciada pelo porta-voz do movimento, Luís Veiga, no final de um plenário que reuniu algumas dezenas de empresários na Covilhã para discutir o diploma que introduziu as portagens a partir do dia 8 de Dezembro, publicado na segunda-feira em Diário da República.
Segundo Luís Veiga, «os empresários vão avançar com uma acção administrativa comum contra o Estado, exigindo indemnizações pela frustração de negócios e lucros cessantes».
Na base da argumentação está «a expectativa de negócios que foi criada com o investimento em vias gratuitas apresentadas como ferramentas para promover o desenvolvimento, corrigindo assimetrias regionais».
O processo vai decorrer já em 2012 e iniciar-se com a elaboração de um parecer jurídico que sustentará a acção.
Por outro lado, «o movimento vai também avançar com acções de responsabilidade civil sobre cada um dos ministros que deliberou sobre o diploma que cria as portagens», que de acordo com o movimento são incomportáveis para as estruturas de custos das empresas.
Na reunião de hoje, os empresários consideraram «insuportável um custo acrescido de pelo menos 50 euros para uma simples viagem de ida e volta a Lisboa a partir da Beira Interior».
O diploma estabelece uma tarifa de referência para a classe 1 de oito cêntimos por quilómetro (já com IVA e com os arredondamentos previstos na lei), sendo que no caso dos veículos das empresas (classes 2 a 4) o valor chega a ser 2,5 vezes maior.
A situação «é claramente desmotivadora, vai implicar uma recessão económica profunda na região, acentuar a desertificação e provocar a falência de empresas, tal como alertamos num estudo apresentado ao anterior Governo», conclui Luís Veiga.
plb (com Lusa)

As concessões SCUT do Algarve, da Beira Interior, no Interior Norte e da Beira Litoral passam a estar sujeitas ao pagamento de portagens a partir de 8 de Dezembro, segundo foi publicado, esta segunda-feira, dia 28 de Novembro, no Diário da República. O diploma legal contém algumas medidas de descriminação positiva para as pessoas e as empresas residentes na proximidade das auto-estradas.

Porticos A23O decreto-lei agora publicado define a criação de «um regime de discriminação positiva para as populações e para as empresas locais, em particular das regiões mais desfavorecidas, que beneficiam de um sistema misto de isenções e de descontos nas taxas de portagem»
Em concreto, as pessoas singulares e colectivas que tenham residência ou sede na área de influência das auto-estradas agora portajadas «ficam isentas do pagamento de taxas de portagem nas primeiras 10 transacções mensais que efectuem na respectiva auto-estrada». Após 10 passagens sob os pórticos, os beneficiários têm direito a «um desconto de 15% no valor da taxa de portagem aplicável em cada transacção».
Os utilizadores que podem beneficiarem da isenção e do desconto, tem de comprovar periodicamente a sua morada de residência ou a sede da empresa, apresentando o título de registo de propriedade, o certificado de matrícula ou um documento do locador que identifique o nome e a morada da residência ou da sede do locatário.
Este regime de isenções e descontos estará em vigor até 30 de Junho de 2012. A partir desta data mantém-se apenas para as auto-estradas que servem regiões com um Produto Interno Bruto (PIB) per capita inferior a 80% da média do PIB per capita nacional.
O sistema de cobrança é “exclusivamente electrónico” e o não pagamento de portagens está sujeito a sanções.
Para além da A23 e da A25, que servem a região da Guarda, as vias que passam a ter portagens são a A22, que integra a Concessão do Algarve, e a A24, integrada na Concessão do Interior Norte.
Entretanto as comunidades portuguesas no Reino Unido, França e Alemanha contestaram já a introdução de portagens nas antigas SCUT, afirmando que ponderam deixar de passar férias em Portugal por ficar mais caro do que outros destinos.
«Quem fica a perder é o país, porque as pessoas vão para outros destinos passar férias em vez de irem para Portugal», disse à agência Lusa Augusto Neves, representante da comunidade portuguesa no Reino Unido, acusando os ex-governantes e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de falhar as promessas de não colocar portagens nas SCUT, caso não existissem estradas alternativas dignas.
Segundo Augusto Neves, há emigrantes portugueses que colocam a hipótese de não passarem as férias de Natal, nem de verão, em Portugal.
«Há pessoas que dizem que dizem que vão para Espanha ou para outro lado, porque as férias já não ficam baratas. Nós regressamos a Portugal pelo patriotismo e pelos familiares, mas, se cada vez que nos deslocarmos de um lado para o outro, principalmente no interior do país, tivermos de pagar, se vamos ter que andar a pagar portagens, tudo se torna complicado», considera.
A comunidade portuguesa de emigrantes na Alemanha também «não está contente» com a introdução de mais portagens em Portugal e reclama o facto das tarifas serem «caras» e de nem haver informação suficiente sobre a forma de pagamento.
«Em algumas auto-estradas não se paga na hora e quem não está avisado, não sabe como se paga», lamenta Maria da Piedade Ascensão, representante da comunidade portuguesa na Alemanha, acrescentando, por outro lado, que são tarifas «caras».
A comunidade portuguesa em França reconhece que o país atravessa dificuldades económicas, mas também contesta a introdução de portagens em Portugal, sugerindo que deveria haver outras alternativas para o encaixe de verbas nos cofres do Estado.
«A comunidade sabe que há esforços a fazer por causa das dificuldades económicas. No entanto, nunca é agradável uma taxa de imposição suplementar, designadamente quando a emigração é uma mais valia para Portugal, quando vai visitar os seus», adiantou à Lusa Paulo Marques, representante da comunidade portuguesa em França.
plb

Presentemente, os Estados estão limitados no exercício da sua mais natural autoridade, ao mesmo tempo, as grandes corporações, multinacionais e instituições globais têm cada vez mais poder de decisão sobre questões fundamentais que afectam os cidadãos. Há uma chantagem permanente por parte dos mercados (eufemismo utilizado para nos referirmos aos banqueiros internacionais) e dos lobbies privados em relação aos Estados e aos cidadãos.

António EmidioNas últimas eleições em Portugal, o FMI e a Alemanha (BCE e UE) obrigaram os possíveis partidos vencedores PS, PSD e CDS, a assinar um acordo mediante o qual se comprometiam a tomar uma série de medidas que levariam Portugal para a recessão económica, para o aumento do desemprego, e que já o colocaram no último lugar da Europa em todos os índices de crescimento.
Na Grécia, substituíram Papandreu por um expoente da Oligarquia Financeira, antigo dirigente do BCE (Banco Central Europeu) este senhor pertence ao Clube Bilderberg, chama-se Papademos.
Na Itália, sai Berlusconi para entrar Mário Monti, antigo comissário europeu, também pertence ao Clube Bilderberg.
Na Espanha, o antigo primeiro ministro Zapatero, socialista, viu-se obrigado por pressões da Alemanha e da França a convocar eleições antecipadas, abrindo caminho ao Partido Popular, um partido extremista de direita. Uma coisa é certa, quem irá governar Espanha será a senhora Merkel. Digo isto, porque o novo primeiro ministro Mariano Rajoy, falou com Merkel, aconselhando-se como deverá governar a nível económico, o mesmo quer dizer a nível político e social, já que está tudo interligado.
Na França, nada me admirará se Sarkozy for substituído, mais tarde ou mais cedo, pelo senhor Jean Claude Trichet, este encontra-se disponível e é mais um tecnocrata, já que um outro tecnocrata, Dominique Strauss Kahn, está impedido de governar devido aos escândalos sexuais.
Para presidente do BCE foi Mário Draghi, o BCE diz-se um banco «independente», sem dúvida que é independente de qualquer órgão saído da vontade popular dos Povos da Europa. Mário Draghi foi um homem da Goldman Sachs, a sociedade que falsificou as contas da Grécia para que esta pudesse entrar na Zona Euro, e que agora especula com a dívida grega!
A Democracia, sempre foi e continua a ser uma ameaça para e elite económica, esta, tem oportunidade presentemente, devido à crise que ela própria originou, de acabar com a Democracia.
A chamada «economia da dívida» está a servir para entrarmos num Estado de Excepção permanente, onde os povos terão pouco ou nada a dizer. O capitalismo que durante algum tempo andou a par com a Democracia, quer abandoná-la, quer regressar às origens liberais, que não é mais nem menos do que o poder da Oligarquia.
Em Portugal, Espanha, Grécia, e até Itália, a Liberdade e a Democracia estão assentes numa base muito frágil…A própria Ângela Merkel afirmou: «Ninguém pode dar por certo outro meio século de paz e prosperidade na Europa» ela lá sabe porquê…Mas não deixa de ter alguma razão, a paz na Europa é uma anomalia, vejamos a história deste Continente.
Querido leitor(a), a história continua aberta, para que nós, o povo, a possamos escrever, vamos então escrevê-la!

Há uma ilusão de «Democracia Política» quem a alimenta é uma classe política já desnorteada, apoiada pelos Corifeus da comunicação social, os povos já se aperceberam que o poder a as decisões estão noutro lado, na parte não eleita. Esta situação não pode durar muito tempo, porque tudo isto é um convite à revolta.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Um homem de Quadrazais, de 31 anos, já com antecedentes criminais, foi identificado pela GNR como suspeito do furto de metais (ferro) numa quinta agrícola próxima do Sabugal.

Operação STOP da GNRSegundo o comunicado semanal da GNR da Guarda, a identificação do suspeito ocorreu após ter sido apresentada queixa no Posto do Sabugal sobre o furto. Face à situação os militares afectos à investigação criminal colocaram-se em campo e localizaram e apreenderam o material furtado, para além de identificarem o suspeito do furto, tendo os factos sido participados ao Tribunal Judicial do Sabugal.
No final da tarde do dia 27 de Novembro, o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente, através da Equipa de Protecção Florestal da Guarda, deteve um indivíduo de 46 anos de idade, residente em Linhares da Beira (Celorico da Beira), por crime de desobediência no âmbito da fiscalização da caça.
O homem circulava num caminho rural e não obedeceu ao sinal de paragem dos agentes, sendo apenas possível a sua intercepção quando lhe foi barrada a passagem. Na fiscalização ao veículo foram encontradas duas armas brancas proibidas (uma catana com 41 cm e uma faca com 22 cm) que lhe foram apreendidas. Ao suspeito foi também apreendida uma caçadeira e respectivos documentos (livrete de arma de caça e carta de caçador) e 14 cartuchos, dos quais um de zagalote e um de bala.
Outra situação ocorreu no dia 23 de Novembro, em que o Núcleo de Investigação Criminal da Guarda, deteve um homem de 27 anos idade, residente em Vila Fernando, concelho da Guarda, por crime de posse ilegal de uma soqueira e um bastão extensível, armas proibidas por lei. Presente ao Tribunal da Guarda foi condenado em 100 dias de prisão de, remissíveis a multa de 600 euros.
plb

A Associação Salvador promove, entre 28 de Novembro e 2 de Dezembro, palestras de sensibilização acerca da deficiência motora, em Beja, Portalegre, Castelo Branco, Guarda e Bragança. A iniciativa pretende desmistificar preconceitos sobre o tema.

Na Guarda a iniciativa terá lugar no próximo dia 1 de Dezembro, pelas 14h30, na Sala Dr. Almeida Santos da Câmara Municipal da Guarda. Trata-se de uma palestra de sensibilização sobre deficiência em que cinco oradores, com diferentes tipos de deficiência motora, irão abordar vários temas, como educação, emprego, desporto e família, tendo como objectivo desmistificar preconceitos. A entrada é livre.
No decorrer das palestras falar-se-á da integração social de pessoas com deficiência motora através do desporto adaptado, empreendedorismo, integração profissional, percurso escolar, vida familiar, acessibilidades, entre outros, mostrando como as pessoas com deficiência podem ter vidas perfeitamente normais. Haverá também uma exposição interactiva sobre alguns dos temas acima referidos.
Salvador Mendes de Almeida, presidente da Associação Salvador, justifica a iniciativa referindo que «desde que me desloco numa cadeira de rodas que me deparo com muitas atitudes preconceituosas que, muito honestamente, me surpreendem e entristecem, pois muitas pessoas não conseguem perceber que as pessoas com deficiência não são “coitadinhas” e podem ser felizes e realizadas. O nosso objectivo com esta iniciativa é combater as percepções negativas sobre a deficiência, facilitando assim a nossa integração social».
Os oradores serão Salvador Mendes de Almeida (com 29 anos, apresentador de um programa de televisão na RTP e co-autor de dois livros sobre o tema), Carlos Lourenço (artesão com 53 anos, casado e pai de quatro filhos), Carlos Nogueira (44 anos, divorciado, dois filhos, funcionário da Câmara Municipal de Lisboa), Filipa Bento e Filomena Franco (atleta de alta competição na modalidade de remo, com 36 anos).
A palestra a realizar na Guarda insere-se numa iniciativa mais vasta, designada «Semana das Capacidades», pela qual a associação pretende assinalar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, que se comemora a 3 de Dezembro, contando com o apoio dos mecenas da Associação Salvador – Semapa e Banco Espírito Santo.
A semana das Capacidades inicia-se no dia 28 de Novembro, em Beja, no dia 29 estará em Portalegre e no dia 30 em Castelo Branco. Depois de passar pela Guarda, o ciclo de palestras acaba em Bragança, no dia 2 de Dezembro.
A Associação Salvador, que tem sede em Lisboa, possui o estatuto de utilidade pública e tem como missão promover a integração das pessoas com deficiência motora na sociedade.
plb

As linguagens da aldeia são muito diversas, variam de casa para casa, de rua para rua, mas têm substratos comuns. E respondem simplesmente à vida vivida, não a estereótipos científicos. Cada época acarreta para a fala os seus ícones também linguísticos. Hoje trago aqui só meia dúzia de exemplos dos anos 60 para apreciação de quem gostar destas elucubrações.

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Há palavras e expressões que nos anos 60 têm um significado profundo e subliminar que hoje nem se imagina. Na maior parte dos casos, o regime e a Igreja fizeram bem o seu papel: sedimentaram em cima da ignorância do Povo o significado que quiseram para cada palavra.
Um exemplo.
A Maçonaria combatia o regime? Então, tudo o que é mação é mau. Passaram esta ideia de base para as pessoas, repetiram isso até à exaustão e… nem preciso de explicar mais nada. De cada vez que se queria dizer que Fulano ou Sicrano era mau, tinha mau íntimo etc., bastava dizer:
– Aquilo é um maçónico!
Estava tudo dito. Maçónico é mação, é pessoa sem princípios. Pessoa que fosse rotulada de «maçónica» estava marcada. «Voz do Povo, voz de Deus» – a coisa circulava nos bastidores da vida social da aldeia. A partir daí, «mais vale cair em graça do que ser engraçado»: tanto dava a pessoa ter princípios e quais eles fossem como não: era simplesmente «maçónico». E estava frito…

«Até é Doutor»
E agora um exemplo do contrário: palavras que qualificam pela positiva sem mais discussão também…
A palavra «Doutor» corresponde ao máximo na escala social. Se é «Doutor» é boa gente: «Até é Doutor». Alguns, acho que só estiveram em Coimbra de passagem, mas ficaram para sempre «Doutores». Duvido que o «Doutor de Santo Amaro» alguma vez tenha concluído algum curso; e duvido que o «Doutor Guerra», da «Quinta» tenha acabado uma qualquer licenciatura. Mas são «Doutores».
E isso é que conta, nos anos 50 e 60: a reverência manifesta-se por aí também: o respeitinho da população garantido em símbolos de linguagem…
Ser «Doutor» é o máximo. Há poucos. A palavra é um título honorífico, como, sei lá, ser «conde» ou «besconde» (visconde, que também ali havia um numa quinta próxima…).
Se é «doutor» é gente importante, de certeza. Reparem que hoje a coisa mais vulgar é haver vários licenciados na mesma casa. Naquele tempo havia um ou dois em cada aldeia, se tanto. Daí, a «valorização» do termo na época.

Chega o calão emigrante
A propósito de linguagem, vale a pena referir dois ou três vocábulos introduzidos pela mistura emigrante. Os primeiros regressados de férias (meados dos anos 60) falam sem cessar das folhas de «peia», dos batimãs, dos bidonviles, da SNCF, dos papiês… Aos filhos falam uma mistura incrível. Ficou célebre aquela mãe a gritar na rua três ou quatro vezes: «Michel, tu vas tomber» («Miguel, vais cair»). E como o filho não obedecia e caiu mesmo: «Ai, o f.p. do garoto, não é que caiu mesmo? Ah, malandro, eu bem dizia que partias os c****s!».
Explicando os termos trazidos de Paris e arredores (Seine-et-Oise, Champigny – ver a foto pequena à direita) para a aldeia: folha de peia («feuille de paie») é o impresso relativo ao salário; batimãs («bâtiments») são as obras de construção civil onde muitos trabalhavam e davam cabo do cabedal; bidonviles («bidonvilles») são os bairros clandestinos miseráveis dos arredores de Paris, onde a maioria morava; SNCF: era a Société Nationale des Chemins de Fer (Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro) onde alguns trabalharam anos e anos; os «papiês» («papiers») são, naturalmente, os almejados documentos de legalização como emigrantes. Mas há mais: os carros e as matrículas. Os «apartamentos» (departamentos, claro – mas que diferença faz?). Demos connosco a saber de cor que 75 era Paris, 92, 93 ou 94, dos arredores…
Agora uma adivinha para fechar: sabe o que é o «farruge»?
Não, pois não?
Eu ajudo: era o «feu rouge», o semáforo vermelho que a todos eles surpreendeu nas cidades francesas (cá nunca tinham visto – o mais que tinham visto era um sinaleiro na Covilhã e outro na Guarda ou em Castelo Branco…).
Mas devo acrescentar que não é raro um ou outro emigrante na França ser depreciativamente apelidado de «tchampigny».
Enfim: fluxos e refluxos da linguagem popular.
Aliás, acho que toda a vivência emigrante no Casteleiro poderá merecer uma crónica específica. Um dia se verá isso.

…E assim se construiu um linguajar diferente e mais colorido naquela época meio triste e apagada. Foi um linguajar transitório. Hoje já ninguém diz «farruge». Os pais e avós falam português e arranham o francês mas os filhos e netos já só falam francês – e muito correctamente, os que lá fizeram a escola. A emigração levou saúde mas trouxe dinheiro, conforto e novos vocábulos obtidos por uma engraçada corruptela popular e folclórica.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

A CriarteCôa inaugurou, no passado dia 19 de Novembro, a exposição «Botânia». A cerimónia contou com uma grande afluência de visitantes e interessados em ver de perto os arranjos e as propostas de decoração apresentados na exposição.

Apesar de o tempo não ter estado nada convidativo foram muitos os sabugalenses que se deslocaram ao espaço «Botânia». Na cerimónia inaugural marcaram presença cerca de uma centena de convidados interessados em descobrir as propostas em exposição.
Muitos foram os elogios aos organizadores pela realização deste evento atendendo a que no Sabugal poucos são os eventos que se realizam pela iniciativa privada. Na cidade raiana os eventos realizados são, quase sempre da responsabilidade da Câmara Municipal ou da empresa Sabugal+ e este tipo de iniciativas por parte de entidades particulares são muito raras.
A mostra caracteriza-se pela harmoniosa decoração dos artigos expostos sendo de salientar a grande variedade e gama de produtos de artesanato de fabrico nacional e regional. Nos conjuntos apresentados são utilizados troncos naturais e biologicamente tratados, folhagens em tecido e fibra impressos e ramagem de um só bloco, proporcionando a cada artigo uma beleza única e de maior durabilidade.
Os responsáveis pela iniciativa consideram associar a este evento mais e melhores soluções, oferecendo serviços na área de decoração de eventos com produtos artificiais ou naturais, aluguer de árvores, plantas e flores, para a realização de eventos em termos empresariais ou de carácter particular e ainda com plantas naturais para eventos religiosos.
A exposição «Botânia» está aberta ao público até ao dia 22 de Dezembro e pode ser a solução para aquela «especial» prenda de natal. Visite.
Isilda Silva

O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, preside esta segunda-feira, 28 de Novembro, em Trancoso à criação oficial do Gabinete de Apoio ao Emigrante. Para o efeito é celebrado o protocolo de colaboração entre a Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas e o Município de Trancoso.

Trancoso

A cerimónia da criação do Gabinete de Apoio ao Emigrante de Trancoso conta com a presença do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, do director-geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, Embaixador Santos Braga e do director de Serviços da Direcção de Serviços Regional da DGACCP (Porto), Jorge Oliveira.
Em recente visita realizada a Trancoso o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, esteve reunido com Júlio Sarmento, presidente da Câmara Municipal de Trancoso, com vista à criação do referido Gabinete.
Salientou, na altura, que «este Gabinete é importante para o tratamento dos processos relativos aos portugueses residentes no estrangeiro, facilitando a sua resolução ou acompanhamento, mas também dirigido aos que já regressaram ou pretendam emigrar, além de poder também representar a entrada de divisas no concelho e recursos». O governante citou o caso de alguns municípios onde o Gabinete de Apoio ao Emigrante «está a trabalhar muito bem» referindo, por exemplo, o caso de pensões da Segurança Social que são tratadas por este tipo de departamento e que são localmente depositadas nos bancos, sendo assim «dinheiro que entra e que acaba por ser ali gasto na localidade».
O Presidente do Município de Trancoso, Júlio Sarmento, manifestou por seu turno o apoio e a abertura da autarquia para a criação deste departamento, realçando ainda a importância que as comunidades de portugueses, nomeadamente os trancosenses residentes no estrangeiro desempenham na divulgação da cultura e língua portuguesa, contribuindo para o desenvolvimento dos países onde estão radicadas mas também das terras de origem e o seu conhecimento além fronteiras.
No decorrer desta deslocação o Secretario de Estado das Comunidades Portuguesas vai ainda avistar-se com os presidentes de Juntas de Freguesia do concelho de Trancoso e ainda com responsáveis por serviços e forças de segurança sedeadas no distrito da Guarda.
jcl (com Gabinete de Comunicação e Imagem da C.M.Trancoso)

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

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O Sr. Eng.º Filipe Figueira é o responsável pela obra no terreno representando o empreiteiro António José Saraiva, que tem também por missão elaborar um relatório semanal de dúvidas e esclarecimentos para as reuniões com a direção, município e projetistas. Com a obra a decorrer nos prazos previstos, neste momento, já estão aplicados no terreno 100.000 euros.
Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

No seguimento dos anteriores pensamentos de «loucura» não resisto, Côa, a transcrever leituras que tu me despertas…

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«O pensamento possui um poder incrível. Pode curar moléstias. Pode transformar a mentalidade das pessoas. Pode fazer qualquer coisa, até milagres. A velocidade do pensamento é incalculável.
O pensamento é uma força dinâmica. É causado pelas vibrações do Prana psíquico, ou Sukshma Prana, na substância mental. É uma força como a gravitação, coesão e repulsão. O pensamento viaja ou se move.
As células realizam seu trabalho sem o conhecimento consciente de nossa vontade. Suas atividades são controladas pelo sistema nervoso simpático. Estão em comunhão direta com a mente no cérebro.
Todo impulso da mente, todo pensamento, é transmitido às células. Estas são enormemente afetadas pelas várias condições ou estados de ânimo. Se na mente existir confusão, depressão e outras emoções e pensamentos negativos estes serão transmitidos telegraficamente através dos nervos a cada célula do corpo. As células soldados entram em pânico. Enfraquecem. Ficam incapacitadas para executar suas funções. Tornam-se ineficientes.
Alguns pensam demais no corpo e não têm ideia do que seja o Eu, levam uma vida indisciplinada e desregrada, abarrotam o estômago de doces e de bolos, etc. Não dão descanso aos órgãos da digestão e de excreção. Sofrem de fraqueza e de moléstias. Os átomos, moléculas e células em seus corpos produzem vibrações desarmoniosas e discordantes. Carecem de esperança, confiança, fé, serenidade e alegria. São infelizes. A força vital [prana] não está funcionando direito. O nível de sua vitalidade é baixo. Têm a mente cheia de medo, desespero, preocupação e ansiedade.
Enquanto a luz viaja a uma velocidade de 300.000 quilómetros por segundo, o pensamento é virtualmente instantâneo na sua propagação.
Qual seria o meio condutor em que os pensamentos de uma pessoa passam para a mente de outra? A melhor explicação possível é a de que o Manas, ou substância mental, enche, como o éter [“Akasha”, o espaço cósmico], todo o espaço e serve de veículo dos pensamentos, como o Prana [energia cósmica] dos sentimentos, o éter do calor, da luz e da eletricidade e o ar do som.
Cada um de nós tem o seu mundo de pensamento (é o chamado plano mental).
Quanto mais forte for o pensamento, mais rapidamente ele frutifica. O pensamento é focalizado e isso lhe dá determinada direção e, na proporção em que for focalizado e dirigido, estará o efeito que pretende alcançar.
Grandes Iogues como Jnanadev, Bhartrihari e Patanjali costumavam enviar e receber mensagens de pessoas distantes através da telepatia mental (rádio mental) e da transmissão de pensamento. A telepatia foi o primeiro serviço radiofónico, telegráfico e telefónico que existiu no mundo.
Existe na física o termo “força de orientação”. Apesar de haver uma massa de energia a corrente não flui. Precisa ser ligada ao circuito e só então a corrente elétrica fluirá através da “força de orientação”.»
«O Poder do Pensamento pelo Ioga», Swami Shivananda
«Paixão pelo Côa – fotografia», crónica de Carlos Marques

carlos3arabia@yahoo.com

A festa de Santa Catarina, na Rebolosa, é e sempre no dia 25 de Novembro. Mas que festa! Foi na sexta-feira e já sinto saudades. É que ainda falta quase um ano para a próxima.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaHá um conjunto de circunstâncias que fazem com que as pessoas se apaixonem por essa festa.
É a festa da saudade, da amizade, do amor e da confraternização. Mas o que provoca todas estas sensações são as pessoas.
A primeira sensação é que me reporta à infância ou a fazer lembrar os tempos medievais.
A feira, as tabernas, os assados nas ruas, nos currais, no barroco, as concertinas, o reencontro das pessoas, sobretudo das mais velhas, provocam-me uma nostalgia a ponto de achar que o Novembro de 2012 nunca mais chega.
Quando ontem cheguei, acompanhado de mais quatro fojeiros, fui cumprimentar o simpático Presidente da Junta, Manuel Rei, a quem o secretário da Junta de Foios ofereceu um magusto de castanhas. De seguida fomos tomar a primeira jeropiga ao bar da Associação.
Deixámos o amigo Manel Rei, que tinha muito para fazer, e deslocámo-nos para os locais onde já fumejava. Lá estavam os outros elementos da Junta e da Associação agarrados ao trabalho do lume que, nesta altura, quase se agradece.
Aqui aparece um amigo, ali outro e toca de provar as águas deste ano e dos anos anteriores. Novo e velho é todo bom. E cai bem porque sempre se vai comendo um pimento curtido, umas azeitonas ou um torresmo.
Aquele sítio do barroco onde todos os anos saboreamos o porco do simpático amigo Jordão é absolutamente deslumbrante. A fogueira que lá se ascende faz lembrar o Natal.
O Engº Miguel Neto e a esposa não se cansavam de distribuir mantimentos, pelas mesas, para que ninguém fosse a contar mal da festa.
Mais tarde baixamos até ao recinto das festas onde alguém assava a carne e os enchidos que outros íamos degustando.
Muito próximo, cerca do tanque, mais um enorme grupo em volta das mesas e dos grelhadores conversavam animadamente. O Quim, o Manel e um terceiro amigo, também não se pouparam para que todos os amigos passem um rato bueno.
Depois de bem comidos e bem bebidos decidimos ir tomar café quando, entretanto, surgiu o Nuno Ventura para nos dizer que não ficaria satisfeito se não fossemos beber um copo ao seu espaço. Fomos sim senhor. Bebemos um copo, voltámos a petiscar e cantou-se o fado ao som do acordeon.
Quando já nos deslocávamos, em direcção da viatura que nos tinha transportado, apareceu a Alexandrina, o Carlos, a Natália e mais uns amigos a desafiar-nos para irmos a uma penha tomar mais um copo. Fizemos-lhe a vontade e gostámos de visitar a penha onde um grupo de jovens nos serviram uma jeropiga.
Sabiamos que a festa continuava mas como tínhamos alguns compromissos nos Foios lá nos despedimos da Rebolosa com a promessa de voltar. Não só à Santa Catarina como a outras actividades que essa gente bairrista leva a efeito ao longo do ano.
Obrigado e parabéns ao simpático povo da Rebolosa.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Luís Baptista-Martins (primeiro subscritor) e Francisco Almeida (porta-voz da comissão de utentes das A23, A24 e A25) levaram à Assembleia da República uma petição com milhares de assinaturas contra a introdução de portagens nas SCUT’s da Beira Interior.

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jcl

O maior Madeiro de Portugal, o de Penamacor, têm a ambição de ser votado como a tradição de Natal mais criativa de Portugal, concorrendo contra outras duas tradições populares: a Saída dos Reis, em Vila do Conde, e a Festa de Santo Estêvão de Ousilhão, em Bragança.

Madeiro de Penamacor

Madeiro Penamacor - SamsungA iniciativa partiu do Movimento SIM, o qual tem por objectivo defender as tradições portuguesas. Após uma primeira análise às mais significativas tradições de Natal em Portigal, o Movimento seleccionou três, que agora submeteu a votação na internet.
A tradição que for escolhida como a mais significativa vai dar lugar a um filme, do realizador Manuel Pureza.
O chamado Madeiro de Penamacor consiste na maior fogueira de Natal do País. A madeira para a fogueira é todos os anos acumulada no adro da igreja, numa tarefa colectiva organizada pelos jovens que em cada ano «dão o nome para a tropa». Tractores e camiões carregam os tocos, formando uma enorme carambola, o Madeiro, a que deitam o fogo na noite de Natal, devendo manter-se aceso até ao dia de Reis.
A Saída dos Reis, é uma tradição de Vila do Conde, que se realiza a 5 de Janeiro, noite em que os três Reis Magos saem à rua, vestidos a rigor e montados em cavalos. Partem da igreja de Nossa Senhora da Lapa e percorrem a cidade, visitando algumas casas durante o percurso. Esta tradição é mantida pela Confraria de Nossa Senhora da Lapa.
A Festa de Santo Estêvão de Ousilhão (Bragança), também chamada de Festa dos Rapazes, inscreve-se no contexto das festas nordestinas realizadas no ciclo dos 12 dias, do Natal aos Reis. A festa inicia-se no dia 24 de Dezembro após a missa do galo, com o leilão dos chocalhos pertencentes ao espólio de Santo Estêvão. Na tarde do dia de Natal, realiza-se uma ronda de boas festas com visita cerimonial a todos os vizinhos, feita pelos moços que envergam lenços garridos e chapéus enfeitados com fitas de seda, tocando castanholas, bombo, gaitas de foles e caixa. Os moços dançam e tocam castanholas em torno de uma mesa devidamente arranjada e guarnecida de iguarias.

Capeia Arraiana apoia a eleição do Madeiro de Penamacor como a tradição de Natal mais criativa de Portugal. Vote Aqui.
plb

Já sabem os meus caros que a vida que levei foi a de arriscar o coiro no contrabando e esfalfar a saúde calcorreando a todo o tempo os povos em redondo comerciando as mercancias. E não é vergonha dizê-lo, porque se a ventura me estava no tutano, também tinha de acarear sustento para as muitas bocas que tinha em casa.

Cuidar das parcas terras que meu pai e meu sogro me deixaram era obrigação para a mulher e os filhos, embora não negasse dar uma ajuda, o que sobretudo sucedia aquando das tarefas de maior e mais cansativa azáfama.
Arrecadava ao redor de 20 alqueires de centeio, que me garantiam fartura de pão de portas adentro. Mas para o cereal vir parar à arca da loja tinham que se executar as rudes tarefas da ceifa, acarranja e malha, nas quais dava o meu contributo, especialmente no torna-dia, que era a paga, em trabalho, a quem nos ajudava.
Numa dessas ocasiões, fui ajudar à malha da senhora Marquinhas, uma morgada cá da terra, que era mulher bondosa e bem merecia o favor de todos. Tive que me agarrar ao mangual e emparceirar com a rapaziada nova numa das alas a zupar no centeio. Demos-lhe forte, em continuada compita, não me ficando atrás da malta solteira, que me julgava um osso bom de roer.
De manhã cedo, à desjua, bebemos gemada e metemos no fole uma mastiga de pão com chouriça. Ao almoço emborcámos uma malga de sopa e um naco de pão com queijo de cabra curado. A meio da manhã parámos para o cravelo, comendo pão com chouriça e presunto. Durante o manejo do mangual, ao fim de cada eirada, derrubávamos um cântaro de vinho, do verdasco da senhora Marquinhas, que saltava aos olhos em sinal de maravilhosa pinga.
Quando o sol ficou a pino, quedámos para a janta. A patroa estendeu uma toalha de linho por riba de duas fachas de palha e ali dispôs as maravilhas da sua culinária. Serviu-nos com todo o esmero, por lá demasiado, face à hoste de labregos que ali tinha, pois o que queríamos era encher o odre para satisfazer a gana e recuperarmos as forças para o resto da traifa. Veio um tacho de borrego guisado com soberbo aroma, que nos fez crescer a larica. Para acompanhar o borrego requeriam-se batatas cozidas, das farinhentas, para embeber o molho bem apurado do guisado. Mas a senhora Marquinhas, que tinha o maldito gosto de surpreender, apresentou um tacho de arroz alvo como a estriga.
– Aqui têm um arrozinho branco de manteiga para acompanhar o borreguinho – disse-nos com a sua vozinha meiga ao destapar o tacho.
Trocámos olhares de estranheza, pois naquele tempo não éramos dados ao arroz, ainda para mais assim da cor da cal, parecendo o arroz-doce de uma boda. Tive que ser eu a dar voz à insatisfação.
– Ó senhora Marquinhas, não me leve a mal nem veja desfeita na minha niquitrena, mas antes quero acompanhar o borrego com fatigas de pão do que emborcar esse arroz deslavado e da cor do linho.
– Ora essa, senhor José Tosca, cozinhei-o com toda a condesilha, não me diga que lhe desagrada, se ainda nem o provou.
Tive de lhe explicar com paleio mais frontal.
– O ponto é que só gosto de arroz sujo, do que tem ciscos e algueiros.
– Meta lá uma garfada à boca e verá que está divinal – sugeriu-me a morgada face às minhas considerações.
– Pois da minha parte antes lhe rogo uma fatiga de centeio, que esse arroz esbranquiçado será manjar para padres e doutores, mas não satisfaz o apetite de um malhador.
E todos se atiraram ao tacho do guisado munidos de um bom fatronco de pão, sem que ninguém botasse o garfo ao arroz de manteiga, para desânimo da morgada que se viu obrigada a recolher o tacho.
Deglutido o guisado, a patroa presenteou-nos com uma travessa de papas de carolo, que estavam muito docinhas, e num ai foram arrebanhadas pelos gulosos malhadores.
Para findar, veio à mesa improvisada um enorme e vistoso queijo fresco, que a morgada retirou do assincho, ficando a tremelicar em cima do prato. Logo alguns lhe botaram as naifas, retirando grandes pedaços que colocaram sobre fatigas de pão.
Como não toquei no queijo, a senhora Marquinhas, que em tudo reparava, deu-me novo remoque, por lá ainda pouco refeita das minhas considerações acerca do arroz branco.
– Então senhor José, não se serve de um pedaço de queijinho tenro, acabadinho de fazer?
– Olhe, senhora Morgada, eu serei algo biqueiro, mas no que toca a queijo, saiba vossemecê que só me entra no goldre o amanteigado, daquele que se esbarronda no prato do mesmo modo que uma bosta de vaca se esparralha no chão.
A mulher ficou de face rubra, parecendo subitamente irada com o meu paleio.
– Veja o senhor José como fala quando os mais estão à mesa!
Como não era homem de lérias, pedi licença, levantei-me e abandonei a malha. Seria labrego e tipo de poucos e maus cuidados no trato e sem maneiras, mas tenho cá o meu orgulho e o meu modo de ver o mundo.
Decidi nada querer daí em diante com gente fidalga, dessa que não gosta das falas e da maneira de viver da gente do povo. E já agora, no que respeita a comidas, saibam que sou ainda fiel à tradição antiga e não me entram no bucho os comeres modernos que agora por aí se servem nas casas de pasto.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

Os Estados Unidos representavam, a meio do século passado, o éden das liberdades. Inversamente, a União Soviética – ainda não se adivinhava sequer a PERESTROICA e o estalinismo ainda era a regra – simbolizava o inferno de todas as opressões.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaE, no entanto, o congressista WAYNE MOSER, famoso pela sua análise dos problemas da grande política, não se coibiu de proferir na sua Câmara, esta sensacional declaração:
«A imprensa americana não leva ao conhecimento do povo americano senão aquilo que lhe interessa que o povo leia – situação que não difere do que se passa na Rússia com os leitores do Pravda.
Na Rússia, o governo fá-lo através dum único instrumento. O seu órgão oficial e oficioso. Entre nós, por uma multiplicidade de meios, manejados por um poder oculto, mas todo poderoso.
A nossa opinião pública está muito mais condicionada do que a russa, pois estes sentem que estão a ser enganados e naturalmente criam anticorpos de defesa.
E nos confiantes na liberdade de opinião não desconfiamos sequer que vivemos numa demoplutocracia, onde todo o poder reside em grupos de pressão, onde o dinheiro é todo-poderoso, o detentor mesmo de todos os poderes.»
Ora,o diagnóstico está desde há muito já feito.
Hoje, escrevia já há mais de meio século SERVAN SCHREIBER, na Inglaterra, na França, na Alemanha, países que se afirmam como perfeitamente democráticos, o principal factor de intervenção é o poder do dinheiro, nas suas múltiplas e multiformes modalidades – os grandes «trustes» industriais, os bancos, as petrolíferas, todas as estruturas monopolistas.
Fabricantes da opinião pública, fabricam obviamente os detentores dos orgãos de soberania, que, obviamente também só mandam porque lhes obedecem.
O «Big Brother», de GEORGES ORWELL, prova caricaturalmente como os media podem criar do nada uma personalidade que depois podem fazer eleger para qualquer cargo, de domínio universal, até…
A propaganda torna-se, por esta capilar acção, o elemento determinante da formação e deformação do espírito e das vontades.
Lançam-se políticos como se lançam vedetas do cine ou até marcas de iogurtes.
Prefabricada, a opinião pública cria uma vontade também prefabricada.
E lutar contra tão asfixiante corrente pressuporia que se dispusesse de armas iguais – igual domínio na imprensa, na rádio, na televisão…
Como isso requereria igualdade de meios financeiros, a luta só pode ganhar-se a nível da consciência de cada um, mantendo-a indemne a manobras de perversão.
A velha parábola evangélica de que a árvore se conhece pelos seus frutos é uma felicissima expressão da sabedoria das nações.
O empirismo organizador não é, queira-se ou não, mais do que o nome dado à experiencia, que, no caso, nos tem de levar a uma atitude fortemente crítica, do que se pretende fazer passar por opinião pública.
O vocábulo candidato radica em cândido.
A cor da túnica com que o pretendente a cargos públicos se pavoneava entre as multidões, fazendo-se passar por imaculado, ainda que tivesse alma de Catilina, era já prenúncio destas arremetidas de hoje.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

A Presidência da República anunciou hoje, 25 de Novembro, a promulgação do diploma legal que prevê a cobrança de portagens nos lanços e sublanços das auto-estradas SCUT do Algarve, da Beira Interior, do Interior Norte e da Beira Litoral/Beira Alta.

O regime de cobrança de taxas de portagem nas SCUT «foi promulgado em 16 de Novembro, aguardando ainda publicação no Diário da República», lê-se numa nota divulgada no portal on-line da Presidência da República.
Prevê-se para os próximos dias a publicação do Decreto-Lei no Diário da República, de modo a entrar em vigor, dando início à cobrança das portagens.
A delonga na cobrança, que o governo em funções anunciou para breve, deveu-se a dúvidas de Cavaco Silva e respectivos pedidos de esclarecimento ao governo sobre o diploma em questão.
A promulgação presidencial motivou uma imediata reacção por parte da Comissão de Utentes Contra as Portagens na A25, A24 e A23, que convocou para o dia 2 de Dezembro (sexta-feira) uma marcha lenta na A25, com partida de Viseu, às 17 horas.
Francisco Almeida, da Comissão, diz que o Presidente da República «fez mal e a sua decisão é frontalmente incoerente com os seus recentes discursos sobre a necessidade de políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento do interior. É caso para dizer – “bem prega Frei Tomás” ou ainda “ olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”».
Entretanto, a nível operacional, está tudo a postos para a cobrança através dos pórticos instalados nas auto-estradas.
As portagens nas ex-SCUT passarão a ser cobradas através de pagamento automático, o qual funciona nos mesmos termos que têm funcionando os identificadores Via Verde (que também servem para as novas auto-estradas a portajar). As passagens serão debitadas directamente na conta bancária do utilizador, sem necessidade de se deslocar para realizar pagamentos de facturas ou carregamentos.
Uma via alternativa ao pagamento automático é o pré-pagamento com identificação do proprietário do veículo, que consiste na criação de um pré-pago onde serão realizados pré-carregamentos de saldo, que serão utilizados aquando da passagem nos pórticos.
Uma terceira alternativa é o chamado pré-pagamento anónimo, que consiste na criação de um pré-pago associado a um dispositivo electrónico temporário. Neste sistema, serão realizados pré-carregamentos de saldo que posteriormente serão utilizados aquando da passagem nos pórticos das vias com cobrança electrónica. O pré-carregamento tem um prazo de validade de 90 dias.
Os veículos sem dispositivo electrónico também podem circular, devendo, nesse caso, a cobrança da taxa de portagem ser necessariamente realizada com recurso à imagem da matrícula do veículo, devendo ser regularizada no regime de pós-pagamento, junto dos balcões dos CTT e da rede Payshop até 5 dias úteis após a passagem. Esta alternativa não está disponível para os veículos com matrícula estrangeira.
plb

Há momentos na vida que esta devia fazer uma paragem, por diversos circunstancialismos. Assistir ao funeral do Padre Mário, no Fundão devia ser um desses momentos, mas é assim este ciclo. Senti-me comovido, emocionado e no final das cerimónias fúnebres um grande vazio.

Cedo entrei na Igreja Matiz do Fundão, depois de apresentar condolências, foi sentar-me no último banco daquele templo. Iniciou-se a recitação do terço, tendo como dinamizador o Bispo Emérito da Guarda – D. António dos Santos, que acompanhei, todos os presentes acompanharam, enchendo-me a alma ao ver esta atitude de um ex-representante da Diocese. Respirava-se um grande silêncio. Entretanto um grupo de Irmãos da Santa Casa da Misericórdia, faz uma vigilância junto dos restos mortais do Padre Mário. A hora da Eucaristia rapidamente chegou. Pela coxia central da Igreja avançava o cortejo de mais de cinquenta sacerdotes, dois diáconos sendo encerrado pelos Bispos D. Manuel Felício e D. António dos Santos. Observei no rosto do Bispo da Guarda dor e tristeza. Enquanto se deslocavam para o altar, o Grupo Coral, sob a batuta do Maestro Geada entoava o cântico da aleluia, seguida do salmo: «os que temem o Senhor é grande a sua misericórdia e vinde benditos do meu Pai, receber a herança do meu Pai».
Os Bombeiros Voluntários do Fundão faziam a guarda de honra a um dos seus homens que há vinte e cinco anos os acompanhou como capelão, como assistente religioso.
A primeira leitura é feita pelo Presidente da Câmara Municipal do Fundão, aliás todo o executivo ali estava presente. O Diácono Francisco Lambelho fez a leitura do Evangelho de S. João.
D. Manuel Felício tomou a palavra e dirigiu-se aos inúmeros assistentes. A sua intervenção sintetiza-se numa frase: «O Cónego Mário foi um grande modelo de virtudes humanas e sacerdotais». Realçou as diversas instituições em que o Cónego Mário se dedicou de alma e coração. Deixou-nos um testamento espiritual e humano. Contando com Jesus Cristo Ressuscitado, viveu dando-se ao serviço dos outros. Viveu com paixão a sua vocação sacerdotal. Viveu sessenta e um anos de sacerdócio em diversos serviços. A maior parte do tempo passou-o no Fundão, a sua terra adoptiva e que pediu para aqui ser sepultado. Viveu com grande amor ao Seminário onde desempenhou diversas actividades. Louvemos o Senhor por este sacerdote que teve a capacidade de dar, de ajudar, da sua prudência, do bom conselheiro, com ajuda preciosa para a Diocese da Guarda.
Todos precisamos da misericórdia de Deus e vamos pedi-la. Na fé ganha-se não se perde. Esta é a verdade de que o Cónego Mário vai continuar no meio de nós.
A Oração dos Fiéis foi concretizada pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Fundão, de quem o Padre Mário era o Presidente da Assembleia Geral.
A oração dos Fiéis Defuntos foi feita pelo actual Reitor do Seminário do Fundão, que pronunciou o nome completo do Padre Mário de Almeida Gonçalves, pedindo a misericórdia divina à sua alma.
No final das Cerimónias Religiosas, o Presidente da Associação dos Antigos Alunos dos Seminários do Fundão e Guarda, que traçou o percurso do Padre Mário, que também pronunciou o seu nome completo, principalmente na Associação e na missão dos Bombeiros, salientando algumas frases chaves que durante alguns anos lhes dirigiu. Terminou recitando um poema recolhido do seu bloco de notas: «Tenho uma viagem marcada / Quando a faço, não sei / Do que tenho, não levo nada / Só levo o que dei».
Transcrevo as palavras que meu irmão me mandou como comentário ao artigo que lhe enviei sobre o Padre Mário: «Há mortos que vivem todos os dias vivos e há vivos que estão mortos todos os dias». O Padre Mário de Almeida Gonçalves está sempre vivo.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaEis que chegou a tua vez Marialva, de versejar a meu jeito e dizer como o teu passado honra tuas gentes e as tuas memórias. É o «repouso do guerreiro» que nos suspende o respirar, pela altivez serena e triunfante com que dominas, abraças e vigias teus filhos e senhores. Quem pode ficar indiferente à tua majestade e magnitude no teu simples olhar de cima, carinhoso, os teus vassalos?

Marialva

MARIALVA

Se com romanos eras Civitas Aravorum
Com Adriano e Trajano te ampliaste
Dominavas então a estrada romana
Mas invasões Visigótica e muçulmana
À época, tão danificado ficaste.

Mas o Primeiro Afonso foral passou
E tuas muralhas a essa época remontam
Para que seu reino ali se povoasse
Dando regalias a quem se fixasse
E os documentos assim é que nos contam.

E eis que D. Sancho ainda mais fez
P’ra vila envolver muros ampliou
D. Afonso II, veio Foral confirmar
Fez as obras do castelo continuar
E de Alcanizes também beneficiou.

D. Dinis, como já nós conhecemos bem
Na sua estratégica visão de saber
Criando feiras o comércio aumentou
E dessa forma ainda mais povoou
Numa vila q’ assim, cresceu a bom crescer.

Mais diz a história ou lenda que Fernando Magno
Te conquistou p’ra Cristandade com nome de Malva
Mas também se diz ainda que Afonso II
Não se sabe se de imaginação ou história a fundo
A doou a uma apaixonada de nome Alva.

Com conde de Marialva, Fernandes Coutinho
No século XV assim foste Condado
D. Manuel o Foral Novo te passou
Até Sebastião com obras te melhorou
E o ano 1559, na muralha marcado.

Tuas Torres, as portas e as muralhas
Em meados de dezoito perfeitas estavam
Mas a crise dos Távoras ali se instalou
O Alcaide Távora no atentado se implicou
E no resto do século as coisas mudavam.

A pouco e pouco, muito foi o que sofreste
O abandono de intramuros e a vila esvaziada
Só no séc. XX teu valor foi recordado
Como Monumento Nacional foste classificado
E teu flanco Sul ainda hoje habitado.

Maria Alba que Ela bem merece
Essa bela homenagem do Magno Fernando
Se era comum a Senhora louvar
E Marialva com seu povo a rezar
É bom ficarmos assim, também rezando.

Mas aqui a lenda de novo quer brincar
Como é gosto do nosso povo fazer
A Dama Pé de Cabra nos vem recordar
Que pelo cristão se tinha de apaixonar
Seu degredo para sempre ali sofrer.

E se até as pedras falam como sabemos
E também estas, ai, rezam seu passado
O poeta orando as memórias lembradas
De tantas as gentes ali recordadas
Feliz Saramago nas rochas registado.

O meu abraço para Marialva.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Escrevo, hoje, do planalto arraiano, com vista, a perder de vista, para terras de Castela. O vento frio acaricia-nos o rosto, reconfortando-nos a alma. E liberto, sobre as suas asas, o pensamento.

Calcorreio as ruas da minha aldeia… desertas. E não evito uma sensação de angústia, muito mais do que saudade. Não há gente!
A raia desertifica-se. Consequência dos tempos, para uns, inevitabilidade, para outros.
A verdade, é que Portugal sempre esteve desequilibrado no que respeita à distribuição da sua população. Em primeiro lugar, por razões históricas. A fundação deu-se a norte num tempo de reconquista. Esta razão levou a que a população se fixasse mais em zonas e regiões, longe da «fronteira» com os mouros. O povoamento do reino foi, por isso, uma preocupação dos nossos primeiros reis. A partir do séc. XV, com as descobertas, o mar torna-se pólo de atracção. As populações procuram fugir do campo (interior) e do ferrolho do feudalismo, procurando a sorte além – mar! Desde então, que o litoral se tornou mais habitado do que o interior. A segunda metade do séc. XX foi, verdadeiramente, a sangria das gentes da raia! Entre os que migraram para os centros urbanos de Portugal, a maioria emigrava para terras de França, Alemanha… e por aí fora! A raia, num ápice, passava a ter uma diáspora semelhante aos que a habitavam. Nos últimos anos assistimos à partida de mais alguns. Não se nota tanto?! Pois não. Somos já tão poucos…
Contudo, a vontade, e esta espécie de cordão umbilical que nos une a estas terras, sempre foram demasiado fortes. Assim, fins – de – semana, férias e… sempre que se pode, abalava-se para cá!
Temo, que essas abaladas passarão a ser cada vez menos frequentes. A situação económica, o desemprego, as portagens… serão entraves à vontade. E quantas vezes não serão mesmo um soco no estômago! O facto, é que, a raia vai perder imenso com a mais controlada vinda dos seus às suas terras! Quer a nível económico, mas também, a nível social e, sobretudo, a nível humano!
Como não aceito fatalismos, e acredito que cada um de nós traça o seu próprio destino, estou convicto que esta situação é consequência de políticas erradas. Erradas desde o Poder Central. Que sempre só conseguiu ver o país até à saída dos ministérios. Portugal, nunca teve um plano de ordenamento do território sério. Tudo era e é feito através de compadrios e interesses particulares e, a maior parte deles obscuros. Erradas as do Poder Local que, nunca conseguiu pensar o concelho e sofre de miopia política. Desconheço a existência de um plano de ordenamento estruturado e estruturante do concelho. Desconheço políticas que consigam ver mais longe que o imediato. E o imediato, são as intrigas e as tricas que se vão passando dentro da câmara e seus apêndices!
Culpados?! Somos todos. Porque votamos, porque não exigimos, porque assobiamos para o lado, porque somos amigos, porque… enfim!
Com os tempos conturbados que atravessamos, mais do que nunca, é necessário planear bem o caminho que queremos seguir. O contrário é o definhar anunciado da raia.
Meto mais um ratcho ao lume e beberico mais uma jeropiga da nossa! E, por instantes, reconforto-me com o calor e o adocicado néctar. Esqueço a crise e o mundo e sinto-me um privilegiado por ser de e estar aqui.
Mas as nuvens tempestuosas ameaçam. O Orçamento de Estado que, antes de ser apresentado já estava aprovado, traça um rumo de miséria para o povo português. Se a ideia era, a de nos aproximarmos do nível de vida dos outros povos da Europa, a prática mostra que nos estamos afastar. Estamos cada vez mais longe! Este orçamento apresenta somente aumentos na receita (impostos) e nada, ou quase nada, na despesa. Verdadeiramente vai aos bolsos dos que menos têm, fazendo de conta que os que mais têm não existem. A sumptuosidade dos gastos supérfluos do estado e dos seus comensais são intocáveis!
Está aí a greve geral. Direito consagrado na Constituição Portuguesa (Artigo 57, 1). Assusta-me o ruído (e, de certa forma, até coação) que têm feito as associações patronais (governo incluído) contra greve. Os argumentos usados são confrangedores. Para alguns, que jeito dava, isto não ser uma democracia!
… Sirvo mais uma jeropiga e meto mais uns ratchos ao lume… Saio à rua, e penso que devíamos cobrar por este ar!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A AAR-Associação dos Amigos de Ruivós organizou pelo quarto ano consecutivo o Magusto de São Martinho para os seus Sócios e Amigos. O convívio das castanhas e das caras farruscas teve lugar no Salão de Festas da aldeia no sábado, 12 de Novembro, e incluiu pela primeira vez torneios de sueca e de matraquilhos.

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O sábado foi um dia (e uma noite) com muita animação que começou com o 1.º Torneio de Sueca da AAR e o igualmente 1º Torneio de Matraquilhos da AAR.
As competições desenrolaram-se num prolongado convívio pela noite dentro e fria que, contudo, não conseguiu fazer com que os convivas arredassem pé.
A noite dedicada a São Martinho (onde se comem castanhas e se prova o vinho) foi animada, além das castanhas serem mais uma vez feitas assadas com a tradicional caruma, que com tanto frio teimava em não acender, não faltou quem pudesse partilhar as também tradicionais brincadeiras de sujar as caras.
Terminado o magusto e os torneios, foi o momento da merecida entrega dos prémios aos vencedores que tanto se esforçaram para chegarem ao fim.
Como não podia deixar de ser a direção da AAR fica bastante satisfeita por realizar atividades que contribuem para o convívio e a alegria dos seus Sócios e Amigos na freguesia de Ruivós.
Bem-haja a todos e para o ano há mais.
Gonçalo Pires
Presidente da AAR

No sábado e no domingo, 26 e 27 de Novembro, a cidade da Guarda comemora o 812º aniversário da atribuição do foral por D. Sancho I com a realização de um espectáculo dedicado aos poetas da cidade, a realizar no Grande Auditório do TMG.

TMG-Teatro Municipal da GuardaO espectáculo, intitulado «Tão perto do puro azul do céu [A Guarda na Poesia]», é produzido pelo Teatro Municipal da Guarda (TMG) e será representado no grande auditório, no próximo sábado (às 21h30) e no domingo às 16h00). Trata-se de uma mistura de música, dança, cinema, fotografia e vídeo, revisitando os poetas da Guarda ou que a ela estão ligados. A direcção pertence a Américo Rodrigues, e é protagonizado por José Neves, actor do Teatro D. Maria II.
«O ponto de partida deste espectáculo é de grande simplicidade: homenagear a Guarda através da poesia. Porém, também pode ser: homenagear a poesia através da Guarda», refere a organização em comunicado, acrescentando que se «utiliza a poesia que se escreveu sobre a Guarda, por moradores ou forasteiros».
Alberto Dinis da Fonseca, Américo Rodrigues, António Godinho, António Monteiro da Fonseca, Augusto Gil, D. Sancho I, Eduardo Lourenço, João Bigotte Chorão, João Patrício, José Augusto de Castro, José Manuel S. Louro, José Monteiro, Ladislau Patrício, Manuel A. Domingos, Miguel Torga, Osório de Andrade, Pedro Dias de Almeida e Políbio Gomes dos Santos serão alguns dos autores citados. No palco, para além do actor José Neves, «que dará corpo e voz aos poemas», vão estar artistas ligados à música, à dança e ao cinema. Na música, marcam presença Marcos Cavaleiro (percussionista), Rogério Pires (guitarrista), João Mascarenhas (pianista), Kubik (instrumentista), Rui Pedro Dias (cantor), César Prata e Vanda Rodrigues (projeto Assobio), José Tavares (alaúde e guitarra elétrica), Helena Neves (voz) e Domenico Ricci (pianista). No cinema, será apresentada uma curta-metragem do realizador António Lopes, enquanto que na dança, o público assistirá a uma coreografia e interpretação de Sara Vaz. O espectáculo também apresenta fotografias de Armando Neves, a visão gráfica para um poema, de Jorge dos Reis, e «desenhos relativos» desenvolvidos por Mecca.
plb (com TMG)

A associação que reúne as aldeias históricas de Portugal quer valorizar o património judaico que essas aldeias possuem, como estratégia de promoção e afirmação.

A «Aldeias Históricas de Portugal – Associação de Desenvolvimento Turístico» afirma querer dar uma maior atractividade à Marca «Aldeias Históricas», razão pela qual decidiu apresentar uma candidatura aos programas Mais Centro e PROVERE (Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos). Trata-se de afirmar uma Estratégia de Valorização Económica de Base Territorial, aproveitando o potencial contido no importante Património Judaico que possuem as aldeias históricas.
A liderança da chamada «Estratégia de Eficiência Colectiva» pertencerá ao Município de Belmonte, tendo em conta a importância que ali assume o património judaico. A implementação do programa caberá aos Municípios que contêm na sua jurisdição aldeias históricas, a saber: Almeida, Arganil, Belmonte, Celorico da Beira, Fundão, Figueira de Castelo Rodrigo, Idanha-a-Nova, Manteigas, Mêda, Penamacor, Sabugal e Trancoso.
No caso do Sabugal trata-se de valorizar a aldeia histórica de Sortelha tendo em conta o eventual patrónimo judaico que a mesma possua.
Será implementado um Programa Acção que integra um conjunto de projectos voltados para a valorização do turismo, património, cultura e produtos tradicionais.
A Associação vai desenvolver três projectos fundamentais: «Estrutura de Gestão e Coordenação», «Animação Turística» e «Marketing e Comunicação».
A implementação dos três projectos representa um investimento superior a seis milhões de euros, que poderá ser comparticipado em 70% pelo FEDER, sendo os restantes 30% assumidos pelos Municípios envolvidos.
plb

A questão da legalidade é uma das pedras de toque da boa gestão autárquica…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»O Município do Sabugal tem sido ultimamente notícia pela tomada de algumas decisões sobre cuja legalidade se levantaram algumas dúvidas.
Falo da questão de promoções na carreira de alguns funcionários, da transferência de verbas para as Freguesias sem a correspondente delegação de competências, da aprovação de trabalhos a mais, da abertura de concursos para chefias, entre outros.
Não ficaria de bem comigo se não emitisse publicamente a minha opinião.
Em primeiro lugar, quero deixar claro que não acredito que os responsáveis autárquicos, eleitos políticos ou chefias dos Serviços, tenham de forma consciente e deliberada, tomado decisões ilegais, e se o fizeram devem sofrer as consequências legais e políticas.
Só quem nunca teve responsabilidades numa Câmara pode afirmar de forma definitiva que se tomam conscientemente decisões ilegais ou de legalidade duvidosa. Até porque as leis em vigor fazem incidir a responsabilidade do ato sobre quem a comete, como o Presidente e os Vereadores o estão a sentir na sua própria bolsa.
Mas tal não pode significar que os responsáveis se sintam menos obrigados, bem pelo contrário, à observância da legislação em vigor, seja ela mais ou menos complexa.
A Autarquia tem juristas, tem técnicos competentes e estes devem sentir-se obrigados a preparar da forma mais correta possível as propostas que apresentam aos eleitos políticos.
Por sua vez, estes têm a obrigação de ler e reler antes da tomada de decisão, não aprovando nada sobre a qual tenham qualquer suspeita de menor legalidade.
E esta é uma responsabilidade pessoal que incide, sobretudo, no Presidente da Câmara e nos vereadores a tempo inteiro, pois são pagos pelos impostos de todos os cidadãos para, de forma exclusiva, zelarem pela «coisa pública».
Aos restantes vereadores deve competir, dentro das suas limitações, pois não têm qualquer tempo distribuído para o trabalho autárquico, analisar os documentos que lhe são colocados para discussão e aprovação e não aceitar votar qualquer assunto de cuja legalidade duvidem.
Fazer isto é fazer oposição correta e construtiva, não permitindo, nem pactuando com decisões que venham a verificar-se ilegais.
Esta legislatura é uma legislatura difícil para todos, dado que há muitos anos não se registava uma maioria relativa, o que quer dizer que o Presidente da Câmara deixou de poder contar com um Executivo Municipal do tipo «amen», mas que também a oposição passou a contar.
Também nunca é fácil «honrar uma herança», com a obrigação de corrigir o que de menos correto vinha sendo feito.
Mas esta também é uma oportunidade para, com mais estudo, mais análise, mais tempo (raramente as decisões que se tomam numa Autarquia como a do Sabugal serão urgentes), eliminar o mais possível tomadas de decisão feridas de ilegalidade.
Quando se decide de forma ilegal, há sempre algum cidadão que viu ou vai ver lesados direitos seus.
E a defesa dos direitos dos cidadãos, isto é, da sua plena cidadania, deve ser um dos objetivos centrais da atividade autárquica.

Ps: A todos os trabalhadores sabugalenses e não só que neste dia optam por fazer greve, a minha solidariedade total. Há momentos em que não se pode ter dúvidas sobre de que lado da barricada se está.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

A Câmara Municipal de Matosinhos vai prestar homenagem ao poeta sabugalense Manuel António Pina, por ocasião da sétima edição da Festa da Poesia, que se realiza nos dias 7 e 8 de Dezembro.

Apesar das limitações financeiras o município matosinhense programou uma iniciativa ao nível das edições anteriores, voltada para diversos públicos. A grande novidade da edição deste ano é a homenagem a um nome sonante da Literatura Portuguesa, recentemente galardoado com o Prémio Camões.
Exposições, debates, leitura de poemas, são algumas das iniciativas previstas para a realçar a obra do autor sabugalense Manuel António Pina.
Do primeiro dia da Festa da Poesia, a 7 de Dezembro, haverá a iniciativa «Nota a Nota», que se trata de uma «Oficina de música para crianças», a realizar na Sala do Conto.
No mesmo dia, à tarde, realiza-se uma oficina prática, designada «A sublimação do real a partir da poesia de Manuel António Pina», no Espaço Adulto e Ciências. Seguidamente falar-se-á de Florbela Espanca, num retrato psicológico, a traçar numa conferência proferida por Manuela Rocha dos Santos, no Fundo Local/Adultos.
Na iniciativa «Poesia Reunida», Manuel António Pina volta a estar presente, na performance musical com José Jorge Letria (voz), Laura Ferreira (voz), José Soares (guitarra) e Gustavo Roriz (contra-baixo), a realizar no Átrio.
No segundo dia, 8 de Dezembro, terá lugar, pelas 15 horas, a inauguração da exposição «Manuel António Pina – Homenagem», também no Átrio, a que se seguirá uma intervenção por parte do Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, que homenageará o poeta vencedor do Prémio Camões de 2011.
A Festa da Poesia continuará no auditório, com a apresentação do documentário «Um sítio onde pousar a cabeça», produzido da autoria de Alberto Serra e Ricardo Espírito Santo.
Haverá depois um debate com o autor homenageado, Manuel António Pina, e o também escritor Germano Silva.
A terminar será lançado o novo livro de Manuel António Pina, «Como se desenha uma casa», seguido de leitura de poemas do autor e uma conversa com Luís Miguel Queirós.
plb

Cultivo, desde garoto, este gosto, aparentemente alheado, de ver cair a chuva, de a acompanhar no seu encontro com o mundo, com as casas, as árvores e os solos. Gosto de lhes seguir o caminho por valetas e regueiros, de assistir à formação dos charcos, de observar o escorregar das gotas em desenhos rendilhados nos vidros das janelas.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Vejo-me, frequentemente, espreitando a chuva, insinuando, perante mim próprio, que a não quero pelo incómodo mas, desejando-a num desejo íntimo, na esperança de um secreto prazer.
Aqui, no nosso Interior, somos da chuva que molha e encharca, somos do frio que a enrijece, que a solidifica, que a branqueia, somos do vento que a empurra e eu sou dos que, secretamente, amam a chuva!
Gosto de sair à rua, ainda que chova, e corro como se a chuva corresse atrás de mim. Ainda que me molhe o corpo e este me estremeça em arrepios de frio e humidade confesso que, mesmo assim, a chuva não me desgosta. Se for muita procuro abrigo como quem procura refugio. Depois de homiziado, observo e vaticino quantidades, oportunidades e friezas.
Entrando em casa gosto de lançar olhares pela janela e de iniciar o prazer de uma contemplação superficial mas demorada. São olhares que me instruem o espírito. Não me importo, portanto, de demorar os meus olhos pelas imagens da chuva tão sedutoras e tão naturais. E, se for final de tarde, se o início da noite se mantiver tempestuoso posso não ousar sair para enfrentar ventos ou tempestades e optar por apenas escutar, por apenas observar. Gosto de apreciar discreta mas interessadamente a chuva. Se a escuridão da noite me impedir de a ver, ouvir-lhe-ei o cantar tamborilado e escutar-lhe-ei o correr escorregadio. Pressentir-lhe-ei o desejo de me visitar tentando entrar pelo telhado ou insistindo contra a janela transparente e impeditiva.
Assim me fala a chuva, lá de fora, a mim que já estou de dentro!
É nessa altura que ela me surge mais enigmática. Tento, então, adivinhar-lhe os locais de longínqua origem, os sítios onde se formaram as nuvens. Imagino o final dos regatos, o desaguar das ribeiras, o chegar das águas aos grandes rios que enchem o infindável mar.
Para mim o mar é feito de muita chuva e sempre será infinito, sempre será longínquo ainda que alguma vez esteja próximo.
Mesmo que visto e revisto o mar será sempre da minha imaginação e sempre será misterioso.
E é, lá, no mar, que a chuva descansa!
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

«Na rota das pedras em busca do país que somos» é a mais recente publicação do escritor Célio Rolinho Pires. É um livro de roteiros, uma via que nos transporta pela história lusitana e pela cultura popular numa interligação entre a região raiana e muitas localidades da região centro. Reportagem e edição da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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Célio Rolinho Pires é um ilustre beirão natural de Pêga (já no concelho da Guarda), escritor e homem de cultura. Foi o orador convidado para a oração de sapiência do I Capítulo da Confraria do Bucho Raiano que decorreu em Abril de 2010 no Sabugal. Mais uma personalidade ímpar (e desconhecida da maior parte da massa crítica sabugalense residente) que foi dada a conhecer a uma população adormecida do concelho do Sabugal. Agora foi, possivelmente, acrescentado à lista de potenciais merecedores da medalha de mérito cultural do concelho do Sabugal.
jcl

A Câmara Municipal do Sabugal suspendeu os efeitos da decisão anteriormente tomada de revogar os despachos que aplicaram aos seus trabalhadores a «opção gestionária» e a consequente alteração da sua posição remuneratória. Face a isso, o processo de devolução, por parte dos funcionários, de verbas indevidamente recebidas, ficou igualmente suspenso, mantendo-se ainda os vencimentos nas respectivas posições remuneratórias.

A decisão foi tomada por unanimidade, na reunião de vereadores de 9 de Novembro, suspendendo assim um procedimento que resultara dos alertas que o inspector da Inspecção Geral das Autarquias Locais (IGAL), que auditava a Câmara, fizera ao presidente António Robalo. O fundamento para esta última decisão assentou no facto da Câmara Municipal ter igualmente decidido solicitar um parecer à Procuradoria Geral da República (PGR) sobre o procedimento, na medida em que se constatou que há interpretações diferentes que levam a que as decisões também sejam dispares nos vários municípios portugueses.
A deficiente e ilegal aplicação do Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública (SIADAP), constatada pelo inspector da IGAL, redundara numa decisão de suspensão do procedimento, tomada por unanimidade pelo executivo, na reunião de 12 de Outubro. Porém, analisada a questão com maior profundidade, o mesmo executivo, por igual unanimidade, decidiu cancelar a aplicação dessa decisão.
Os vereadores tomaram conhecimento e analisaram uma informação dos serviços administrativos da Câmara que dá conta que o SIADAP, no que respeita à Administração Local, tem sido aplicado de forma diferenciada, face a diversas interpretações, nomeadamente na utilização da chamada «opção gestionária», pela qual se procede á alteração do posicionamento remuneratório dos funcionários.
Os casos de alegada irregularidade, que são depois alvo de procedimentos de correcção, têm estado limitados aos municípios que foram alvo de acções inspectivas da IGAL, facto que, no entender dos membros do executivo, torna a situação absurda e injusta.
Por outro lado, constata-se uma proliferação de pareceres contraditórios sobre essa matéria, criando dificuldades acrescidas aos municípios, que aplicam as normas de forma diferente, ao sabor das interpretações. A contradição de interpretações levou mesmo a que dois secretários de estado da Administração Local, a saber, Eduardo Cabrita e José Junqueiro, tenham proferido despachos normativos diferentes, o que igualmente contribuiu para a confusão que foi instalada.
Porém o IGAL tem mantido uma única interpretação, que é no sentido de que a «opção gestionária» apenas pode ser aplicada se o SIADAP for aplicado como um todo, facto que o inspector que esteve no Sabugal verificou não ter sucedido, o que o levou a actuar conforme as determinações superiores do seus próprios serviços, alertando para a irregularidade que estava a ser cometida.
O inspector verificou que na Câmara do Sabugal, foram decididas mudanças na posição remuneratória, tendo porém acontecido erros sucessivos na aplicação do SIADAP. Houve trabalhadores que não foram avaliados, nomadamente os que trabalhavam directamente com o presidente, para além de se ter verificado um sucessivo incumprimento de prazos na implementação das várias fazes do processo de avaliação.
A suspensão agora decidida perdurará até que a PGR profira um parecer definitivo, que habilite a Câmara a proceder em conformidade.
plb

Se for preciso lançar no desemprego milhares de trabalhadores, lançam-se e mais nada! As novas formas de contratos laborais estão precedidas por um debilitamento dos direitos laborais e da redução das prestações sociais.

António EmidioUsa-se agora uma nova expressão: seja você mesmo o seu próprio empregado. Muitos caíram e outros continuam a cair nesse «conto de fadas». Endividaram-se, pagando créditos muitas vezes abusivos, ou então gastaram todas as poupanças de uma vida no seu negócio. Presentemente, o que se está a ver é que muitas dessas micro e pequenas empresas, também o pequeno comércio, estão a ir à falência. Não sei se alguém já se apercebeu, mas quem tem de pagar esta crise, é o trabalhador, o funcionário público e o pequeno comerciante, são estes que devem pagar para solucionar o problema dos banqueiros!
Além da crise provocada pelos grandes bancos internacionais, outra das razões para todas estas falências tem a ver com a concorrência. Sempre existiu! Dirá o leitor(a), é verdade digo eu, mas para mim é insuportável ver os lanifícios, o calçado e os têxteis portugueses serem substituídos por roupa e calçado sintético vindos da China e, não só. Isto só trouxe pobreza e desemprego a Portugal. O mesmo aconteceu com os produtos agrícolas, pagaram-nos para que destruíssemos a nossa agricultura, obrigando-nos a importar depois esses mesmos produtos comprados às grandes herdades agrícolas europeias e mundiais, cujos donos (especuladores) e accionistas nada fazem senão arrecadar lucros. A concorrência foi longe demais, o nosso Concelho é um exemplo, a sua agricultura foi destruída, é necessário e urgente voltar a produzir bens básicos através de uma economia local. O nosso problema é o minifúndio? Pode-se reformar isso através de uma acção política concertada com os proprietários dos terrenos. Porque não a pecuária? Temos clima e terrenos para boas pastagens, a partir daí apostaríamos nos lacticínios, a manteiga, o queijo, os yogurtes, as natas, produtos que podiam ser exportados. Opinião discutível? Claro! Mas é minha.
O que fizeram ao sector das pescas? A mesma coisa!
Querido leitor(a), não existe a tão falada Comunidade Internacional, existem sim organismos regidos pelos interesses particulares das nações mais ricas e poderosas, tanto no campo económico como militar. Os interesses e as necessidades comuns, os interesses e as necessidades dos países mais débeis económica e politicamente não interessam para nada. Assim é a União Europeia e todas as outras organizações a nível mundial. A tal Globalização Neoliberal de que tanto se fala, em vez de trazer solidariedade e aproximar os povos uns dos outros, não! Cada vez os divide mais porque está assente numa coisa destrutiva e agressiva que é a concorrência.
O sistema só fala no lucro, mas convém dizer que esse lucro tão desejado não é o da micro empresa e até da pequena, também o não é o do pequeno comércio, a isso chama ele nichos de mercado, nichos de negócio, ele quer o lucro para a Macro Empresa, para a Multinacional e para a cadeia de Super Mercados, que embolsam milhões de euros de lucro, ao mesmo tempo que os seus trabalhadores vão perdendo a sua capacidade adquisitiva, ou seja, os seus salários vão diminuindo. Essas corporações têm legal e ilegalmente ajudas governamentais, privilégios fiscais e legislativos inadmissíveis (pagam campanhas eleitorais), usam todos os subterfúgios para colocar dinheiro em paraísos fiscais.
O pequeno empresário e o pequeno comerciante limitam-se a ir à falência, destroçados por um Estado Neoliberal que os afoga em impostos. Agora têm de prescindir dos seus poucos trabalhadores, a maior parte do pequeno comércio até do único que tinham, porque também a concorrência desleal e até criminosa os destroçou.

Vamos ficar com um pensamento e umas palavras do economista Maynard Keynes, tão falado ao longo desta crise económica: «As ideias, o conhecimento, a arte, a hospitalidade e as viagens, são coisas que deveriam ser pela sua natureza internacionais. Mas deixemos que os produtos sejam de origem nacional quando isto seja razoável e convenientemente possível, e além de tudo, deixemos que as finanças sejam primordialmente nacionais.»
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

No dia 25 de Novembro, sexta-feira, cumpre-se a tradição com a realização da feira de Santa Catarina na Rebolosa, local onde se tira a «licença» para a matança do porco.

Santa Catarina - RebolosaSanta Catarina é a padroeira da freguesia, e todos os anos, no seu dia, 25 de Novembro, há feira e festa, a que acorre muita gente. Sendo o dia, segundo a tradição, a partir do qual se podem matar os porcos em toda a região, a feira é também um pretexto para muitos se juntarem em convívio, ali grelhando as primeiras febras, entrecostos e entremeadas, regadas com o vinho novo que sai das barricas e das cubas.
A Junta de Freguesia e a Associação Social Cultural e Desportiva da Rebolosa, apostadas em manter a tradição, organizaram um programa, que inclui um almoço convívio, previsto para o recinto de festas, fronteiro ao Largo de Santa Catarina.
Mas o programa da festa prevê também outros momentos, nomeadamente a realização de uma missa em honra de Santa Catarina, a que se seguirá uma procissão pelas ruas da aldeia. À tarde, após o almoço de convívio, haverá um passeio pelas adegas da freguesia, a fim de provar o vinho novo, seguida de uma capeia arraiana na Praça de Touros.
A fechar o programa, haverá, após o jantar, o imprescindível baile, abrilhantado pelo organista Virgílio Faleiro.
O presidente da Junta de Freguesia, Manuel Barros, garante que quem for à feira terá direito a uma licença formal, que o autoriza a fazer a sua matança.
plb

Tendo em vista evitar repetir os erros de anos anteriores na aplicação do Sistema de Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho da Administração Pública (SIADAP), o Município do Sabugal, aprovou na reunião de câmara realizada no passado dia 26 de Outubro, os objectivos estratégicos para o ano de 2012.

O primeiro objectivo estratégico é melhorar a qualidade de vida dos munícipes, promovendo um serviço com espaço público de qualidade, garantindo a inclusão, a integração, a solidariedade e o bem-estar social.
O segundo objectivo é haver rigor na gestão do Município através da promoção da sua sustentabilidade financeira.
O terceiro é garantir uma gestão eficaz do Município, que garanta a formação e valorização dos seus trabalhadores, assim como a celeridade dos procedimentos administrativos.
O quarto objectivo é a sustentabilidade e o desenvolvimento do território, fomentando o emprego, o investimento privado e a fixação da população, bem como a dinamização de uma cidadania activa por via do desporto, da cultura, da educação e do lazer.
O quinto objectivo estratégico consiste em atingir uma maior identidade territorial e urbanística, fomentando o uso de instrumentos de planeamento que garantam um desenvolvimento urbanístico equilibrado, a coesão demográfica e social e a dinamização das actividades económicas.
Finalmente o sexto objectivo consiste na promoção e afirmação da identidade do território, projectando externamente o município, promovendo o turismo e valorizando o património.
Para a aplicação do SIADAP as unidades orgânicas do Município deverão agora adequar os objectivos estratégicos à sua realidade funcional, tendo em conta alguns critérios essenciais, de onde se destacam:
A diminuição dos prazos de resposta, o aumento da taxa de execução da actividade planeada, a melhoria da comunicação entre os serviços. A simplificação de procedimentos, o fomento do trabalho em equipa e a optimização dos recursos são igualmente critérios essenciais para a definição de objectivos concretos quer para as diferentes unidades orgânicas quer para cada um dos funcionários que lhe estão afectos.
Os objectivos estratégicos foram aprovados pelo executivo camarário por unanimidade.
plb

Os cheiros na aldeia – em qualquer aldeia de Portugal, tenho a certeza –, naqueles anos 50 e 60, são um elemento definidor de ambientes e de vivências. E marcam para toda a vida.

Na aldeia da minha infância, há cheiros bons, inesquecivelmente bons, que, de facto, me ficaram para toda a vida. Exemplos: o do micro-ambiente da tarimba, de que falarei adiante, ou o dos lençóis de linho fino e puro.
E há cheiros maus. Hoje vejo-os, imagino-os, de certeza, piores do que os sentia na altura: o cheiro terá uma dimensão cultural?
Pois: de facto, como é possível que na altura não dimensionasse como péssimo o cheiro geral de uma aldeia sem saneamento? E onde os currais (pocilgas) ficam mesmo dentro da aldeia, praticamente dentro das casas – quando não era mesmo dentro delas, nas lojas? E, no entanto, por mais esforço que faça, não «sinto» que, na altura, tenha sentido como péssimo esse ambiente «odórico». Se calhar, na altura, isso parecia-me inevitavelmente normal para a situação.
Mas era assim.
O saneamento, com a construção de fossas, começou nos anos 60. E só muito depois chegaram os esgotos.
Já agora: a luz eléctrica chegou à aldeia em 1955 ou 56, creio.
A água canalizada, em 60 e tal.
A televisão, talvez em 1960.

Bons cheiros: cheirinhos para uma vida!
Há cheiros bons. E é mais desses que me apetece falar aqui.
Por exemplo, repito, o da tarimba. Sabe o que é a tarimba? Não sabe o que perde.
É a cama onde se dorme na palheira das vacas – ou seja: no estábulo. Logo à entrada, lá estava, à esquerda, essa tal «tarimba». As vacas e a burra, ao longo da manjedoura, do lado direito, a todo o comprimento do estábulo.
Cheirava a palha e cheirava a feno.
Por cima, o «parame»: o sótão onde se guardava para o Inverno a comida para o gado: imagens eternas, estas da minha infância…
Quem estiver a ler, e desconheça estas realidades, está a pensar – e bem:
– Grandes porcos! Então punham o garoto a dormir no estábulo?
É verdade. E nem imagina que bom que era. Nada ali cheirava só ao que você pensa que cheira um «estábulo». Mas devia cheirar «mal», claro, pelo menos pelos parâmetros de 2011. Tudo cheirava intensamente e a mistura dava um cheiro bom. O bafo das vacas e a sua baba ia caindo na palha seca e davam aquele odorzinho especial…
Os meus tios acolhiam-me nesta tarimba sempre como se fosse uma festa. Lembro-me tão bem.
Quando a minha mãe me deixava, o que era raro, lá estava eu caído na «tarimba».
Ficou até hoje essa sensação de céu na terra.
Quis concentrar-me e fazer um grande esforço para descrever este cheirinho da «tarimba». Mas não é fácil. Ficam-lhe aí os elementos todos: imagine-o você – como diz o Poeta…

E o cheiro da “bobrais”?
É que a isto tudo juntava-se outro cheiro tão bom! Era o cheirinho da «bobrais».
A palavra certa será aboboragem»? Não sei explicar nem se existe a palavra nem de onde vem nem como se escreverá de facto. Mas não me enganarei muito se pensar que vem de abóbora.
Mas eu explico o que é a «bobrais»: é o preparado especial de comida para os animais de grande porte: as vacas e a burra, no caso. É feita ao lume – o caldeiro (balde) grande pendurado nas cadeias, uma espécie de trança feita de arame grosso, que desce do tecto e vem até ao lume.
É nas cadeias que se penduram as vasilhas em que se aquecem coisas como água e comida para o «vivo» (o gado).
Pois a «bobrais» é uma mistura de produtos da terra e farelo que vai cozendo em água a ferver e dá aquele cheiro inesquecível também…
Leva nabos, couves, batatas, abóbora (cá está: a abóbora que deve ter dado a «aboboragem – e daí até à bobrais é apenas um passo de elipses populares do linguajar desenrascado deste povo. Mas ninguém sequer chamava abóbora à coisa. Era só a «botelha», claro). Mas havia mais: a «bobrais» também levava ainda maçãs e farelo, pelo menos. Portanto um alimento muito rico para os animais. Aquilo é que era agro-pecuária biológica, hein! E o cheirinho? Huuummm!! Que bom!
Finalmente, outro cheiro bom: o dos lençóis de linho que, no inverno, ao entrar na cama eram frios como gelo, mas, passados cinco minutos… «hummmm!», que bom – e que cheirinho!
Só lhe digo: não há cheiro nenhum de hoje que possa apagar estas reminiscências da nossa infância.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Cerca de quarenta personalidades da cultura portuguesa, espanhola e brasileira, subscreveram uma carta dirigida ao reitor da Universidade de Lisboa propondo que seja concedido ao pensador Jesué Pinharanda Gomes, nascido em Quadrazais, o título de Doutor Honoris Causa em Filosofia.

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A revelação foi feita no sábado, dia 19 de Novembro, pelo Professor Renato Epifânio, no decurso da cerimónia de atribuição ao filósofo Pinharanda Gomes da Medalha de Mérito Cultural concedida pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL).
A proposta dirigida ao Reitor da Universidade de Lisboa é subscrita por professores de diversas universidades portuguesas, espanholas e brasileiras, bem como por outros vultos da cultura e do pensamento, nomeadamente os bispos D. Manuel Clemente e D. Januário Torgal Ferreira.
«Ao longo de meio século Pinharanda Gomes elaborou uma obra ímpar», lê-se na missiva, que se refere ainda ao pensador sabugalense como «uma marca essencial dos estudos contemporâneos da nossa história filosófica». Os subscritores, que já estabeleceram contactos com a reitoria da universidade no sentido de articular os termos do processo, consideram que a homenagem honrará a Universidade, na medida em que é seu dever reconhecer o mérito aos melhores.
Pinharanda Gomes, que acabara de receber a Medalha de Mérito concedida também pela Universidade, local em cujos bancos nunca se sentou enquanto aluno, tomou a palavra para expressar um duplo sentimento: por um lado sentia júbilo pela dádiva recebida, mas por outro sentia-se carregando um peso e uma dor, porque «nunca tive no meu horizonte qualquer distinção ou titularidade», disse.
Perante uma plateia repleta de professores e investigadores – onde destacamos o seu amigo João Bigotte Chorão – o pensador de Quadrazais disse que ao longo da vida enfrentou dificuldades e incompreensões, mas não ficou isolado: «nunca estive só, porque uma alma nunca está só, está sempre perante o Criador».
Pinharanda Gomes revelou que em 1959, após a sua infância em Quadrazais e os estudos de juventude na Guarda, onde ainda trabalhou como marçano numa loja comercial, foi para Lisboa «à procura de vida». Já na Capital, «matava a fome como podia quando descobri a Biblioteca Nacional e comecei a passar ali os dias lendo livros», disse o homenageado, que com a observação, a experiência e a preciosa ajuda de um funcionário, descobriu o «catálogo» da biblioteca e, a partir daí, passou «a mineiro e a contrabandista», embrenhando-se no estudo metódico e na investigação.
«Em 1 de Março de 1961 entrei, sem cunhas, na firma Tractores de Portugal, onde me realizei profissionalmente e de onde apenas saí quando me reformei, em 30 de Setembro de 2004», disse Pinharanda Gomes, que igualmente revelou ter pretendido entrar na Faculdade de Letras, tendo contudo desistido face à descoberta das tertúlias que se realizavam nos cafés, juntando escritores e pensadores. «Frequentei todas as tertúlias de Lisboa daquela época, das mais diferentes sensibilidades», revelou, dizendo que acabou por encontrar a tertúlia de Álvaro Ribeiro e José Marinho, onde descobriu a Filosofia Portuguesa, corrente do pensamento de que viria a tornar-se um dos nomes mais proeminentes.

1 – É com grata satisfação que assistimos ao sucessivo reconhecimento do relevante papel de Pinharanda Gomes na cultura portuguesa. É verdadeiramente emotivo constatar que um homem que nunca frequentou a Universidade, seja agora estudado pela Universidade e homenageado por aqueles que aprendem lendo a sua obra notável.
2 – Estivemos presentes no acto de homenagem acima noticiado e, no final, quando cumprimentávamos Pinharanda Gomes, perguntámos-lhe como estava o processo decorrente da cedência da sua biblioteca pessoal à Câmara Municipal do Sabugal e ouvimos, confrangidos, o seu lamento pela aparentemente pouca importância que estavam a dar ao assunto. Os livros foram para o Sabugal em Novembro de 2010 com a condição de que até ao final do ano lhe fosse enviado um inventário de tudo o que seguiu, para que se assinasse um protocolo. Em Abril de 2011 Pinharanda foi ao Sabugal apresentar um livro sobre as Invasões Francesas (a Câmara omitiu o seu nome no programa) e indagou sobre o assunto, tendo sido informado que a catalogação estava em andamento e quase pronta. Porém passado um ano sobre o transporte dos livros de sua casa para o Sabugal, nada mais lhe disseram e teme que o assunto tenha caído no esquecimento.

plb

O filósofo e pensador, Jesué Pinharanda Gomes, foi homenageado pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) no dia 19 de Novembro na sede da Sociedade de Língua Portuguesa em Lisboa. O ilustre raiano recebeu, com aclamação, a Medalha de Mérito Cultural na Assembleia Geral do Movimento Internacional Lusófono. A Mesa era constituída por Miguel Real, Annabela Rita, José Eduardo Franco e Renato Epifânio.

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jcl

Para concluir a sequência de crónicas de viagens que propus aos leitores do «Capeia Arraiana», vou desta vez falar de terras muito próximas da nossa Riba-Côa natal: uma visita ao Mosteiro de Guadalupe, um dos berços da religiosidade hispânica e matriz da hispanidad.

Fachada gótica do Real Mosteiro de Guadalupe
Portas de bronze da Basílica Claustro mudéjar Imagem da Virgem de Guadalupe

(Passe o cursor nas imagens para ver a legenda e clique para ampliar.)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaPara os que vivem na raia sabugalense ou próximo dela, sugiro que passem primeiro por três belíssimas cidades próximas da fronteira: Coria, Plasencia e Trujillo. Trata-se de cidades monumentais, carregadas de história – «tierras de conquistadores” – como Francisco Pizarro, cuja estátua equestre domina a praça principal de Trujillo. A partir daqui, Guadalupe alcança-se em três quartos de hora. Antes porém de chegarmos a esse antiquíssimo e venerável local de culto, meditemos um pouco sobre estes estranhos tempos que vivemos.
Parece que passaram completamente de moda as ideologias e os idealismos, o associativismo está em crise, as religiões clássicas, moderadas e sensatas, cederam o lugar aos fundamentalismos irracionais ou às alienações histéricas e acéfalas. O lucro fácil, obtido sem olhar a meios para alcançar os fins, a vitória a todo o custo, o culto da lisonja e da mentira, a corrupção, o calculismo frio e maquiavélico, o sucesso económico e social, a ambição do poder, esses são os verdadeiros ídolos contemporâneos. O século XVIII colocou a razão no altar; o século XIX colocou a ciência; o século XX colocou o dinheiro; e o século XXI? – se bem nos apercebemos, parece ter lá colocado o caos. Todavia, não percamos a esperança, o último alento que permaneceu no fundo da caixa de Pandora. Como diz o poeta Carlos de Oliveira, «não há machado que corte / a raiz ao pensamento». Tal como sucede na Guernica de Picasso, no meio da dor, do sofrimento, da violência e da destruição, a luz conserva-se acesa. Tudo isto vem a propósito de Guadalupe? Sim.
O Mosteiro encontra-se numa região lindíssima, montanhosa, situada no coração da Extremadura espanhola, e é o centro de um dos cultos marianos mais antigos e prestigiados do mundo. O Real Mosteiro de Guadalupe, fundado no século XIV pelo rei Afonso XI, é constituído por um magnífico conjunto de edifícios gótico-mudéjar, aos quais foram acrescentadas, posteriormente, áreas renascentistas e barrocas. Entre as inúmeras preciosidades artísticas que possui, Guadalupe orgulha-se de alguns excelentes quadros de Zurbarán, de uma excepcional colecção de manuscritos iluminados e de um riquíssimo museu de paramentos.
A Virgem Morena de Guadalupe, uma singela imagem românica do século XII, foi, ao longo de oitocentos anos, venerada por sucessivas gerações. Símbolo da hispanidade, viu o seu culto estender-se a todo o mundo de língua castelhana, do México às Filipinas. Reis e cardeais, nobres e plebeus, conquistadores e conquistados, todos oraram à Virgem de Guadalupe, frequentemente pedindo coisas opostas. Nem faltam ofertas dos Reis Católicos, de Cristóvão Colombo e até do generalíssimo Francisco Franco «Caudillo de España por la Gracia de Dios». Os ricos e poderosos ofereceram-lhe tesouros de valor incalculável, tronos, coroas, ceptros, mantos bordados a ouro e cravejados de pérolas e de diamantes. Os pobres e humildes levaram-lhe comoventes e ingénuos ex-votos.
Conduzidos por um guia competente, num dia tranquilo, eu e minha mulher, de sala em sala, fomos ampliando o nosso espanto e o nosso fascínio. Em nome de Deus e da Virgem, os monges de S. Jerónimo, a quem o Mosteiro esteve entregue até ao século XVIII, foram ali acumulando inestimáveis testemunhos de uma fé duradoura. Hoje, o Real Mosteiro de Guadalupe continua habitado, agora por monges franciscanos. O espírito monástico está presente por todo o lado: pressente-se e ecoa na música gregoriana que se ouve na igreja e no rendilhado claustro mudéjar (existe um excelente Coro Gregoriano no Mosteiro); e transmite-se através das celebrações litúrgicas presididas pelos irmãos de S. Francisco, vestidos de burel e calçados com sandálias.
Quando chegámos ao lugar mais sagrado do Mosteiro, o Camarín (uma sala anexa ao altar da Virgem Morena, onde a imagem é preparada na altura das procissões), o guia laico cedeu o seu lugar a um monge. Foi então que aconteceu um momento mágico, muito raro: antes de nos mostrar a Senhora de Guadalupe, o irmão franciscano concentrou-se, recolheu-se, perfilado, olhos no chão, rosto sereno e calmo. Depois de uns breves momentos de profundo silêncio, falou-nos, com palavras brandas e tranquilas, sobre o culto da Virgem Morena e o seu significado. Há muitos, muitos anos que não me encontrava frente a frente com a FÉ. A fé autêntica, latente, translúcida. Aquele homem acreditava, de facto, no que dizia. E, suavemente, fez rodar o trono resplandescente, mostrando-nos uma singela figurinha de mulher, com o filho no regaço, de rosto quase negro, com uma surpreendente expressão de bondade no olhar penetrante. O monge franciscano orou, por um minuto ainda, em silêncio. E, naquele lugar de recolhimento, tão distante do mundo e dos seus imensos dramas, parecia pairar um espírito muito antigo: o do idealismo monástico de Francisco de Assis, o Poverello, o amigo dos lobos e dos cordeiros, o filho de burgueses que escolheu a pobreza evangélica e o cristianismo de Cristo.
Foi, de facto, um momento raro. Num mundo esmagadoramente sensorial e materialista, aquele lugar parecia uma ilha espiritualista, ideativa, uma ilha de fé.*

* Uma sugestão de carácter prático: se o leitor puder, não deixe de ficar uma noite na estalagem do próprio Mosteiro (Hospedería Real Monasterio). Poderá assim dormir numa das antigas celas monásticas e comer no antigo refeitório dos monges.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

Os Bombeiros do Soito agradecem o empenho e dedicação do Sr. Eng. Miguel Neto, da Câmara Municipal do Sabugal, pois é ele o responsável pela vistoria, verificando se tudo está conforme o projeto e protocolo, reunindo-se semanalmente com a Direção, para fazer o ponto de situação dos trabalhos efetuados.
Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

JOAQUIM SAPINHO

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