As origens da franco-maçonaria, instituição para uns venerada e veneranda, para outros figadalmente abominável e para a maior parte ou desconhecida ou enigmática, são marcadamente obscuras, e não só para os profanos, o que será compreensivo, mas até para os mais fiéis dos seus membros, o que, isso sim, será de estranhar.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaNesta indagação às origens, há quem vá até ao Egipto de Ramsés, quem pare em Roma pela casa de Plínio, quem se quede nos Templários ou mais perto do nosso tempo nas Rosas-Cruz…
Mas a verdade é que a FRANCO-MAÇONARIA propriamente dita, como nós hoje a conhecemos, nasceu em LONDRES, asseguram os seus cronistas, na data, relativamente próxima, de vinte e quatro de Junho de mil setecentos e dezassete.
Ao tempo, ou mais concretamente já desde os fins do século anterior que uma grande agitação político-filosófica varria o Reino Unido.
Questões relacionadas com o Luteranismo, o Calvinismo, enfim, a Reforma e Contra-Reforma levaram à irrupção de um incontável leque de clubes filosóficos, onde os auto-intitulados pensadores livres se empenhavam em procurar a verdade.
Politicamente, vivia-se o mesmo fervilhar, com o climax da luta entre os STUARTS e os HANOVERS.
BERNARD FAY, no livro La Franco-Maçonnerie et la Revolution Intellectuelle du Seisiéme Siecle, escreveu: «La capitale anglaise fourmille de clubes de toutes sortes, dans l’arriére boutique de chaque taverne des conciliabules se tenaient chaque semaine. Parmi ces sociétés, celles des maçons».
Antes, a organização corporativa do trabalho tinha dado origem a uma hierarquia onde aprendizes, oficiais e mestres se transmitiam reciprocamente os segredos da respectiva profissão com muita solenidade e muito mais ainda de mistério.
Passara a época da construção das grandes catedrais, o que não trouxe o fim das associações de pedreiros, todavia decaídas em número e projecção.
Na já populosa Londres dos começos do século dezoito, só restavam quatro.
Foram os representantes dessas quatro superstites que na já referida data de 24 de Julho de 1717 reuniram para dar nova vida à ideia.
Tratava-se de, utilizando a simbologia das históricas associações de pedreiros, organizar uma entidade que visaria um mundo novo, porque assente em novos princípios.
A terminologia profissional adaptava-se perfeitamente aos intentos. Construir é a missão de arquitectos e pedreiros, concomitantemente, todos os instrumentos da arte… esquadro, compasso, martelo, bolha de nível e até a indumentária podiam exercer uma enorme força simbólica….
E aquilo que hoje se nos afigura bizarro, ou até um pouco ridículo, coadunava-se perfeitamente com os gostos, o espírito da época e até os fins dos fundadores daquele movimento de ideias, que se iria chamar MAÇONARIA ESPECULATIVA, por oposição à MAÇONARIA OPERATIVA, que fora a dos construtores de catedrais.
É esta a certidão de baptismo da GRANDE LOJA DE INGLATERRA, segundo o politólogo JACQUES PLANCARD D’ASSAC, cuja licão extraída do livro Critique Nacionaliste, vimos seguindo de perto.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Anúncios