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Tenho a ideia de que, nós, continuamos a viver nos sítios onde fomos felizes e eu, tive uma infância feliz e rural.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Gozei, claro, ambientes calmos, pacíficos e pueris apesar do irrequietismo inerente á condição de criança.
As mulheres e os homens desses tempos, os velhos de hoje, transportavam e transportam, ainda, nos olhos a presença de uma acalmia total, reflectida em olhares maduros e recheada de sabedorias antigas e profundas.
Faço, então, questão de voltar para habitar as minhas memórias. Por aí amenizo as horas mais ásperas do tempo presente. Relembro histórias e recordo gente amiga e antiga, ferida pelo frio da existência e queimada pelo fogo das vivências mais austeras. Gente que me parece, agora, em despedida.
Preciso, portanto (e só) de fechar as pálpebras para habitar memórias, para relembrar episódios, para efabular façanhas ou parar ligar destinos que nem sempre foram cumpridos.
Há quem me diga «lá estás tu a sonhar». É certo que o tom nem sempre é recriminatório. No entanto, alguns me julgarão repetitivo. Porventura outros me acompanharão em lembranças. Encolho, simplesmente, os ombros porque sei que não vale a pena suspirar de enfado. Sonhos são sonhos e não se discutem e quando se sonha o real desce sempre a um plano secundário.
Assim me dispus, hoje, a passear, uma outra vez, pelas ruas da minha memória, reencontrando lugares e recordando proezas de outros tempos.
Sempre gostei de deambular sem predefinir o sentido. Apraz-me fazer incursões pelo âmago da minha aldeia sentindo-lhe os odores, as cores, os sons e os silêncios. Dá-me prazer apreciá-la, por dentro, revisitar-lhe a intimidade, confirmando, presencialmente, o que de mais belo ela pode oferecer, quer seja a estreiteza das ruas, o velho traço do campanário, o cantar do velho fontanário ou a antiguidade das edificações.
Foi neste passeio de hoje que revi, uma árvore, lá ao fundo de algumas décadas, incluída numa fileira de imagens onde um dia, um denso e irrequieto grupo de garotos, fugidos da atenção da professora a treparam, a despojaram de muitas folhas e a mutilaram de alguns ramos numa agressividade infantil pouco compreensível aos adultos daquele e deste tempo. Ficou quase moribunda sem que, hoje, por mais que me esforce, eu consiga perceber a barbaridade de tais atitudes. Resistiu, apesar de tudo. Agora é uma árvore forte, alta e adulta, dona de um quintal onde se inicia uma ruela, sítio com lugar cativo na minha recordação.
Tive, então, que pedir perdão a essa árvore. Apeteceu-me abraçá-la e beijá-la com meiguice como se, por muito tempo, me houvesse ausentado dela e a ela voltasse, agora, prodigamente. Senti, depois um cómodo conforto quando me apaziguei com ela, num apaziguamento deveras sentimental.
Enquanto isto, dei comigo em cumprimentos a algumas pessoas (duas ou três) que, ocasionalmente, passaram por ali e que já não conseguem corrigir a velhice.
Terminei reconhecendo, uma vez mais, que continuo a sentir-me bem quando desfio memórias, histórias arbitrarias (entre muitas) quiçá um pouco tontas, eventualmente rotineiras mas, ao mesmo tempo, tão simples e naturais como a desta árvore extremamente marcante da minha infância.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

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Nos últimos vinte anos assistimos ao fim da divisão da Europa em dois blocos político-militares e à multipolarização do mundo, com o fim da «guerra-fria». A consequência, foi a aceleração da unificação a nível financeiro, económico, social, tecnológico e informativo, do espaço planetário, que já estava em curso com o inicio da era moderna e a que chamamos globalização. (continuação.)

João Valente

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaII – Cidadãos medíocres
Atingimos assim uma sociedade de «cidadãos medíocres» que não querem ter que escolher o que é digno de estima, e que perdendo esse hábito, têm cada vez mais dificuldade em articular em público questões com um conteúdo moral sério, que lhes parecem violar o espírito democrático da tolerância, porque exigem a escolha entre melhor e o pior, o bem e o mal. Uma sociedade de «cidadãos ignorantes», que segundo Francis Fukuyama, «querem saír por ai abraçando todas as pessoas, dizendo-lhes que por mais miserável e vil que seja as suas vidas, têm, mesmo assim dignidade, são alguém». De cidadãos amorais que «não estão dispostos a excluír, como indigno, qualquer acto ou pessoa».
Sem capacidade de deliberar, ou seja de realizar escolhas políticas, de se comprometer moralmente, o cidadão torna-se indiferente à implicação das decisões políticas no seu futuro, centrando-se na sua privacidade, na satisfação dos interesses próprios do momento e reduzindo a vida política à mera formalidade procedimental que sustenta o status quo, que mais não é, segundo Pascal Bruckner, referindo-se ao execício cíclico do direito de voto, que «mudar de pessoal político como fazemos zapping na televisão, por fadiga das mesmas imagens», escolher apenas aqueles que absorvem catarquicamente a culpa e responsabilidade que os «cidadãos medíocres» afastaram de si.
Como consequência, temos a apetência pelo relativismo, em que todos os sistemas de valores são relativos ao tempo e lugar, não sendo nenhum deles verdadeiro, mas apenas reflexo de interesses dos seus proponentes. Deste ponto de vista, o «cidadão medíocre» acredita que o seu modo de vida é tão bom como qualquer outro e que por tal motivo realiza-se ficando em casa, auto-satisfeito da sua tolerância e ausência de fanatismo.
Não é por acaso que na democracia moderna os cidadãos se preocupam mais com os ganhos materiais e vivem num mundo económico dedicado à satisfação de uma miríade de necessidades do corpo. A felicidade consiste no bem-estar individual, compreendido não como vida feliz, mas atomisticamente, como instante feliz, acesso súbito, casual e fugaz na busca do conforto de uma vida burguesa, em que a privacidade e a satisfação dos desejos individuais é o valor essencial.
Uma «vida nua», sem afectos, apática, acomodaticia, sem, nas palavras do Zaratrustra de Nietzsche, «qualquer crença ou superstição», sem personalidade, incapaz de iniciativa e de resistência, socialmente irrelevante, cedendo à mais leve pressão, sofrendo todas as influências, adaptável a todas as circunstâncias e atenta a qualquer vantagem pessoal, de moral equilibrista e oportunista.
De forma eloquente, Zygmunt Bauman caracterizou a psicologia social destes «cidadãos medíocres»: «Estão fora da sua órbita o engenho, a virtude e a dignidade, privilegios dos caracteres excelentes; sofrem deles e os desdenham. São cegos para as auroras; ignoram a quimera do artista, o sonho do sábio e a paixão do apóstolo. Condenados a vegetar, não suspeitam que existe o infinito para lá dos seus horizontes. O horror do desconhecido os ata a mil prejuízos, tornando-os timoratos e indecisos: nada aguça a sua curiosidade; carecem de iniciativa e olham sempre o passado, como se tivessem olhos na nuca. São incapazes de virtude; não a concebem ou lhes exige demasiado esforço. Nenhum afan de santidade alvoroça o sangue em seu coração; às vezes não delinquem por cobardía ante a culpa.»
E Antero de Quental, no «Ensaio Sobre o Futuro da Música», resumiria esta patologia como um «espírito cheio de esperança e vazio de crenças, alimentando de sonhos um infinito desejo de realidades, triste até à morte, alegre até ao frenesi, atrevido, intemerato – e desolado».
Em suma, uma sociedade de “cidadãos medíocres», incapazes de conceber uma perfeição, de formar um ideal; rotineiros, honestos e mansos; que pensam com a cabeça dos outros, compartillham a hipocrisia moral e ajustam o seu carácter às suas conveniências egoístas. Uma cidadania de homens vulgares, vivendo na contradição intima entre o sentimento de infinita liberdade e uma consciência infeliz, nas palavras de Hegel, porque apesar de livres para agirem e darem o seu contributo individual para uma sociedade melhor, as suas características são imitarem todos os que o rodeiam, pensarem com a cabeça alheia, serem incapazes de ideais próprias, adaptados que estão a viverem em rebanho.
Por isso não me surpreendi quando vi recentemente Julius Assange, numa manifestação de indignados, gritar a palavra de ordem de que «somos indivíduos»; da mesma forma que foi natural o meu apelo de colaboração numa acção popular contra a ilegalidade do atentado ao património, em Sortelha, «cair», salvo algumas honrosas excepções, «em saco roto».
Tudo não são mais que sintomas patológicos do mesmo «espírito cheio de esperanças e vazio de crenças», da «consciência infeliz», que caracterizam os «cidadãos medíocres» da sociedade moderna; dessa «coisa essencialmente moderna» que é a «ambição ilimitada, junto com um doloroso sofrimento, uma fraqueza mórbida, uma vaga e indefinível doença», nas palavras de Antero de Quental.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

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