Os nomes dados pelo Povo aos locais e às ruas são uma parte significativa da nossa memória. Até porque as palavras usadas saem directas da naturalidade popular. Mais tarde, vem a toponímia oficial que, muitas vezes, felizmente, até respeita a tradicional. É assim no Casteleiro e é assim no mundo todo. Sei que hoje isto é muito virado para a terra-mãe e pouco vai interessar a outros «co-bloggers» e leitores sabugalenses… mas quero fazer esta deriva e fugir das economias, que mais tarde retomo com o cereal, o azeite e o linho, pelo menos. Hoje: prioridade aos nomes dos sítios…

Se nos dizem que Fulano mora na Rua do Poço, ninguém duvida de que ali há ou houve mesmo um poço. A verdade acima de tudo também nos topónimos tradicionais. Sabemos isso muito bem.
Venho rememorar algumas destas designações de locais e ruas, porque faz bem à alma: só por isso.
Primeiro os lugarejos em volta e os sítios da minha aldeia. Depois os «bairros» (palavra que ninguém ali usa) e algumas ruas. Nalguns casos com explicação adicional por necessária, noutros em singelo, porque as palavras falam clarinho…

Os lugarejos envolventes
É interessante ver que o Casteleiro está rodeado de anexas e lugarejos desde há séculos.
Em meados do século XVIII, o Cura Leal, pároco desta terra, nas respostas ao Marquês de Pombal, citou pelo menos a Ribeira, Vale de Castelões (eventualmente os construtores dos castros pré-históricos que, dizem, por lá existem).
E ainda: o Tinte (onde dantes havia uma tinturaria – cultivava-se muito linho para aquelas bandas e faziam-se os tecidos), Cantargalo e Gralhais (terra de gralhas?).
Interessante que esses locais ficam todos para Sul e Sueste. Para Norte e Nordeste, ele não parecia conhecer tão bem a aldeia. Um enigma que não consegui até agora decifrar mas que se mete comigo desde que li aqueles documentos das «Memórias Paroquiais do Casteleiro».
Há para esses lados esquecidos pelo Padre locais como a Várzea, a Ponte (já havia ponte naquele tempo), a Malhadinha ou o Fojo.
Há ainda a Ribeira da Cal, a Carrola, a Estrada (caminho antigo, que ligava a Caria mas pelas Cruzes e pelos terrenos designados mesmo por «Estrada»).
Há as Alvercas, o Poio ou o Marineto.
Há a Quinta, mesmo à saída do Povo, há a Quinta do Morgado de Santo Amaro e há ainda Valverdinho.

Os sítios (bairros) do Casteleiro
A Estalagem é o bairro à saída para as Cruzes e a Estrada.
Escola Nova era e é o bairro lá em cima, à saída para Caria.
O Baturel é junto do que hoje é o Centro Cultural.
O Ribeirinho é mais abaixo, da Praça para o Cemitério.
A Carreirinha é lá para baixo, ao pé da Vinha.
O Carreçal (Carriçal) fica lá para a saída para a Ponte.
As «lajas» (lajes) eram pontos de referência: «Fica ali para os lados da Laja tal» – e estava o sítio mais do que identificado…

Largos e ruas
Largos, eram muitos: o Largo de São Francisco, o principal da terra, o Largo do Chafariz, o Terreiro da Fonte, a Estalais (= Estalagem: é o nome do bairro, mas também o nome daquele largo), o Reduto (porque muito fechado – dantes as touraditas eram feitas aí), o Largo da Igreja e a Praça.
Quanto às ruas, a maioria tinha o nome de um ou dois moradores… Mas havia (há) topónimos arreigados: a Rua Direita, a Estrada (Nacional 18-3), a Quelha do Medo, a Rua do Cemitério, a Rua do Forno – julgo que eram e são as principais.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Anúncios