Hoje trago a esta crónica dois assuntos que, parecem-me, são pertinentes para reflexão. Não serão completamente novos, pois outros – e notáveis bloguistas! – têm trazido de forma brilhante a esta página!

Primeiro ponto – A reflexão ocorreu-me no decurso dos falados cem dias de governação! Mas sobretudo, no decorrer da profissão que exerço. Nos manuais de História e Geografia de Portugal, 6º ano do 2º Ciclo, ensina-se que, António Salazar (que tinha chegado ao governo por convite do general Óscar Carmona, para a pasta das finanças) resolveu os problemas financeiros de Portugal da seguinte forma: aumento de impostos, cortes na saúde, cortes na educação, cortes na acção social. E… o que me vem à memória é que nestes cem dias a única coisa que ouvi foi aumento de impostos! Cortes na saúde! Cortes na educação! Cortes na acção social! Será coincidência?! Ou, como alguns apontam, que a história é cíclica e, portanto, repete-se!?
O que me deixa perplexo!
Quando se anunciou a vinda de gente tão qualificada, mestres e doutorados em economia, em gestão, em finanças… gente que dominava tais matérias e que, seguramente, trariam novas ideias, novos modelos, outros paradigmas! Não esperava é que tudo se resumisse a copiar o velho ditador… E nem tudo se justifica à pressão da «troika»!
Segundo ponto – Tenho estado atento a esta proposta do governo no que concerne à alteração da lei do poder local. É um assunto que merece ser reflectido e debatido. É que, não devemos olhar para o documento e renunciar ao todo! Muito menos olhar para ele somente no prisma do corte das freguesias!
Não me arrepia o princípio. Principalmente, da redução das freguesias urbanas. Até porque, muitas vezes as funções dessas juntas se sobrepôe às da câmara municipal e vice-versa. Quanto às outras, devemos analisar se os parâmetros estão adequados ou não.
Também, não me arranha o princípio de câmaras monocolores (de um só partido), desde que, e aqui é fundamental, que os poderes da assembleia municipal sejam reforçados e efectivos! De outra forma corremos o risco de «jardinzinarmos» o poder local!
O assunto é sério, é importante. Assim saibamos nós – a sociedade – intervir, discutir, debater e tirar conclusões. Apetece-me dizer que o assunto é demasiado sério para ser deixado aos profissionais da política. Qualquer decisão sobre este assunto, acreditem, vai tocar nas nossas vidas! Por isso, não lhe viremos as costas!
Participemos.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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