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O Tribunal de Contas decidiu que o presidente da Câmara Municipal do Sabugal e os demais vereadores vão ter que pagar multa por terem autorizado trabalhos a mais na empreitada do Balneário das Termal do Cró, em vez de lançarem novos concursos de adjudicação.

Câmara Municipal do SabugalA multa a que cada vereador está sujeito vai de 1.530 a 15.300 euros e o seu exacto valor será definido após proposta do Ministério Público ao Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas responsável pelas autarquias.
A decisão do Tribunal foi tomada na sequência de uma auditoria à execução do contrato de empreitada «concepção/construção do balneário termal das Termas do Cró», que detectou autorizações de trabalhos suplementares ilegais, e cujo relatório é já do domínio público.
Inicialmente a obra foi adjudicada à empresa SOMAGUE pelo valor de 4.466.953,34 euros (mais IVA), com conclusão prevista para 28 de Maio de 2010. Porém, logo a 04/12/2009, o executivo municipal deliberou, por unanimidade, autorizar trabalhos adicionais no valor de 382.584,68 euros. Os trabalhos a mais incluíam a alteração da localização da piscina de reabilitação (o que implicava o aumento da área de implantação do balneário), a execução de um corredor de marcha de água, a instalação de painéis solares e a alteração da tela de cobertura da cúpula.
Passados seis meses, a 05/05/2010, novamente por unanimidade, foi autorizado um segundo contrato adicional com a firma adjudicante, neste caso no valor de 119.446,03 euros, para instalação de um posto de transformação, construção de acessibilidades ao terraço, recobrimento da pala e construção de um patamar central.
Em 24/10/2010, no período em que a obra já deveria estar concluída, foi autorizada uma terceira alteração, desta feita com a abstenção dos vereadores do PS, para mudança do projecto de som e execução de um letreiro exterior, num valor de 15.980 euros.
O total de trabalhos a mais autorizados resultou num agravamento de 529.840,68 euros no custo da obra, cujo valor total acabaria por roçar os 5 milhões de euros.
Os serviços técnicos da Câmara Municipal informaram o executivo que os trabalhos a mais não poderiam ser tecnicamente separados do contrato inicial pois eram estritamente necessários para um correcto acabamento da obra. Porém o colectivo de Juízes Conselheiros que analisou o processo considerou que era necessário que os trabalhos resultassem de circunstâncias imprevistas para que pudessem surgir como trabalhos a mais na mesma empreitada. As alterações antes consubstanciaram, na opinião dos juízes, melhorias ao projecto, as quais não poderiam ser sido contratualizadas sem a abertura de um novo concurso.
Os vereadores receberam no início deste ano um primeiro despacho do Tribunal, que os informou das conclusões da auditoria, instando-os a pronunciarem-se, exercendo o direito ao contraditório. O presidente e os vereadores elaboraram um documento conjunto, onde alegaram a interdependência dos trabalhos a mais em relação à empreitada geral e que tinham pretendido evitar a diluição de responsabilidade por mais do que um adjucatário da obra. Alegaram ainda que actuaram de boa fé e sem consciência da ilicitude.
Contudo o tribunal não sancionou as alegações dos visados, decidindo em definitivo pela responsabilização dos vereadores e pela aplicação de sanções pecuniárias.
Apenas o vereador Francisco Vaz, de Alfaiates, eleito pelo PS, ficou ilibado, pelo facto de ter apenas votado a terceira alteração, onde se absteve. O presidente António Robalo, a vice-presidente, Delfina Leal, bem como os vereadores António Dionísio, Ernesto Cunha, Luís Sanches, Sandra Fortuna e Joaquim Ricardo, vão ter de pagar a multa. Se o fizerem na fase de pagamento voluntário, que já decorre, o valor da multa será pelo valor mínimo previsto (1.530 euros), de porém contestarem o valor a fixar poderá ser superior, podendo atingir o máximo previsto (15.300 euros).
plb

O Casteleiro é / era uma terra rica? As famílias viviam todas bem naqueles anos 50? Não. Mas conheço terras onde havia maior percentagem de pobres muito pobres e bem menos famílias a viverem bastante bem. Agora dizermos que se vivia bem, não. Se não, não tinha havido tanta fuga para a emigração. Nem tanta migração para outras zonas do País.

Na minha aldeia, aliás, sempre houve emigração. Nos anos 20, duas ou três pessoas foram para a Argentina. Depois, nos anos 40 e sobretudo «nos» 50, sazonalmente iam trabalhar para o Ribatejo e para o Alentejo. Muita juventude «fugiu» sempre para Lisboa – e por cá se organizou a vida toda. Alguns, para Angola; poucos, para Moçambique. Mas o «boom» mesmo foi nos anos 60. Do Casteleiro, como de todo o interior Centro e Norte, para a Suíça e Alemanha, mas sobretudo para a França, saíram pessoas aos milhares. Tudo o que era gente jovem, rapazes e homens até aos 40… fronteira, a «salto», e ala que se faz tarde. Sofreram, trabalharam, foram escravizados. Mas singraram. Melhoraram a vida deles e das famílias – muitas das quais depois se juntaram aos pais. De caminho, meia dúzia de pessoas foram ainda para o Canadá nessa mesma época.
Falo da emigração apenas para referir a vida difícil e para concluir uma coisa: se havia tanta ocupação em artes, ofícios, agro-pecuárias, agro-indústrias… se isso fosse rentável, as pessoas não tinham fugido para as Franças…

Pagamento em espécie e maquia
Claro: muitas destas ocupações que aqui trago hoje eram de subsistência. Não davam dinheiro. A maior parte das pessoas pagava em géneros: um pouco de batatas, umas cebolas, uma parte do produto agrícola em causa – e estava pago.
Falo, neste caso, do que se designava por «maquia»: pagamento com farinha por ter sido moído o centeio, por exemplo. Era a maquia: a parcela que ficava na moagem, nesse caso.
Mas muitas outras tarefas e serviços eram pagos assim.
Por exemplo: o nosso barbeiro mais famoso, o ti’ Nàciso (o Sr. Narciso, aliás oriundo de Alfaiates), também era uma espécie de enfermeiro e quase médico. Pois os seus serviços nessa área eram pagos em géneros, muitas vezes. Ou porque ele queria ou porque as pessoas não tinham mais nada para pagar.
Era uma economia muito de trocas directas, embora se vendessem produtos: muita batata, milho, centeio, azeite e vinho com seus derivados – aguardente, agua-pé e jeropiga; depois veio a era dos pomares e vendia-se muita fruta; vendia-se algum trigo, alguma castanha (há mais é nas terras mais frias do que o Casteleiro); vendia-se madeira, melancia nas feiras das redondezas. E pouco mais. Nos anos 40 vendeu-se imenso minério pois a aldeia tem muito (volfrâmio e estanho, segundo dizem).

Artes e ofícios, indústrias e artesanatos
Sempre houve ocupações diversificadas nesta terra. Havia uma moagem, vários pedreiros, alfaiates, sapateiros (três), costureiras/modistas – mas cada mãe era a costureira da sua própria casa, não esquecer. Muitas mulheres davam ao fuso da roca no trabalho do linho (fiar, chamava-se). Havia duas ou três tecedeiras – tecelãs –, para trabalharem o linho já pronto para fazer tecido e depois vestuário ou roupas de cama etc..
Havia quem preparasse as tiras de tecidos para fazer as mantas de farrapos, que eram encomendadas aos farrapeiros que vinham de fora. Do Dominguiso, penso.
Havia então uma moagem e havia dois fornos.
Havia ferreiros, latoeiros. Havia carpinteiros. Mas os «artistas» (!) eram os da pequeníssima «construção civil»:
– Amanhã trago cá um artista a fazer a parede.
Havia um sector de transportes (táxi, carrinhas, camionetas).
Mas, por exemplo, não havia tractores para alugar: apenas duas ou três famílias tinham tractor e era nesse tempo para seu serviço.
No campo das agro-indústrias e do agro-artesanato, honra seja feita ao Casteleiro que sempre teve muitas unidades dessas áreas. Aliás, isso não era novo no século XX: já em meados do século XVIII havia «sete moinhos e três lagares de azeite, dois pizoins e algum dia teve também um tinte, porém hoje se acha demolido» – como dizia o tal Padre Leal no relatório ao Marquês. Ele fala de lagares à beira da ribeira. Eram os de azeite. Duzentos anos depois, no meio do século XX havia pelo menos três ainda.
Falta dizer que muitas casas tinham também lagares de vinho. Mas muita gente o fazia em dornas, como se sabe.
Na minha meninice, havia três a quatro comerciantes estabelecidos (tabernas e lojas do tipo mini-mercado com comidas e tecidos) e havia mais uns três que compravam e transportavam produtos da terra ou madeiras.

Fabriquetas
Nos anos 40, como já escrevi há tempos, houve no Casteleiro uma «separadora» de minério. Eram uns «fornos» de alta temperatura para o volfrâmio e outros metais recolhidos nas ribeiras e linhas de água no meio das serras.
Nas «Memórias Paroquiais», que já acima referi, o Cura Manuel Pires Leal fala então muitas formas de artesanato, como transcrevo.
Esclareço que um pisão (os tais «pizoins» do Padre Leal) é uma fabriqueta em que o pano era compactado, para ficar mais consistente e tapado. E o tinte era afinal uma tinturaria – no local ainda agora chamado Tinte por essa razão, tinturaria essa que já não existia em 1758.
Mas como se vê o Casteleiro mexia muito. E havia bastantes artes e ofícios e muito quem fizesse outras actividades complementares que não apenas o cultivo agrícola.
Ah! E queijos de toda a espécie: de leite de vaca, cabra, ovelha.
Fresco ou curado.
E requeijão.
E coalhada.
E soro.
Eh, pá. Que delícia…
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

A recém-criada Confraria Cão da Serra da Estrela, com sede na aldeia histórica de Sortelha, organizou o seu primeiro primeiro Capítulo com a entronização de 50 confrades. A novel confraria teve como madrinhas a Confraria do Bucho Raiano e a Confraria do Queijo Serra da Estrela. Reportagem e edição da jornalista Sara Castro com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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As viagens sempre constituíram um bom tema para crónicas e livros de memórias. Exploremos, pois, tal como prometido, esse inesgotável filão.

Veneza em dia de regata. À esquerda, a Biblioteca Marciana e o Campanile; à direita, o Palácio dos Doges e, por trás, a Basílica de São Marcos
A Ponte de Rialto, Veneza, Itália Veneza em dias de Acqua Alta O jovem Tadzio, no filme «Morte em Veneza», de Luchino Visconti (1971)

(Passe o cursor nas imagens para ver a legenda e clique para ampliar.)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaNo último artigo aqui publicado falámos de Roma, do Vaticano, da Capela Sistina e de Miguel Ângelo. E, como uma viagem a Itália representa sempre uma autêntica «orgia cultural», vamos ficar-nos pela pátria dos Césares. Falemos hoje de outra cidade mítica e mágica: Veneza, essa prodigiosa urbe aquática, cujo encanto prende para todo o sempre quem por lá passa. Fica-se irremediavelmente preso ao exotismo das ruas-canais, à beleza dos palácios de arcarias entrelaçadas, ao romantismo das gôndolas balançantes, ao mistério de ruelas e pontezinhas, à melancolia de uma cidade que se afunda e se desertifica.
Manhãzinha cedo, com a brisa marítima a desalinhar-nos o cabelo, tomamos o «vaporetto» e percorremos o Grande Canal. Quando passamos por baixo da Ponte de Rialto temos subitamente a estranha sensação de fazermos parte de um quadro de Guardi ou de Canaletto. Acorrem-nos à memória filmes, pinturas, postais, sons de Vivaldi, numa associação de ideias em verdadeira catadupa. Descemos no coração da cidade: S. Marcos. E extasiamo-nos com a imponência equilibrada do Palácio dos Doges, a digna sede do poder político e económico da Sereníssima República de Veneza entre o século XIII e o século XIX. É um edifício suportado por uma correnteza de arcos ogivais entrelaçados, cuja beleza exterior apenas é suplantada pela riqueza do interior: percorremos deslumbrados as salas e salões recheados com uma profusão inigualável de Tintorettos, Veroneses e Ticianos, lustres de cristal, chãos de mármore e de mosaico, talha dourada, mobiliário requintado e, sempre presente, pairando no ar, o espírito da antiga potência veneziana.
Quando saímos não sabemos para onde nos virar: de um lado, a harmoniosa Biblioteca Marciana, da autoria de Andrea Sansovino (século XVI), anunciando uma exposição sobre o maneirismo italiano; do outro, o elegante Campanile, verdadeiro ex-libris da cidade. Optamos por subir ao campanário e olhar demoradamente a cidade, lá em baixo, entrecortada por espelhos de água reluzentes. Daqui apercebemo-nos perfeitamente do perigo que ameaça Veneza, construída sobre um arquipélago de ilhas rasteiras e lodacentas, no meio de uma laguna. Lá ao longe, avistamos o Lido, que associamos aos hotéis de luxo e à bienal de cinema. Mais longe ainda, apercebemos já as ondas esbranquiçadas do Adriático. À nossa direita divisamos a silhueta majestosa da bela igreja barroca de Santa Maria della Salute. E, aos nossos pés, as cúpulas bizantinas da basílica de S. Marcos parecem cogumelos, ou bolbos gigantes.
Descemos e entramos na basílica marciana. A primeira sensação que se tem é a de que caminhamos sobre uma superfície ondulada, um autêntico mar encapelado: o peso colossal da enorme igreja tem afundado sistematicamente o chão no local dos pilares. Os alicerces instáveis, lodosos, resistiram por mil anos, mas por quantos mais irão resistir?
«Salvemos Veneza!» foi o slogan de muitas campanhas internacionais para a preservação da cidade dos doges. Fundos vultosos têm sido canalizados para esse efeito, sobretudo através da UNESCO. Mas o próprio turismo contribui, hora a hora, para afundar Veneza. As águas ondulam e moem os alicerces. O formigueiro humano desgasta continuamente. E o admirável património secular de Veneza inclina-se e afunda-se, centímetro a centímetro.
Saímos de S. Marcos. Olhamos ainda, de novo, para a fachada embandeirada, onde os painéis de mosaicos refulgem ao sol. Lá está, há quase oitocentos anos, a famosa quadriga trazida de Constantinopla como troféu de guerra, em 1204. Nesse tempo, Veneza iniciava o seu glorioso caminho de grande empório comercial, cidade de tráfico mercantil, próspero entreposto mediador dos negócios entre o mundo muçulmano e o mundo cristão. Até à descoberta da rota do Cabo, por Vasco da Gama, em 1498, Veneza enriquecerá sistematicamente com o comércio das especiarias, das sedas e dos restantes produtos exóticos. O Mediterrâneo Oriental será uma verdadeira coutada veneziana, apenas esporadicamente disputada pela República de Génova, a grande rival. E, mesmo depois da fugaz preponderância de Lisboa no tráfego oriental, Veneza soube reconverter-se e recuperar a sua prosperidade (através da produção de espelhos e cristais, por exemplo). Foi essa prosperidade que lhe permitiu construir igrejas e palácios, acarinhar a pintura e a música, desenvolver as artes fabris.
Descansemos agora um pouco num dos belíssimos cafés centenários da Praça de S. Marcos. No Florian, por exemplo. A decoração, com veludos vermelhos, bronzes dourados e lustres de cristal murano é requintada mas acolhedora. Uma pequena orquestra toca Vivaldi, o grande mestre do barroco veneziano. Tomar um capuccino na esplanada, ao som desta orquestra, constitui um privilégio muito raro.
Prosseguindo o nosso passeio, é tempo agora de procurar um agradável restaurantezinho na zona de Rialto. E, depois, perdermo-nos nas vielas da cidade, descobrindo continuamente recantos surpreendentes, novos ângulos para outra fotografia, atravessando os canais ou ficando, calmamente, a ver passar as negras gôndolas. Sempre negras, em lembrança da grande peste seiscentista que vitimou milhares de venezianos.
E, pouco a pouco, vamos ficando agarrados a esta cidade única, onde só falta cruzarmo-nos com um grupo de misteriosos mascarados carnavalescos. Quando, ao anoitecer, o «vaporetto» nos leva de regresso ao hotel, olhamos já com saudade as silhuetas dos monumentos venezianos reflectindo-se nas águas alaranjadas, como se sempre as tivéssemos conhecido. E prometemos voltar. Muitas vezes.
Hoje, Veneza é para mim como que um pensamento recorrente. Aquela cidade tão melancólica, suspensa sobre as águas que a puxam para si, condenada a um afundamento quase inexorável, não me sai da ideia. E fui reler os relatórios das inúmeras comissões que a querem salvar, em busca de esperança. Talvez se retarde o afundamento, mas as marés invadirão a Praça de S. Marcos cada vez com mais frequência, provocando o já habitual fenómeno da «acqua alta».
Aqui há tempos, numa tarde chuvosa de Abril, fui rever um filme admirável mas melancólico, que sintetiza admiravelmente o drama desta cidade: «Morte em Veneza», de Luchino Visconti. É uma obra-prima do cinema, autêntica trilogia genial, porque nela se reuniram três grandes criadores: Thomas Mann, autor da novela, Gustav Mahler, autor da música utilizada no filme, e o próprio Visconti.
O grande realizador italiano, um perfeccionista obsessivo, conseguiu recriar magistralmente a Veneza da Belle Époque, na qual um compositor alemão, Gustav von Aschenbach, agoniza pelas praças e vielas empestadas pelo scirocco e pela cólera. Von Aschenbach (personagem que vai buscar inspiração ao próprio Thomas Mann e a Gustav Mahler) é uma figura torturada, patética, um homem irremediavelmente preso a um amor platónico clandestino. Fascinado pela beleza inacessível, quase divina, do jovem adolescente Tadzio, o professor Aschenbach morre lentamente em Veneza, ao som do adagietto da 5ª. Sinfonia de Mahler. O dramatismo pungente e quase doloroso da música mahleriana, prolongado até ao insuportável, casa-se de uma forma absolutamente sublime com a morte em Veneza. E, com imensa pena nossa, também ilustra dolorosamente a morte de Veneza.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

A direcção da AAR-Associação dos Amigos de Ruivós organiza, mais uma vez, o tradicional Magusto de São Martinho no sábado, 12 de Novembro. Este ano a iniciativa conta com uma tarde desportiva com torneios de matraquilhos e sueca no Salão de Festas da da freguesia.

1.º Torneio de Matraquilhos e 1.º Torneio de Sueca - AAR-Associação dos Amigos de Ruivós

Magusto de São Martinho - AAR-Associação dos Amigos de Ruivós

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Um dia num futuro… próximo. A companhia Corning Incorporated é líder mundial em vidros especiais e cerâmicas e produz sistemas de alta tecnologia electrónica para controlo de emissões móveis, telecomunicações e ciências da vida.

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Olá Côa! Neste lugar olho para ti e parece que recebo mensagens do Universo.

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È difícil receber esta comunicação, e tenho que perceber o quê, quem me comunica ou quem me guia. Mas faço-o, e algo sinto…Invisíveis auto-estradas de sentimentos e atracões, sublime sexto sentido…?
Utopia minha Côa? Não. Lembras-te daqueles pré-históricos que andavam aqui á tua beira? E se lhes perguntássemos por um pequeno objecto (a que chamamos agora telemóvel) que envia mensagens escritas de pessoas para outras pessoas em todo o lado, o que é que eles não diriam…
Obrigado Côa!
«Paixão pelo Côa – fotografia», crónica de Carlos Marques

carlos3arabia@yahoo.com

A edição 2011 do «Pintar Sabugal» teve como cenários as paisagens da Malcata. Reportagem e edição da jornalista Sara Castro com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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As origens da franco-maçonaria, instituição para uns venerada e veneranda, para outros figadalmente abominável e para a maior parte ou desconhecida ou enigmática, são marcadamente obscuras, e não só para os profanos, o que será compreensivo, mas até para os mais fiéis dos seus membros, o que, isso sim, será de estranhar.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaNesta indagação às origens, há quem vá até ao Egipto de Ramsés, quem pare em Roma pela casa de Plínio, quem se quede nos Templários ou mais perto do nosso tempo nas Rosas-Cruz…
Mas a verdade é que a FRANCO-MAÇONARIA propriamente dita, como nós hoje a conhecemos, nasceu em LONDRES, asseguram os seus cronistas, na data, relativamente próxima, de vinte e quatro de Junho de mil setecentos e dezassete.
Ao tempo, ou mais concretamente já desde os fins do século anterior que uma grande agitação político-filosófica varria o Reino Unido.
Questões relacionadas com o Luteranismo, o Calvinismo, enfim, a Reforma e Contra-Reforma levaram à irrupção de um incontável leque de clubes filosóficos, onde os auto-intitulados pensadores livres se empenhavam em procurar a verdade.
Politicamente, vivia-se o mesmo fervilhar, com o climax da luta entre os STUARTS e os HANOVERS.
BERNARD FAY, no livro La Franco-Maçonnerie et la Revolution Intellectuelle du Seisiéme Siecle, escreveu: «La capitale anglaise fourmille de clubes de toutes sortes, dans l’arriére boutique de chaque taverne des conciliabules se tenaient chaque semaine. Parmi ces sociétés, celles des maçons».
Antes, a organização corporativa do trabalho tinha dado origem a uma hierarquia onde aprendizes, oficiais e mestres se transmitiam reciprocamente os segredos da respectiva profissão com muita solenidade e muito mais ainda de mistério.
Passara a época da construção das grandes catedrais, o que não trouxe o fim das associações de pedreiros, todavia decaídas em número e projecção.
Na já populosa Londres dos começos do século dezoito, só restavam quatro.
Foram os representantes dessas quatro superstites que na já referida data de 24 de Julho de 1717 reuniram para dar nova vida à ideia.
Tratava-se de, utilizando a simbologia das históricas associações de pedreiros, organizar uma entidade que visaria um mundo novo, porque assente em novos princípios.
A terminologia profissional adaptava-se perfeitamente aos intentos. Construir é a missão de arquitectos e pedreiros, concomitantemente, todos os instrumentos da arte… esquadro, compasso, martelo, bolha de nível e até a indumentária podiam exercer uma enorme força simbólica….
E aquilo que hoje se nos afigura bizarro, ou até um pouco ridículo, coadunava-se perfeitamente com os gostos, o espírito da época e até os fins dos fundadores daquele movimento de ideias, que se iria chamar MAÇONARIA ESPECULATIVA, por oposição à MAÇONARIA OPERATIVA, que fora a dos construtores de catedrais.
É esta a certidão de baptismo da GRANDE LOJA DE INGLATERRA, segundo o politólogo JACQUES PLANCARD D’ASSAC, cuja licão extraída do livro Critique Nacionaliste, vimos seguindo de perto.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

O meu preferido entretém nas horas mortas era serigaitar pelos campos em busca dos animais bravios. Já meu pai, que Deus haja, era, para além de lavrador, um valente monteiro e foi com ele que aprendi a lidar com a clavina e a bater tojeiros, silvedos e tourais à cata de coelhos e lebres.

A bem dizer, isso de caçar estava-me no sangue desde garoto, pois logo cedo afinei a pontaria com a fisga e montei costis para filar tordos e gaios. Era o inimigo número um da passarada, entre os catraios do povo, para além de mestre a armar laço, arçolhos e ferros nos locais apropriados. Em casa havia sempre fartura de coelhos e perdizes, quando me dispunha dar uma volta pelo campo. E mais não haveria por a vida de contrabandista e negociante não me deixar muito tempo vago para me dedicar a tais artes.
Em geral caçava sozinho, com a singela companhia da Doninha que, fairando e embrenhando-se nos matagais, fazia a caça sair para campo aberto, onde eu lhe apontava e chapeava chumbo. Mas também gostava de uma boa carava, sempre se convivia e botava faladura, enquanto se percorriam as tapadas ou quando se abancava a emborcar uma mastiga.
Um dos meus nobres comparsas nestas lidas, quando havia ocasião, era o padre Hilário, da Vila do Touro. Era um artista a apontar a espingarda e matreiro ao ponto de se aprochegar, de manso, dos tourais e chumbar os coelhos quando estercavam. Embora barrigana e com ares de lapão, tinha genica que chegasse para trepar a eito pelos cerros e seguir de rota segura em direituras dos barrocais onde abundava caça. Era também homem reinadio e tagarela como poucos. Não fora a sotaina, que até quando seguia pelo mato envergava, e ninguém diria tratar-se de um sacerdote da Madre Igreja.
O padre Hilário apreciava da minha carava, pois também eu era folgazão e advertido e sabia-me deslocar ao esconde-esconde pelos montes, mexendo-me como uma verdugueira quando quer abocanhar um pássaro. Fazíamos uma boa dupla na caça.
Há muito tempo, vivi com ele uma parte, que agora lhes vou contar.
Num mercado da Vila do Touro, que se fazia todas as últimas quintas-feiras do mês, e a que raro faltava, fui ter com o dito prior, pois ele era, além de grande amigo, o meu confessor. Ficou ufano com a minha presença e foi comigo ao confessionário onde, por seu intermédio, prestei contas com Deus. Feita a obrigação, deu-me de cear e logo ali se fez a combina. Ele dava-me dormida na tarimba que tinha montada no paranho e na madrugada chegante íamos caçar.
Descansei o corpanzil em riba duma facha de palha, mas logo que o galo cantou, puxei a clavina do alforge e meti o bornal, com o farnel que trouguera, a tiracolo. Na cozinha rilhámos uma côdea e ala, seguimos à vida.
Por toda a manhã percorremos os cabeços pedregosos de Vale Mourisco, local onde a bicheza bravia abundava e nós conhecíamos a pente fino.
A meio da manhã chegou-se-nos a nainita e decidimos manjar qualquer coisa. Descemos do Cabeço do Peneducho e estacionámos numa achada, à beira de uma presa com água limpa. Saquei então de um fatronco de pão centeio, de uma bela chouriça e de um valente naco de presunto apimentado. Espantou-se o padre Hilário com tal fartança.
– Ó Tosca! Que diabo. Nem pareces temente a Deus!
– Ora essa, sou um pobre pecador que anda sempre pronto a dar contas ao Senhor.
– Então e hoje, que na liturgia é dia de jejum e abstinência, trazes carne prá manja?
– Tem razão Vossa Reverência – disse-lhe, coçando o tutano – nem tal coisa me veio à lembrança!… Onde raio estava com a cachimónia?!
O padre enrugou a fronte, dando ares de desassossego.
– E passaremos fome? – procurou-me.
– Que hemos de fazer? Se é jejum, jejuamos, cumprindo a obrigação… E que boa posta de bacalhau lá tinha na arca! – lamentei-me.
O abade olhou de esguelha para a chouriça e para o presunto, todo a lamber-se e a lamentar-se de ficar com o odre vazio. Botou então o gadanho ao nagalho da chouriça, levantou-se e chegou-se perto do bueiro, onde a mergulhou na água fria e a fez boiar de um lado para o outro. Tirou-a depois e, virando-se para mim:
– Já nadou Tosca! E se nadou é peixe! Vamo-nos a ela!
– Mas, se é pecado?
– Qual pecado, homem de Deus? Desde quando não se come peixe na Quaresma? Passa cá a naifa que já vai num ai.
Dado o ousio do padre atirei-me ao farnel e ali nos alambazámos, enchendo o fole.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

A exposição sobre a edição 2010 em Sortelha do «Pintar Sabugal» está patente até 28 de Novembro na sala de exposições temporárias do Museu Municipal do Sabugal. Reportagem e edição da jornalista Sara Castro com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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«Nada provoca mais danos num estado do que homens astutos a quererem passar por sábios.», Francis Bacon, in «Essays, of Cunning»

Ocorreu-me esta citação pelo facto de esta semana se encontrarem os chefes de estado e chefes de governo da Europa. E tive uma leve sensação de saudade da Europa!…
A ideia de uma Europa unida nasceu dos escombros da Segunda Guerra Mundial (1945) fruto, entre outras razões, dos nacionalismos extremos que fervilhavam por esse continente fora. Assim, em 1951, com assinatura do Tratado de Paris, seis países fundavam a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Mesmo sendo uma comunidade fundamentalmente de controlo monopolista do carvão e do aço, afirmava-se como “a primeira etapa para a federação da Europa”. Depois veio o Tratado de Roma (1957) instituindo a Comunidade Económica Europeia – a célebre CEE! – Depois, foram assinados vários tratados até Maastricht e Lisboa (o último), fundando a União Europeia. Nesse entretanto, acabaram as fronteiras, primeiro para as mercadorias e depois para as pessoas. Elegeram-se parlamentos e comissões. Criaram-se leis gerais para toda a Europa… E, dos primeiros seis países, somos hoje vinte e sete!
Se recupero a história da fundação é porque, essa Europa que nascia em meados do século passado, anunciava o alvor de uma nova era! Apresentava um projecto de futuro em que todos os cidadãos estariam acima dos seus países para se sentirem, essencialmente, cidadãos de um continente, de um espaço comum. Reduzindo as possibilidades de se repetirem as atrocidades que as duas grandes guerras tinham mostrado.
Eram sábios esses fundadores. De passo em passo, foi possível criar a ideia de uma Europa solidária, igualitária, tolerante e fundada sobre princípios democráticos.
Contudo, essa Europa, foi-se diluindo e terminando nas fronteiras do paíszinho de cada um. Cada país olhou para a Europa conhecendo apenas a parte do Pai-Nosso do «venha a nós o vosso reino». Nada mais! Mas, também, a própria Europa foi olhando para os países meramente como extensões mercantis.
Os líderes europeus foram perdendo o horizonte do ideal da Europa, o ideal de uma vida melhor para todos os europeus e da diluição das assimetrias entre os países. Tornando-se hoje num dueto franco-alemão carregado de uma miopia que não lhes deixa ver nada mais que o seu umbigo.
A política deu lugar à economia. E as pessoas deram lugar ao cifrão. E desta forma foi-se destruindo a democracia. A democracia, que aparecia como o grande valor e conquista de uma Europa nova, porque unida, vem dando lugar a um grupo de economistas e financeiros sem rosto. Burocratas que confundem o mundo com o gabinete e orientados por líderes manifestamente incompetentes, mesquinhos e cobardes!
Decididamente, a Europa é governada por homens astutos a quererem passar por sábios. E o resultado está à vista!
A Europa desagrega-se a cada dia que passa, a sentido solidário só é pensado se houver interesse dos bancos, a igualdade afasta-se cada vez mais e a própria liberdade é um valor cada vez mais posto em causa. Os direitos e os deveres passaram a ser retórica, mas cada vez mais sem conteúdo. A Europa é cada vez mais a megalomania dos seus comissários e deputados e cada vez menos a Europa dos cidadãos.
Apetece-me dizer: e a Europa ali tão perto!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

«Inovação e Empreendedorismo na Beira Interior» é o tema de um ciclo de conferências que Instituto Politécnico da Guarda (IPG) – através da sua Unidade de Investigação para o Desenvolvimento do Interior (UDI) – está a promover, desde 19 de Outubro, até ao próximo dia 9 de Novembro.

Os trabalhos decorrem no Auditório dos Serviços Centrais, a partir das 10 horas.
No dia 2 de Novembro o tema em debate terá por tema «Turismo e Cultura na Beira Interior». O programa, desse dia, vai integrar comunicações sobre «Competitividade do Turismo em Portugal», «A relação entre a cultura e o desenvolvimento», «Projeto By Nature», «Projeto Aldeias de Montanha», «Turismo Religioso», «Projeto Aldeias Históricas», «Turismo e Património do Côa», «Conceito Papperfree Restaurant», «Turismo de Habitação no Interior» e «A oferta hoteleira da Beira Interior».
Ainda no dia 2 de Novembro, no edifício dos Serviços Centrais, será apresentado o livro «Inovação em Turismo e Hotelaria», editado pelo Instituto Politécnico da Guarda.
Analisar e identificar as oportunidades de desenvolvimento e de aumento de competitividade de região; reconhecer o contributo dos empreendedores para a prosperidade, criação de emprego e inovação; salientar o papel do IPG no seu contributo na investigação aplicada, e fomento de inovação e criação de empresas e informar os empreendedores sobre os apoios e programas disponíveis para o seu negócio a nível nacional e transfronteiriço, são, entre outros aspectos, os principais objectivos deste ciclo.
As inscrições, obrigatórias, são gratuitas e podem ser feitas em http://www.ipg.pt/iebi/, onde os interessados têm disponíveis mais informações.
Será emitido certificado de participação.
plb (com IPG)

Parece difícil, mas é fácil…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Alguns amigos perguntaram-me como se faz um orçamento de base zero.
Não sei qual a resposta científica, mas sei como se pode fazer na prática, e é assim:
1. Despesas correntes com pessoal: vencimentos dos funcionários e eleitos, comparticipações obrigatórias pela lei, etc., as quais devem ser calculadas atendendo às alterações propostas no OE/2012, nomeadamente no que diz respeito ao não pagamento dos 13º e 14º meses, normas remuneratórias de horas extraordinárias, despesas de representação, etc., e ainda da obrigatoriedade de diminuir o número de trabalhadores em 2% e o de dirigentes em 15%
2. Despesas de funcionamento: combustíveis, eletricidade, comunicações, material de escritório, de limpeza, etc., considerando que se deve prever a cativação de, pelo menos, 15% do total gasto em 2011
3. Despesas de água e saneamento: As que decorrem da manutenção dos sistemas existentes e dos nossos compromissos com entidades terceiras, nomeadamente as Águas do Zêzere e Coa e com a RESIESTRELA;
4. Juros da dívida pública
5. Transferências obrigatórias para as Juntas de Freguesia
6. Despesas de manutenção dos equipamentos municipais culturais, desportivos e sociais existentes, considerando que se deve prever a cativação de, pelo menos, 10% do total gasto em 2011
7. Despesas decorrentes de protocolos em vigor com o Movimento Associativo e de Solidariedade Social
8. Despesas de capital decorrentes de contratos já existentes
9. Outras despesas associadas a compromissos reais existentes, isto é, que não representem novos investimentos, nem potenciais investimentos a realizar.
A Lei das Finanças Locais define uma forma de calcular as receitas previstas que atende às receitas registadas nos dois anos anteriores.
Mas quem acompanha a elaboração de Orçamentos sabe que, muitas vezes, se inflacionam as previsões de receitas para que as mesmas cubram as despesas que se prevê venham a ser efetuadas.
Tal quer dizer que, após a elaboração do Orçamento de Despesa em Base 0 e da receita segundo a Lei, quase de certeza vai acontecer que a receita é maior que a despesa.
E aqui, três soluções se colocam:
– É assim e ponto final, e a receita excedentária prevista, se se concretizar, fica na Banca à espera de justificação para a gastar.
– A receita excedentária prevista, se se concretizar, é utilizada para pagar parte da dívida à Banca.
– A receita excedentária prevista, se se concretizar, é aplicada em despesas de investimento, situação que só poderá verificar-se se, ao longo do ano, o volume de receitas realmente verificado, o permitir, o que obrigará naturalmente à apresentação de uma proposta de alteração ao Orçamento de Despesa aprovado.
Considero, por último, que a opção pela elaboração de um Orçamento de Despesa Base 0 deveria ser um método seguido pelas Juntas de Freguesia.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Tenho a ideia de que, nós, continuamos a viver nos sítios onde fomos felizes e eu, tive uma infância feliz e rural.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Gozei, claro, ambientes calmos, pacíficos e pueris apesar do irrequietismo inerente á condição de criança.
As mulheres e os homens desses tempos, os velhos de hoje, transportavam e transportam, ainda, nos olhos a presença de uma acalmia total, reflectida em olhares maduros e recheada de sabedorias antigas e profundas.
Faço, então, questão de voltar para habitar as minhas memórias. Por aí amenizo as horas mais ásperas do tempo presente. Relembro histórias e recordo gente amiga e antiga, ferida pelo frio da existência e queimada pelo fogo das vivências mais austeras. Gente que me parece, agora, em despedida.
Preciso, portanto (e só) de fechar as pálpebras para habitar memórias, para relembrar episódios, para efabular façanhas ou parar ligar destinos que nem sempre foram cumpridos.
Há quem me diga «lá estás tu a sonhar». É certo que o tom nem sempre é recriminatório. No entanto, alguns me julgarão repetitivo. Porventura outros me acompanharão em lembranças. Encolho, simplesmente, os ombros porque sei que não vale a pena suspirar de enfado. Sonhos são sonhos e não se discutem e quando se sonha o real desce sempre a um plano secundário.
Assim me dispus, hoje, a passear, uma outra vez, pelas ruas da minha memória, reencontrando lugares e recordando proezas de outros tempos.
Sempre gostei de deambular sem predefinir o sentido. Apraz-me fazer incursões pelo âmago da minha aldeia sentindo-lhe os odores, as cores, os sons e os silêncios. Dá-me prazer apreciá-la, por dentro, revisitar-lhe a intimidade, confirmando, presencialmente, o que de mais belo ela pode oferecer, quer seja a estreiteza das ruas, o velho traço do campanário, o cantar do velho fontanário ou a antiguidade das edificações.
Foi neste passeio de hoje que revi, uma árvore, lá ao fundo de algumas décadas, incluída numa fileira de imagens onde um dia, um denso e irrequieto grupo de garotos, fugidos da atenção da professora a treparam, a despojaram de muitas folhas e a mutilaram de alguns ramos numa agressividade infantil pouco compreensível aos adultos daquele e deste tempo. Ficou quase moribunda sem que, hoje, por mais que me esforce, eu consiga perceber a barbaridade de tais atitudes. Resistiu, apesar de tudo. Agora é uma árvore forte, alta e adulta, dona de um quintal onde se inicia uma ruela, sítio com lugar cativo na minha recordação.
Tive, então, que pedir perdão a essa árvore. Apeteceu-me abraçá-la e beijá-la com meiguice como se, por muito tempo, me houvesse ausentado dela e a ela voltasse, agora, prodigamente. Senti, depois um cómodo conforto quando me apaziguei com ela, num apaziguamento deveras sentimental.
Enquanto isto, dei comigo em cumprimentos a algumas pessoas (duas ou três) que, ocasionalmente, passaram por ali e que já não conseguem corrigir a velhice.
Terminei reconhecendo, uma vez mais, que continuo a sentir-me bem quando desfio memórias, histórias arbitrarias (entre muitas) quiçá um pouco tontas, eventualmente rotineiras mas, ao mesmo tempo, tão simples e naturais como a desta árvore extremamente marcante da minha infância.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

Nos últimos vinte anos assistimos ao fim da divisão da Europa em dois blocos político-militares e à multipolarização do mundo, com o fim da «guerra-fria». A consequência, foi a aceleração da unificação a nível financeiro, económico, social, tecnológico e informativo, do espaço planetário, que já estava em curso com o inicio da era moderna e a que chamamos globalização. (continuação.)

João Valente

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaII – Cidadãos medíocres
Atingimos assim uma sociedade de «cidadãos medíocres» que não querem ter que escolher o que é digno de estima, e que perdendo esse hábito, têm cada vez mais dificuldade em articular em público questões com um conteúdo moral sério, que lhes parecem violar o espírito democrático da tolerância, porque exigem a escolha entre melhor e o pior, o bem e o mal. Uma sociedade de «cidadãos ignorantes», que segundo Francis Fukuyama, «querem saír por ai abraçando todas as pessoas, dizendo-lhes que por mais miserável e vil que seja as suas vidas, têm, mesmo assim dignidade, são alguém». De cidadãos amorais que «não estão dispostos a excluír, como indigno, qualquer acto ou pessoa».
Sem capacidade de deliberar, ou seja de realizar escolhas políticas, de se comprometer moralmente, o cidadão torna-se indiferente à implicação das decisões políticas no seu futuro, centrando-se na sua privacidade, na satisfação dos interesses próprios do momento e reduzindo a vida política à mera formalidade procedimental que sustenta o status quo, que mais não é, segundo Pascal Bruckner, referindo-se ao execício cíclico do direito de voto, que «mudar de pessoal político como fazemos zapping na televisão, por fadiga das mesmas imagens», escolher apenas aqueles que absorvem catarquicamente a culpa e responsabilidade que os «cidadãos medíocres» afastaram de si.
Como consequência, temos a apetência pelo relativismo, em que todos os sistemas de valores são relativos ao tempo e lugar, não sendo nenhum deles verdadeiro, mas apenas reflexo de interesses dos seus proponentes. Deste ponto de vista, o «cidadão medíocre» acredita que o seu modo de vida é tão bom como qualquer outro e que por tal motivo realiza-se ficando em casa, auto-satisfeito da sua tolerância e ausência de fanatismo.
Não é por acaso que na democracia moderna os cidadãos se preocupam mais com os ganhos materiais e vivem num mundo económico dedicado à satisfação de uma miríade de necessidades do corpo. A felicidade consiste no bem-estar individual, compreendido não como vida feliz, mas atomisticamente, como instante feliz, acesso súbito, casual e fugaz na busca do conforto de uma vida burguesa, em que a privacidade e a satisfação dos desejos individuais é o valor essencial.
Uma «vida nua», sem afectos, apática, acomodaticia, sem, nas palavras do Zaratrustra de Nietzsche, «qualquer crença ou superstição», sem personalidade, incapaz de iniciativa e de resistência, socialmente irrelevante, cedendo à mais leve pressão, sofrendo todas as influências, adaptável a todas as circunstâncias e atenta a qualquer vantagem pessoal, de moral equilibrista e oportunista.
De forma eloquente, Zygmunt Bauman caracterizou a psicologia social destes «cidadãos medíocres»: «Estão fora da sua órbita o engenho, a virtude e a dignidade, privilegios dos caracteres excelentes; sofrem deles e os desdenham. São cegos para as auroras; ignoram a quimera do artista, o sonho do sábio e a paixão do apóstolo. Condenados a vegetar, não suspeitam que existe o infinito para lá dos seus horizontes. O horror do desconhecido os ata a mil prejuízos, tornando-os timoratos e indecisos: nada aguça a sua curiosidade; carecem de iniciativa e olham sempre o passado, como se tivessem olhos na nuca. São incapazes de virtude; não a concebem ou lhes exige demasiado esforço. Nenhum afan de santidade alvoroça o sangue em seu coração; às vezes não delinquem por cobardía ante a culpa.»
E Antero de Quental, no «Ensaio Sobre o Futuro da Música», resumiria esta patologia como um «espírito cheio de esperança e vazio de crenças, alimentando de sonhos um infinito desejo de realidades, triste até à morte, alegre até ao frenesi, atrevido, intemerato – e desolado».
Em suma, uma sociedade de “cidadãos medíocres», incapazes de conceber uma perfeição, de formar um ideal; rotineiros, honestos e mansos; que pensam com a cabeça dos outros, compartillham a hipocrisia moral e ajustam o seu carácter às suas conveniências egoístas. Uma cidadania de homens vulgares, vivendo na contradição intima entre o sentimento de infinita liberdade e uma consciência infeliz, nas palavras de Hegel, porque apesar de livres para agirem e darem o seu contributo individual para uma sociedade melhor, as suas características são imitarem todos os que o rodeiam, pensarem com a cabeça alheia, serem incapazes de ideais próprias, adaptados que estão a viverem em rebanho.
Por isso não me surpreendi quando vi recentemente Julius Assange, numa manifestação de indignados, gritar a palavra de ordem de que «somos indivíduos»; da mesma forma que foi natural o meu apelo de colaboração numa acção popular contra a ilegalidade do atentado ao património, em Sortelha, «cair», salvo algumas honrosas excepções, «em saco roto».
Tudo não são mais que sintomas patológicos do mesmo «espírito cheio de esperanças e vazio de crenças», da «consciência infeliz», que caracterizam os «cidadãos medíocres» da sociedade moderna; dessa «coisa essencialmente moderna» que é a «ambição ilimitada, junto com um doloroso sofrimento, uma fraqueza mórbida, uma vaga e indefinível doença», nas palavras de Antero de Quental.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

«Pensar Sabugal» é a epígrafe de um debate entre militantes que o Partido Socialista irá realizar no Sabugal, tendo em vista analisar e discutir a reorganização administrativa local, a modernização do partido e as eleições autárquicas de 2013.

No próximo domingo, dia 30 de Outubro, pelas 17 horas, os socialistas reúnem no salão da Junta de Freguesia do Sabugal, para lançar o debate acerca de um conjunto de matérias de interesse actual e local.
Ao que o Capeia Arraiana apurou, a reunião plenária foi convocada pela Federação Distrital da Guarda do partido, em coordenação com a concelhia do Sabugal, pretendendo dar continuidade ao projecto «Pensar 2013», que foi lançado pelo secretário-geral do partido, António José Seguro, em Seia, no passado dia 2 de Outubro. O objectivo é debater ideias e metodologias, reunindo para esse efeito os militantes de cada Concelho, aproveitando o seu conhecimento dos problemas que os afectam.
O projecto apresentado pelo PSD para a reforma da administração local, o chamado «documento verde» irá estar no centro do debate, esperando-se que muitos socialistas se manifestem contrários à intenção de fundir e agregar as freguesias rurais. No caso do concelho do Sabugal, aplicando-se os critérios definidos no projecto do PSD, desapareceriam metade (20) das freguesias que actualmente existem.
plb

Na Grécia, o primeiro ministro Papandreu, presumo que o actual presidente da Internacional Socialista, da qual faz parte o Partido Socialista Grego que está no governo, ordenou à polícia que quando visse em alguma praça da cidade de Atenas mais de quatro pessoas juntas, carregasse com força. Também já se vê em várias fotografias e, também em imagens televisivas, crianças de 6, 10 e 12 anos a serem agredidas violentamente pela polícia. Chamam a Papandreu o «Tsolákoglu», que foi o primeiro-ministro designado pelos Nazis quando ocuparam a Grécia, entre 1941 e 1942.

António EmidioIsto é Socialismo Democrático? Claro que não! Isto é ditadura.
Sabemos que os políticos de esquerda, principalmente os Socialistas Democráticos, foram pressionados, receberam pressões tremendas para aceitarem a nova ideologia, o que era inaceitável para eles, mas infelizmente aceitaram, renderam-se. Devido a essa rendição, perderam a credibilidade e, também lideres à altura, capazes de enfrentarem estas modernas ideias políticas do «internacionalismo monetário». Será que esta derrota tem a ver só com a crise económica? Portanto de carácter circunstancial? Não. Nos primórdios do século XX, os socialistas lutavam para derrotar o Capitalismo, com o fim da Segunda Guerra Mundial, através de acordos que deram expressão às liberdades políticas e aos direitos sociais dos trabalhadores, principalmente na Europa, entrou-se no Estado Social. A que se comprometeram os socialistas? Qual foi a parte deles no acordo com o sistema? Travar o avanço do comunismo soviético. E agora que caiu o Muro de Berlim, a missão histórica do Socialismo Democrático terminou? Nunca essa missão foi tão premente como agora! É preciso recuperar dessa derrota política, económica e cultural, permitindo esse desaire, que as classes poderosas, as elites económicas, ditassem as leis a seu belo prazer. Esta classe impôs-se com facilidade, em primeiro lugar, porque o trabalhador depressa assimilou a ideologia do «Pão e Circo» apresentada pelos «mass media», muitos programas televisivos deformaram uma geração de espectadores, foi incutida neles uma admiração irresistível pelo encanto e pela baixa e desprezível moral dos ricos. Depois, o Socialismo Democrático depressa se converteu à Doxa dominante, isso permitiu o aparecimento do Capitalismo de Casino, o mais ortodoxo e selvagem, aquele que não quer estar ligado à Democracia…
A esquerda e os trabalhadores tudo perderam, até o poder reivindicativo, chegou-se então aos dias de hoje, ambos estão numa condição subalterna e humilhante a que o sistema os condenou.
Solução? Mais DEMOCRACIA! Menos vacilações! Mais valentia! Também é necessária uma nova ordem politico/económica, a esquerda não deve pactuar mais com o Capitalismo, mesmo como Capitalismo «light», deve ter por ela os mais humildes e os marginalizados, mas também todos aqueles que compartem os valores da Liberdade, da Igualdade, da Paz, da Solidariedade, do Progresso e da Justiça Social. É necessário um Mundo mais justo. O Neoliberalismo transformou profundamente a sociedade, na parte ideológica e também na parte económica: o coeficiente Gini, que mede as desigualdades, chegou a conclusões incríveis, a diferença entre salário do trabalhador e do directivo, passou de 40 para 1, a 400 para 1, num prazo de vinte anos, a mobilidade social diminuiu, a qualidade do ensino deteriorou-se e a divisão do PIB entre capital e mão de obra, inclinou-se mais do que nunca a favor do capital.

Alguém de bom senso nega que vivemos num regime Capitalista de Casino? Vejamos: o Deutsche Bank emprestou aos casinos de Las Vegas 3.720 milhões de euros. Esse dinheiro, dizem que corresponde à divida soberana de Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda. É muito provável que o nosso dinheiro, aquele que nos vai ser tirado com as draconianas medidas económicas, vá direitinho para o Deutsche Bank, seguindo depois viagem até Las Vegas. Tem mais valor um casino do que um povo, do que uma Nação. Um dia chamaram-me porco comunista num comentário a um artigo meu, ideologicamente não sou comunista, basta ler os meus artigos para verem qual é a minha ideologia, mas deixai que diga uma coisa: o que os comunistas disseram sobre o comunismo, muitas vezes não correspondia à realidade, mas o que disseram sobre o capitalismo, não falharam em nada.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Estão abertas desde já as inscrições para um Curso de Iniciação à Prova de Vinhos, organizado pela Fundação INATEL – Agência da Guarda, no próximo dia 19 de Novembro.

A acção formativa, é voltada para o público em geral e terá lugar na Adega Cooperativa de Vila Nova de Tázem, concelho de Gouveia. Terá um carácter eminentemente prático, utilizando como base de trabalho os vinhos da região do Dão.
A orientação da formação estará a cargo do enólogo Pedro Pereira, responsável pelos vinhos da Adega Cooperativa de Vila Nova Tázem. O objectivo da iniciativa é contribuir para que os interessados aprendam a apreciar os vinhos, fazendo a sua prova a partir do conhecimento aprofundado das suas características.
A formação em sala será completada com uma visita guiada à Adega e com um almoço na Unidade Hoteleira de Vila Ruiva.
Para que a formação se possa realizar terá que haver entre 15 a 20 inscritos.
Os interessados podem obter informações sobre o curso junto da Agência da Guarda da Fundação INATEL, pelo telefone 271212730.
plb

«A felicidade é a compreensão lógica do mundo» (Spinoza).

Vou tentar que esta crónica seja um mero exercício de lógica. A lógica é um ramo da filosofia que trata das regras de bem pensar. È um instrumento do pensar. Assim, um sistema lógico é um conjunto de regras e de axiomas para aferir e que procuram demonstrar formalmente o raciocínio lógico.
A ideia anda à volta da proposta do governo do Orçamento de Estado (OE). Aviso, desde já, que não me interessam as cores políticas para este exercício!
Ora, segundo as afirmações do governo, foi descoberto (ou existe) um buraco (reparem, é sempre um buraco, nunca um poço! É que estes ainda podem ter petróleo ou água, os buracos só têm… buracos!) de três mil milhões! Estes, a somar a outros buracos, dá um número, que não se sabe ao certo, de buracos e ainda nem somei o buraco da Madeira!!
O governo, para tapar um buraco, provisoriamente, retêm metade do subsidio de Natal aos funcionários públicos. Mil milhões. Nesse mesmo dia, o governo passava um cheque ao BPN dos amigos do Sr. Silva, que, por acaso, é Presidente da República, de… mil milhões! Poderão argumentar que era um compromisso do anterior governo. Sim, mas o subsídio de Natal é um compromisso com os trabalhadores! Porquê cumprir um e não outro?
Sigamos o raciocínio, 50% de subsídio = a mil milhões, 100% de subsídio = a dois mil milhões. Com o anúncio do governo de reter o subsídio de Natal e de férias durante dois anos, portando, 100% x 4 = a oito mil milhões! Neste anúncio, o governo até já prevê um buraco em 2013! Não sabe de onde, não sabe porquê, mas sabe de um buraco para daqui a dois anos!!! E lá vamos nós a pagar o buraco do Sr. Jardim!!!
É que, este OE, parece apresentar somente como grande vector de cortar nas despesas esta magnânime ideia: corta-se nos salários dos trabalhadores e retira-se-lhe o subsídio de Natal e de férias. A todos? Não. Só alguns. Porque as reformas vitalícias… dos políticos, não se toca! Coitados, eles ganharam tão pouco e ganham tão pouco… Pois foram estes mesmos políticos que assinaram e construíram esta situação!
Mas voltemos à lógica! Se, menos poder de compra, menos consumo. Menos consumo, logo, menos negócio. Menos negócio, menos produção. Menos produção, logo, maior desemprego! Maior desemprego, mais subsídio de desemprego, menor receita fiscal. Menor receita fiscal, logo aumento de impostos. Aumento de imposto… é a velha história da pescadinha de rabo na boca!
Mas analisemos um pouco mais a pobreza deste OE. Não por ser de austeridade. Mas por não trazer uma única ideia para o pais! Resume-se a cortes e aumentos. Nem uma estratégia para o país, nenhum investimento e, contudo, consegue manter toda a nomenklatura existente. Seria importante que fosse apresentado um plano para dar aos portugueses uma esperança, que mais não fosse!, de que os sacrifícios são necessários mas não em vão. Por exemplo, seria uma excelente oportunidade para olhar para o interior. Incentivando as pessoas e as empresas a instalarem-se no interior, através de benesses e benefícios. Tentando equilibrar o país.
Apetece dizer que, para tomarem estas decisões e, restringidos às directrizes da troika, pergunto, para quê um governo com tanta gente? Não chegariam, vamos lá, quatro, para poderem jogar uma sueca, ministros? Para quê tanta gente na Assembleia? Não seria um bom sinal, começar a poupar por aí?!… Mas isto seria a lógica.. E aquilo que vejo é, precisamente, a ausência de lógica. Como pode haver lógica, se chamamos para resolver o problema os mesmos que o causaram?! Como pode haver lógica, quando os prazos que nos são colocados para o pagamento de dívidas, para a resolução das reformas, é completamente irrealista?! Como pode haver lógica, quando queremos ovos, mas matamos a galinha?!
É a troika, respondem-me. E, é aqui que falta novamente a lógica, precisávamos de um primeiro-ministro que fosse diplomata, e temos um primeiro-ministro que não passa de um secretário-geral da troika. É alógica, ou falta dela.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A empresa Caracol Real – Produtos Alimentares com sede e fábrica de transformação na freguesia da Cerdeira, no concelho do Sabugal, passou a dispor de uma página na Internet.

Caracol Real - Cerdeira

A Caracol Real – Produtos Alimentares já pode ser visitada na Internet. A história da empresa, as novidades, os produtos da loja de venda directa, a localização e os contactos e as informações técnicas sobre caracóis estão disponíveis nas páginas digitais da empresa de Amândio Assis instalada na Cerdeira há 27 anos.
A empresa «Caracol Real», fixada na Cerdeira do Côa, chega a empregar 15 pessoas no período de Verão, quando o negócio do caracol está no auge. Mas tratando-se de um trabalho sazonal, no período de Inverno tem apenas quatro efectivos, que tratam da confecção e venda de outros petiscos. As instalações da empresa e as viaturas de transporte do produto estão certificados, assim como o produto confeccionado, que é sujeito a análises periódicas. Porém face à exiguidade das instalações e à expansão do negócio, as instalações sofreram obras de ampliação.
Amândio Assis acredita num futuro promissor para o seu negócio que, progressivamente, se vai afirmando no contexto nacional e internacional, assim prestigiando também o concelho do Sabugal.

Página da empresa «Caracol Real». Aqui.
jcl

A convite do Município de Vila Nova de Foz Côa, Junta de Freguesia e Associação dos Amigos de Foz Côa – «Foz Côa Friends» – um grupo de amigos de Foios e Presidência da Câmara Municipal do Sabugal rumámos até Vila Nova de Foz Côa no sábado, dia 22 de Outubro de 2011.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaSaímos do Largo da Fonte, por volta das 8 horas e trinta minutos para chegar a Foz Côa às dez e um quarto.
Com as novas estradas que agora existem mal se dá pelo caminho e as pessoas não se cansam. Uma beleza.
Em Vila Nova de Foz Côa estava o poder local, Câmara e Junta de Freguesia, o Sr. Cónego e alguns amigos da Associação «Foz Côa Friends» para nos receberem.
Depois da apresentação de cumprimentos entrámos no bar do amigo José Constâncio onde tomámos café.
De seguida foi-nos feita uma visita guiada a uma Igreja que, embora antiga, se encontra muito bem preservada interior e exteriormente.
Para dar cumprimento ao horário o grupo das vinte e oito pessoas do Sabugal foi encaminhado para o autocarro da Câmara Municipal de Foz Côa cujos lugares, cinquenta e quatro, acabaram de ser preenchidos por amigos de Foz Côa.
Um quarto de hora passado chegávamos ao cais de embarque, onde a maioria dos amigos fizemos fotografias para a prosperidade.
Às 11 horas entrámos no barco «Senhora da Veiga» para iniciarmos uma viagem que ficará na memória de todos.
Os fojeiros, que tantas vezes ouvimos falar da Foz do Côa e que apenas conhecíamos através de fotografias, tivemos a honra e a felicidade de contemplar esse mítico lugar onde o filho rio Côa vai entregar, ao pai Douro, as suas águas.
A nossa alegria era condizente com o maravilhoso dia que o S. Pedro nos proporcionou.
Com tanta alegria e animação não tardou que os artistas que tínhamos a bordo tivessem pegado nas violas e no acordeon. Cantou-se e dançou-se até que alguém deu ordens para que toda a gente se sentasse à mesa porque o almoço estava pronto a servir.
Depois de todas as pessoas devidamente instaladas os simpáticos rapazes e meninas começaram por servir uma refeição que teve um sabor muito especial.
O desembarque deu-se por volta das 16 horas tendo todas as pessoas tomado lugar no autocarro que nos havia de transportar ao museu do Côa como estava programado.
Aí, um simpático jovem, a dominar por completo toda a matéria, proporcionou-nos a visita guiada que foi altamente esclarecedora e muito pedagógica.
Enquanto a delegação dos Foios, acompanhados por alguns bons amigos da «Foz Côa Friends», com particular destaque para o incansável – José Lebreiro – outros amigos, sobretudo o Presidente da Junta – Fernando Fachada – e seus colaboradores trabalhavam no salão da Junta para que por volta das 18 horas o lanche estivesse pronto a ser servido.
Logo que demos entrada no salão da Junta deparámos com os elementos do rancho folclórico, neste caso transformado em grupo coral que, sob a orientação do Sr. Maestro, já com oitenta anos de idade, nos brindou com bonitos números, alguns dos quais alusivos ao rio Côa.
Pretendo referir que tanto na viagem de barco como no final da jornada se verificou a troca de algumas lembranças com particular destaque para umas peças, em ardósia, onde constam os brasões de Foios e Vila Nova ou seja das localidades onde nasce e desagua o rio Côa.
Um especial agradecimento ao Fernando Fachada, Presidente da Junta e ao Vice – Presidente do Município, João Paulo, porque foram eles que estiveram sempre em contacto comigo, na qualidade de Presidente da Junta de Foios e com a Vice Presidente do Sabugal, Delfina Leal, que com o seu homologo de Foz Côa trabalharam para que tudo tivesse corrido na perfeição como, de facto, correu.
Para os amigos(as) da Associação «Foz Côa Friends» também aquele abraço porque desde o princípio ao fim nos prestaram as melhores atenções.
Ficou combinado que faríamos a permuta das muitas fotos que fizemos. Fico ansioso por receber as do Luís Branquinho e do João Pala visto que já lhes conheço as excelentes qualidades.
Também um agradecimento especial à Empresa de Transportes «Viúva Monteiro» visto nos ter feito um preço especial ou seja o pagamento de apenas de dez euros por pessoa.
Obrigado queridos amigos. Saberemos pagar com idêntica moeda quando se dignarem subir até à nascente
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

A Câmara Municipal de Trancoso e a Sociedade de Ciências Agrárias de Portugal (SCAP) organizam, em 11 e 12 de Novembro, o 1.º Simpósio Nacional do Castanheiro «Espécie a defender». A iniciativa pretende debater e analisar a importância desta produção tão intrinsecamente ligada à vida social, cultural, agrária e económica do concelho de Trancoso.

Simpósio da Castanha em TrancosoQue variedades e que porta-enxertos devem ser usados? Quais as técnicas culturais a adoptar para promover o desenvolvimento de castanheiros sãos e vigorosos? Que estratégias devem ser adoptadas no controlo das pragas e doenças que o atingem? Estes são alguns dos temas em debate no 1.º Simpósio Nacional do Castanheiro «Espécie a defender» que vai ter lugar em Trancoso nos dias 11 e 12 de Novembro.
O presidente da Câmara Municipal de Trancoso, Júlio Sarmento, deu a conhecer o evento defendendo «a grande importância para o concelho tendo em conta não só o peso económico do castanheiro e da castanha na economia mas também numa perspectiva cultural associada às tradições e práticas rurais com destaque para a área ambiental e o elevado índice de destruição da espécie principalmente devido aos incêndios florestais, abandono do mundo rural e despovoamento das zonas rurais».
No caso de Trancoso, Júlio Sarmento afirmou que «o concelho é, tradicionalmente, uma região de referência na produção de castanha e madeira de castanheiro, marcando fortemente os hábitos das populações nesta época do ano».
O autarca recordou que no passado a castanha «era a base da alimentação das populações rurais, muito antes da introdução da batata em Portugal por volta de 1760, oriunda da América do Sul e tendo sido cultivada pela primeira vez em Trás-os-Montes». A castanha representa hoje em dia uma das principais culturas em todo o território nacional, ocupando mais de 100 mil hectares.
O castanheiro é uma espécie de grande importância económica que apresenta a dupla função de produção de fruto e madeira (soutos e castinçais) ocupando no Interior Norte e Centro do país mais de 30 mil hectares. Portugal é o terceiro produtor europeu de castanha com uma produção média anual de cerca de 30 mil toneladas.
O concelho de Trancoso insere-se na Zona de Produção de Castanha dos «Soutos da Lapa – DOP/Denominação de Origem Protegida» onde pugnam as variedades de Martaínha (côr castanha-clara) e a Longal (côr castanha-avermelhada e estrias longitudinais escuras). A área geográfica delimitada de produção consta do Despacho 37/94, de 18-01, que também reconheceu a Denominação de Origem.
O Simpósio decorre no Auditório do Convento de São Francisco, Teatro Municipal de Trancoso. Participam produtores, técnicos, especialistas, investigadores, comunidade escolar e autarcas.
aps (com Gabinete de Comunicação da C. M. Trancoso)

Uma coisa são as quintas que rodeiam o Casteleiro e de que hoje aqui falo e outra os lugares muito famosos de boa produção agrícola em torno da aldeia: a Ribeira da Cal, os Lagares, a Serra, as Cruzes, a Estrada – esses são bons locais de cultivo e muito famosos. Mas não eram habitados. Nas quintas, além de boa agricultura, havia e há casas com gente dentro…

Trago hoje aqui uma referência a lugarejos habitados e cultivados que faziam boa parte da riqueza agrícola da minha aldeia. Hoje ainda têm gente, mas a agricultura intensiva já foi. Estamos na era do quanto menos melhor – ou quase isso.

Gralhais
As quintas de Gralhais distam do Casteleiro uns 10 km, se não me engano. Hoje vai-se de carro. Mas de há 10 anos para trás, nem pensar. Ia-se a pé, levavam-se os burros e os carros de vacas e nada mais. No Casteleiro nunca houve muitas carroças. Duas ou três. E não tenho a ideia de que alguém com carroça fosse até Gralhais. Esta quinta fica no extremo da nossa freguesia em direcção aos e confina com a Benquerença e os Três Povos.
Era uma área de terrenos cultiváveis e muito produtivos. Tenho a ideia de que desde o centeio ao milho, das melancias ao tomate ali havia de tudo em grandes quantidades. Ah, e o vinho e o azeite: muito e bom. E água sempre abundante para regar tudo.

Vila Mimosa
A quinta a que sempre se chamou Vila Mimosa fica mesmo à saída do Casteleiro, na direcção de Caria, um pouco desviada da estrada nacional (500 metros). O Dr. Joaquim Guerra e a Dona Maria do Céu foram a geração de que me lembro e que deram vida a esta unidade agro-industrial (tinham lavoura farta, lagares de azeite e lagares de vinho de grande nomeada).

Quintas do Anascer
Esta anexa sempre foi muito marginal e se calhar marginalizada. Algumas famílias ali fazem (faziam) a sua vida agrícola. Do Casteleiro também alguns proprietários se deslocavam para o Anascer duas a três vezes por semana para cultivarem os seus longínquos terrenos, mas bastante férteis.

Valverdinho
É a quinta mais afastada em direcção a Caria. Tínhamos muito pouco contacto com Valverdinho. O que mais se sabia era que meia dúzia de pessoas ali davam o seu contributo para que os terrenos e os gados vingassem.

Carrola
Não será bem uma quinta, acho eu. É mais uma espécie de pequenino agregado, com meia dúzia de casas habitadas e com terrenos bem férteis e muito bem tratados. Ainda hoje perduram essas casas habitadas – o que dá a ideia da força daquelas famílias. Tenho ali bons amigos de toda a vida que devo elogiar.

Santo Amaro
Deixo para o fim uns apontamentos sobre a Quinta e o Morgado de Santo Amaro, cujo brasão se publica. Cresci convencido de que o Dr. Eduardo Tavares de Melo da Costa Lobo era descendente do Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo). Hoje, não consigo afirmá-lo. Por várias vezes tentei confirmar ou infirmar essa convicção. Sem sucesso. Fica o registo.
Sobre o Morgado, há que dizer pelo menos que na sua Quinta muita gente do Casteleiro trabalhou, sempre com ordenados baixinhos, como era norma nessa época. Mas dava trabalho. Na rega, nas ceifas, na azeitona, nas sementeiras, no cultivo, em geral. Cereais e milho «eram mato» por aquelas bandas. Uma zona de muita, muita água. Havia sempre uma dezena de trabalhadores do Casteleiro na Quinta de Santo Amaro. Que nesse tempo era enorme. Hoje, reduzida a um terço, ainda é muito grande: vai da Ribeira da Cal até à Catraia.
A pessoa do Morgado era, segundo dizem, divertida. Imagino que fosse um grande «bon vivant». E eventualmente, aquilo que nos anos 70 chamaríamos um «play boy».
Em 1905 compra um carro que era muito moderno para a altura. E meteu-se na máquina, viajou por essa Europa fora. Tinha a carta nº 1 do Automóvel Clube de Portugal (as cartas nesse tempo eram reconhecidas pelo ACP).
Depois de quase 2 000 km, chega à Bélgica e… passa para a Flandres. Na outra parte da Bélgica, como se falava e fala francês, ele ainda se desenrascava. Mas depois, quando chegou à região onde lhe falavam flamengo… veio-se embora. Mais tarde, a contar por que é que se veio embora, sai-se com esta para um amigo:
– Vim-me embora porque pensei cá para mim: «Aqui me ladram, além me mordem».
Assim era a personalidade de Tavares de Melo, o Morgado de Santo Amaro.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

O almoço anual em Lisboa da Confraria do Bucho Raiano está marcado para o dia 12 de Novembro, às 12.00 horas, na Churrasqueira do Campo Grande. A iniciativa é aberta aos confrades e a todos os amigos, naturais e descendentes do concelho do Sabugal.

(Clique no cartaz para ampliar.)

jcl

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

Quem pretender ajudar esta obra com um donativo pode fazê-lo transferindo a verba para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros do Soito agradem.
jcl

Proponho hoje e nos próximos domingos aos leitores do «Capeia Arraiana» uma sequência de crónicas sobre viagens com História.

Basílica de São Pedro, Vaticano
Tecto da Capela Sistina, Vaticano «Juízo Final», Capela Sistina, Vaticano Vista interior da cúpula da Basílica de São Pedro, Vaticano
(Passe o cursor nas imagens para ver a legenda e clique para ampliar.)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaEm finais de Agosto passei alguns dias em Roma, essa fascinante e mágica cidade, uma das «mães» espirituais da cultura ocidental (a outra é, obviamente, Atenas). Roma é uma daquelas metrópoles que tanto se ama como se detesta, com a sua cor ocre, as suas ruínas omnipresentes, as suas 900 igrejas, as suas praças e pracetas com cafés centenários, as suas fontes barrocas e os seus bairros populares. Existe a Roma das ruas elegantes, como a Via Veneto ou a Via dei Condotti, que resplandecem com Valentino, Versace, Prada, Gucci, Armani e «tutti quanti». E a Roma boémia, da Piazza Navona, das escadarias da Piazza di Spagna e dos pequenos restaurantes e botequins de Trastevere. Ou ainda a Roma milionária das luxuriantes mansões da Villa Borghese.
Roma é uma cidade onde vamos e regressamos como se fosse a primeira vez. E depois, há o Vaticano, S. Pedro, a Capela Sistina… A basílica impressiona pela sua grandeza, o seu esplendor e, sobretudo, devido ao peso quase mítico do seu significado na cultura cristã. A visão que se tem a partir da nave central, com o enorme baldaquino de Bernini em frente e, por cima, a imponente cúpula de Miguel Ângelo, é esmagadora e sublime. Trata-se de uma obra tão magnífica e grandiosa que nem nos lembramos de perguntar se teria sido levantada para glorificação de Deus ou para satisfação da vaidade humana. Mas a verdade é que o corrupio de turistas e a vendilhagem que lhe anda associada privam o crente do silêncio e do recolhimento necessários aos locais de fé.
Outro lugar de magia e encanto é o Museu do Vaticano. Percorrem-se salas, galerias e jardins com a avidez e o espanto de quem descobre continuamente, numa sequência alucinante, obras míticas, que conhecemos perfeitamente dos livros mas que quase não imaginávamos reais: o Apolo de Belvedere, o Laocoonte, o Perseu; as Stanze de Rafael e tantas, tantas outras obras deslumbrantes, que nos deixam quase sem respiração.
Mas é quando entramos na Capela Sistina que ficamos em êxtase. Diz-se que Miguel Ângelo, quando viu pela primeira vez as famosas portas do Baptistério de Florença, da autoria de Lorenzo Ghiberti, teria exclamado: «Mereciam ser as Portas do Paraíso!». E ainda hoje são assim chamadas. Pois bem: a Capela Sistina parece o próprio Paraíso. Agora que os frescos do tecto e da parede frontal foram restaurados, a Capela, finalmente livre de andaimes e de restrições, devidamente climatizada, provoca em nós uma sensação de indescritível deslumbramento. Fica-se por longos minutos de olhos pregados no tecto e a boca aberta de espanto! O restauro devolveu à pintura de Miguel Ângelo as suas cores originais, limpando-a da sujidade acumulada ao longo de séculos. Há quem diga que preferia os frescos anteriores ao restauro, cobertos pela patine do tempo. Na verdade, «o tempo, esse grande escultor», como dizia Marguerite Yourcenar, moldou a Capela Sistina e nós habituámo-nos aos seus tons suaves e às suas fendas. Mas não era essa a obra de Miguel Ângelo. Pessoalmente, o restauro não me chocou. As cores são belíssimas, o efeito arquitectónico é impressionante e o conjunto ganhou um brilho novo. E, principalmente, a deterioração dos frescos foi travada. Michelangelo Buonarroti aprovaria o restauro. Ele, que tanto sofreu para pintar aqueles tectos, deitado de costas nos andaimes, com as tintas a pingar-lhe na cara e a afectar-lhe definitivamente a visão, ele que sofreu «a agonia e o êxtase» entre as quatro paredes desta Capela, certamente ficou satisfeito por lhe salvarem uma das suas obras-primas.
Miguel Ângelo nasceu em 1475, tendo feito a aprendizagem das artes em Florença, com o pintor Ghirlandaio. Apenas com 15 anos, começou a frequentar os jardins dos Médicis, onde Lourenço o Magnífico tinha reunido numerosas estátuas gregas e romanas. Aos 25 esculpiu uma das suas peças mais famosas, a «Pietá». Pouco depois, com 26, realizou o «David», uma estátua monumental de quase 4,5 m de altura. Por sua vez, o «Moisés», esculpido para o monumento funerário do papa Júlio II, na sua poderosa musculatura e no seu aspecto de ira contida, reflecte bem a própria personalidade de Miguel Ângelo, dado ao pessimismo e de trato difícil. Em 1508, quando o grande escultor tinha 33 anos, o papa Júlio II pediu-lhe que pintasse a abóbada da capela construída no Vaticano por Sisto IV – a Capela Sistina. O artista recusou o encargo, dizendo que não era pintor, era escultor. A personalidade igualmente forte e autoritária de Júlio II acabaria por se impor a Miguel Ângelo que, pressionado insistentemente, cedeu.
A obra a que Miguel Ângelo meteu ombros era algo de grandioso. Simulou uma estrutura arquitectónica, dividindo o tecto em espaços rectangulares, nos quais pintou cenas bíblicas – Criação do Sol e da Lua, Criação de Adão e de Eva, Expulsão do Paraíso, Dilúvio, etc. A mais conhecida destas cenas é a da Criação do Homem, com o dedo de Deus transmitindo o «sopro vital» a Adão. Lateralmente, entre os arcos fingidos, Miguel Ângelo dispôs profetas e sibilas. Esta obra ocupou o pintor-escultor durante 5 anos, deitado em andaimes situados a 25 metros de altura.
Por sua vez, o «Juízo Final», que se encontra na parede frontal da Capela, apenas seria pintado por Miguel Ângelo muitos anos mais tarde, entre 1535 e 1541. Trata-se de uma enorme composição unitária, com cerca de 400 personagens. Ao centro, um Cristo triunfante, robusto como um atleta, perdoa com a mão esquerda, num gesto suavíssimo, ao mesmo tempo que, num gesto terrível, castiga com a mão direita. Os justos são içados ao Céu, enquanto os pecadores são precipitados nos eternos sofrimentos do Inferno. O Juízo Final situa-se já numa fase de transição maneirista, no conjunto da obra de Miguel Ângelo. Ao contrário de outros artistas, Miguel Ângelo, que viveu uma longa e fecunda vida de quase 90 anos, evoluiu continuamente. Iniciando a sua carreira artística no quattrocento florentino, foi ainda um dos precursores do barroco italiano.
Na Capela Sistina, Miguel Ângelo pintou dezenas de nus, sem complexos nem preconceitos puritanos. O corpo humano, tal como sucedia na Antiguidade, era visto no Renascimento como um objecto de beleza: como um cavalo, uma ave, ou uma flor. No entanto, o conservadorismo moralista não via com bons olhos que, num local sagrado, santos e santas, justos e pecadores, estivessem gloriosamente nus. Em 1563, o Concílio de Trento proibiu os nus nos locais do culto. A morte (em 1564) poupou a Miguel Ângelo uma grande humilhação: em 1565, o «pintor» Daniele da Volterra, por decisão papal, tapou pudicamente as zonas corporais mais sensíveis, colocando uma espécie de «fraldas» aos santos e santas.
O restauro levantou um problema: deixar ficar as «fraldas» ou retirá-las? Os responsáveis decidiram retirar a maior parte e deixar ficar algumas, como testemunho do moralismo contra-reformista.
O restauro da abóbada decorreu entre 1980 e 1994. O do Juízo Final, iniciado em 1990, ficou concluído apenas nos meados de 1994. Agora, o leitor, se puder, vá a Roma. Aproveite o Outono, em que não há muita gente e Roma está ainda mais bela, e deslumbre-se naquela que é uma das grandes maravilhas da arte de todos os tempos: a Capela Sistina. E sinta, se puder, o êxtase de quem observa com sensibilidade, deixando-se emocionar por uma das sensações mais elevadas do espírito humano: o sentimento estético.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

O deputado do PSD eleito pelo distrito da Guarda, Manuel Meirinho, questionou o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, sobre a Rede Nacional de Judiarias na sequência do II Congresso Internacional da Memória Sefardita.

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Manuel Meirinho, natural da freguesia do Soito, concelho do Sabugal colocou a Francisco José Viegas duas questões defendendo a importância da divulgação da Rede Nacional de Judiarias e alertando para a necessidade de clarificar e validar o património existente para que «não se venda gato por lebre».
jcl

Os judocas da secção de Judo do Sporting Clube do Sabugal participaram no sábado, 15 de Outubro, no 1.º Open de Judo de Leiria.

Sporting Clube Sabugal - Judo

A secção de judo do Sporting Clube do Sabugal, aceitou o convite do Clube de Judo «Lis Tiger» de Leiria, e deslocou-se aquela cidade com quatro judocas de sete, nove e doze anos, para participar no primeiro Open realizado por aquele clube.
Estiveram presentes cerca de 150 atletas de vários clubes, como Judo Clube de Lisboa, Sporting Clube de Portugal, Montijo, Beira-Mar, Moncorvo, Académica de Coimbra, ACM de Coimbra e Juncal.
Embora este tipo de competição sirva para o enriquecimento competitivo dos jovens praticantes, no escalão dos doze anos a determinação que alguns judocas levaram para o tapete, reflecte a vontade de obter mais que uma participação.
A judoca do Sabugal Mariana Vaz que se inclui nesse escalão e que irá ter a oportunidade em 2012 de tentar a sua sorte no Campeonato Nacional de Juvenis, embora tenha obtido o terceiro lugar, tentou realizar nos seus confrontos aquilo que se tinha previsto em treino, podendo proceder às respetivas coreções e assim melhorar a sua performance em próximas provas.
O Clube raiano obteve mais dois terceiros lugares e uma primeira posição, de Roberto Pereira, que tem vindo a demonstrar grande determinação nas provas em que participa.
Todos os judocas estão de parabéns pois não houve lesões e todos foram recompensados como é hábito, com um lanche no final da prova.
djmc

O Vale Glaciar do Zêzere vai ter um Centro de Interpretação. A obra tem a assinatura de Esmeraldo Carvalhinho, presidente da Câmara Municipal de Manteigas. Reportagem e edição da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

O treinador da Academia Egitaniense de Karate Shotokan, Rui Jerónimo, participou no fim-de-semana de 15 e 16 de Outubro no Curso Internacional de Karate que decorreu em Madrid.

Rui Jerónimo, Diretor Técnico da Portugal Kyokai Karate-Do Shotokan e Treinador da Academia Egitaniense de Karate Shotokan (AEKS) e do Núcleo de Karate Shotokan de Pinhel, esteve presente em Madrid no passado fim-de-semana, a fim de participar no Curso Internacional de Karate, organizado pela Shotokan Karate International Federation – España.
O curso foi ministrado pelo Sensei Nobuaki Kanazawa, futuro sucessor do seu pai Kancho Kanazawa 10.º Dan na direção técnica da SKIF.
Estes cursos e estágios com mestres japoneses são de extrema importância uma vez que são eles que trazem as orientações técnicas que as sedes das principais organizações mundiais de Karate Tradicional vão definindo ao longo do tempo.

Instrutores da nova Associação Nacional de Karate PKKS em Formação
Teve início no dia 24 de Setembro, em Alverca do Ribatejo, o 5.º Curso de Qualificações de Treinadores/Árbitros/Examinadores da Japan Karate Association – Portugal, um curso que terá a duração de 3 anos lectivos em que Rui Jerónimo, Carla Jerónimo, José Jerónimo, Eduardo Rafael e Dídia Gonçalves estarão inseridos nos próximos anos.
Este é não só um investimento a longo prazo, que permitirá no futuro uma ascensão na carreira destes karatecas enquanto treinadores, árbitros e examinadores a nível internacional, mas serve também para que desde já todos os praticantes de karate desta nova associação adquiriram bases e conhecimentos sólidos que os acompanharam no seu treino de karate.

Rita Morgado dá mais um paço em frente nos Treinos de Selecção FNKP
Rita Morgado da Academia Egitaniense de Karate Shotokan, participou no dia 25 de Setembro, em Vila do Conde em mais um Treino Nacional de Selecção. Rita foi novamente convocada para integrar os trabalhos de selecção da Federação Nacional de Karate – Portugal, com vista à preparação dos atletas para as provas internacionais que se avizinham.
Carla Jerónimo, treinadora da AEKS esteve presente com a atleta.
jcl (com AEKS)

As margens do Rio Côa entre as duas pontes do Sabugal vão ser requalificadas. Reportagem e edição da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

Junto de ti Côa, respiro melhor!

(Clique nas imagens para ampliar.)

Carlos Marques - Paixão pelo Côa (fotografia)Para além de todos os odores e perfumes, respiro Energia! Eu sei que Mestres e Sábios de outros tempos, e Cientistas de agora também dizem que é possível. Que no ar é possível encontrar uma substância do qual deriva toda a actividade e vida. Pois, …até as plantas respiram.
Noto que junto de ti, essa energia que de facto existe no ar (em certas situações de dificuldades físicas costuma-se dizer: respira fundo) produz um maior efeito energético.
Junto de ti faço exercícios respiratórios, e sinto com maior intensidade os efeitos de uma vibração harmoniosa com a Natureza e a sua Força.
O autor do primeiro livro da Bíblia, Genesis, conhecia a diferença que existe entre o ar atmosférico e o princípio misterioso e potente que ele contém. Fala em neshemet ruach chayim, que traduzindo significa «a respiração do espírito da vida» – em hebraico Neshemet significa a respiração comum do ar atmosférico e Chayim significa vida ou vidas, enquanto que a palavra Ruach, significa o «espírito da vida». Os mestres Orientais também reivindicam este mesmo princípio que denominam de «Prana».
É certo Côa, que essa forma de energia Prana está no ar atmosférico em toda a parte, e penetra onde o ar não consegue chegar.
Mas junto de ti Côa, com uma respiração controlada e regulada por estes exercícios próprios, extraio uma quantidade maior de energia, que sinto em mim.
Obrigado Côa!
«Paixão pelo Côa – fotografia», crónica de Carlos Marques

carlos3arabia@yahoo.com

Se é verdade que não me considerava abastado, também é certo que lá em casa mulher e filhos não andavam à míngua. Havia fartura de batatas para cozer no panelo e de pão para migar o caldo, graças a Deus, e até tinha no chiqueiro um marrano já bem cevado e quase pronto a ir à faca.

Mas, em verdade, não me podia descuidar nos afazeres da vida, que a riqueza era pouca e a precisão não dava tempo para me estirar a descansar. Ia amontoando na saleta peças de fazenda que trazia de Espanha, noite após noite, e que depois vendia por feiras e mercados.
Pois vou contar uma parte que me sucedeu quando regressava da raia, já noite bem pegada, na carava do Manel Serôdio e do Tó Maltês, também eles experimentados nas lides da candonga. Vindos de Albergaria, fomos forçados a passar, azangados com os carregos, nas veigas da ribeira de Alfaiates, ao redor da Rebolosa. Íamos em lento caminhar, encarreirados a uma fileira de salgueiros, que nos protegia do luar, quando se me chegou à perna o Tó Maltês:
– Eh Zé! Não te soa uma concertina?
Fiquei de orelha fita, à cata do ruído.
– É além no povo. Terão armado bailarico no terreiro, – disse-lhe.
– E se por lá formos dar uma curva? Emborcamos um gorcho e damos um mordo. Já me galreia o bucho e trago a goela seca!
Também o Serôdio se mostrou interessado nesses propósitos. Não querendo ser desmancha-prazeres, tomei o mesmo partido, pelo que escondemos as cargas debaixo do folhado de uma moita e ala, fizemo-nos ao povoado.
O adro da Rebolosa estava atulhado de gente, que alegremente bailava ao ritmo de uma desenfreada concertina ou se engalhava no paleio junto à taberna montada a um canto do arraial. Aqui o vinho corria a rodos dos tonéis arruados a uma parede. Foi para aí que nos dirigimos, embrenhando-nos no adjunto. À sede que traguíamos juntou-se a alegria de beber em ambiente festivo, pelo que nos mantivemos ao redor dos pipos, sempre de pichorro entre os dedos, à conversa com os da terra.
A dada altura, com a noite já avançada, deram-me ganas de botar um pé de dança, quando soou uma moda mais ao meu jeito. Fiz-me ao terreiro, disposto a engrontar-me ao corpo de uma cachopa. E como quando avinagrado me torno foito, logo me fiz à bela Maria Rosa, tida como a melhor manega do povo. Quando me toparam a rodopiar pelo largo, os da terra cochicharam, de mim e da pobre moça: «o raio do home, casado e pai de filhos, quer enganar a franganota!». Começou isto a correr ouvidos e, logo à segunda moda, se me chegou um rapazote, por lá pretendente à rapariga. Puxou-me pela véstia, à mesma vez que todo ele se empertigava, fazendo cara rude.
– Larga lá a moça, antes que lhe dês cabo dos pés com as topadelas dos teus cascos.
Não gostei da chalaça e, vai que não vai, arrumei-lhe um tento nas ventas. De tal força lhe cheguei que o damonho do rapaz, mesmo latagão como era, caiu redondo em terra.
Acorreram os do povo, cegos de raiva. Armou-se uma tremenda pancadaria, com os da Rebolosa de um lado e eu mais o Serôdio e o Maltês do outro. Eram às dezenas e atacavam de todas as bandas. Foi a muito custo que nos conseguimos escapulir do meio da balbúrdia, onde murros, pontapés e pauladas nos caíam como em centeio na eira. Embicámos a toda a brida para o caminho da Bismula, e raspámo-nos a sete pés, dando às de Vila Diogo.
Conseguimos algum avanço sobre os da Rebolosa, que nos vinham no encalço. Mas, esmazelados como estávamos, não conseguiríamos ir longe, pois a mastragada de gente já se aproximava em grande algazarra, expelindo urros medonhos. Se nos filassem malhavam-nos o cadáver até que o esfarelassem. Ao dobrar de uma curva disse aos meus comparças:
– Achicamo-nos à roda daquele cômoro.
Assim fizemos. Mal nos escondemos logo ouvimos passar, em grande zoeira, a turba perseguidora. Erguemo-nos depois, sãos e salvos mas de corpo dorido e amassado. Regressámos à Rebolosa e, chegados ao terreiro, demos com o baile desfeito e com a presença de apenas meia dúzia de mulheres e crianças, que se apressaram a debandar. Empunhando estadulhos, que tirámos de um carro de vacas, desatámos a zupar em tudo o que apanhámos pela frente. Abalroaram-se os tonéis do vinho e partiram-se caçoilas e copos, demoliu-se a banca da taberna e o palanque onde tocara o acordeonista.
Serviço concluído, abandonámos à pressa a aldeia pelo lado de Alfaiates, sob o malicioso olhar das mulheres, que nos observavam pelas taliscas das portas e janelos.
Fizemos boa parte, mas íamos cientes de que em breve receberíamos na Bismula os rapazes da Rebolosa, para tirar vingança.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

Como as pessoas também as palavras têm o seu destino, engrandecendo-se umas, vilipendiando-se outras, mantendo a pureza e simplicidade iniciais a maioria.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaDe entre as caídas no turbilhão do descrédito, nenhuma terá sofrido mais tratos de polé que o lateronem, o grande escriba que assessorava os monarcas e deu o étimo para ladrão.
Inverso foi o caminho de minister, que à nascença referenciado a moço de recados, serviu de basse à alta dignidade que hoje são os ministros.
Hoje pretendemos ocupar-nos de terminologia política.
Quando o exseminarista georgiano, de nome DJOUGLAVITCH, ao tempo simples filiado num insipiente partido de base operária, onde era conhecido por camarada cartucheiro, alcunha devida à sua função de controlador de ficha, resolveu adoptar o epíteto de ESTALINE, ninguém imaginaria a enorme difusão do termo em todas as línguas do mundo, civilizado, incivil ou em vias de acesso à civilização.
Embora sua mãe, quando confrontada com o assombroso poder que ele detinha repetisse que seria bem melhor que ele tivesse sido padre, a verdade é que nenhum homem até agora dominou tão larga parte do Planeta Terra e teve tanta influência nos países fora da Cortina com que fechara a sua satrapia.
A palavra bolchevique teve, por igual, um nascimento discreto e até nunciador de pequenez, de grupo minoritário.
Tratava-se de uma discussão entre aparachiques, com duas propostas de cuja votação sairam vencedores, porque maioritários os mencheviques, e vencidos, porque minoritários, os bolcheviques.
Mas os vencedores foram varridos da Historia e os seus chefes imolados nas sucessivas purgas do Cartucheiro, e a palavra BOLCHEVISMO passou a designar o comunismo oficial.
Aliás a revolução russa e as suas sequelas levaram à introdução no vocabulário comum de um elevado número de termos, inicialmente de muito reduzido significado.
De KERENSKI, governante moscovita que tomou o poder logo na sequência da queda dos czares, adveio o querenquismo, designativo de sistemas políticos de transição e transigência, que podem abrir — e muitas vezes abrem — a porta para inenarráveis tragédias.
E, já que falámos de czares, aproveitamos o ensejo para realçar a extraordinária difusão do terceiro nome de CAIO JÚLIO CÉSAR, que foi imperador de Roma, depois de uma extraordinária carreira militar e literária. O nome, que até teve reflexos nos partos de barriga aberta, tecnicamente chamados CESARIANAS, por César ter nascido assim, passou a designar, adaptado às diversas prosódias, os diversos titulos imperiais — o já referido czar ou ntzar para as Russias, Kaiser para as Alemanhas, cesário para as línguas latinas.
Ou cesarismo para o poder político em oposição ao religioso, ou fundindo-se com ele — cesarismo ou cesaro-papismo.
Voltando à Revoluçao Russa, diremos que raros acontecimentos, por si e as suas sequelas, terão tido tão grande impacto no léxico político.
A Revolução Francesa teve muito menor impacto. E a sua maior influência, nos domínios da linguística, foi certamente o significado atribuído aos termos esquerda e direita, que resultou do facto de, em Julho de 1789, os membros da Contituinte, defensores da autoridade real tomarem assento no lado direito da Assembleia, para o outro lado os seus adversários.
Mais tarde um outro termo nasce e se impõe, o BONAPARTISMO, radicado na autoridade de Napoleão, que tendo partido da revolução de botas e capacetes veio a significar autoridade baseada no poder militar.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

JOAQUIM SAPINHO

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