Platão critica violentamente o regime democrático, porque incompatível com governantes que governem e governados que se deixem governar.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaOs primeiros, tolhidos pelo temor de estarem permanentemente a ser postos em causa pelos segundos entram facilmente pelos caminhos da liberalidade, que conduz à asfixia económico-financeira, e da desresponsabilização que leva à anarquia.
O tempo de vacas magras que inevitavelmente se sucede ao do abate das vacas gordas leva a que os governados reclamem por um protector em vestes de senhor absoluto.
A democracia, para Platao, é autofágica, tendo por limite temporal uma digestão colectiva.
Por sua vez, Aristóteles tem uma atitude mais empírica para com as formas de governo, boas ou más, não em si próprias, mas segundo as circunstâncias.
Assim, a monarquia só se imporá se o soberano se distinguir pelas qualidades pessoais que o exornem, necessariamente postas ao serviço não dele próprio, nem de determinadas categorias dos seus subditos, mas do bem comum.
A aristocracia, excelente como governo dos melhores, pode degenerar se aprisonada pelos oligarcas, que, à virtude sobrepoem o lucro. E de degenerescência em degenerescência, acaba por cair na plutocracia, quintessência das tiranias, mas apresentada pelos media, que domina, como ao serviço do povo.
E o povo ingenuamente acredita
Montesquieu introduz no sistema um elemento novo – o clima – vocábulo que exprimirá o conjunto das condições, não apenas geográficas, mas históricas, económicas, financeiras, sociais, educacionais do povo a governar.
Princípios que os descolonizadores e as potências ditas anticolonialistas, mas que, todavia, não passam de aves de rapina sobre os descolonizados, nunca tiveram, nem têm em linha de conta.
A esta luz, um mau sistema político é o que favorece os vícios do clima, pactuando com eles.
Inversamente, será bom o que se opõe a tais vícios, atenuando-os ou, se possivel, eliminando-os.
Tarefas estas impossiveis num sistema democrático em que o povo é simultaneamente governante e governado.
Marx resolve o problema destacando do povo uns tantos iluminados que governarão.
Não difere a solução de Servan-Schreiber, a não ser no critério de escolha.
Marx confia o poder aos inimigos do lucro.
Servan aos idolatras do lucro, nem que este provenha do logro, sua depravação.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

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