Carros em barda, no Casteleiro, só depois da década de 60, ou seja, depois do surto migratório – melhor, só quando os emigrantes começaram a juntar dinheiro para comprar carro.
Antes disso, poucas viaturas particulares.

O Morgado de Santo Amaro tinha comprado carro muito cedo. No início do século (XX).
Tinha fama por ter sido titular da primeira carta de condução do Automóvel Clube de Portugal (entidade à data credenciada para tal) em 1905.
Mais tarde, tinha havido um Mercedes na Quinta da Dona Maria do Céu, um VW carocha e pouco mais.
Depois, um carro Fordson, uma carrinha Austin e mais dois ou três.
Mais cedo, lembro-me de um Chrysler de 1928 na minha casa e, depois, um Studebaker gigantesco. Mas isso era lá pelos meados dos anos 50.
O que hoje venho aqui recordar é outra viatura.
Fim dos anos 40, início dos anos 50. A Citroën constrói uma «espada» e peras. Chamaram-lhe 11 BL. Nós, em Portugal, chamámos-lhe simplesmente assim: a arrastadeira.
No Casteleiro houve um.
Este carro lindíssimo, em tom de castanho-escuro, marcou a nossa infância porque o táxi da terra, por esses dias, era mesmo uma arrastadeira.
O carro foi comprado, penso que novo, pelo titular do alvará na época, o Sr. Quim Paiva. Mais tarde foi vendido com esse mesmo alvará ao novo taxista, Quiel – que se desfez dele e em sua substituição comprou um Plymouth americano e que ficou famoso porque consumia gasolina à medida de 20 e tal aos 100 km.
A arrastadeira ficou para sempre gravada na nossa memória.
Linhas francesas, harmoniosas, pujança estética, conforto qb.
Veja a foto e diga se não era uma beleza…
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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