Segundo os tratadistas – por todos o politólogo francês Jacques Ploncard D’Assac – cuja lição consignada na obra «Critique Nacionalite» estamos seguindo de perto, a ciência política resume-se no essencial às relações entre aqueles dois sujeitos – indivíduo e estado.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaO indivíduo é cada um de nós, com necessidades e desejos, certezas e sonhos.
O estado, criação humana, desejamo-lo suficientemente forte, para nos proteger a nós e aos nossos interesses, mas – e um pouco contraditoriamente – tão tolerante que não interfira sequer com os nossos caprichos.
Por isso, a grande pedra de toque de qualquer sistema é o encontrar o ponto de equilíbrio entre o bem comum e os interesses a que cada um de nós se sente legitimamente com direito.
Numa primeira concepção, esse estado é concebido como um intermediário entre a divindade e o povo.
A esta luz, o chefe deve estar de bem com os deuses.
Se o povo sofre derrotas ou calamidades se abatem sobre ele, é porque o chefe está de mal com os deuses, pelo que a solução consiste na escolha de outro chefe.
Mas os condutores não se resignam e transferem para uma parte da comunidade que regem a culpa da divina cólera.
Desde a infância da vida em sociedade que se estabeleceu uma como que antítese:
Os governados a exigir dos governantes a plena satisfação de necessidades reais ou fictícias;
Os governantes a filiarem no pecado ou minime na desobediência dos governados todo o insucesso da acção governativa.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Iniciamos uma nova rúbrica no Capeia Arraiana, da autoria do escritor e pensador Manuel Leal Freire, natural da Bismula, concelho do Sabugal, que nos trará regularmente algumas reflexões de conteúdo político.
plb

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