«É o associativismo que movimenta a sociedade.» Na consulta a um site sobre associações culturais e desportivas deparei com a frase que inicia esta crónica. Não é nova esta afirmação mas, reflectir sobre a mesma faz-nos tomar consciência de quão importante é o trabalho associativo, tenha ele a roupagem que tiver (cultural, desportivo ou comercial).

Associativismo

Em cada terra do nosso concelho, particularmente nos meses de Julho e Agosto e nas épocas festivas, proliferam actividades que envolvem as suas gentes – sócios e não sócios – que são a concretização desta força do associativismo. Felizmente que o espírito associativo está (ainda) bem presente e arraigado nas nossas mentes, na nossa sociedade. A ele se deve, na maioria dos casos, a continuidade e a realização de muitos eventos que vão animando a vida das nossas aldeias, votadas cada vez mais ao abandono e ao esquecimento. Neste remar contra a maré estão incluídos muitos sócios que fazem das tripas coração para que a vida continue e se desenvolva cada vez mais, para que as suas gentes e as suas terras marquem presença no mapa, seja ele regional ou nacional.
Um tributo de reconhecimento e apreço é devido a todos aqueles que, nas diversas instituições, desinteressadamente servem os outros. A maioria das nossas associações não tem fins lucrativos e quantos dos seus responsáveis não tem de se entregar de alma e coração a este bem colectivo!
Tempo, dinheiro, e sobretudo muita paixão e uma grande dedicação. Por favor não maltratem nem falem mal de quem tem esta missão! A carolice fica cara a quem a pratica. Mas, mesmo assim, é inevitável que aconteça, sobretudo quando a paixão e o serviço aos outros lhes está no sangue, é uma vocação.
Infelizmente, tem-se notado nos últimos tempos, por parte de particulares com interesses comerciais alguns ataques às associações culturais e Desportivas/Recreativas, particularmente no que se refere ao consumo de bens nos seus bares durante a realização dos eventos. Para informação e defesa das associações desejo comunicar que, o artigo 3º do Decreto-Lei n.º 234/2007, de 19 de Junho, alterado pela Lei n.º 16/2010, de 30 de Julho, excepciona os bares, cantinas e refeitórios das associações sem fins lucrativos do regime geral de licenciamento.
Que bom seria que nas nossas terras, já de si tão carecidas de tantas coisas, as pessoas e os seus organismos se entendessem num convívio franco e saudável. Cada qual no seu lugar, em respeito mútuo. Todos dependemos uns dos outros e ninguém é tão pobre que nada tenha para dar nem tão rico que nada possa receber. E já agora um cheirinho de espiritualidade franciscana. São Francisco de Assis na sua «Oração» diz assim: «Senhor fazei de mim um instrumento da vossa paz. Que eu procure mais consolar do que ser consolado; compreender que ser compreendido; amar que ser amado. Porque é dando que se recebe; é…» etc… Todos lucramos com a sociedade em movimento. E, é um dado adquirido, que são nossas associações que ao longo do ano vêm trazendo gente às nossas terras, dando-lhes vida e movimento. Não se justificam interesses mesquinhos e oxalá tenhamos todos um espírito cooperativo que nos leve a fazer pelos outros todo o bem de que somos capazes.. Aliás é mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa. Todos juntos seremos mais fortes e venceremos.
Para finalizar, algumas frases tão a meu gosto:
– «Na união está a força.»
– «Que força é esta, que força é esta?!»
– «O povo unido jamais será vencido»
– «E se todo o mundo é composto de mudança, troquemos-lhe as voltas que ainda o dia é uma criança.»

«Faz a paz, acolhe o amor,
Vai constrói um mundo melhor
Abraça a todos, são teus irmãos,
Serás feliz na união.»
Rui Chamusco
(director da Academia de Música e Dança do Sabugal)

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