Sou branco, pertenço a um país da Europa que por sua vez pertence à União Europeia, mas mesmo assim, há uns tempos na cidade francesa de Strasbourg, ao entrar num estabelecimento comercial, as portas automáticas em vidro, por qualquer motivo técnico não se abriram, um tipo alto, louro, olhos azuis e funcionário da casa, da parte de dentro, sorria leve e cinicamente. Depois de tudo solucionado disse-me: «A porta não gosta de estrangeiros», respondi-lhe: «Manda substitui-la porque é xenófoba como tu».

António EmidioSerá que estão reunidas presentemente na Europa as condições que nos anos trinta levaram os fascismos ao poder? Não! Sim! Uma coisa é certa, em muitos países da Europa os populismos de direita, extrema – direita, conseguiram grandes votações. Vejamos: na Noruega, 23%, Áustria, 28%, Suíça, 30%,Suécia, 6%, Finlândia, 20%, Dinamarca, 14%, Holanda, 15%, Inglaterra, 5%, Bulgária,10%, Grécia 6%, Lituânia, 13%, Hungria, 17% e, espera-se que a Frente Nacional de Marine Le Pen chegue nas próximas eleições em França, aos 25%.
O caso húngaro é inquietante porque o partido de extrema-direita tem milícias armadas que andam pelas cidades a atemorizar as populações ciganas. O fenómeno das milícias extremistas de direita está a surgir em outros países nomeadamente na Grécia. Há muitos políticos europeus que de vez em quando usam expressões extremistas para conseguirem votos, nesse campo temos Merkel, Sarkozy, o inglês David Cameron e o espanhol do PP Mariano Rajoy.
Vou referir-me agora a um fenómeno político/migratório que está a surgir na Alemanha, o recrutamento de mão de obra qualificada dos países em crise no Sul da Europa, nos mais débeis economicamente, para não dizer mais pobres, «os negros», por termos a tez morena, brindam-nos com esta expressão!! Espanha, Portugal e Grécia, não passa de uma tentativa da senhora Merkel de diminuir os salários dos seus trabalhadores qualificados (enfermeiros, médicos, informáticos, engenheiros e, outros) já que os estrangeiros irão receber muito menos. Na Alemanha há muitos trabalhadores qualificados, não estão é para trabalhar por meia dúzia de cêntimos, a vinda de estrangeiros a receber baixos salários irá obrigá-los a receber a mesma coisa. Isto é racismo e exploração.
Infelizmente, nos tempos que correm, os políticos fazem tudo para angariar votos, aliam-se com o diabo se necessário, mas isso traz sempre graves consequências.
O eleitorado europeu está revoltado devido à crise económica que sobre ele se abate, sem ter culpa nenhuma, está desiludido com esta União Europeia que não lhe resolve os problemas, antes pelo contrário, agrava-lhos, como o desemprego por exemplo. O extremismo político, racista, xenófobo e nacionalista, luta e consegue captar um eleitorado que se encontra à deriva, para isso basta estigmatizar a imigração fazendo desta o «bode expiatório» da actual crise e do aumento do desemprego.
Quer queiram, quer não queiram, os xenófobos e racistas, o Mundo caminha para uma miscigenação e cruzamento de etnias, culturas, religiões e civilizações, mas como é lógico, tudo isto traz consigo inevitáveis conflitos. Os povos estão em movimento.
No próximo artigo, se tudo correr normalmente, falarei do massacre da Noruega.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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