Valeu a pena ter acolhido a etapa decisiva da Volta a Portugal em Bicicleta no Sabugal, atendendo à promoção mediática que o concelho obteve e à vinda de milhares de pessoas à cidade.

O dia 12 de Agosto de 2011 foi uma data memorável para o Sabugal e o seu concelho. Muitos não imaginariam o que o simples início de uma etapa da Volta a Portugal em Bicicleta poderia significar em termos de promoção. Mas nós já o antevíamos e deixámo-lo patente aqui.
Logo nos dias que antecederam a prova foram abundantes as referências ao Sabugal nos meios de comunicação social, prognosticando um contra-relógio decisivo para a classificação na prova. Mas o dia em que a etapa sucedeu, o Sabugal esteve, de manhã à noite, na «boca do mundo». E o mesmo ocorreu nos dias seguintes, até à data final da prova, pois o vencedor da Volta construiu a sua vitória quando arrebatou o melhor tempo no contra-relógio Sabugal-Guarda, não mais largando a camisola amarela aí conquistada.
A propósito de uma simples prova desportiva o Sabugal foi também estrela televisiva, através da transmissão em directo do programa da RTP «Verão Total» para o país e para as comunidades portuguesas no estrangeiro. Das 10 às 13 horas, do dia 12 de Agosto, o Largo da Fonte foi o centro das atenções, falando-se na tradicional capeia arraiana, no bucho, trutas do Côa, Termas do Cró, património histórico, artesanato e na capacidade empresarial das nossas gentes.
Arriscamos afirmar que esta foi a maior operação de promoção do concelho alguma vez conseguida. O mundo ouviu falar do Sabugal e a cidade encheu-se de gente à custa da prova desportiva e da transmissão televisiva. Os estabelecimentos hoteleiros encheram, os restaurantes não tiveram mãos a medir, muitos cafés e esplanadas estiveram à pinha e o geral dos estabelecimentos comerciais também beneficiaram.
Um dia grande que bem justificou o patrocínio da Câmara à realização da 73ª Volta a Portugal em Bicicleta.
O que não se compreende é o «segredo» quanto à quantidade de dinheiro público despendido com esse patrocínio. Outras autarquias, pugnando pela transparência, assumem-no publicamente.
Fernando Ruas, presidente da Câmara de Viseu, avoca que pagou 650 mil euros (mais IVA) por quatro anos de prova na cidade. Nesta edição Viseu foi palco de um final de etapa e acolheu os ciclistas no dia de descanso.
Mário João Oliveira, presidente da Câmara de Oliveira do Bairro, assume também que protocolou o patrocínio da Volta, até 2013, pelo valor de 180 mil euros, contemplando uma chegada e duas partidas.
António Robalo afina por outro diapasão, e nem aos seus colegas do executivo camarário revela quanto pagou, antes lhes atirando areia para os olhos, dizendo ter feito uma candidatura a fundos comunitários, através da ProRaia, deixando no ar a ideia de que será a União Europeia a pagar para que o Sabugal estivesse na Volta. Se assim for, António Robalo descobriu ouro, e mostrou-se mais lesto e perspicaz do que qualquer dos restantes autarcas do país, que pagaram do seu próprio orçamento camarário para receberem os ciclistas.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

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