A Câmara Municipal de Penamacor requalificou a torre de menagem da vila, abrindo-a como miradouro e espaço museológico. O investimento permitiu a instalação de painéis informativos sobre a evolução histórica do concelho, uma maqueta sobre a antiga fortificação e uma montra que reúne alguns dos objetos descobertos nas escavações arqueológicas realizadas nos últimos anos.

Torre Menagem - Penamacor

O Castelo de Penamacor, entendido como toda a área amuralhada do antigo burgo medieval, continua a exercer sobre o visitante a atracção e o fascínio que emanam dos lugares históricos, seja por simples curiosidade, seja pela sensação aventurosa e romântica de um imaginado regresso ao passado que inspiram. A Torre de Menagem, singular monumento que impressiona pela sua extraordinária robustez, tornou-se de há muito na imagem que todo o visitante retém da vila. É, incontestavelmente, o símbolo de Penamacor.
A Câmara Municipal procedeu recentemente à beneficiação do seu interior, por forma a criar motivos adicionais de interesse ao visitante, procedendo a alguns apontamentos museográficos, baseados nos materiais levantados nas campanhas arqueológicas que decorreram nos últimos anos, bem como à implantação, no eirado, de um miradouro apoiado em painéis de leitura do horizonte e luneta telescópica. Na prática, estamos perante um centro de interpretação do antigo castelo, onde não falta uma maquete da vila medieval, tal como ainda se apresentava no século XVI.
Testemunhos arqueológicos indicam que houve em Penamacor uma ocupação romana, de natureza militar, para defesa da região e da estrada que de Alcântara (Espanha) passava pela Guarda em direção ao centro de Portugal. Não é de admirar que todos os povos que invadiram a Península conservassem a sua fortaleza.
Com o intuito de consolidar as suas vitórias sobre os muçulmanos, D. Sancho I doou Penamacor à Ordem do Templo, que ao que parece não fez o que se esparava, pois, 1187, D. Sancho I encontrou o lugar abandonado. Ordenou, então, a construção do castelo e da Torre de Menagem e a repovoação do lugar. Devido ao sucesso destas medidas, o rei concedeu-lhe foral, em 1189 ou 1199, promovendo-a a vila e cercando-a de uma forte muralha. o foral foi renovado em 1209 e confirmado por D. Afonso II, 1217.
Em 1300, D. Dinis mandou construir uma segunda muralha em redor da vila, para proteger a população que aumentara.
Durante os reinados de D. Fernando, D. João I e D. Manuel I foram feitas reparações, tendo este último concedido foral em 1510.
Aos poucos foi perdendo a sua importância defensiva, sendo afastada do serviço ativo no ano de 1834.
O que resta do castelo é uma extensão de muralha com uma porta de entrada fortificada a norte, agora transformada em museu; um pelourinho do século XVI em frente à entrada, no exterior da muralha; uma torre sineira, outrora, talvez, uma torre de menagem; e, uma torre de vigia imponente, construída por D. Manuel I.
No cimo do monumento encontra-se um miradouro equipado com painéis informativos e uma luneta, que proporciona uma vista de 360 graus.
No alto é possível observar Espanha, a aldeia histórica de Monsanto, Castelo Branco e as serras da Gardunha, Estrela e da Malcata.
A requalificação do espaço foi feita recorrendo a funcionários da Câmara Municipal de Penamacor e com um investimento de apenas 10 mil euros.
«Ainda há muito trabalho para fazer na zona histórica e neste momento estamos a delinear o acesso à própria torre», explica Domingos Torrão, presidente da Câmara Municipal de Penamacor.
Nos últimos anos, a autarquia reabilitou e transformou em posto de turismo a antiga casa da Câmara, recuperando ainda a torre do relógio e o mecanismo do mesmo.
Ao mesmo tempo patrocinou escavações arqueológicas que permitiram delinear a muralha, da qual restam apenas alguns vestígios.
Um dos golpes que a zona sofreu ao longo dos últimos séculos aconteceu em 1739, quando um raio atingiu o paiol junto à torre de menagem.
A explosão destruiu as construções em redor e, segundo relatos da época, deslocou a torre em dois palmos, sem que no entanto esta tivesse ruído até hoje.
Na base do monumento são ainda visíveis as brechas, que estão agora identificadas.
A violência da explosão foi tal «que uma trave foi cair a duas milhas daqui», explica Joaquim Nabais, técnico da Câmara Municipal de Penamacor.
Durante o mês de Agosto, a torre pode ser visitada gratuita e diariamente, às 11.00 e às 15.00 horas, independentemente do número de visitantes. Grupos de cinco ou mais pessoas podem solicitar visitas extraordinárias, devendo para isso dirigirem-se ao posto de informação turística, sito na rua se Santa Maria, 19, ao Cimo de Vila. A breve trecho, perspectiva-se um esquema de visitação pago e com guia.
jcl (com Gabinete de Imprensa da C.M. Penamacor)

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