A luta pela Liberdade acompanha a História da Humanidade, ninguém a pode deter. Os Partidos Socialistas Europeus perderam, e continuam a perder credibilidade. Isto não tem só a ver com a crise económica, nem com a vontade de uma oligarquia os apear do poder e desprestigiá-los. Abriram-se ao Neoliberalismo, e o Neoliberalismo não é mais do que a destruição da ordem social, da Liberdade e da Democracia. O que fazer para voltarem a ter credibilidade? Regressar às origens.

António EmidioOs Partidos Socialistas da Europa Ocidental, durante boa parte do século XX, e até à queda do Muro de Berlim, representavam as classes trabalhadoras, lutavam pela substituição do Capitalismo pelo Socialismo. Com a queda do Muro de Berlim, tudo se dissipou, deixaram de representar o proletariado, passando a representar uma classe média acomodada. Os seus líderes passaram a ser tecnocratas e funcionários políticos, vindos das classes médias, sem ligação nenhuma com os trabalhadores mais humildes e explorados. Uma das características da maior parte dos seus líderes e militantes, é a tremenda falta de sensibilidade social. Sem dúvida que já não existe aquele proletariado das fábricas cujas máquinas eram em ferro e controladas manualmente, a tecnologia tudo transformou. As próprias condições de trabalho e de vida do século XIX (capitalismo manchesteriano) e princípios do século XX, foram infinitamente piores do que agora, mas isto não significa que os trabalhadores tenham deixado de ser vitimas da exploração e opressão social. O que está a acontecer no principio deste século? Século XXI? O retrocesso de direitos conquistados pelos trabalhadores num esforço de centenas de anos. Presentemente toda a sociedade está submetida aos interesses dos poderosos. Hoje, mais do que nunca, são necessários os Partidos Socialistas, mas os seus militantes e simpatizantes devem pensar em algo mais do que conquistar o poder, se assim não for, tornam-se idênticos aos que ideologicamente representam o Neoliberalismo e, passam a ser uma falsa alternativa eleitoral, talvez por isso, já os povos clamam por essa Europa fora nos seus protestos, slogans como este «os nossos sonhos não cabem nas vossas urnas». O caminho certo para sair desta crise, desta opressão económica, é lutar por uma Europa democrática e social, uma Europa que ponha a economia ao serviço do homem, e não o homem ao serviço da economia.
Aos socialistas cabe denunciar que a Democracia está manipulada por minorias ricas e poderosas, cujos interesses privados dominam sobre os interesses públicos, é desumano que milhões de assalariados modestos venham ter reformas de miséria, é essa a recompensa que lhes está reservada pelo trabalho de toda uma vida. É preciso denunciar também que o Estado teve dinheiro, e tem, para resgatar bancos e não o tem para garantir saúde e educação aos seus cidadãos. É preciso denunciar que milhões de jovens estão desempregados porque o grande poder económico assim o quer.
A história da Europa está num processo de aceleração e, em jogo está, nada mais, nada menos, do que o futuro da Democracia nesta mesma Europa. É a altura dos Partidos Socialistas regressarem às origens, porque a Europa a continuar assim, o mais certo é que perecerá entre lutas nacionalistas, populismos de direita e de esquerda que poderão originar uma guerra.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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