Vem, meu amado.
Vem até este gracioso bosque de macieiras, onde a água fresca canta
entre as raizes das árvores, e a trémula sombra das figueiras desce um
sono pesado sobre as minhas pálpebras.
Vem, meu amado.
Segreda-me palavras doces ao ouvido, e minha alma te ouvirá cativa e
amorosa, e as nossas noites serão como os regatos tranquilos cobertos
de flores primaveris, nenúfares brancos, cujo perfume a brisa sopra
docemente, em sonhos de amor.
Meus lábios serão teus, meus cabelos serão os teus cabelos, como a
raiz é da flor, a flor é da abelha e a asa é do pólen.
Vem, decansa a cabeça nos meus seios, bebe a doçura da minha boca, que
eu sou o mel de que teus lábios gostam.
Vem, amado do meu coração!
Vem; vem, que toda eu te quero!
Vem; procura o calor das minhas coxas
Que começam a extremecer.
O amor é mais doce,
Feito ao amanhecer.

«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com