Não sou de prestar grande atenção a assuntos políticos e financeiros. Tento manter-me sã num sistema de «loucos» do qual faço parte à parte.

Reciclar Lixo

Carla NovoMas, ouvi um zumzum de que Portugal fora colocado num certo contentor do Lixo – ou algo semelhante – do tipo, pertencemos agora ao grupo do Lixo (internacional). Isto fez-me pensar em mil e uma coisas e dei por mim a perguntar-me em qual dos contentores o «meu» cantinho à beira do Atlântico fora colocado? Teria sido no Verde, no Azul ou no Amarelo? Sim, porque quando atiramos algo para o Lixo: do género um saco com coisas de que já não precisamos porque já as consumimos ou, simplesmente, já não cabem mais nos nossos sentidos – fazemo-lo com o intuito de nos desfazermos delas, ainda que possam ser úteis para outros e até, reutilizáveis! Por isso faz toda a diferença saber se esse tal Lixo é ou não reciclável. Gosto de acreditar que sim. Que será aquele gesto de quem atira ao contentor (independentemente da cor) alguma coisa e passado pouco tempo alguém já lá foi apanhar – como acontece com roupas, brinquedos, utensílios que já não desejamos e que outros os acham e acolhem com agrado. Se assim for, talvez alguém pegue neste Portugal em potencial crescimento e renovável. Depois, percebi que o lixo é sempre algo renovador e por isso mesmo reconfortante. Ninguém atira nada para o lixo sem mais nem menos. Se lá está é porque seguirá outro caminho, está numa espécie de limbo, num estado de transição. E isso é positivo. Os aterros não são cemitérios tóxicos, são fontes de mudança e de renascimento. Portanto, quando «nos» atiram para o lixo podem até estar a desenhar um novo futuro. Promissor e feito de esperança. E, pensando bem, mais vale estar no tal lixo do que numa prateleira de um lar em coma a apanhar pó sem qualquer janela aberta a novas perspectivas! Viva o Lixo!
«Jardim dos Sentidos», crónica de Carla Novo

carlanovo4@hotmail.com

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