E quando percebemos que já estamos em terras sabugalenses, parece que uma alma nova se apodera de nós e que o mundo é melhor!…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»São três horas da tarde de quarta-feira, dia 22, quando paro o carro no fundo da rua da Tílias (onde, felizmente, ainda mora a minha mãe).
Para além do matar de saudades, esperam-me uns dias cheios e que começam logo às seis da tarde na:
1. Santa Casa da Misericórdia do Sabugal. Respondendo a um amável convite da Mesa da Santa Casa e do seu Provedor António Dionísio, tenho o prazer de assistir à festa de fim de ano desta Instituição que, em 2016, comemorará os 500 anos!
Idosos e crianças e seus familiares juntam-se num convívio intergeracional de grande intensidade emocional, não podendo deixar de salientar a clara cumplicidade existente entre utentes e pessoal que ali trabalha, numa prova viva de como estes trabalhadores se dedicam à Instituição e aos idosos e crianças para quem trabalham.
À Santa Casa, aos seus dirigentes e trabalhadores e às famílias sabugalenses que usufruem dos seus serviços, os meus sinceros parabéns!
Saído da Santa Casa, volto a pé (que é a melhor forma de amar o Sabugal), e passo, embora de forma fugaz, pelo Largo da Fonte onde têm início as
2. Festas de S. João. Sei que já não são as festas do antigamente (quando o meu pai e o Ti Alberto Espanha entusiasmavam os participantes com as suas actuações enquanto leiloeiros na «quermesse»!), e quando havia o baile dos «pobres» (à volta do coreto, em chão de terra) e o «dancing» dos «ricos» (os que pagavam a entrada e podiam dançar em piso de cimento!).
Mas lá estava o nosso «carvalho», vestido a preceito e com a respectiva «boneca» no topo! Que os percalços que a organização destas festas tão populares vem sofrendo, possam ser ultrapassadas e que o S. João volte a ser uma festa de referência no Concelho (sem dancing, claro…), são os meus mais sinceros desejos…
3. «Forcão Capeia Arraiana». 23 de manhã, desloco-me à Casa do Castelo onde a minha amiga Talinha me guarda um exemplar (autografado pelos autores António Cabanas e Joaquim Tomé) do livro «Forcão Capeia Arraiana». Não me tendo sido possível star presente no lançamento, a leitura que já fiz dos textos e a apreciação das fotografias, leva-me a dizer que este é um dos mais belos livros que já foram feitos sobre a nossa Capeia.
Obrigado a António Cabanas que não sendo do Sabugal, nos brinda com textos de rara sensibilidade e qualidade e ao Joaquim Tomé, nosso conterrâneo para quem certos sabugalenses tão madrastos foram.
As suas fotografias são o exemplo da sua competência enquanto fotógrafo, mas, e sobretudo, a prova do grande amor que o Quim tem pelo Sabugal, pela sua cultura e pelas suas tradições.
Um abraço também à Talinha e ao Romeu que continuam na sua saga de divulgar o Concelho, contra tudo e contra todos.
4. Festas de S. João em Vale de Espinho. Convidado pelo Carlos e pelo Ilídio Clemente, dois irmãos que este ano abraçaram a organização desta festa tão tradicional, voltei à que, como todos sabem, considero a minha segunda terra de nascimento, tais os laços familiares que me ligam a Vale de Espinho.
Ali assisti à leitura das «Famas», acompanhando as centenas de pessoas presentes nas risadas que as quadras mordazes iam provocando.
Não posso deixar de salientar os muitos «valedespinhêros» que se deslocaram de Lisboa, Porto, etc., para não deixar esta festa morrer. Grande exemplo de bairrismo e amor à terra!
E que novos Clementes se sintam motivados para organizarem o S. João para os anos que aí vêm!
5. Igreja de Badamalos. O dia seguinte leva-me a Badamalos onde o dinamismo do Padre Hélder bem apoiado pelos habitantes e naturais desta terra está a levar a cabo a recuperação da igreja.
Participo na iniciativa «Estaleiro Aberto», durante a qual nos é feita uma apresentação do decurso da obra. 39 dias de trabalho intenso que levaram à quase completa requalificação do espaço, a que se seguirá agora a requalificação das peças de arte sacra, com destaque especial para uma riquíssima capela-mor.
Badamalos pode e deve orgulhar-se deste trabalho, não podendo deixar de salientar o apoio que a Junta de Freguesia, a Câmara Municipal, o Governo Civil e a CCDR-Centro têm dado para que esta obra se concretize.
Não posso igualmente deixar de realçar o trabalho de restauro de antigas casas em granito que permitem que o centro de Badamalos seja hoje um exemplo a apontar e a seguir.
6. Assembleia Municipal. Mais um momento alto de democracia, pois quando este Órgão Autárquico se reúne, o sistema democrático local atinge a sua expressão máxima.
E saliento, enquanto Presidente da Assembleia, a forma empenhada com que todos os deputados municipais intervêm, votando em consciência os diversos assuntos que ali são levados, mas, e sobretudo, tornando muito rico o período de Antes da Ordem do Dia, momento em que cada membro pode expressar de forma livre a sua opinião.
7. Convívio dos Manéis. Infelizmente a minha estadia no Sabugal está a chegar ao fim. Não sem antes me associar a este convívio de «Manéis sabugalenses». Poucos sabem, mas também tenho Manuel no nome, e o prazer de estar mais um pouco com os meus conterrâneos leva-me a rumar à Sra. da Graça onde reencontro desde o Manel Rasteiro ao Manel Nabais, passando pelo Manel Ramos (e um grande obrigado à Maria pelo seu doce de ginja!…) e muitos outros amigos de infância, permitindo-me uma referência especial ao meu amigo e antigo vizinho Manel «Pidente» ali levado pela sua mãe, a quem tive também a alegria de abraçar depois de passados tantos anos… E para o ano, contem comigo!
Foi uma forma boa de me despedir e de terminar 4 dias de intenso e imenso Sabugal!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com