O Centro Histórico de Trancoso acolhe nos dias 25 e 26 de Junho a Festa das Bodas Reais do rei D. Dinis e da então Infanta Isabel de Aragão numa cerimónia de recriação histórica.

Bodas Reais D. Dinis e Santa Isabel

O passado torna-se presente e Trancoso engalana-se de forma singular para evocar a História e sobretudo o encontro e Bodas Reais do rei D. Dinis e a então Infanta Isabel de Aragão que viria a ser conhecida por Rainha Santa Isabel por graça da sua bondade e virtudes e a quem Trancoso foi doada em 1282.
Trancoso orgulha-se dos seus pergaminhos históricos desde os alvores dos tempos e foi, desde sempre, terra procurada e cobiçada, palco de pelejas e de paz, terras de interculturalidade onde ao longo dos séculos se cruzaram nas estreitas ruas do hoje Centro Histórico o clero, a nobreza e o povo, cristãos, judeus e mouros, poetas, profetas, literatos vários, pintores, escultores, físicos e médicos, almocreves, sapateiros, correeiros, tratantes, ferreiros, paneiros, barbeiros, cavadores e ceifeiros, monges e freiras, padres, rabinos e vizires, heróis de lança e espada mas também de enxada, beneméritos e filantropos, políticos, diplomatas, juristas. homens e mulheres de Estado e gente anónima.
É este tempo que a Festa da História revive por entre tendas onde, tal como no passado, se vendem pão e doces, arte e artesanato, rendas e bordados, adornos, licores e frutas, à mistura com tabernas, acampamentos militares, mesteirais medievais.
O evento, em cujo desfile (Cortejo Régio) participam habitualmente algumas centenas de figurantes, designadamente alunos do curso de Animação Sociocultural da Escola Profissional da cidade, elementos dos grupos de animação, associações e outros estabelecimentos de ensino da região, vem já tendo «um grande alcance económico, cultural, turístico e social que enriquece o programa de iniciativas que a Trancoso Eventos desenvolve tanto na cidade como no resto do concelho», afirma Júlio Sarmento, presidente da Câmara Municipal de Trancoso.
No que respeita aos trajes, são em Trancoso confeccionados e realizados na maioria e há seguramente uma dúzia de anos e graças ao empenhamento da professora Maria Emília Tracana, pela Escola Profissional, que chega inclusivamente a cedê-los a San Felices de los Gallegos, vila histórica medieval acastelada de Espanha geminada com Trancoso, próxima da fronteira no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo e do rio Águeda, onde igualmente se recriam Bodas Reais.
No Centro Histórico de Trancoso, nesses dias de festa, à mesa, designadamente no âmbito da Ceia Medieval, não faltam, a aguçar o apetite, pratos de aves e javali, papas de milho e vinho, mas também assados, múltiplos petiscos e, é claro, licores, muitos licores.
Em tendas espalhadas pela Rua da Corredoura, a partir das Portas d’El-Rey, vendem-se artigos árabes (do Norte de África), adornos, decoração, artesanato, bordados, ourivesaria, ferrarias e armaduras, escudos e espadas, calçado, por entre malabarismos de fogo, reinações, folias e bailias.
As três principais religiões dominantes na época medieval (judaica, muçulmana e cristã) foram objecto, na última edição, de uma exposição com utensílios religiosos, indumentárias, objectos litúrgicos.
E não faltarão bailias, trovas e trovadores, folguedos, danças, desafios e torneios, saltimbancos e bobos, povo… muito povo!
jcl (com Gab. Comunicação e Imagem da C.M. Trancoso)

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