Domingos Fernandes, na região mais conhecido por Domingos Trocas, é figura ímpar na raia sabugalense. Reside em Alfaiates de onde é natural.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaÉ um castiço que sabe cultivar um estilo, muito próprio, do qual tira o devido proveito.
Tem amigos às carradas porque os sabe fazer com relativa facilidade. Mas dizia-me ele ontem, na Sacaparte, que também tem alguns inimigos. Mas quem os não terá? Já que mais não seja por inveja ou dor de cotovelo. Mas como ele dizia: “os cães ladram mas a caravana passa”.
A simpática esposa – Leonilde – muito menos espalhafatosa que o marido, sabe muito bem lidar com ele, pelo que são um casal feliz.
Na típica adega do Domingos já se consumiram muitos almudes de vinho, já se se comeram muitos – jamones – e também já se cantaram muitos fados.
É, de facto, um prazer passar uma tarde ou uma noite com o Domingos Trocas. Fala pelos cotovelos sobretudo quando já lá cantam uns copitos. Mas posso afirmar que sempre o vi como uma pessoa alegre e divertida que sabe evitar os problemas. Respeita e é respeitado.
Ontem, na farra, dizia-me que começou com duas bezerras e que presentemente tem uma centena.
Confessou-me que nunca trabalhou com cheques porque isso não lhe daria qualquer prazer. Acrescentou que gosta muito de ver e apalpar as notinhas.
Diz também, com muito orgulho, que nunca teve ordenado nem emprego e que, felizmente, a vida sempre lhe sorriu.
Referiu ainda que quando tem algum dinheiro não o vai meter no banco. Prefere construir mais um barracão e meter lá mais algumas bezerras.
O Domingos é, na verdade, um bom farrista e ao pé dele não há tristezas. Sempre que privo com ele lá tem ao seu lado o avô, da esposa, que apesar dos noventa e quatro anos acompanha o neto e os amigos, em todas as patuscadas, comendo e bebendo como o primeiro.
Quando me junto com o amigo Domingos e quando o ambiente é propício, peço-lhe que conte aquela de quando foi, com um par de amigos, ver as meninas às Fuentes.
Diz o Domingos: «Como um homem não é pau lá me deixei conquistar por uma loiraça a ponto de me ter envolvido com ela. Mas para desgraça minha a loira era um travesti que apenas pretendia apanhar-me o dinheiro». Acrescenta: «O dinheiro ainda era o de menos mas a vergonha e a desilusão porque passei é que me levaram a armar o escândalo que armei. Foi de tal ordem que teve que intervir a Guardia Civil. Mas acabaram por me dar a razão.»
Quando acaba de contar a história, e com medo que não acreditemos, vira-se sempre para um ou outro amigo, que também o acompanharam nessa noite, e diz: – olhem – este também lá estava. Que diga se não é verdade. Depois acrescenta: – nunca mais fui às p…
Muito mais havia para dizer desta emblemática figura que é fixe e amigo do seu amigo.
Para ele um abraço da minha parte.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

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