A questão judaica no Sabugal é o exemplo acabado do que não se deve fazer.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Não conheço, e penso que poucos ou nenhuns conhecerão a importância que a comunidade judaica terá tido no nosso Concelho.
Entretanto o trabalho mais que meritório da Talinha e do Romeu, colocando em evidência o «altar» judaico da casa do Castelo, bem como o trabalho dedicado de um sabugalense de adopção, o Prof. Jorge Martins, levaram muita gente a começar a falar deste tema.
Em pequeno, costumava ouvir e dizer a frase «quem dá e tira vai prá quelha da Atafona», claramente um termo judaico, o que me leva a crer que a comunidade judaica do Sabugal tinha a importância suficiente para deixar marcas tantos séculos depois.
Por isso nunca percebi a resistência que o poder político vinha demonstrando face a esta questão, pois me custa a acreditar que tal só acontecesse por «birra» ou «ciúmes» de alguns…
Mas se ainda não sabemos de toda a dimensão da comunidade judaica no Concelho, sabemos, sem dúvida, da importância que a questão judaica tem, hoje em dia, e de que são exemplos flagrantes, Belmonte, Castelo de Vide e Trancoso.
A comunidade internacional judaica está ávida de conhecer a sua história o que, associado ao seu poder de compra, constitui um fenómeno turístico de grande valia.
Felizmente, parece que o bom senso voltou e a aceitação por parte do Executivo Municipal do convite para aderir à Rede de judiarias de Portugal é uma boa notícia.
Mas aderir não chega! Precisamos que nos deixemos de «judiarias» internas e entendamos que esta é mais uma oportunidade de afirmação da nossa terra, logo, de desenvolvimento do Concelho do Sabugal.
Comecemos por fazer o levantamento do que a comunidade judaica representou para o Concelho; façamos o inventário do património material e imaterial judaico; e criemos as condições para a sua preservação e divulgação.
Integrar a Rede foi bom, mas não chega!

Ps: No sábado passado realizou-se mais um encontro dos antigos alunos do Colégio do Sabugal. Infelizmente com menos gente que nos anos anteriores.
Claro que cada um é livre de aderir a estes encontros ou não, mas não posso deixar de lamentar a ausência de muitos antigos colegas e, sobretudo, dos que ainda moram no Concelho, o que levou a que a próxima Comissão Organizadora não tenha um único elemento residente no Sabugal!
Talvez o facto de se estar a realizar todos os anos contribua para alguma desmobilização. Por isso aqui deixo a sugestão de tornar os encontros bienais…

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com