Democracia é que é difícil que lhe possamos chamar. Estamos debaixo do pensamento único, o único autorizado por um invisível e omnipresente polícia de opinião. Esse pensamento foi muito bem definido por Alain Minc, economista e director de empresa: «O Capitalismo não pode modificar-se, é o estado natural da sociedade. A Democracia não é o estado natural da sociedade. O Mercado sim». É com este pensamento que milhões de portugueses irão às urnas a 5 de Junho próximo.

António EmidioEsta União Europeia, em que a preponderância da economia sobre os demais aspectos da vida humana é uma realidade, e que está regida pelos interesses particulares de nações poderosas como a Alemanha e a França, deixa os políticos dos outros países membros, principalmente os mais débeis política e economicamente, pouca ou nenhuma margem de manobra para um trabalho realmente pessoal e criador. Esta União Europeia está a ficar destroçada pela acção de um capitalismo desregulado e selvagem, pelo desemprego galopante, pela concorrência feroz, pelo desmantelamento da Segurança Social, pela desigualdade entre povos e pelo egoísmo de alguns políticos. Há povos que são praticamente escravos das nações mais poderosas, como o grego, e muito temo que qualquer dia seja o português.
Ainda podemos emitir o nosso voto, mas não podemos de maneira alguma controlar ou contrariar as decisões de Berlim, de Bruxelas e dos mercados, que são tomadas nas nossas costas. O nosso País, foi à coisa de um mês frequentado por dois ou três indivíduos de outros países. Esses indivíduos, sem serem cidadãos nacionais com direito a voto, conseguiram e conseguem ter um poder de decisão superior ao do eleitorado português. Depois disto, qualquer pessoa fica a pensar que a política deixou de ser um serviço à comunidade nacional, regional e LOCAL, sendo uma luta de interesses entre os principais grupos de pressão político/económicos que hoje enxameiam o Mundo, como por exemplo o Banco Central Europeu e o FMI.
Querido leitor(a), vou dizer-lhe uma coisa que não é novidade nenhuma, as eleições do próximo dia 5 de Junho, sem dúvida alguma que irão ser livres e não truncadas, não serão é democráticas, porque há outras forças que nada têm a ver connosco portugueses e que irão afectar de maneira determinante aqueles que irão apresentar-se a estas mesmas eleições e que depois nos governarão.
Tenho asco àqueles que aceitam tudo isto e esperam que o dia 5 de Junho seja o dia do «tacho» para eles. Não me refiro a governantes nem a parlamentares, mas sim a uma fauna de parasitas idiotas, com fraquíssimo horizonte mental, moral e ético, que irão procurar «fazer pela vida» bajulando alto e humilhando baixo. Esta fauna, quanto a mim, é o maior cancro da nossa sociedade…
Vou pedir-lhe, querido leitor(a), que lutemos para modificar este refrão ultraliberal, próprio da ideologia que nos está a ser imposta, o tal pensamento único: «Onde está o dinheiro está o poder». Vamos modificá-lo para este tão simples: EM DEMOCRACIA, ONDE ESTÁ O VOTO ESTÁ O PODER DO POVO. Foi com este lema que a Social Democracia (Socialismo Democrático) fez da Europa do pós Segunda Guerra Mundial, um continente onde a Justiça Social mais se aproximou da ambição de justiça que o homem sempre procurou. Tudo isto se fez com o Estado Social, que agora tentam destruir.
Sou um radical? É possível, mas se o sou é porque vou à raiz das coisas.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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