Final da Segunda Guerra Mundial, as potências do Eixo são derrotadas, prevalecem como sistemas dominantes as Democracias Liberais e o Comunismo Soviético.

António EmidioMas junto a estes dois sistemas, o comunismo Soviético e as Democracias Liberais, aparecem as ditaduras da Península Ibérica governadas por Salazar e Franco, são duas ditaduras pertencentes a um mundo já ultrapassado que era necessário banir. Mas a verdade é que essas ditaduras se mantiveram até meados dos anos setenta. Porquê? Irei referir-me somente a Portugal que é o que me interessa neste artigo. Repito, porque ficou Salazar no poder em Portugal, sendo uma ditadura aparentada com as potências derrotadas? Depois do célebre discurso do Presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, a 12 de Março de 1947, começa a nova ordem do pós Guerra: a Guerra Fria, que se tratou de um confronto não bélico de «Baixa Temperatura» entre o Bloco Soviético e as Democracias Liberais. Acontece que Salazar era um feroz anticomunista, isso deu-lhe muita margem de manobra para poder sobreviver, assim como sobreviveu. Um relatório dos Serviços Secretos dos Estados Unidos dizia que Salazar como político, tinha conseguido, mesmo com uma «branda ditadura», manter a estabilidade política e económica do País, depois das turbulências da República parlamentar. O relatório salienta que Salazar era um homem inteligente, de firmes crenças religiosas, grande capacidade de trabalho e uma ascética vida privada. Apresentava o seu sistema político como um equilíbrio entre a forma de governo democrático e totalitário, sem ter as falhas de um ou de outro. E agora a razão principal porque se manteve no poder: o relatório destacava a sua aversão ao comunismo. O governo norte-americano afirmava que a verdadeira ameaça para a paz mundial era o expansionismo soviético, todos aqueles que lutassem contra esse expansionismo seriam bem vindos. Desta maneira, os «pecados» cometidos por Salazar e o Estado Novo eram secundários, o que interessava era o seu visceral anticomunismo.
E se por acaso os Estados Unidos e as Democracias Liberais Europeias, tivessem substituído Salazar e o Estado Novo por uma Democracia Parlamentar, Democracia de partidos, Portugal estaria a passar pelos mesmos problemas que presentemente está a passar? Difícil de dizer, mas uma coisa é certa, não teria os mesmos vícios dos quais enferma e talvez se libertasse destes mesmos problemas com mais facilidade. Os quarenta anos de Estado Novo marcaram negativamente a nossa mentalidade, basta ver que depois do 25 de Abril de 1974, muitos dos homens, a maioria, que substituíram as elites políticas do Estado Novo, comportaram-se da mesma maneira que essas elites, procura de dinheiro, prestigio, de poder e de influência.
Pergunto novamente, há alguma culpa na história pela presente situação política e económica de Portugal neste momento histórico? Convém lembrar que os países que mais problemas económicos têm presentemente na Europa, Portugal, Espanha e Grécia, saíram há pouco tempo de prolongadas ditaduras. A União Europeia gerou neles uma certa ilusão de se verem livres dessas mesmas ditaduras e o não regresso a elas. Também pensaram que a entrada na União Europeia faria deles prósperos países em matéria económica. Puro engano, ninguém, nem nenhum país da U. E. é solidário com eles e, mais dia menos dia, serão «convidados» a sair da zona euro, e até da União Europeia. Isto, se ela não colapsar primeiro e, por completo.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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