Desperdícios e perdas de água nas redes de abastecimento e de saneamento básico do concelho do Sabugal fazem com que a Câmara apenas facture uma terça parte da água que compra à empresa Águas do Zêzere e Côa. Foi o que constatou um estudo que teve como resultado a elaboração do «Programa municipal para o uso eficiente da água».

As perdas comerciais na rede de água estimam-se num valor superior a um milhão de euros em cada ano. O descaminho da água que não é facturada tem variados motivos, tais como: rupturas na canalização, ligações ilícitas, uso fraudulento das bocas-de-incêndio, extravasamentos nos reservatórios, erros e fraudes na medição. Outra razão é o uso da água que não é cobrado, uma boa parte pela própria câmara, nomeadamente na rega dos espaços ajardinados. Essa água é contudo paga pelo Município à empresa Águas do Zêzere e Côa.
O estudo efectuado aponta para a implementação de sete medidas tendo em vista o uso eficiente da água. Esse Programa foi aprovado por unanimidade na reunião do executivo camarário do dia 13 de Abril de 2011.
A primeira medida preconizada é a da redução das perdas reais no sistema público, através da localização das fugas e das rupturas da tubagem e a sua imediata reparação. Esta medida levará à substituição de ramais e de caixas de contadores, o que implicará o levantamento de calçadas e a sua reposição, assim como a abertura de valas e posterior tapamento.
A segunda medida consiste na redução das perdas aparentes, pondo cobro às ligações abusivas e não autorizadas, o que se fará pelo reforço da fiscalização.
A terceira medida aponta para a eliminação dos consumos que não são sujeitos a medição. A sua implementação implica identificar os locais onde o abuso é cometido e a consequente introdução de contadores para que esse consumo passe a ser facturado. Isso passa-se em relação a lares, associações, juntas de freguesia e em relação à própria câmara municipal, onde não estão instalados contadores que quantifiquem os consumos.
A quarta medida preconiza a implementação de um tarifário que permita a recuperação tendencial dos investimentos efectuados.
A medida número cinco é referente à rega dos jardins públicos, que deverá passar a fazer-se utilizando a água que provém da barragem através do sistema de regadio. Esta medida é porém dispendiosa por implicar a colocação de tubagem e de pontos de tomada de água nos sete grandes espaços ajardinados da cidade do Sabugal.
A sexta medida refere-se à redução dos custos associados à facturação, o que se conseguirá sobretudo através da implementação da factura electrónica, que reduzirá substancialmente os gastos em papel e em portes de envio.
A sétima e última medida preconizada no Programa é a reabilitação da rede de colectores das águas residuais, de modo a diminuir drasticamente as infiltrações de águas pluviais. Essas obras revelam-se fundamentais para fazer reduzir substancialmente os caudais da rede de saneamento que entram nas estações de tratamento e que são facturados pela empresa Águas do Zêzere e Côa.
As intervenções decorrentes da implementação das sete medidas propostas obrigarão a um investimento global superior a 260 mil euros, um custo demasiado elevado mas que poderá contribuir para um uso mais racional da água no concelho do Sabugal.
plb

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