Ajudar as terras raianas da diocese da Guarda a saírem do esquecimento e da desertificação é o objectivo da Caritas, que pretende implementar o projecto «100 muralhas», o qual envolverá dezenas de jovens, a que chama «embaixadores da Raia».

Mobilizar os jovens da Diocese que vivem na Raia para a luta contra a pobreza, o envelhecimento e a desertificação é o objectivo do projecto, que conta levar informação às pessoas e às instituições, como câmaras e juntas de freguesia, para que se desenvolvam acções que atraiam mais residentes à região.
Paulo Neves, da Caritas da Guarda, disse à Agência Ecclesia, que o título de «embaixador da Raia», dará o direito a um cartão oficial, a atribuir a cerca de 100 alunos do 12º ano dos agrupamentos de escolas de Figueira de Castelo Rodrigo, Almeida, Sabugal e Penamacor, que ao longo deste ano lectivo têm participado no projecto «100 muralhas».
Trata-se de uma acção organizada pela Caritas da Guarda, em conjunto com professores e diversas entidades públicas e religiosas, que visa a defesa e valorização dos recursos humanos, naturais e artísticos. «Sabemos que estes alunos vão sair desta região, em busca de oportunidades ao nível do ensino superior que não existem aqui, e o que pretendemos é que continue a haver uma ligação ao território de onde eles são originários», explicou Paulo Neves.
Os alunos envolvidos têm dedicado três horas semanais, no âmbito da disciplina «Área de Projecto», à elaboração de propostas para as suas localidades. Costumes e tradições, tendências sociais emergentes, o futuro da vida humana, desenvolvimento sustentável de recursos, foram alguns dos trabalhos elaborados.
A investidura dos jovens «embaixadores da Raia» vai ter lugar no próximo dia 28 de Maio, numa cerimónia formal que acontecerá no pavilhão multiusos de Vilar Formoso, que contará com a presença do bispo da Guarda, D. Manuel Felício.
A presidente da Caritas, Emília Andrade, disse entretanto à Agência Lusa que são cerca de 170 as famílias da diocese da Guarda que recebem ajuda social e económica da instituição, o que significa um aumento de 35 por cento face a igual período do ano passado.
«São pessoas que pedem, fundamentalmente, coisas de subsistência imediata, como alimentos, medicamentos e roupa», disse Emília Andrade, que classifica a situação como «aflitiva».
plb