Como português e europeu, estou a ficar cada vez mais preocupado com esta hegemonia alemã que está a caracterizar a União Europeia.

António EmidioNos anos cinquenta do século passado, o ministro dos negócios estrangeiros francês Robert Schuman concebeu um plano que ficou conhecido pelo «Plano Schuman» e que consistia em reintegrar a Alemanha no seio das nações ocidentais. É a partir desse plano que também começa a ser concebida a União Europeia. Nessa altura, nos meios políticos e intelectuais europeus, dizia-se que esse plano não passava de um projecto de construção de uma Europa Alemã, debaixo do controlo dos Estados Unidos. Não se enganaram! É o que acontece presentemente.
E o papel da França? Também quer ter hegemonia, esta pretensão já vem desde o início, mantém uma «guerra» surda com a Alemanha desde há muito tempo. Berlim e Paris estão representados presentemente pela senhora Merkel e Nicólas Sarkozy, dois ultra-liberais que têm em mente dar um grande impulso á União Europeia dos 27. Duas pessoas de uma ambição desmedida e que só procuram protagonismo, duas pessoas com muita falta de ética e, cínicos. No meio de tantos abraços e beijos que dão um ao outro, e na convergência politica de ambos, segundo os corifeus da comunicação social, existe um antagonismo, os seus planos políticos não são tão convergentes como dizem ser. Existe uma tentativa por parte da França, penso que ideia de Nicólas Sarkozy, de controlar os países do Sul da Europa, os países mediterrânicos, isto não é mais nem menos do que uma tentativa de equilíbrio de poder na Europa, já que a Alemanha exerce um poder quase absoluto a Leste deste continente. Hitler caracterizava como as «Colónias» os países de Leste, como vê querido leitor(a), este domínio não é casual…Mas o problema é que a Alemanha não irá permitir a liderança francesa no Mediterrâneo, o que poderá sair daqui? A história o dirá.
A União Europeia, presentemente é uma união vertical, à cabeça tem a Alemanha com o seu egoísmo, o seu racismo e a tendência para dominar tudo e todos. Voltando a Hitler, este afirmou muitas vezes que o povo alemão era uma «Raça de Senhores», Merkel diz que a Alemanha é o «País das Ideias». Não tenhamos dúvidas, se nós portugueses cairmos nas mãos da Alemanha, aliás, já começamos a estar, não passaremos de um povo escravizado, tudo nos será retirado, desde a nossa riqueza à nossa dignidade, à nossa Democracia e à Liberdade. A Alemanha unificada, fora das suas fronteiras, mostra-nos a história que só destrói, tanto militar, como economicamente. Helmut Schmidt, ex-chanceler alemão e antigo oficial dos exércitos hitlerianos, disse um dia que os verdadeiros responsáveis dos males da Alemanha, eram os estrangeiros. Merkel tem essa ideia fixa, ou não fosse alemã, está a culpar do não avanço rápido da União Europeia (dos interesses alemães), Portugal, a Grécia, a Espanha, a Irlanda e outros, ela quer dominar rapidamente tipo Blitzkrieg, como fazia Hitler quando invadia os países durante a Segunda Guerra Mundial, a guerra não é só militar, também há guerra económica…E quando tudo se desmoronar, irá culpar os povos europeus do descalabro da União Europeia.

Fait divers
Um rapaz amigo, numa conversa disse-me que o que está a acontecer em Portugal se deve à falta de capacidade politica, irresponsabilidade e monumentais erros dos nossos políticos desde a implantação da Democracia (1974). Concordei com algumas coisas, discordei de outras, disse-lhe inclusive que presentemente os partidos políticos não passam de máquinas eleitorais, importando-se pouco com o que possa acontecer aos cidadãos. Mas neste momento, além disso tudo, é do estrangeiro que «orientam» a nossa politica e a nossa economia perdemos portanto a nossa autonomia. Um exemplo vai demonstrar o que eu escrevi: François Mitterrand, o último Presidente Socialista da França, quis ter uma política autónoma para o seu país, não conseguiu, teve de se sujeitar aos acordos e leis internacionais, vindo tudo como é lógico dos Estados Unidos e já da Alemanha. A Globalização a que o Mundo está sujeito só criará novos imperialismos, até à guerra inevitável. Guerra? Quem fala nisso! Falo eu, e pergunto se já chegámos ao fim da História.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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