Cada um de nós tem a sua evolução, no sentido que escolher – acredito que ainda se escolhem sentidos de vida, afinal esse é aquele ponto que nos separa dos computadores supra inteligentes e dos animais supra emotivos. Nenhum deles tem ainda a capacidade de questionar e, assim, perguntar-se qual é a sua missão (ou missões) neste tempo e espaço onde escolhemos estar.

Prisão

Carla NovoAssim, um dos primeiros passos depois de um violento «despertar» é, sem dúvida, pegar nas tralhas todas que trazemos e deitá-las fora. Sim, do que realmente precisamos para nos sentirmos felizes connosco mesmos? Faça esse exercício e verá que a esmagadora maioria do que tem não lhe traz felicidade. Se eu ganhasse o Euromilhões faria, teria… mas o que você é? Na sua essência? Voltar-se para dentro de si não é uma fuga é um convite que lhe faço para a próxima semana. Não estou a sugerir que fiquei zen e a meditar todas as noites antes de dormir, quando, provavelmente, está tão cansado(a) que quer olhar para TV e fingir que não se passa nada – como quem olha para uma montra e «desliga» o interruptor. Não. Não é preciso tornar-se budista, acender velinhas ou pauzinhos de incenso. Nada disso. Basta «entrar» dentro do seu próprio coração e ouvir os sinais que ele lhe dá. A intuição é e será cada vez mais a nossa estrela guia. Ela não nos mente, não nos atraiçoa. A intuição indica-nos o sentido a seguir sem cobranças e sem rasteiras. O medo é apenas aquilo que o ego usa para nos lembrar das castrações em que decidimos, sem dar conta, criar para nós mesmos. Contaram-me em tempos uma história divinal exactamente sobre esta mensagem que hoje decidi vos passar. Estavam os senhores lá todos zen a meditar quando, subitamente, a terra estremeceu. Era um terramoto. Todos abandonaram o local e tentaram refugiar-se como seria previsível e óbvio. Contudo, houve um que lá permaneceu, imóvel. Quando o abalo passou os outros regressaram e perguntaram-lhe se ele não teve medo e porque não se foi abrigar. Ao que o tal monge respondeu: Sim, eu estava cheio de medo e também fugi, mas fugi para dentro de mim! Numa semana, para os mais religiosos que celebram a Páscoa, fica também o convite: que prisões construíram e que, agora, não se conseguem desenvencilhar? Que castigos temem para não arriscar? E, finalmente, porque insistem em guardar tantas tralhas se o caminho deve ser feito e leveza e de alegria?
«Jardim dos Sentidos», crónica de Carla Novo

carlanovo4@hotmail.com

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