No Meio da Crise, a Caminho de sucesso.
O João José Oliveira apresentou o seu novo projecto, desta vez não foram automóveis, mas sim uma obra literária e a sua colecção particular de arte.

Foi no dia 5 de Março de 2011 que João José oliveira, natural e a residir no Soito, concelho do Sabugal, o homem (designer de automóvel) que há muitos anos nos tinha habituado a lançar novos projectos e a aceitar novos desafios sempre relacionados com a área automóvel. Mas após um AVC, aos 48 anos de idade, foi obrigado a deixar a sua paixão e ao mesmo tempo vida profissional, e mudar de vida… surpreendendo-nos passados três anos, com a abertura ao público, do seu atelier-galeria com dezenas de esculturas metálicas de médias e grandes dimensões, com o tema, «A Arte e a Reciclagem; a Reciclagem é uma Miragem! Reciclar a Reciclagem», e com a apresentação da sua obra literária.
José Oliveira convidou, além de muitos amigos, a população em geral, como oradores o Dr. António Rito Pereira, advogado de profissão e director do Jornal 5 Quinas do Sabugal e o Dr. Manuel Meirinho, Professor universitário e considerado um dos grandes politólogos da actualidade.
A apresentação foi na seu atelier galeria de arte (antiga fábrica do autor) e João José fez a abertura do evento com um discurso agradecendo aos presentes o facto de estarem com ele nesta caminhada, contou resumidamente a história ao editar o livro dizendo que não sabia muito bem aonde podia chegar e até nalguns momentos pensou que não seria capaz, mas sem deixar de acreditar foi tentando e criou o livro com o titulo: «Ser-se feliz é uma questão de “engenharia”», construiu ao mesmo tempo esculturas metálicas com uma relação muito próximas do conteúdo do livro. A obra foi aceite por uma grande editora e já está á venda na secção de espiritualidade na livraria Bertrand e na cadeia de lojas Fnac, resolveu não falar no conteúdo do livro, deixando essa tarefa para os oradores por ele convidados, falou somente da capa e contra capa, que apelidou de um produto made in Soito, desde as fotos ás flores realçando o girassol que tinha tirado do jardim da sua vizinha D. Amélia. Na contra capa está uma foto que tirou no rescaldo do célebre incêndio na zona de Sortelha em Setembro de 2009.
Chegou a vez do Dr. António Rito discursar começando por dar os parabéns á Maria de Deus, esposa do João José, evocando Talud: «todo aquele que casa com uma mulher virtuosa, é como se cumprisse todos os preceitos da lei», e o João José deve os seus sucessos á filha do Ti Loto. Falando do livro comparou o João José a um dos grandes filósofos a nível mundial que foi o Espinosa, filho de pais Portugueses que emigraram para a Holanda, país onde nasceu. Referiu que quem quiser ler esta obra tem de ler com alguma atenção, para poder entender o que o autor nos quer dizer, e na sua analise o Dr. António Rito demonstrou-nos que ele já o havia feito, dando muitos elogios ao autor, e tecendo algumas «criticas» a certas passagens, não concordando, mas respeitando o pensamento do autor. Por fim recomendou a leitura do livro.
Passou-se a palavra ao Dr. Manuel Meirinho que cumprimentou todos os presentes e seus conterrâneos, deu os parabéns ao autor acrescentando que não é fácil lançar um livro, e que só quem passa por esta situação é que sabe o que isto é. Referiu que não é preciso ser filósofo para filosofar e que o João José era o exemplo disso mesmo escrevendo um livro que no seu ver é um grito de revolta, após um problema de saúde, e que o autor ousou pensar e transcrever os seus pensamentos e as suas reflexões em diversas áreas. Resumiu o livro á capa e contra capa, pois ilustram-nos o que o autor nos transmite, e partilhou a análise do Dr. António Rito no capítulo da atenta leitura para o poder assimilar, e recomendou vivamente a leitura do livro.
Temos autores, que sem nunca ter lido os clássicos sabem pensar, mesmo não tendo lido filósofos sabem filosofar e que não tendo desfolhado lições de engenharia sabem fazer obras interessantes, são excelentes requisitos de um potencial a aproveitar, terminou dizendo que tinha muito gosto em estar aqui, pelo interesse do evento mas também pelo convívio e por rever muitos amigos na sua terra natal. Lançou o repto às autoridades locais para apoiar estes eventos e considerou que tanto o livro como a exposição podiam ser exteriorizadas rumo á capital e disponibilizou-se para tal.
João José agradeceu aos dois oradores o facto de terem aceitado o convite e de se terem deslocado de Lisboa ao Soito propositadamente e ofereceu uma das suas obras de arte a cada um. Reagiu á comparação que o Dr. António tinha feito no seu discurso, e afirmou que nunca leu Espinosa, e que esteve mais de vinte anos sem ler um livro. Referindo que já no tempo de designer de automóveis, quando desenhava protótipos e para criar um novo projecto não lia nem via durante largo tempo nenhuma revista de automóveis para não ser influenciado. Passou a apresentar e explicar o sentido de todas as suas obras de arte, das quais destacamos a obra que fez em homenagem ao seu falecido sogro, o Ti Loto (figura popular e um dos homens mais valentes da história do Soito), cujo tema é «A Fábrica da auto estima», e ofereceu-a à família para ser colocada em lugar público.
A Obra Literária:
Ser feliz é o objectivo nº1 do ser humano, nem todos conseguem, porque a maioria não tenta.
A luta pela sobrevivência, inspirou o autor e definir este belíssimo conceito. Este título, é a expressão que o autor utiliza e cujo conteúdo desenvolve sob a forma de pensamento “prático” e “crítico”. É o percurso de toda a causa que originou a visão para o despertar, a mudança de vida e a adaptação a uma nova forma de viver. Esta obra é produto da reflexão sobre os vários fenómenos sociais verdadeiros entraves da vida. A forma como entendeu e enfrentou, é a arte que criou para este projecto de ser feliz, rumo a uma nova forma de ser. Polémico e controverso, estabelece ao mesmo tempo, uma relação com o meio ambiente, economia, democracia e as questões de uma provável causa da doença e a possível cura. Este novo conceito para ser-se feliz, é uma reflexão profunda, uma critica ás características evolutivas da humanidade que, estende de uma forma descontraída ao longo das 260 páginas. É uma critica, uma proposta ás actuais matrizes que continuam a moldar a actual cultura. É também um convite á ecologia porque sim. Também é uma mensagem que o autor propõe decifrar, expondo de uma forma surrealista, uma opinião «visionária» do que estará para vir e que o mundo composto e dirigido pelo ser humano, perdeu a criatividade.
Escrevi o artigo logo a seguir ao evento, mas não o quis publicar sem que o autor me resumisse a sua obra, e o José tem sido um homem muito ocupado desde o lançamento deste seu novo projecto, mas durante esta semana lá arranjou um tempo para me receber no seu atelier e satisfez o meu pedido:
Ser-se Feliz é uma questão de «Engenharia» é verdadeiramente um grito de alerta uma crítica às características evolutivas da humanidade, uma proposta de revolta. Onde chegámos e para onde vamos. É sem dúvida uma crítica original àqueles que nos comandaram, à mentalidade da nossa geração em ter produzido esta geração “ARRASCA”.
É uma crítica à falta de criatividade na escolha do melhor caminho em encarar a realidade do que está acontecer. É uma obra actual que nos faz reflectir, que nos propõe uma nova consciência que, nos tenta mostrar que ninguém tem culpa de um facto natural para o qual todos temos contribuído.
Este livro, é mais uma voz à procura de ser amplificada, para se poder juntar a tantas outras. Um dos conceitos defendidos nesta obra é o facto da evolução já não nos trazer algo de novo, a cultura vulgarizou-se e tornou-se extensiva. Esta obra não nos conta nada de novo, para lá daquilo que todos já sabemos. Mas enreda-nos numa viagem, numa reflexão, sobre as características das dúvidas que, estamos a viver nestes momentos de crise.»
Analisando friamente esta questão complicada na vida de José Oliveira, até parece que «a solução foi o problema…». José Oliveira é um exemplo a seguir pelos que por vezes pensam em desistir.
João Nabais

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