Este é o título de uma publicação dos exilados políticos portugueses, monárquicos, que estavam em Paris durante a Primeira República. A fotografia é uma página da publicação.

António EmidioPara a geração de políticos e intelectuais nascidos em finais do século XIX, Salazar em 1890, António Sardinha em 1888, Jaime Cortesão e Raul Proença em 1885, Fernando Pessoa em 1888 e, Cunha Leal também em 1888, a implantação da República marcou o seu despertar político. Esta geração manteve-se sempre dividida face ao ideal Republicano e Democrático. Uns eram hostis ao Movimento da Monarquia Constitucional, desacreditado pelo último rei de Portugal, D. Manuel II, acham-no incapaz e fraco, desligam-se da sua obediência afirmando que «o interesse nacional acima da pessoa do Rei». Outros condenaram o Parlamentarismo, o Liberalismo e o anti-clericalismo, ideais da I República. Tanto um movimento como o outro, tinham como objectivo a afirmação de uma identidade colectiva através do Nacionalismo.
Cadernos MariotteVemos então que o nacionalismo dominou a vida política e intelectual da I República, embora fosse bastante heterogéneo. Esta Nacionalismo divide-se em duas grandes tendências, de um lado o idealismo Republicano defendido pelo movimento Renascença Portuguesa. Do outro, um pensamento contra revolucionário, divulgado com grande sucesso pelo Integralismo Lusitano. Em finais de 1923, o Nacionalismo é o denominador comum de um grupo de intelectuais hostis ao regime de partidos, tinham uma publicação que ficou conhecida pela Revista dos homens livres, publicação essa que durou duas semanas. As teorias do movimento Integralismo Lusitano, opunham-se ao idealismo Republicano, essas teorias integralistas dão origem a um Nacionalismo Autoritário, aproximando-se mesmo do fascismo. O Integralismo surge um pouco antes do começo da Primeira Guerra Mundial, foi muito aceite nos meios universitários e católicos de Coimbra, aos quais Salazar pertence. A este Integralismo junta-se também António Sardinha.
Esta corrente de pensamento desenvolve-se ao mesmo tempo nos meios monárquicos dos exilados na Bélgica, que tinham uma revista chamada «Alma Portuguesa», e em Paris á volta do Padre Amadeu de Vasconcelos e de «Os meus cadernos», publicados sob o pseudónimo de Mariotte, estes movimentos são influenciados pelas teorias de Charles Maurras e da Action française, de onde Salazar copiou muitos dos ideais para a governação de Portugal.
Ao ler os meus cadernos, vemos como que uma antecipação do que foi a filosofia política do Estado Novo, Nacionalismo autoritário, Pátria, Deus, anti-parlamentarismo, anti-partidos e anti-liberalismo. A negação da Democracia.
Encontrei quatro tomos de «Os meus cadernos», quando estava a desempoeirar uma velha biblioteca, dei-me ao trabalho de os ler, valeu a pena.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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