Na sequência de preservar um lugar de muito valor que se encontrava em estado de degradação, o antigo lagar de vinho foi restaurado na freguesia da Nave.

Construído no ano 1949 aproximadamente, este lagar é símbolo da existência de uma actividade agrícola que em tempos assumiu particular importância na área das vindimas e fabricação do vinho.
Considerado como um dos poucos existentes lagares deste concelho, destaca-se entre os outros devidos à sua estrutura inicialmente pensada para melhorar e facilitar o processo derivado á produção do vinho.
A sua estrutura é formada por: 11 cubas de granito alinhadas e devidamente numeradas.
As 7 primeiras construídas em 1949, suportam á superfície diversas lagariças onde era pisada a uva e ali permanecia uns dias até a fase de transição para as cubas que seria mais fácil, devido ás suas torneiras situadas no topo de cada cuba onde o vinho mosto passava da lagariça directamente para as cubas, onde se dá o processo até á prova do vinho novo. Outro dos seus utensílios também situado no topo e dentro das lagariças é a prensa.
As outras três cubas construídas nos anos de 1955, situadas noutro ponto do lagar, mantém a mesma forma das primeiras fazendo com que o processo fosse o mesmo. A 11ª cuba construída em 1954 situa-se sozinha pois era utilizada para o armazenamento da aguardente.
Com o passar dos anos da não actividade, este lagar encontra-se em prefeitas condições e intacto, com as cubas limpas e sem qualquer musgo.
Depois de uma limpeza geral e de tentar repor todos os pequenos objectos encontrados nos seus respectivos lugares, também foram encontradas algumas garrafas de vinho provavelmente do último ano de colheita que se encontravam no baixo corredor posterior ás cubas, garrafas estas que o seu vinho depois de ser arejado é uma relíquia.
Estas e muitas outras razões fizeram com que o seu novo proprietário, Francisco Nibau, habitante da freguesia quis restaurar este lagar de vinho. A preservação desta antiguidade pouco existente neste concelho talvez tenha sido o seu maior motivo pela restauração este que é sem dúvida um monumento de prestígio da nossa aldeia.
Edgar Fernandes