Há pessoas que sofrem do «complexo de Deus», porque pensam que tudo o que é pertença sua, desde a material à espiritual, é o máximo que existe no Mundo. Essas pessoas não sabem que toda a arrogância será castigada. Leiam com atenção esta fábula. E você, querido leitor(a), que tem a ambição normal de qualquer ser humano, ter o suficiente para viver com dignidade, leia e medite um pouco.

António EmidioEsta fábula foi escrita por Philipp Otto Runge, pintor alemão do século XIX.
Um homem e a sua respectiva mulher, viviam numa casa humilde junto a um lago. Todos os dias a mulher ia pescar para comerem. Um dia pescou um peixe muito bonito e raro que lhe pediu para o não matar, porque era um príncipe encantado. Ela deixou-o viver, mas contou tudo ao marido. Este, terrivelmente ambicioso e astuto, mandou a mulher ir ter com o peixe para o pôr à prova, a ver se era ou não um príncipe encantado. «Pede-lhe que transforme a nossa casa num palácio». De facto, a humilde casa foi transformada num palácio. O ambicioso marido mandou-a novamente falar com o peixe para este o transformar em Rei e dar-lhe um reino. Tudo o que então se via do palácio era pertença dele e, quando a mulher chegou, viu-o vestido de Rei com uma coroa na cabeça. Ele não parou, manda novamente a mulher falar com o peixe, para que ele o transforme em Papa. Ela, triste por ver tanta ambição da parte do marido, lá falou com o peixe. Ao regressar viu o marido vestido de Papa com multidões joelhadas diante dele, e a ser adulado por cardeais e bispos. Ambição cega, quis ser Deus! A pobre mulher voltou a pedir ao peixe o que o marido lhe dissera para pedir, transformá-lo em Deus. Mas desta vez, ao chegar a casa teve uma surpresa, encontrou o marido pobre e transfigurado por uma doença.
Aqueles e aquelas que vivem com excessivas pretensões, mais tarde ou mais cedo serão castigados. Também quem andar à sua volta, sofrerá traições e decepções, porque os gananciosos e ambiciosos só se relacionam com quem lhes trouxer algum proveito e, quando já não necessitarem das pessoas «atiram com elas para a rua».
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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